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GELİR DAĞILIMI

Consta, no Projeto Pedagógico (2012, p. 30), da escola:

Autonomia, responsabilidade e solidariedade exigem, por parte do adulto que trabalha com a criança, uma nova mentalidade que a perceba como um ser integral, completo; capaz de tomar decisões, portador de saberes e capaz de organizar-se para aprender. Isso exige dos adultos uma nova postura em relação às crianças e aos adolescentes, ou seja, ajudá-los a se constituir como sujeitos autônomos, responsáveis e solidários e não se tornarem cópias dos adultos. Esta nova mentalidade exige que o adulto caminhe lado a lado da criança e do adolescente.

Como se percebeu no capítulo anterior, ao final de 2011, começou a fomentar a necessidade da criação de uma República de Alunos, que teria o dever de estabelecer as regras a serem seguidas na escola. Os professores organizaram um roteiro de estudos para que os alunos pudessem entender qual era a finalidade de uma república e sua importância na vida das pessoas.

É comum encontrar nas escolas, sejam elas municipais ou estaduais, os chamados grêmios estudantis, amparados pela Lei nº 7.398, de 4 de novembro de 1985, assinada pelo então Presidente da República Federativa do Brasil, José Sarney, a qual recebeu o nome de Lei do Grêmio Livre. Essa Lei dispõe sobre a organização de entidades representativas dos estudantes de 1º e 2º graus e dá outras providências, como pode ser observado em seu texto:

Art. 1º- Aos estudantes dos estabelecimentos de ensino de 1º e 2º graus fica assegurada a organização de Grêmios estudantis como autônomo representativas dos interesses dos estudantes secundaristas, com finalidades educacionais, culturais, cívicas, desportivas e sociais. § 2º- A organização, o funcionamento e as atividades dos Grêmios serão estabelecidos nos seus estatutos, aprovados em assembleia geral do corpo discente de cada estabelecimento de ensino convocada para este fim. § 3º- A aprovação dos estatutos e a escolha dos dirigentes e dos representantes do Grêmio estudantil serão realizadas pelo voto direto e

secreto de cada

Na EMEF Presidente Campos Salles, os alunos, juntamente com os professores e demais funcionários, decidiram escolher outro tipo de organização e criaram a República de Alunos. Enquanto o Grêmio é fruto de uma determinação legal, o Projeto de ação República de Alunos teve sua origem amparada por uma decisão da escola, e foi incorporado no seu PP, após ter sido aprovada pelo Conselho de escola.

No dia 29 de fevereiro de 2012, participei, como observador, da reunião do Conselho de escola. A reunião aconteceu na sala de leitura e contou com a presença de pais, alunos, professores e demais funcionários. Como essa era a primeira reunião do ano, estava na pauta a eleição dos novos membros do Conselho. O diretor falou da importância que esse órgão tinha na escola e fez um breve histórico de algumas conquistas realizadas pelo Conselho em anos anteriores, como por exemplo, a mudança na estrutura das salas e a quebra das paredes.

Em seguida, pediu para que todos se apresentassem e falassem sobre as expectativas para aquele ano. Terminadas as falas, deu-se início à eleição. Todos puderam indicar e receber indicação para ocupar uma vaga no Conselho. Alguns pais eram novos e disseram que estavam contentes em poder colaborar com a escola; outros, mais antigos, compartilharam com os demais o orgulho que tinham em participar daquele Conselho. Finalizada a eleição, o diretor pediu a palavra e lembrou aos presentes que todas as conquistas realizadas, até aquele momento, foram fruto de muitas lutas e que, nesse ano, a escola tinha mais um desafio que seria o de implantar a República de Alunos. Ele mencionou que esse seria um grande passo para a efetivação do projeto pedagógico da escola, cujos princípios podiam ser resumidos no desenvolvimento da autonomia, da liberdade e da solidariedade.

Segundo ele, a República de Alunos seria o espaço onde os alunos poderiam desenvolver e exercitar esses princípios, e os adultos deveriam apoiar os alunos nesse processo. Alguns professores também falaram da importância do novo projeto e se predispuseram a colaborar com os alunos nessa construção. A proposta foi colocada em votação e foi aceita por unanimidade. Ficou acordado que seria instituída uma comissão pré-eleitoral a fim de se responsabilizar pela elaboração do estatuto da República e pela realização das eleições. Três professores se ofereceram como voluntários para participar dessa comissão e verificar quais alunos também gostariam de participar. A comissão

pré-eleitoral foi constituída por três professores, cinco alunos e um membro da equipe gestora (coordenadora).

Almejando que a República tivesse legitimidade, os membros da comissão organizaram as discussões na escola, e um estatuto foi construído coletivamente. Buscando efetivar a participação de todos nessa construção, os alunos realizaram roteiros de estudos (anexo II), relacionados à República de Alunos, discutindo sua importância e funcionalidade. Esse tema também foi discutido nas reuniões de monitoria realizadas, semanalmente, com os alunos e, nesse momento, apareceram alguns questionamentos: quais cargos deveriam existir? Qual deveria ser a atuação de cada membro e como se daria o processo eleitoral?

Houve um grande empenho por parte de todos para que a República fosse colocada em prática. O diretor ressaltou a importância de sua criação, algumas pessoas, mesmo sem saber ao certo, como funcionaria, parecera gostar da ideia.

Na reunião do Conselho de escola, do dia 25 de abril de 2012, reuniram-se, na sala de leitura, seus membros para discutir alguns assuntos de interesse da escola – entre eles, um abordava o meu foco de pesquisa a República de Alunos, e o outro, o “Movimento Sol da Paz”, não está diretamente relacionado, mas foi expresso por acrescentar informações relevantes sobre as características da escola.

Após terem discorrido sobre alguns assuntos, o diretor pediu a palavra e passou a falar a respeito do “Movimento Sol da Paz”. Relatou todo o trabalho em prol do movimento, organizando, em reuniões mensais, a divisão do grupo em comissões, cada uma com sua função específica – comissão de organização do Festival da Paz, comissão de visitas, comissão de comunicação, comissão de agrupamentos e painéis, e comissão de infraestrutura.

Em seguida, uma professora leu o manifesto da 14ª Caminhada pela Paz de Heliópolis, que aconteceria ao dia 14 de junho próximo com o título: Políticas públicas e consciência comunitária, assegurando a construção de uma sociedade educadora. Ao final, o diretor fez uma reflexão sobre os últimos fatos de violência, ocorridos na região, e lembrou que ninguém solucionava nenhum problema sozinho. Portanto, era necessária uma consciência comunitária. A caminhada seria organizada por temas e a EMEF Presidente Campos Salles trabalharia com o tema “saúde”.

Em seguida, o professor Pedro falou sobre o processo de elaboração do regimento para a eleição dos membros que iriam compor a República de Alunos, depois realizou a leitura do regimento. O diretor falou da importância e da responsabilidade de todos os envolvidos neste processo e salientou que a República de Alunos corroboraria com o projeto pedagógico da escola, onde todos, dentro da unidade – diretor, professores, funcionários e alunos –, teriam a mesma importância.

O professor Hudson, integrante da comissão de elaboração do regimento, relatou, resumidamente, o desenvolvimento desse trabalho. Para ele, tudo que envolvia a composição da República de Alunos era fruto de um longo trabalho com os alunos, principalmente o do primeiro período. Após ter sido apresentado para o conselho, o Regimento da República de Alunos (anexo III) foi aprovado e passou a integrar o PP da escola, de maneira formal.

Benzer Belgeler