4. MALĠ TABLOLAR
4.4. Gelir Tablosu
Alguns críticos consideram a análise a partir de metodologia quantitativa insuficiente para recuperar aspectos subjetivos do processo informacional ou que o método limite a realidade ao rigor do cálculo. Outros pesquisadores defendem a utilização desse método exatamente pelas suas características objetivas, certo distanciamento necessário do pesquisador e de seus valores em face do objeto, como alerta Durkheim (1999). Além dis so, a quantificação pode ser útil ao subsidiar o pesquisador com dados e estatísticas. Mesmo a quantificação sofre influências d a complexa e às vezes inexplicável multifacetada realidade e , caso venha a obscurecer aspectos menos evidentes que permeiam as re lações sociais, é reservada certa subjetividade na análise dos números revelados.
A pesquisa qualitativa não se preocupa em estabelecer princípios e generalizar seus dados pois o foco é centrado no particular, no indivíduo, em suas motivações, atitudes, sentimentos, privilegiando a compreensão dos fenômenos estudados. A abordagem autoriza ainda ao pesquisador uma ampliação de técnicas interpretativas no sentido de decodificar, traduzir, interpretar e analisar o significado dos fenômenos observados a partir dos dados coletados, conforme assegura La Ville e Dionne (1999) para a análise de dados em pesquisa
qualitativa: “o pesquisador decide prender -se às nuanças de sentido que existem entre as
unidades, aos elos lógicos entre essas unidades ou entre as categorias que as reúnem”. Não há regras formalmente definidas ; a análise é menos codificada que na abordagem quantitativa, embora as inferências subjetivas, no entanto, não desobrig uem o esforço de um relato objetivado, explicada e justificada cada etapa perco rrida (1999, p. 227).
Dentre as três estratégias de análise e de interpretação qualitativas enumeradas por La Ville e Dionne (1999, p. 227) consideramos que nosso trabalho tenha se encaixado entre a primeira e a terceira abordagem:
Emparelhamento: associação de dados recolhidos (registrados em um quadro operacional) a um modelo teórico anteriormente discutido com a finalidade de compará-los.
Análise histórica: apoiado em um quadro teórico, elabora -se um roteiro sobre a evolução do fenômeno ou da situação
explicação lógica do fenômeno ou da situação estudados pois não supõe a pré - existência de um ponto de vista teórico. Neste caso, a hipótese “é simultaneamente desenvolvida e verificada, ainda que em parte, em um vai -e-vem entre reflexão, observação e interpretação, à medida que a análise progride”.
Para tentar responder aos questionamentos propostos nesta tese, adotamos como estratégias de verificação o estudo de caso , procurando explicações que circunscrev essem exatamente o comportamento e o ambiente informacional da comunidade dos estudantes de Comunicação Social da UFV. O estudo de caso é apropriado para investigar em profundidade situações internas de um grupo ou comunidade em que não haja necessidade ou possibilidade de comparações com outros grupos. Em nossa proposta inicial de investigação consideramos reduzida a possibilidade de realização de experimentos simultâneos comparativos com estudantes de outras universidades , pois nossa hipótese principal foi que o comportamento informacional fosse definido pela situação e pelo contexto específico dos usuários. Logo, eventuais comparações entre evocação de notícias de universos distintos não traria conclusões, além de nossa pret ensão em conhecer em profundidade o universo dos estudantes viçosenses.
Yin (2005) prefere a estratégia de estudo de caso para pesquisas focadas em questões
do tipo “como” e “porque” e também quando há pouco controle sobre os eventos
contemporâneos. Para ele, o estudo de caso é “uma investigação empírica que investiga um fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto da vida real, especialmente quando os
limites entre o fenômeno e o contexto não estão claramente definidos”.
Embora as conclusões de um estud o de caso sejam, a priori, apenas para a pesquisa considerada, Laville & Dionne afirmam que o resultado também pode ser generalizável se
aquele caso puder se considerado “como típico de um conjunto mais amplo do qual se torna o representante”, ou que possa “ajudar a melhor compreender uma situação ou um fenômeno complexo, até mesmo um meio, uma época” (1999, p. 156). Em complexas situações
socioculturais, acrescenta Chizzotti (2006), o estudo de caso pode ser tomado como significativo do todo, como referênc ia. Uma das vantagens do estudo de caso, segundo Laville & Dionne (1999), é a possibilidade de adaptações dos instrumento de coleta ao longo do levantamento dos dados, o que realmente auxiliou nesta investigação.
Utilizamos métodos qualitativos e quantita tivos para o mapeamento informacional e para o experimento de evocação, como aplicação de questionários, técnicas de acompanhamento de leitura e aprofundamento por intermédio de grupos focais. A análise quantitativa predominou na primeira fase do estudo d e caso, em que demarcamos o ambiente informacional e similaridades e diferenças de consumo de informação dos usuários.
Para a segunda fase, já no experimento, escolhemos e adaptamos a técnica Message Questioning Interview (DERVIN, 1983) por ter permitido um acompanhamento rigoroso, eficaz e pari passu no exato momento da leitura, possibilitando a observação de lacunas de informação. Metódico, o procedimento autoriza o usuário a pontuar livremente sua experiência de leitura, sem nenhuma interferência do pes quisador. Na terceira fase, promovemos o experimento de evocação por intermédio de formulários com questões abertas.
As entrevistas foram registradas e classificadas, servindo de base norteadora para as etapas seguintes: análise estatística e de conteúdo d os dados, codificação, verificação, interpretação, avaliações qualitativas e quantitativas, conclusão da pesquisa e redação do relatório. Em todas as etapas da s atividades, as observações foram anotadas em um caderno de campo. Durante o procedimento de lei tura dos jornais, igualmente registramos observações que foram julgadas pertinentes, como tempo e ordem de le itura, entre outras.