GÜNDEMDEKİ MEVZUAT DEĞİŞİKLİKLERİ
DEĞİŞİKLİK YAPILMASINA DAİR YÖNETMELİK
Para ser candidato a um cargo da república, o aluno deveria fazer parte da comissão mediadora, escolhida em cada salão no início do ano. Essa comissão funciona como uma “espécie” de partido político de cada salão. Após a escolha dos alunos, essa comissão organizou algumas reuniões para verificar a conduta de cada candidato e a sua aptidão para ser um membro da República de Alunos.
Para entendimento deste processo, observei uma reunião pré-eleitoral da comissão do salão do 6º ano, no dia 30 de abril de 2012. A narrativa demonstra claramente como isso ocorreu.
Na sala de JEIF, a coordenadora reuniu os alunos, membros da comissão mediadora do 6º ano, para realizarem uma avaliação dos possíveis candidatos. Estavam presentes, na reunião, oito alunos, dos quais três eram meninos; e cinco, meninas. A coordenadora pediu para que cada um fizesse uma avaliação de seu comportamento, de suas atitudes no salão e de suas responsabilidades diante da realização das atividades dos roteiros e colaboração com o seu grupo – dessa maneira, poderiam sentir-se aptos para ocupar um cargo na República.
Inicialmente, os alunos foram falando um por um. Alguns diziam que se sentiam comprometidos e que estavam com suas obrigações em dia; outros falaram que estavam com dificuldade para se concentrar e. por isso, não conseguia ficar sentado o tempo todo
em seu grupo, o que o fazia descumprir um dos acordos, que era permanecer no grupo. A coordenadora ouviu a todos e disse que, muitas vezes, também tinha dificuldade para permanecer quieta e se concentrar, mas que estava lidando com isso, e que o mais importante era os alunos reconhecerem onde estavam errando – esse era o primeiro passo para uma mudança.
Uma aluna lembrou de que, naquele salão, existia um colega que não deixava ninguém ficar quieto, mexia com todos, não fazia a sua lição e não permitia que os outros a fizessem. Muitos colegas apoiaram a aluna e disseram que, realmente, esse menino era insuportável e que não o aguentavam mais no salão. A coordenadora disse que, na vida, muitas vezes, temos que conviver com pessoas que nos incomodam e que nem sempre poderemos, simplesmente, nos livrar à hora que quisermos. Ela, então, questionou o que eles haviam feito para ajudar o colega. Nesse momento, uma aluna informou que já havia tentado conversar com ele, só que não houve mudança alguma; outros disseram o mesmo. Uma aluna de pele negra disse: “ele me chamou de preta, macaca e fedida”. Todos ficaram em silêncio, demonstrando constrangimento com o ocorrido, e alguns disseram que também já haviam sido xingados por ele.
A coordenadora perguntou para a menina como ela se sentido no momento em que ele a agredira. A menina disse que ficou triste, mas olhou firme para ele e disse: “eu sei que você não esta falando isso do seu coração, e eu não sou nada disso que você disse”. Ela informou que o menino mora perto de sua casa e passa por muitas dificuldades familiares. E finalizou dizendo: “eu sei que ele não é uma má pessoa, com a vida que ele leva não esperaria nada diferente dele, por isso temos que ajudá-lo”.
A partir daí, a conversa mudou de direção. A coordenadora perguntou se mais alguém conhecia o menino fora da escola. Alguns disseram que o conheciam e que realmente ele tinha uma vida muito difícil. Ela se lembrou de uma boneca que havia ganhado do menino, e que havia enxergado, naquela atitude dele, uma forma de demonstração de carinho. Os alunos também relataram momentos onde o menino havia sido legal com eles e que, muitas vezes, fora da escola, ele não era tão ruim. Ela, então, disse: “estão vendo? Ninguém é cem por cento ruim e, nem cem por cento bom. Talvez aquela fosse uma forma de chamar a atenção na escola.”
Ela lembrou os alunos de que um dos princípios do PP é a solidariedade – aquela seria uma oportunidade para que eles fossem solidários com ele. Ressaltou que não era passando a mão na cabeça, mas sim tentando ajudá-lo a superar essas dificuldades de
comportamento. Os alunos finalizaram a reunião, acordando de que, a partir dali, tentariam ajudá-lo e que se esforçariam para compreendê-lo melhor, mas que também iriam chamar a atenção dele, caso fosse necessário. Nessa reunião, apenas dois alunos demonstraram interesse em concorrer a um cargo na República de Alunos.
Outras reuniões ocorreram e, estabelecidas as comissões, os alunos fizeram as indicações dos cargos que desejariam ocupar. A seguir, a descrição dos cargos e respectivas competências:
Art. 5º Haverá 5 (cinco) cargos neste pleito. O nome do cargo e o número total destes para este pleito são os seguintes:
I. Prefeito II. Vice-prefeito III. Secretário IV. Vereadores
V. Membro da Comissão de Ética
Art. 6º - Cabe ao Prefeito manter, defender e cumprir o PPP, observar as leis, e promover o bem geral dos estudantes desta unidade, sustentar a união e a integridade da EMEF Pres. Campos Salles.
Art. 7 - Cabe ao Vice-Prefeito substituir o Prefeito, no caso de impedimento, e suceder- lhe, no caso de vaga. Além dessa função, o Vice-Prefeito auxiliará o Prefeito, sempre que convocado para assuntos especiais.
