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GELİŞMİŞ ÜLKELERDE ASKERÎ İŞ UYGULAMALARI

Dentre os documentos encontrados parece haver um hiato entre o trabalho de D‟Ávilla e a inclusão do tema das classes de recuperação na legislação, uma vez que a 1ª Lei de Diretrizes e Bases, publicada em 20 de dezembro de 1961, pelo presidente João Goulart, não fez qualquer referência a ações voltadas a alunos que não obtivessem bons rendimentos escolares.

Cabe aqui um breve retrocesso na história para se ter melhor compreensão do processo de construção e do lugar ocupado por esta primeira LDB.

A primeira Constituição do período republicano, datada de 1891, dava às unidades federativas ampla liberdade e autonomia quanto aos assuntos da educação, entendendo que a legislação nessa matéria deveria ser resolvida no âmbito dos estados. Cabia à Federação apenas o ensino superior da capital (art. 34º), a instrução militar (art. 87º) e a tarefa de "animar, no país, o desenvolvimento das letras, artes e ciências" (art. 35º). Não havia nessa Carta nem na anterior (Constituição de 1824) sequer a menção à palavra "educação".

Até a década de 1930, os assuntos ligados à educação foram tratados pelo Departamento Nacional do Ensino, ligado ao Ministério da Justiça.

O impacto da Revolução Burguesa de 1930 torna necessário o remanejamento do capital econômico aplicado no setor agrícola para o setor industrial, apontando para uma nova organização das relações econômicas, políticas, culturais e sociais e trazendo, assim, novas

exigências educacionais. A concentração nos centros urbanos tornou fundamental a qualificação para o trabalho e ocasionou modificações profundas na forma de conceber a educação, visando atender às funções caracterizadas no modelo de desenvolvimento implantado e indicando a necessidade do oferecimento de instruções básicas à população (SANTOS, 2007).

Os primeiros esforços nesse sentido, entretanto, primaram por características contraditórias, antagônicas, entre a pressão popular para a expansão das oportunidades educacionais e o controle das elites, a quem interessava manter a educação restrita aos seus filhos. A criação do Ministério da Educação, em 1931, impulsionou fortemente a inclusão da educação na Legislação Nacional, tendo como consequência um capítulo inteiro relativo ao tema na Constituição de 1934. Outorgava-se, agora, à União a responsabilidade de "traçar as diretrizes da educação nacional" (art. 5º) e "fixar o plano nacional de educação em todos os graus e ramos, comuns e especializados", para "coordenar e fiscalizar a sua execução em todo o território do país" (art. 150º).

Por meio da unidade gerada por um plano nacional de educação e da escolaridade primária obrigatória, pretendia-se combater a ausência de unidade política, sem, com isso, tirar a autonomia dos estados na implantação de seus sistemas de ensino especificos – ideia defendida pelos educadores liberais, dentre os quais destacava-se Anísio Teixeira. A Carta de 1934 pode ser considerada uma vitória do grupo de educadores liberais, organizados por meio da Associação Brasileira de Educação, buscando atender suas principais proposições (SANTOS, 2007).

Essa carta estabelecia as bases para a construção de práticas estaduais, considerando as necessidades específicas. No caso de São Paulo, cabe considerar a proximidade nas datas entre a carta de 1934 e o ano em que D‟Ávilla propõe o primeiro programa de recuperação escolar – 1936. Uma vez que os estados deveriam encontrar as soluções autônomas para a resolução dos impasses educacionais, entre os quais os altos índices de reprovação, a proposta de recuperação mostrava-se promissora.

A Constituição de 1937, promulgada junto com o Estado Novo, sustentava, entretanto, princípios opostos às ideias liberais e descentralistas da Carta anterior. Rejeitava um plano nacional de educação, atribuindo ao poder central a função de estabelecer as bases da educação nacional. Com o fim do Estado Novo, a Constituição de 1946 retomou, em linhas gerais, o capítulo sobre educação e cultura da Carta de 1934. Começava, ali, a longa gestação da 1ª Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que só veio a ser sancionada em 1961,

quase 30 anos depois (ADRIÃO & OLIVEIRA, 2001; FONTOURA, 1968; VILALOBOS, 1969).

Nos 120 artigos da 1ª Lei LDB não há qualquer referência explícita a Projetos de classes de recuperação. Entretanto, considerando que há, indiretamente, pressupostos que guardam semelhanças, permitindo aproximações, farei, a seguir, uma breve análise abordando os pontos comuns entre o Programa de Antonio D‟Ávilla e as propostas da 1ª Lei de Diretrizes e Bases Nacional.

Os artigos “Do Ensino Primário”, “Da Assistência Social Escolar” e “Dos recursos para a Educação” seriam os que mais se aproximaram, no meu entender, das proposições de D‟Ávilla (artigos 25 e 28 do Título IV, capítulo II; art 90 do Título XI; art 93 do Título XII – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – 1961).

O artigo denominado “Do Ensino Primário” inicia-se indicando a finalidade deste grau educacional: “o desenvolvimento do raciocínio e das atividades de expressão da criança e sua integração no meio físico e social”. D‟Ávilla atribui à administração escolar o levantamento anual do registro de crianças matriculadas e o incentivo e fiscalização da frequência às aulas.

Outro aspecto enfocado por D‟Ávilla e também mencionado pela LDB diz respeito a provisão, orientação, fiscalização e estímulo aos “serviços de assistência social, médico- odontológico e de enfermagem aos alunos” (Título X denominado “Da Assistência Social Escolar”).

Por fim, o artigo denominado “Dos recursos para a Educação” revela a importância de que se assegure “o acesso à escola pelo maior número possível de educandos” e “a melhoria progressiva do ensino e o aperfeiçoamento dos serviços de educação” (art 93 do Título XII). Este último item poderia, de modo indireto, respaldar a necessidade de classes de recuperação, mas relembramos que em nenhum dos artigos dessa Lei que direciona a educação no país há qualquer menção da necessidade de recuperação. Evidencia-se, assim, que, embora D‟Ávilla tenha sido muito influente na educação paulista, sua proposta de apoio às crianças com dificuldades não teve espaço na 1ª Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, vindo a recuperação escolar a se fazer presente apenas na LDB seguinte, datada de 1971.

Benzer Belgeler