3. ÇALIŞMA ALANINA İLİŞKİN BİLGİLER
3.3. İstiklâl Yolu Kültür Rotasının Kültürel Peyzaj Özellikleri
3.3.6. Geleneksel Mimari, Tarihi ve Arkeolojik Değerler
Segundo relatos que emanam da própria emissora (Jornal Nacional. Souza, 1984, p. 6), faltavam quatro minutos para as oito horas da noite de 1º de setembro de 1969. O locutor Cid Moreira encerrou desta maneira a primeira edição do primeiro JN:
A escalada nacional de notícias da Rede Globo levou a vocês, hoje, imagens diretas de Porto Alegre, São Paulo e Curitiba. E tão logo a Embratel inaugure o circuito de Brasília, a capital do país e Belo Horizonte começarão a integrar, ao vivo, este serviço de notícias do primeiro jornal realmente nacional da tevê brasileira. É o Brasil ao vivo aí na sua casa. Boa noite. (Jornal Nacional. Souza, 1984, p. 7)
Logo após, entrava significativamente o prefixo musical que durante os próximos 38 anos iria encerrar o programa, um trecho da música “The Fuzz”, de Frank Devol.59 Lançava-
59 Lembrar que fuzz significa, pelo Oxford Dictionary (2000, p. 525), confusão, “alguma coisa que não se vê
se ao ar, assim, pela primeira vez, numa segunda-feira de inverno, “com um céu de nuvens baixas e carregadas” (Jornal Nacional. Souza, 1984, p. 7), o boeing60 da TV Globo – o JN,
criado para tentar ser “um modelo brasileiro de telejornalismo” (Jornal Nacional. Souza, 1984, p. 5), nas palavras de seu dono e criador, o jornalista Roberto Marinho. Segundo ele, o lançamento do telejornal significou uma iniciativa pioneira que enfrentou uma série de desafios, desde falhas técnicas, “até a delicada elaboração do conceito de notícia com dimensão nacional”.61
A expressão nuvens carregadas é a metáfora política escolhida pelo relato oficial da empresa para expressar o que ocorria no país, em 1968, sob o domínio dos militares há quatro anos – o que significa dizer que o JN nascia censurado. Neste primeiro dia, O Globo havia dado em sua edição matutina, no alto da primeira página: “Costa e Silva, enfermo, afastado (temporariamente) da Presidência”. Mais abaixo, dominando a página, a manchete em letras grandes: “Ministros militares assumem o governo” (Jornal Nacional. Souza, 1984, p. 11-12). No caso do telejornal, o cinegrafista enviado para conseguir umas imagens no Palácio das Laranjeiras não conseguiu sequer se aproximar do edifício. Armando Nogueira, 15 anos
60 Expressão que os profissionais mais graduados da Globo gostam de utilizar para se referir ao JN – e que, na
época, dava uma idéia da magnitude do empreendimento.
61 Outras publicações, na mesma época, passaram por esse desafio, o da “notícia com dimensão nacional”.
Chagas (1992) conta sobre os primeiros tempos da revista Veja, lançada em setembro de 1968, empenhada na busca “desvairada” por um texto de revista semanal de informação nacional. Ele admite a ignorância que havia, até em termos geográficos, para se pautar assuntos para estados como Amazonas, Pará, Goiás, Mato Grosso. Os jornalistas imaginavam que fosse muito simples, para a sucursal de Belém pegar “rapidinho” umas informações na ilha de Marajó. Ou que a sucursal de Manaus não tivesse dificuldade alguma em obter um dado no Acre. Depois de meses descobriram que não só estavam enganados a respeito do Brasil como também “mais enganados ainda a respeito do que fosse informação nacional semanal” (Chagas, 1992, p. 73). Despreparados para conceber uma fórmula de revista semanal nacional, desconhecendo a língua inglesa para ler Times e Newsweek, as referências principais, e até a geografia do país, os jornalistas estavam tentando improvisadamente produzir uma “fórmula brasileira do texto”, a partir dos textos equivalentes aos das revistas americanas. Passado algum tempo, aprenderam que a chamada informação nacional “independe da contribuição de cada ponto do país, bastando ter repercussão nacional, interessar à maioria. Quanto à informação semanal, seria aquela que resiste, sobrevive de uma semana para outra. Àquela altura já dispunham também de uma fórmula de texto para revista semanal de informação nacional: adjetivos e advérbios, banidos dos textos jornalísticos, em geral, teriam um papel fundamental neste tipo de texto. Mais que tudo, a equipe partiu para o “grande trunfo” das semanais: o retorno ao local do fato, que permite a investigação mais acurada, a ampliação do tratamento ao fato, enfim, a surpresa – atingindo assim uma personalidade sui generis. Concluindo o raciocínio de Chagas, talvez indo um pouco além, o caminho era
depois, em 1984, recorda-se da frustração enquanto jornalista, daquela estréia sob censura que impediria que se fizesse um “belo jornal”.
