3. BULGULAR 1 Katılımcıların Sosyodemografik Özellikler
4.11. Gelecekteki Çalışmalar İçin Öneriler
Os saberes necessários ao exercício da docência têm sido discutidos por vários autores (TARDIF, LESSARD, LAHAYE, 1991; TARDIF, 2002; GAUTHIER, 1998; PERRENOUD, 2000; SCHULMAN, 1996 etc.) na busca de se chegar a uma base de conhecimentos que sustente a profissão docente. Assim, pretendemos contribuir com essa discussão, apresentando a narrativa, trazendo os saberes que Marli percebe como essenciais em sua prática educativa.
Marli ao relatar sobre a sua forma de ensinar, nos exemplos referentes a seu dia- a-dia, a necessidade de conhecer o aluno aparece em muitos momentos. Ressalta a professora que é necessário o conhecimento sobre o nível de desenvolvimento cognitivo
do aluno. Assim, o seu planejamento das aulas contempla essa dimensão de sua prática pedagógica. Ela relata que investia em jogos, cruzadinhas, tudo para favorecer o aprendizado dos alunos, mesmo com turmas grandes (36 a 38 anos em sala) e sublinha que “conhecia muito bem os alunos”.
O princípio de conhecer bem o aluno, em qual nível ele estava, orienta a sua prática, o quanto iria “cobrar” daquele aluno, e o quanto mais ele poderia caminhar para que pudesse avançar no conhecimento.
Ainda referente ao “conhecimento do aluno”, apontado pela professora, outro aspecto é ressaltado: a atenção ao perfil de aluno que se tem e a importância ao contexto que o aluno vive. Assim, afirma que sua prática é diferenciada em virtude dos diferentes públicos com o qual trabalha. Ressalta essa afirmação pois houve um período em que trabalhava em dois turnos: um em escola estadual, outro em escola particular e afirma categoricamente que seu planejamento era diferente a depender da turma. De acordo com a professora, hoje se tem um perfil de aluno bastante diferente na escola pública. Na sala de aula já há alunos com necessidades especiais, por exemplo. E na escola privada, também se tem outra realidade: alunos com outra bagagem, outra visão de mundo e com outro tipo de família. Assim, também são diferentes os questionamentos da família, os interesses e as cobranças feitas ao professor.
Podemos ver que o conhecer o aluno é um saber essencial à professora. Podemos perguntar: porque a professora atribui tamanha importância ao conhecer os alunos? Segundo Tardif (2010, p. 51-52):
[...] as relações com os alunos constituem o espaço onde são validados, em última instância, sua competência e seus saberes. A sala de aula e a interação cotidiana com as turmas de alunos, constituem, de um certo modo, um teste referente tanto ao “eu profissional” quanto aos saberes veiculados e transmitidos pelo docente [..].
O autor traz a relevância da relação com o aluno para validar os saberes dos professores por ser este o espaço em que se “testa” o professor em suas competências, habilidades e também nos seus saberes profissionais. Assim, a relação com o aluno é a essência da prática educativa.
Na narrativa de Marli ainda, são evidenciados os aspectos relativos ao conhecimento afetivo e pessoal do aluno. A professora afirma que é preciso conhecer o momento que o aluno está vivendo, seus conflitos, a sua vivência familiar etc. Por conhecer o aluno, ressalta que em alguns momentos tem “que fazer vista grossa” para
alguns comportamentos; tem que “ser surda, ser cega, surda e muda” por compreender as diversas situações que o aluno vive na sua família. Outras vezes precisa fazer a mediação com esse aluno entre a sua realidade e as demandas da sala de aula. Mas admite que há momentos que também se estressa com o aluno, que perde a paciência, ainda que tente entender que ele tem os seus conflitos em casa.
O que se pode perceber, relativos aos saberes necessários ao exercício da docência, que a dimensão contextual e pessoal do estudante são importantes. A professora Marli se atém aos conflitos que o aluno enfrenta em outros ambientes fora da escola e às suas características pessoais, porque essas dimensões podem, também, influenciar na aprendizagem do mesmo.
Podemos perceber também na narrativa de Marli que os saberes experienciais, nascidos e validados pela prática cotidiana da profissão (TARDIF, 2010) são construídos no contexto de trabalho, em virtude das demandas da profissão. Então, se o aluno é mais agitado, a professora possui algumas estratégias como, por exemplo, explorar aquela característica do aluno no sentido de atraí-lo, de “ocupá-lo”, de fazê-lo participar e assim conquistar a sua confiança. E para essas ações de estabelecer uma relação mais favorável com o aluno, a professora estabelece parceria com a supervisora, que também desenvolve atividades com o aluno.
Na narrativa de Marli podemos evidenciar aspectos importantes na relação com o aluno, no exercício de conhecer o aluno, como: atentar-se a seu desenvolvimento cognitivo, para que se possa acompanhar o seu processo de amadurecimento, seus limites e avanços; considerar o seu contexto social (classe social, principalmente); observar o seu desenvolvimento afetivo, emocional, pessoal para que se possa reconhecer comportamentos que considera reflexos de situações familiares e as atentar- se às características pessoais (mais disperso, agitado, que precisa de acompanhamento externo etc).
Tardif (2010, p. 53) contribui com a compreensão da narrativa de Marli ao concluir que:
[...] a prática pode ser percebida como um processo de aprendizagem através do qual os professores retraduzem sua formação e a adaptam à profissão, eliminando o que lhes parece inutilmente abstrato ou sem relação com a realidade vivida e conservando o que pode servir-lhes de uma maneira ou de outra.
Ou seja, a professora retraduz o que apreendeu no curso de formação, seleciona o que faz sentido em sua prática e o fruto dessa seleção e reelaboração dos saberes são os destaques que a professora coloca sobre o conhecimento do aluno.
Marli analisa os dois casos de ensinos sobre situações adversas na sala de aula e relata que procuraria conhecer e atrair os alunos. À luz de sua experiência, coloca que os alunos precisam aprender a gostar da escola e de aprender, por isso afirma que trabalhar com atividades lúdicas é a chave para lidar com os alunos que apresentem algum tipo de resistência.
Finalmente, podemos inferir que para Marli a maior relevância de sua prática está na atenção que dedica ao aluno.