2. BÖLÜM: GÖNÜLLÜLÜK
2.4. Türkiye’de Genç Gönüllülüğü
2.4.2. Gençleri Gönüllü Olmaya Sevk Eden Faktörler
Com o intuito de compreender este novo modelo de Educação, Buxarrais (1997) salienta que se faz necessário contrastar suas características e peculiaridades com outros modelos que a escola tenha adotado historicamente.
• Modelos de Educação baseados em valores absolutos
Estes modelos de grande tradição pedagógica se baseiam em uma visão de mundo que conta com um conjunto de valores e normas de conduta indiscutíveis e imodificáveis. Os valores e as normas se impõem com a ajuda de algum poder autoritário e tem como objetivo regular todos os aspectos da vida pessoal e social. Parte-se do princípio de que a pessoa vai se aperfeiçoando a medida que se aproxima da idéia ou imagem representada por um padrão previamente estabelecido. Trata-se de modelos de Educação de caráter adaptativo que tem como principal finalidade a transmissão unilateral de valores e normas que devem ser respeitadas.
• Modelos de Educação baseados em valores relativos
Estas posturas partem da convicção de que valorizar algo supõe tomar uma decisão fundamentada em critérios totalmente subjetivos. Portanto, não é possível afirmar que uma norma ou comportamento determinado seja melhor, mas sim que são as circunstâncias pessoais e do meio que determinam a opção que cada pessoa prefere ou considera oportuno
tomar. De acordo com estes modelos as opções morais são decisões de caráter exclusivamente individual, afastadas dos pontos de vista e necessidades de todas aquelas pessoas que formam a coletividade implicada em um determinado conflito de valores.
• Modelos de Educação baseados na construção racional e autônoma dos valores
Trata-se de trabalhar a dimensão moral da pessoa, desenvolver e promover sua autonomia, sua racionalidade e o uso do diálogo como forma de construir princípios e normas, tanto cognitivos como de condutas, que orientem as pessoas diante situações de conflito de valores. Este modelo se distancia das posições autoritárias e heterônomas, assim como daquelas posições que diante de situações de conflito moral, afirmam que tudo depende dos critérios subjetivos. Pelo contrário, deve-se oferecer a toda pessoa em situação educativa os conhecimentos, procedimentos e atitudes que façam possível a construção de critérios morais próprios, derivados da razão e do diálogo, solidários e não sujeitos da pressão coletiva ou das exigências heterônomas não aceitas autonomamente como válidas e necessárias.
A proposta de Educação Moral defendida por Buxarrais (1997) considera que diante de um conflito de valores não é possível prescindir de dois princípios: autonomia que significa que é a própria pessoa que formula, elabora e aceita a lei que governa a sua própria conduta e a razão dialógica que supõe que quando uma pessoa se encontra diante um conflito de valores (tanto individual como coletivo) toma as decisões utilizando o diálogo e a razão. “El respeto a la autonomía personal, y la consideración de los temas conflictivos a través de un diálogo fundamentado en buenas razones, son condiciones básicas para conseguir formas de convivencia personal y colectiva más justas” (BUXARRAIS, 1997, p. 87).
De acordo com Piaget (1996), os procedimentos da Educação Moral podem ser classificados sob diferentes pontos de vista. Primeiramente, do ponto de vista dos fins perseguidos. Em segundo lugar, podemos considerar o ponto de vista das próprias técnicas.
Em terceiro lugar, os procedimentos de Educação Moral podem ser classificados em função do domínio moral considerado.
I - Fins da Educação Moral
Os psicólogos e educadores concordam que nenhuma realidade moral é completamente inata. O que é dado pela constituição psico-biológica do indivíduo são as disposições, as tendências afetivas e ativas. Piaget (1996) aponta que existem duas morais nas crianças, isto é, duas maneiras de sentir e de se conduzir que resultam da pressão no espírito da criança de dois tipos fundamentais de relações interindividuais, pois segundo o autor “são as relações que se constituem entre a criança e o adulto ou entre ela e seus semelhantes que a levarão a tomar consciência do dever e a colocar acima de seu eu essa realidade normativa na qual a moral consiste” (PIAGET, 1996, p. 3). Essas duas morais são muito diferentes durante a infância e se conciliam mais tarde, durante a adolescência.
O respeito constitui o sentimento fundamental que possibilita a aquisição das noções morais. Segundo M. Bovet (apud PIAGET, 1996) são necessárias duas condições para que se desenvolva a consciência de obrigação: em primeiro lugar, que um indivíduo dê conselhos a outro e, em segundo, que esse outro respeite aquele de quem emanam os conselhos. Podem-se distinguir dois tipos de respeito. Em primeiro lugar, há o respeito
unilateral, porque ele implica uma desigualdade entre aquele que respeita e aquele que é
respeitado. Este respeito implica uma coação do superior sobre o inferior; é, pois, característico de uma primeira forma de relação social denominada de relação de coação. Em segundo lugar, existe o respeito mútuo, porque os indivíduos que estão em contato se consideram como iguais e se respeitam reciprocamente. Esse respeito não implica nenhuma coação e caracteriza um segundo tipo de relação social denominado de relação de
A existência de duas morais se explica por esses dois tipos de respeito. O respeito unilateral junto com a relação de coação moral leva a um resultado específico que é o sentimento de dever, resultante da pressão do adulto sobre a criança, permanecendo essencialmente heterônomo. Por outro lado, o respeito mútuo e as relações de cooperação promovem uma moral caracterizada por um sentimento diferente, o sentimento do bem, em que a reciprocidade idealizada tende a tornar-se inteiramente autônoma.
