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BÖLÜM II. KAVRAMSAL ÇERÇEVE

2.5. Akademik Başarı ve İnternet Bağımlılığı İlişkisi

À luz de tudo o que foi dito, dessume-se que ainda há uma grande celeuma, tanto em sede doutrinária quanto jurisprudencial, em torno da responsabilidade extracontratual do Estado por comportamentos omissivos. Embora a CF/88 não tenha feito quaisquer distinções entre condutas comissivas ou faltosas na circunscrição da teoria objetiva insculpida em seu art. 37, §6º, os aplicadores do direito não se encontram em consonância no estudo da matéria em destaque.

Dos posicionamentos apresentados, entendemos que o Estado deve ser responsável quando há uma omissão específica que tenha causado de forma direta e imediata o resultado danoso. Destarte, o caso de mortes por falta de vagas em leitos de unidades de terapia intensiva é claramente uma omissão específica e injustificável do Poder Público, especialmente quando foge aos patamares mínimos de disponibilização de leitos, com verdadeira presunção de culpa em desfavor da figura estatal. Neste caso específico, somos levados à ilação de haver responsabilidade objetiva do Estado pelos danos eventualmente ocasionados ao paciente e seus familiares.

Em contrapartida, não é toda omissão estatal que traduz a possibilidade do Poder Público responder objetivamente pelos danos dela advindos. Se entendêssemos desta forma, poderíamos condescender com alguns absurdos. O Estado não pode ser considerado, portanto, um segurador geral. Afinal de contas, vários prejuízos causados por comportamentos omissivos dos agentes públicos não tem a participação direta do ente estatal, o que, muitas vezes, descaracteriza o nexo de causalidade entre o lapso governamental e o dano experimentado pela parte lesada, deixando de se configurar, em consequência, a responsabilidade civil do Estado.

O que se percebe nos tempos hodiernos é que os dirigentes estatais tem se aproveitado do argumento jurídico de que os direitos sociais estão descritos em normas constitucionais programáticas que apenas estabelecem linhas diretivas, ou seja, metas a serem perseguidas pelas autoridades. Tal situação denota a crise de efetividade pela qual os direitos fundamentais sociais tem passado, dentre os quais, destaca-se o direito à saúde. No entanto, mesmo que reconheçamos o caráter programático deste direito, não podemos deixar de lhe conferir a máxima eficácia, na medida em que possui íntima relação com o direito à vida e o fundamento constitucional da dignidade da pessoa humana.

Com efeito, o direito à saúde é, na verdade, uma norma-princípio de eficácia direta e aplicabilidade imediata, nos termos do §1º, do art. 5º da Carta Magna. Sendo assim, ao pensarmos na questão relacionada aos danos perpetrados pela falta de vagas em leitos de UTIs, temos que reavaliar as razões utilizadas pelo governo para não garantir uma vida digna às pessoas. Por várias ocasiões, o Poder Público se arvora nos argumentos relacionados à "reserva do possível", à inexistência de dotação orçamentária, ao princípio da separação dos poderes para deixar de conceder real concretização a estes direitos essenciais.

Sabe-se que, porém, sendo a República Federativa do Brasil um Estado Democrático de Direito, nos termos do caput do art. 1º da CF/88, deve-se velar pela dignidade da pessoa humana, ou seja, realizar prestações que garantam a realização dos direitos fundamentais.

No que atine à reparabilidade dos prejuízos experimentados pelo paciente lesado e pela sua família, devido à omissão estatal em fornecer vagas suficientes em leitos emergenciais, ou até mesmo de outros danos ocasionados pela transferência a destempo de pacientes para um estabelecimento hospitalar privado, acreditamos que, neste exemplo, o Poder Público deve responder objetivamente pelos resultados danosos de sua conduta omissiva. Logo cabe ao prejudicado fazer prova apenas do fato administrativo, do nexo causal e do evento danoso.

Não é este, todavia, o entendimento que tem prevalecido nos nossos tribunais. Em se tratando de comportamentos estatais omissivos, costuma-se exigir a comprovação da culpa administrativa, ou seja, da inexistência de funcionamento do serviço público, de seu retardo ou sua ineficiência. Portanto, os magistrados, em geral, tem responsabilizado o Estado somente quando a parte lesada comprova o descumprimento de um dever legal estatal de impedir a ocorrência do dano.

Finalmente, apesar da força destes argumentos, defendemos neste trabalho a tese de que a Constituição Federal de 1988 não fez quaisquer distinções entre comportamentos comissivos e omissivos para aplicação da responsabilidade objetiva pelos danos causados pelos agentes públicos, nos termos do art. 37, §6º, da Carta Cidadã. Na questão específica da ausência de vagas em leitos de urgência, máxime quando há óbitos de pacientes, existe a necessidade de facilitar ao administrado, substantiva e processualmente, os requisitos que ensejam a indenização pelos danos ocorridos através da aludida omissão estatal

inconstitucional e injustificável, o que implica em exigir do lesado somente a prova dos pressupostos relacionados à responsabilidade objetiva do Estado.

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