Art. 8º - Cabe ao Secretário, de forma geral, tomar medidas que assegurem a aplicação das regras, aprovadas pelos vereadores.
§ 1º - Haverá 4 (quatro) Secretarias, cujas atribuições específicas lhes seguem o nome: I. Secretaria da Comunicação: tem como atribuição tornar público todo e
quaisquer trâmites e decisões dos Poderes, Legislativo e Judiciário; II. Secretaria da Convivência e Diversidade: tem como atribuição promover
ações da convivência entre os sujeitos da comunidade escolar, primando pela equidade;
III. Secretaria da Cultura e do Esporte: tem como atribuição viabilizar ações culturais dos próprios alunos, além de proporcionar a ampliação do repertório cultural de todos os sujeitos que compõem a comunidade escolar;
IV. Secretaria da Saúde e Ambiente: tem como atribuição promover a preservação do ambiente escolar e entorno, tendo como princípio norteador das ações a sustentabilidade.
Art. 9º - Cabe ao Vereador, com a aprovação do prefeito, dispor sobre todas as matérias de competência da escola. Ao Vereador compete, especificamente, promover o debate e aprovação de regras gerais da escola, mediante consulta às outras instâncias representativas, assim como para toda a comunidade escolar.
Parágrafo Único - Serão eleitos 2 (dois) Vereadores por salão (PP da escola). A partir daí, iniciaram a campanha eleitoral: os alunos gravaram vídeos com as propostas e apresentaram para toda a escola o que fariam, caso ocupassem o cargo pretendido. A eleição aconteceu na sala de informática, com o auxílio da professora responsável pelo espaço. A exemplo das eleições oficiais, o voto foi individual e
secreto. Pude perceber que todos os alunos se envolveram com esse momento, realizando debates e levantando as necessidades da escola e inclusive da comunidade. Essa pareceu ser uma experiência muito rica para os alunos, uma vez que puderam apresentar seus problemas e compartilhar com todo o grupo escolar, buscando alternativas e soluções.
Após ocorrer as eleições, os alunos eleitos tiveram a sua posse endossada pelo Conselho de escola, no dia 25 de junho de 2012. Nesse dia, estavam, na pauta da reunião, Avaliação da 14ª Caminhada da Paz e a Posse dos membros eleitos para cargos da República de Alunos.
O diretor iniciou a avaliação da caminhada, dizendo: “este ano, a caminhada foi muito importante, com uma grande participação de todos os envolvidos. Considero que a melhor ação do “Movimento Sol da Paz” foi descentralizar o Festival da Paz, que ocorreu em dois dias em diversos pontos de Heliópolis”. Ele relatou que, ao observar a apresentação das crianças da EMEI, sentiu que os adultos têm uma responsabilidade muito grande com essas crianças. Em hipótese nenhuma, pode-se ser indiferente na busca da transformação social. Para ele, o maior movimento que a escola possui é a Caminhada pela Paz e o Movimento Sol da Paz, que têm a tarefa de atingirem a todos para além das diferenças entre as entidades – referindo-se as demais unidades, EMEI, CEI e ETEC.
Em seguida, o professor Pedro deu início à discussão do próximo item da reunião – a posse dos membros eleitos para os cargos da República de Alunos. Depois de apresentar o regimento que fundamentou o processo eleitoral, salientou que todos os eleitos precisavam comungar e defender o PP da escola, que serviria como embasamento para as ações da República. Ressaltou, ainda, a grande responsabilidade que todos estavam assumindo.
O diretor pediu a palavra e relatou que, quando entrou na escola, havia três grupos de funcionários, preocupados com causas próprias, menos com os alunos. Ocorriam várias brigas, existiam alunos que fumavam maconha, na quadra de esportes, e vários outros problemas. Ocupando o cargo de diretor, acreditava em dois princípios: tudo passa pela educação, e a escola deve ser o centro de liderança. A partir daí, buscou várias parcerias com a comunidade e os problemas começaram a melhorar. Segundo suas palavras: “a tarefa para a transformação é árdua, mas não devemos desanimar, pois nosso trabalho tem sentido!”. Disse que, atualmente, percebia que os professores eram
sensíveis e abertos à mudança, mas precisavam da ajuda dos alunos para resolver os problemas da escola. Seu grande sonho era poder ver que tanto alunos, quanto professores viriam de bom grado para a escola e não obrigados.
O professor Hudson expressou que esse trabalho só estava acontecendo, devido ao fato de que todos, naquela escola, acreditavam no ser humano. Nenhum aluno eleito foi eleito para se portar como um “policial”, mas para ser um grande articulador entre todos os alunos da escola, com a capacidade de influenciar as pessoas, a partir daquilo que cada um acredita. Dando prosseguimento à reunião, o professor Pedro deu posse aos membros da República de Alunos. Esse foi um momento onde todos os envolvidos nesse processo demonstravam muito contentamento e esperança no sucesso da República. Após algumas pessoas proferirem palavras de incentivo para os alunos eleitos, a reunião foi encerrada.
Terminado o período da posse e da animação, os alunos passaram a realizar reuniões para discutirem os assuntos relacionados à República. Essas reuniões aconteciam, em sua maior parte, com a presença de um, ou dois, professores voluntários que auxiliavam os alunos na organização das reuniões e apresentavam alguns encaminhamentos. Durante essas reuniões, observou-se que a relação estabelecida não tinha um caráter vertical – os professores não eram os responsáveis pelas reuniões, pareciam estar ali como Conselheiros.