Portanto, em se tratando do fim da Educação Moral, Piaget (1996) defende a constituição de personalidades autônomas aptas à cooperação.
II – As técnicas gerais da Educação Moral (EM)
Piaget (1996) ressalta três aspectos a serem considerados ao se estudar os procedimentos de Educação Moral do ponto de vista das técnicas:
1. em que tipo de respeito ou relações interindividuais estão fundamentados os procedimentos de EM;
2. as diferentes maneiras de utilização do ensino oral;
3. os procedimentos de EM recorrem ou não à própria ação da criança.
1) Autoridade e Liberdade
O procedimento mais conhecido de EM é o que recorre exclusivamente ao respeito unilateral. Este procedimento é comum na pedagogia familiar e na disciplina escolar tradicional. Como exemplo de um modelo de Pedagogia Moral fundada na autoridade, Piaget (1996) aponta a obra de Durkheim: A Educação Moral, onde o autor defende a tese de que por meio da autoridade se pode chegar à moral da cooperação, ou seja, se pode formar personalidades livres e autônomas.
As observações de Piaget (1996) à pedagogia tradicional da autoridade defendida por Durkheim salientam que:
! a Educação Moral fundada sobre o respeito unilateral (ao adulto ou às regras) desconhece a existência das duas morais presentes na criança. E por reconhecer apenas o respeito unilateral, negligencia a importância do respeito mútuo;
! no que concerne à disciplina, por exemplo, não há somente um, mas dois tipos de regras: a regra exterior, aceita pelo respeito unilateral, e a regra interior devido ao acordo mútuo. Sendo a segunda mais eficaz.
Num outro extremo da Pedagogia Moral defendida por Durkheim (apud PIAGET, 1996) existem escolas que adotam procedimento de EM fundados na liberdade absoluta da criança, nas quais não se admite nenhuma coação adulta e nenhuma indicação cobre a maneira de conduzir-se junto aos seus iguais ou aos mais velhos.
Sobre esta postura, Piaget (1996) questiona, se na ausência do respeito unilateral, a criança chegará por si mesmo ao respeito mútuo e à cooperação. Sendo assim, afirma que a verdade está entre o respeito mútuo e o unilateral, portanto nenhum deve ser negligenciado, pois, os dois são fontes da vida moral infantil.
2) Procedimentos Verbais da Educação Moral
Da mesma forma que a escola pensa ser suficiente falar a criança para instruí-la, os moralistas contam com o discurso para educar a consciência. Podem-se distinguir algumas variações do ensino moral verbal, são elas:
• lição de moral propriamente dita;
• conversações morais sob forma de relatos;
• procedimento que se utiliza das diferentes matérias para tecer considerações morais; • procedimento que consiste em não falar de moral senão a partir das experiências
Os métodos orais, segundo Piaget (1996), repousam sempre sobre um fundo de respeito unilateral. Ele acredita que todas as lições de moral deveriam constituir-se numa resposta a uma questão prévia. Nesse sentido as lições de morais deveriam ser resultado de discussões entre as crianças sobre os problemas relativos à vida. O educador (o adulto) contribuirá com sua opinião apenas quando solicitado.
3) Métodos Ativos da Educação Moral
A Educação Moral ativa supõe que a criança possa fazer experiências morais e que a escola constitui um meio próprio para tais experiências. Três pontos devem ser assinalados a este respeito:
1- na escola ativa, a Educação Moral não constitui uma matéria especial de ensino, mas um aspecto particular de toda a atividade escolar;
2- a escola ativa supõe necessariamente que as atividades sejam realizadas cooperativamente;
3- os procedimentos ativos, especificamente morais, se inspiram na noção de auto-governo.
III – Procedimentos classificados conforme os domínios da Educação Moral
De acordo com Piaget (1996), não importa qual seja o domínio (formação do caráter, cultivo da bondade, veracidade, dentre outros) em que se estenda a Educação Moral, o método ativo visa sempre:
1º) não impor pela autoridade aquilo que a criança possa descobrir por si mesma;
2º) criar espaços sociais nos quais as crianças possam realizar as experiências desejadas. Sendo assim, o currículo de Educação Moral deve levar em consideração que é a partir das relações estabelecidas entre os indivíduos que a vida moral se desenvolve e que toda a atividade realizada pela criança contribuirá para a sua Educação Moral.