Nossa preocupação maior, quase que única, era operar convenientemente todo esse complexo mecanismo de televisão. Saber, por exemplo, se a Embratel ia corresponder, comunicar certinho todas as praças, se nós iríamos nos perturbar na sala de corte, quando o “Jornal” estivesse no ar. [...] do ponto de vista de conteúdo, de jornalismo, principalmente de telejornalismo, nenhum de nós poderia estar empolgado naquele primeiro dia. Nossa preocupação em matéria de telejornalismo – torno a insistir – não ia além da forma, do formato, da parte visual, porque sofríamos restrições ao exercício a plena liberdade de informação. (Jornal Nacional. Souza, 1984, p. 12-13)
Para os críticos do JN, o cuidado com a estética, com o formato, terminou por prevalecer (mesmo após o fim da censura) sobre a preocupação com o conteúdo. Cerca de 5 anos após sua inauguração, a Globo tornou-se um modelo para o telejornalismo brasileiro – mais que isto, tornou-se o modelo único no país, salvo raras exceções, como o Aqui Agora,62 por exemplo, de linguagem completamente diversa –, “sem enfeites”, como a propaganda parecia querer sugerir, ao adotar o slogan “a vida como ela é” – um jornalismo praticamente sem edição.
Hoje, quase 40 anos depois, a linguagem e a estrutura básica dos telejornais brasileiros são muito semelhantes. Depois da escalada (a chamada pelos apresentadores das principais matérias jornalísticas), o noticiário se desenvolve em blocos (agrupamento de matérias por afinidades elaboradas) que são separados por passagens de bloco (novas chamadas, curtas, para as próximas matérias destacadas do segmento seguinte), até os créditos finais, no encerramento. As diferenças no formato são sutis: a duração, maior ou menor, de uma matéria, de uma vinheta de apresentação.
O número de matérias presentes no JN apresentou, segundo Rezende, uma carência de uniformidade. Já quanto à duração dos blocos, as diferenças foram menos significativas ainda.
62 Telejornal que se caracterizou por uma linguagem mais despojada, com intervenção mais subjetiva dos
Nas seis edições investigadas, o JN manteve uma divisão balanceada na divisão do tempo dos blocos, cerca de 4,2 matérias jornalísticas para um tempo de 5 minutos e 35 segundos (o que perfaz um tempo médio das matérias em torno de 1 minuto e poucos segundos).
Em termos de utilização de palavras, o JN apresentou um número médio de 3.473 contra 3.766 (JC) e 5.031 (TJ Brasil). Dos três noticiários, o JN foi “o que empregou menos o código verbal na elaboração das matérias jornalísticas”, evidenciando, na opinião do autor, a força da imagem naquele telejornal em detrimento de um teor interpretativo – o que se harmonizaria com o estilo adotado, hard news, mais factual. Rezende constatou também que o
JN muitas vezes aproveita melhor o tempo “sempre tão escasso em telejornalismo”, através de recursos gráficos – como, por exemplo, em indicadores econômicos.