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6.2. Öneriler

6.2.3. Program Geliştirmeye Yönelik Öneriler

Nesta seção serão analisados os sentidos-e-significados que os professores veem como envolvidos na aplicação dos Cadernos que acompanham a Proposta Curricular. Ressalto que,

65 como na seção anterior, os sentidos-e-significados sobre os problemas na aplicação dos cadernos são recorrentes nas falas dos professores, por isso serão discutidos conjuntamente. Passemos a eles:

• Falta do material didático para os alunos

• Falta de articulação entre material e o livro didático

Antes de iniciarmos a análise, é importante lembrar, conforme mencionado no Capítulo Metodológico, que na fase inicial do projeto, na qual foi realizada a primeira situação de coleta, o material didático foi entregue apenas ao professores. Como consequência desse tipo de distribuição limitada aos docentes, as professoras ressaltaram a dificuldade de desenvolver as atividades propostas em função da falta de recursos, como podemos ver no Excerto 7:

Excerto 7 – Entrevista 1 – Professor de História

2 - Helena Por ela ser a proposta para o estado eu achei ótimo... (...)Agora tem um problema: nós temos muitos livros, a escola recebe muitos livros. Então eu to adequando a proposta aos livros que eu tenho. Eu não uso aquele material lá... a... aquelas... aqueles textos de lá, porque eu também não tenho condição nem de passar na lousa, nem de xerocar. Então eu uso os livros que estão aqui disponíveis na escola e trato o tema que foi escolhido na proposta. Então, é isso que eu to fazendo.

A professora Helena manifesta a impossibilidade de se trabalhar com os textos sugeridos no material, como vemos no trecho: “Eu não uso (...) aqueles textos de lá, porque eu também não tenho condição nem de passar na lousa, nem de xerocar”. Embora não mencionado pela professora, podemos inferir que os motivos pelos quais a professora se sente impossibilitada de utilizar os textos do material didático estão relacionados a extensão e quantidade dos textos, já que a disciplina por ela ministrada (História) contempla os estudos de textos narrativos e documentos históricos.

No excerto a fala professora demonstra que a falta de material a obriga buscar alternativas para o cumprimento da sua atividade. Antes, porém, de explicar a alternativa por ela encontrada, a professora aponta um problema, como vemos inscrito na sua fala “(...)Agora tem um problema: (...) a escola recebe muitos livros”. Esse fato faz com que ela passe a articular os dois materiais, de maneira a adequá-los, como podemos ver no trecho “eu to adequando a proposta aos livros que eu tenho (...)”

Na sequência, Helena explica como se dá essa articulação: “Então eu uso os livros que estão aqui disponíveis na escola e trato o tema que foi escolhido na proposta(...)”

66 Percebemos que a alternativa encontrada pela docente aparentemente soluciona as questões por ela apresentadas. A articulação dos materiais feita pela professora parece indicar que os conteúdos propostos serão desenvolvidos.

Observando a descrição da professora sobre suas ações, podemos afirmar que ela age com certa autonomia e realiza uma adequação para atender os objetivos da Proposta Curricular no que se refere ao cumprimento dos conteúdos. Isso aparentemente está relacionado com experiência adquirida ao longo de sua prática, na qual ela se apoia para realizar, baseada em atividades já realizadas ou situações vividas, a reorganização da atividade ou adequações para enfrentar eventuais problemas (SOUZA-E-SILVA, 2004; SCHWARTZ, 1997).

No entanto, a articulação realizada pela professora não contempla as orientações metodológicas que permeiam os Cadernos do Professor e do Aluno como podemos ver nos excertos a seguir:

Excerto 8 - Entrevista 1 – Professora de História

24 - PP: Isso com relação a proposta, agora com relação aos cadernos. Por que, pelo menos em Português , eles dão quase que passo a passo do que fazer e de como fazer. Em história acontece isso também?

(...)

27 -Helena: É:: Em história também fala comente um texto, leia com eles, veja o:: o problema do vocabulário. Tudo isso eu fiz no jornal (nota rodapé: refere-se ao material distribuído para alunos e professores que tinha como objetivo a recuperação das aprendizagens. Esse material foi recebido por alunos e professores, anteriormente ao materiais Prescrito pela SEE-SP), agora no livro fica mais complicado é o :: eu não faço isso não. Eles leem sozinhos e trabalham sozinhos. Aquele livrinho lá do::, aquelas instruções lá, eu não dei muita bola. ((aponta para o gravador e fala com voz baixa)). Eu faço do meu jeito. (...)Mesmo porque há coisas que não dá para fazer em sala de aula. A realidade é uma e a proposta é outra (...)

