BÖLÜM V. TARTIŞMA, SONUÇ VE ÖNERİLER
5.2. Öneriler
5.2.2. Gelecekteki Araştırmalara Yönelik Öneriler
Rutter (1993) ressalta a importância de atentar para os aspectos que, apesar de não estarem diretamente relacionados com resultados positivos, contribuem para o desenvolvimento da resiliência, reforçando a capacidade individual, para lidar com as adversidades. Estes aspectos são denominados como fatores de proteção.
Fatores de proteção são características que diminuem a probabilidade de um resultado negativo ou indesejado acontecer, na presença de um fator de risco, reduzindo a sua incidência e a sua severidade (Cowan, 1996). Eles são considerados como a contraparte positiva, na interação com o risco, pois estão relacionados com características individuais ou ambientais que desempenham uma função de proteção. Segundo Masten (2001), os fatores de proteção têm a função de interagir com os eventos de vida, e acionar processos que possibilitem incrementar a adaptação e a saúde emocional.
Para Rutter (1993), os fatores de proteção referem-se a influências que modificam, melhoram ou alteram respostas pessoais a determinados riscos de desadaptação, devendo ser abordados como processos, nos quais diferentes fatos interagem entre si, e alteram a
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trajetória da pessoa, produzindo uma experiência de cuidado, fortalecimento ou anteparo ao risco. Dessa forma, Trombeta e Guzzo (2002) afirmam que estes promovem ganho de controle sobre a vida e incentivo ao bem-estar, à saúde psicológica, mesmo diante de fatores de risco.
Conforme afirma Canelas (2004), fatores ou mecanismos de proteção são condições do ambiente, capazes de favorecer e de reduzir os efeitos ou circunstâncias desfavoráveis a indivíduo ou grupos. Nesse sentido, os fatores de proteção se desenvolvem através da interação de características pessoais (empatia, auto-eficácia, assertividade, habilidades sociais, comportamento direcionado para metas e habilidade em resolver problemas), condições familiares (qualidade das interações, estabilidade, coesão e pais assertivos) e redes de apoio do ambiente (ambiente tolerante aos conflitos, reforçadores positivos e limites definidos) (Pinheiro, 2004).
Masten e Garmezy (1994), revisando uma extensa literatura sobre desenvolvimento infantil, identificaram três grupos de fatores de proteção: (1) características individuais, como autonomia, orientação social, autoestima, inteligência e similares; (2) coesão familiar: ausência de conflitos, de negligência, afeto positivo transmitido por um adulto com grande interesse pela criança; e, (3) um sistema de suporte social bem-definido e com recursos individuais e institucionais, igualmente providos por outras pessoas significativas, como escola, igreja e grupos de ajuda. Esses outros contextos que ofereçam suporte emocional, em momentos de estresse, são denominados por Morais e Koller (2004) de coesão ecológica.
Canelas (2004) afirma que “uma perspectiva ecossistêmica sugere que influências protetivas podem ser introduzidas na vida de um indivíduo, através de qualquer relação e em qualquer parte do ecossistema humano (p.109). Este sendo compreendido como o
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sistema social em que está inserido o homem, ou seja, família, indivíduo, comunidade e sociedade.
Melillo, Estamatti e Cuestas (2005) afirmam que as definições de resiliência enfatizam os seguintes fatores protetores do resiliente: “adaptabilidade, baixa suscetibilidade, enfrentamento efetivo, capacidade, resistência à destruição, condutas vitais positivas, temperamento especial e habilidades cognitivas” (p.86). Rutter (1993) reitera, em seus estudos, sobre a importância dos processos de proteção, uma vez que estes se referem à maneira como a pessoa lida com as transições e mudanças de sua vida, o sentido que ela mesma dá às suas experiências, e como ela atua diante de circunstâncias adversas.
Os processos de proteção possuem um efeito catalítico, na medida em que modificam os efeitos do risco, através da sua interação com ele. Possuindo quatro principais funções: (1) reduzir o impacto dos riscos, fato que altera a exposição da pessoa à situação estressora; (2) reduzir as reações negativas em cadeia, que seguem a exposição do indivíduo à situação de risco; (3) estabelecer e manter a autoestima e autoeficácia, através de estabelecimento de relações de apego seguras e o cumprimento de tarefas com sucesso; (4) criar oportunidades para reverter os efeitos do estresse (Pesce, Assis, Santos & Oliveira, 2004). Portanto, os fatores de proteção têm caráter moderador no desenvolvimento humano (Siqueira & Dell’Aglio, 2006).
Conforme preconiza Assis, Pesce e Avanci (2006), os mecanismos de proteção de que um indivíduo dispõe internamente, ou que captou do ambiente em que vive, são elementos fundamentais para estimular o potencial de superar as adversidades, ao longo da vida. A resiliência, portanto, é considerada como o resultado final de processos de proteção que não eliminam os riscos vivenciados, mas encorajam o indivíduo a lidar efetivamente com as situações adversas e a sair fortalecido da mesma.
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Percebe-se um ponto pacífico entre os pesquisadores: “a resiliência é um processo psicológico que vai se desenvolvendo, ao longo da vida, a partir do binômio fatores de risco X fatores de proteção” (Pinheiro, 2004, p.72). Premissa essa corroborada por Rutter (1993), ao considerar a resiliência como o resultado final de processos de proteção, que não eliminam os riscos experimentados, mas encorajam o indivíduo a lidar efetivamente com a situação, e a sair fortalecido da mesma.
Assim, os estudos científicos delineiam que a resiliência não é um atributo fixo ou um traço de personalidade, não é somente individual, nem somente social, mas algo que se constrói como um tecido no espaço entre o indivíduo e a sociedade (Canelas, 2004; Infante, 2002; Cyrulnik, 2005).
A partir do acima exposto e baseado em dados estatísticos da Organização Mundial da Saúde - OMS, Cyrulnik (2005), em que cada duas pessoas, uma foi ou será gravemente atingida por alguma forma de trauma ao longo de sua vida, seja este na forma de violência urbana, negligência, abuso físico e sexual, e muitos outros. Trabalhar com o conceito de resiliência pode representar uma nova possibilidade de se reportar a problemas experimentados pelo grande contingente de população que, cada vez mais, está vivendo em condições adversas.
Como cita Assis, et.al. (2006, p.27) “a resiliência só pode ser compreendida como se fosse um tecido que cada pessoa produz, a partir dos fios de diferentes texturas e cores que seu meio oferece, e da malha de sustentação que sente ao se empenhar na tarefa construtiva e artística de produção de sua vida”. Assim, a escolha do ambiente de ressocialização e escolar, como espaço de investigação da resiliência em adolescentes em conflito com a lei, privados de liberdade, e adolescentes não privados de liberdade e sem conflito com a lei, (escolares) significa reconhecer essas instituições como um espaço
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importante de promoção e proteção dos direitos desses adolescentes e, por conseguinte, fomentador de resiliência.
Nessa perspectiva, preconizando o que diz Bauman (2007), ao afirmar que a modernidade é líquida, escorre continuamente, o que torna uma das tarefas mais difíceis da educação, a de ensinar à juventude a existência de valores relativamente permanentes na ética, indispensáveis para presidir à convivência humana. Assim, no capítulo a seguir, abordaremos os Valores Humanos.
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