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Gelişmekte Olan Ülkeler Arasında Teknik İşbirliği Konferansı ve Buenos Aires

A Habitat também servirá para os Bardi acompanharem as ações desenvolvidas por outros museus de arte, brasileiros e estrangeiros, que serão abordados em relação ao trabalho que realizam no MASP. Como já foi tratado anteriormente, os novos museus e institutos norte- americanos, com seus programas educativos, assim como as remodelações dos museus italianos ganham espaço na publicação, sendo acompanhados de perto e analisados pela revista, que aponta aproximações de propostas e escolhas. Em relação à cena cultural local o tom muda consideravelmente. É comum encontrar nas páginas da revista notas de divulgação das exposições que ocorrem no Museu de Arte Moderna e nas galerias de arte da cidade, como a Galeria Itá, porém a disputa entre os dois museus que ocupam o mesmo edifício dos Diários Associados percorrerá praticamente todo o período em que a revista foi publicada. Se por um lado a Habitat publicava que o MASP, em seus primeiros anos de atividade, possuía uma frequência de em torno de quinhentos visitantes por dia,264 por outro, Bardi se dizia

desiludido pelo isolamento em que o museu se encontrou por pela ausência de grande parte da comunidade artística local, “aqueles que deveriam fazer da arte não só uma prática ambiciosa ou uma profissão mundana, mas em primeiro lugar, uma verdadeira missão”.265

A Habitat criticará a Bienal e o IV Centenário, ambos os eventos patrocinados por Francisco Matarazzo Sobrinho. Sobre a primeira, a revista a acusa de cópia tardia dos estatutos da Bienal de Veneza para um evento nos anos 1950, estatutos do século XIX e já revistos. Sobre as comemorações do IV Centenário de São Paulo, o modelo copiado seria a Exposição Universal de Paris.266 Não somente o formato das mostras seria atacado pela revista como

também os edifícios projetados para recebê-las. Os pavilhões levantados no Trianon para a realização da primeira Bienal são criticados por privarem a avenida Paulista da única vista sobre a cidade.267 Em relação ao IV Centenário, a Habitat acusa o edifício projetado por Niemeyer pelo excesso de colunas e o recuo “provinciano e ignorante” para um edifício de exposições. Sob uma proposta-colagem de Lina Bo Bardi ironizando a mostra, o texto chama a atenção para as propostas de pavilhões para as grandes feiras, que desde o século XIX resultaram em edifícios que apresentaram experiências estruturais ricas em engenharia e que colaboraram para o desenvolvimento da arquitetura moderna.268

O conflito entre o MASP e o MAM marca o período em que as duas instituições buscam se firmar no meio cultural paulistano e consolidar suas sedes. Entre a primeira e a segunda bienais, Francisco Matarazzo Sobrinho encomenda a Affonso Eduardo Reidy um projeto para

264 BO BARDI, Lina. “Função Social dos Museus”. Habitat n.1, 1950, p.17.

265BARDI, Pietro Maria. “Balanços e perspectivas museográficas. Um Museu de Arte em São Vicente”. Habitat n. 8, p.3. 266 “O Centenário”. Habitat , n.6, 1952. p.

267 “O repórter na Bienal”. Habitat n.5, 1951.

268 “Projeto ideal e gratuito para a instalação do edifício da exposição do IV Centenário de São Paulo no Parque Ibirapuera”. Habitat n. 11, 1953, p.3.

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abrigar o MAM e a Bienal no mesmo terreno do Trianon onde se realizou a primeira bienal e que será disputado pelos dois museus. Anos mais tarde, em 1956, quando o MAM buscava sua transferência dos Diários Associados para o Ibirapuera, a Habitat continuaria a criticar o museu, cobrando dele especificamente o cuidado com o seu acervo e uma ação mais atuante para a formação do público. Porém, a revista reconhecerá que o MAM “esteve acima de si mesmo” quando realizou as Bienais – especificamente a segunda edição.269 É interessante

observar que situação diferente ocorrerá em relação ao projeto realizado por Affonso Eduardo Reidy para o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, projeto que a Habitat acompanhará por mais de três edições, saudando o projeto e considerando a iniciativa tomada pela capital federal como exemplo a ser seguido por São Paulo.270

A Habitat acompanhará todo o processo da transferência do MASP para o Trianon. Em 1957, o retorno do acervo da turnê de exposições pela Europa e Estados Unidos encontrará o MASP em crise financeira e sem espaço suficiente para abrigar a coleção, que retorna ampliada para o edifício dos Diários Associados. Os trâmites para a transferência do acervo e dos cursos do MASP para a Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) estarão nas páginas da revista, que continuará divulgando as atividades do museu no período em que esse passou a operar no Pacaembu até o retorno para sua primeira sede, em 1959.

Após disputas, deslocamentos e crises, o início das obras da sede definitiva do MASP no terreno do Trianon foi publicado na Habitat, quando Lina Bo Bardi já se encontrava em Salvador dirigindo o Museu de Arte Moderna da Bahia. A fotografia da maquete do novo museu publicada na revista ainda não representava o projeto definitivo. Diz o texto: “Está em construção na Avenida Paulista o Conjunto Museu de Arte de São Paulo. Certamente, o ponto é ideal, sob todos os aspectos, principalmente, pelo fato de defrontar um grande parque, pelas condições excepcionais de tráfego que o circundam e o servem, e finalmente, pelo relevo arquitetônico quase monumental que o grande bloco oferecerá no fecho do panorama, visível de vários pontos da cidade”.271

A denominação “centro cultural” ainda não era comumente usada e o projeto para o edifício da nova sede é apresentado como um conjunto de atividades: “Conjunto cultural: sistematização definitiva da pinacoteca do Museu de Arte de São Paulo, e também a sistematização das escolas de arte, de um pequeno teatro experimental, além de um grande salão para reuniões cívicas e recepções oficiais”.

269 “Militamos, pois, aqui, pela sobrevivência do Museu, mas, ainda, pela sua real existência cotidiana, a construir-se (...) balcão, filmoteca, bar, exposições, tudo isso pode e deve ser levado para o Ibirapuera, mas é evidentemente muito pouco. O Museu de Arte Moderna esteve acima de si mesmo, de sua importância e de suas forças, quando empreendeu as Bienais, e na segunda Bienal, efetuou essa exposição que foi, naquele ano, a maior do mundo, e em todos os sentidos, a melhor exposição já realizada no Brasil e na América toda, sobre arte moderna. Nunca talvez, uma Bienal alcançará aquele esplêndido teor panorâmico da arte moderna”. Artigo sem autoria. “No Palácio das Indústrias no Ibirapuera o Museu de Arte Moderna”. Habitat n. 36, 1956, p.39.

270 “O MAM está em construção e sua conclusão deve ser um fato exemplificativo, em pouco tempo, uma incitação a São Paulo, que com dois Museus de Arte, até agora ainda não lançou as fundações de um só edifício para recebê-los”. “Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro”. Habitat n. 34. 1956, pp.40-45.

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