A professora inicia sua fala mencionando algumas orientações contidas nos materiais didáticos, tais como “(...)comente um texto, leia com eles, veja o:: o problema do vocabulário (...)”. O comentário da professora Helena parece demonstrar que ela tem conhecimento das estratégias sugeridas para o desenvolvimento do conteúdo. Entretanto, o uso do livro didático, na sua avaliação,

67 inviabiliza a prática sugerida, o que leva professora a uma total ruptura com a prescrição no que se refere a orientações metodológicas.

Podemos observar que a adequação que a professora diz realizar configura-se como uma substituição do material didático. Na sequência, a professora expõe sua posição em relação às “instruções” contidas no material e suas escolhas lexicais no trecho “(...)não dei muita bola (...)” aparentemente demonstram certo descaso em relação as orientações metodológicas. Percebemos, ainda que em sua prática ela decide a maneira sobre como desenvolver a atividade, o que parece evidenciar a sua visão de ensino-aprendizagem, de que o aluno pode trabalhar de maneira mais individualizada. Nesse sentido, ela parece não concordar com o papel do professor de agir como par mais competente para os alunos (Vygotsky, 1934-2001). Conforme discutido no capítulo teórico, é importante que no ambiente escolar se criem espaços de construção compartilhada de conhecimento (Newman & Holzman, 2002). No entanto, ao organizar a atividade de maneira que os alunos possam trabalhar sozinhos, a professora parece não considerar a possibilidade de os alunos aprenderem por meio de sua mediação ou dos colegas.

É importante observar que a justificativa da professora Helena para tal posição nos remete às recorrentes discussões sobre a dicotomia entre teoria e prática. Na avaliação da docente, não é possível realizar em sala de aula algumas das sugestões dos Cadernos, e isso se dá em função da realidade do contexto no qual ela se insere ser diferente daquele projetado pelo material didático.

Os sentidos-e-significados expostos pela professora no que se refere às articulação dos materiais prescritos com o livro didático em função da falta de tais materiais para os alunos nos faz refletir sobre as discussões de Clot (1999) citado por Amigues (2004) sobre o trabalho real, que compreende além da atividade realizada, as atividades não realizadas por impedimentos, abstenção, suspensão da realização da tarefa etc. Esse fatores estariam relacionados às situações de trabalho. Sendo assim, podemos inferir que o trabalho realizado pela professora se distancia do trabalho prescrito por, aparentemente, estar relacionado a uma situação concreta de atividade, que não foi contemplada na proposta.

Essa necessidade de procurar outros meios para trabalhar sem o material prescrito também está presente na fala da professora de Línguas, conforme vemos no seguinte excerto:

68 Excerto 9 – Entrevista 1 - Professora de Línguas

11 - PP: Você nem tentou colocar, usar em vídeo, ou algum outro recurso? (...)

14 – Lídia: Na verdade eu usei as figuras assim.. falando com eles, mostrava para eles, passava nas mesas, que é meio pobrinho assim, né? Na verdade, a minha opinião sobre inglês, é que inglês é uma matéria que deveria ter um livro didático... aliás, na verdade todo esse material que a gente recebeu, eu tinha uma grande esperança no começo do ano, né! Quando ia vir esse material, por causa até mesmo do jornal que veio um para cada aluno. A minha grande esperança era que viria... tudo fosse apostilado como nas escolas particulares que funciona é interessante. Pro aluno ter seu material em mãos, poder trabalhar nele. De preferência uma um material que não fosse reutilizável. Que não pudesse ser reutilizado. Que ele pudesse escrever nele, principalmente de inglês, porque inglês se você ficar passando as coisas na lousa os alunos podem copiar com ... né? Não entender sua letra e tudo mais ... Se for xerocar tudo, você fica louca e... e... tem, muitos textos muitos extensos de inglês para trabalharem ...

(...)

I:Então eu achei é::: que o material empobreceu as minhas aulas este ano por conta de eu

Benzer Belgeler