• Sonuç bulunamadı

GELECEK İKİ YIL İÇİN ÖNGÖRÜLER

nacionais como Jacob Gorender, principal economista do Comitê Central do PCB, Mário Alves, intelectual respeitrado, Apolônio de Carvalho, lutador das Brigadas Internacionais na Guerra Civil Espanhola, da Resistência Francesa, Jover Telles, líder sindical, autor de um livro sobre o movimento operário brasileiro. 90

As principais bases do grupo estavam no Paraná, Rio de Janeiro, Guanabara, um pequeno grupo em São Paulo, como também na região nordeste, principalmente nos Estados da Bahia, Ceará e Pernambuco onde rivalizada com outros agrupamentos na luta estudantil, sendo que no último tinha hegemonia. Do ponto de vista organizativo desde o início defenderam que a prioridade era construir um novo partido leninista:

“A classe operária brasileira só poderá desempenhar o papel de dirigente no processo da revolução se tiver à sua frente um Partido de vanguarda guiado pela teoria marxista-leninista, e capaz de dirigir o movimento revolucionário de acordo com os interesses fundamentais do proletariado. Nessas condições o que se coloca na ordem do dia é a reconstrução do Partido da classe operária em todos os terrenos: ideológico, político e orgânico”. 91

O PCBR assim como outros grupos da Nova Esquerda armada brasileira, apesar de crítico da esquerda mais antiga, não conseguiu se desvincular da sua origem. Isso explica a definição da sigla escolhida que demonstrava uma continuidade do PCB, desta vez, segundo seus criadores, Revolucionário (R).

Apesar de que assim como outros grupos defender publicamente a ortodoxia bolchevista, o BR, como era conhecido entre seus quadros, internamente não escapou das fortes tensões causadas pelas discussões que envolveram o método e a teoria de luta a ser adotado pelo partido, leninismo ou foquismo:

“A guerra revolucionária no Brasil será uma guerra do povo e para ela é necessário mobilizar amplas massas populares. As condições concretas do Brasil indicam que a

90 TELLES, Manoel Jover. O movimento Sindical no Brasil. Depois rompeu com o PCBR

filiou-se ao PCdoB, preso tornou-se colaborador do Centro de Informações do Exército (CIE). Essa infiltração levou ao Comitê Central do PCdoB, resultando na Chacina da Lapa em 1976, quando foram assassinados a tiros Pedro Pomar e Ângelo Arroyo, e João Batista Drummond sob tortura no DOI-CODI-SP.

guerra de guerrilhas é o meio mais adequado para começar a desenvolver a luta armada popular e criar o núcleo inicial do exército revolucionário”. 92

Isto ficou mais latente, quando o “consenso” partidário vanguardista e a vontade real de experimentar novas fórmulas se confrontaram, pois alguns revolucionários achavam que o momento ainda era de construir as condições subjetivas, ou seja, levar as teorias e propostas marxistas ao povo brasileiro, enquanto outros desejavam a luta imediata, já que tinham perdido muito tempo e a revolução estaria escapando das suas mãos.

As discussões e pressões internas, principalmente das direções regionais nordestinas, chegaram a um nível tão grande, que o Estado-Maior do Partido precisou intervir para manter a coesão, respondendo as indagações com uma circular endógena, condenando duramente o messianismo e o voluntarismo militarista. Tais práticas levariam a organização a uma encruzilhada crônica entre a cúpula central e a militância de base, até o seu aniquilamento total pelos órgãos de repressão. 93

Uma solução salomônica foi tentada quando a Direção Nacional ao notar a perda de quadros para outros grupos que já estavam “dando tiros para todos os lados”, informou à militância que o BR não foi o primeiro a puxar o gatilho, mas seria o pioneiro no início da guerrilha rural no Brasil. Como nos mostrou o também historiador Jacob Gorender a luta de classes ficou restrita a guerrilha e aqueles que teimassem em não se adequar ao novo vanguardismo seriam no mínimo adjetivados de covarde:

“No ambiente da esquerda revolucionária do final dos anos 60, falar apenas em preparação da luta armada já servia para sofrer a acusação de pacifismo, oportunismo e capitulação. Não se podia aceitar menos do que a luta armada imediata. Como, porém, conjugá-la ao ritmo próprio das luta de massas? Neste dilema se debateu o PCBR. 94

No intervalo de existência do PCBR entre 1968 e 1973 três Comitês Centrais foram constituídos, e de certa forma eles também nos mostram esta questão pendular entre A guerra de guerrilhas e o Que fazer? O primeiro C.C. foi formado pelas

92 O foquismo não dizia justamente isso, que a guerrilha geraria o futuro exército revolucionário.

No Ceará o militante José Machado Bezerra que esteve inicialmente na ALN rompeu com este grupo por desconfiar da tese guevarista do foquismo, acomodando-se no PCBR.

93 A circular interna se chamou Raízes ideológicas de nossos desvios: militarismo e

massismo. A típica dicotomia existente na guerrilha brasileira.

lideranças mais experientes e conhecidas do PCB que aderiram ao racha, sendo que em menos de dois anos estaria desarticulado pelas polícias políticas da ditadura. Desde abril de 1969 o grupo já vinha fazendo ações armadas, mas em dezembro durante o primeiro assalto a bancos no Rio de Janeiro, houve prisões, e partir daí até o final de janeiro de setenta a metade dos membros do C. C. estariam presos ou mortos. Foi à primeira demonstração que o discurso seguia numa direção, luta de massas, e as práticas eram outras, guerrilha sem povo, num desencontro.

Passado o choque inicial desta derrota, montou-se outro C.C. em julho de 1970 numa reunião na Bahia, Ilha de Itaparica, em frente à cidade Salvador. Nela se aprovou um documento de nove pontos com fortes críticas a direção anterior, que supostamente teria sido burocrática, incompetente, além de intelectualizada em excesso. Estes fatores teriam levado a uma quase cisão entre a direção e a base. Além disso, chama atenção as acusações de incapacidade e falta de determinação e seriedade contra o Comando Nacional no encaminhar da luta armada. Apesar do belicismo, se reafirmou a linha aprovada no 1º Congresso, quando se deu atenção central a tarefa essencial de inserção nas massas para a vitória revolucionária.

E para efetivar estas decisões ficou decidida a criação de Organizações Independentes de Massas (OIM) que seriam clandestinas por questões de segurança. Porém a contradição se mostrou mais clara nos pontos do documento final: O desenvolvimento capitalista no Brasil. O aparelho de Estado: do liberalismo à militarização, o movimento revolucionário: militarismo e massismo, balanço político e ideológico do Partido, linha militar, linha de massas, a frente revolucionária popular, a luta contra os desvios de direita e esquerda, política de organização. Esse quadro nos mostra que as acusações contra o PCB, agora estavam servindo para hostilizar membros do próprio BR. Palavras como burocracias inoperantes foram usadas pela ALN para condenar a construção de outro Partido Comunista, postura que foi teoricamente rechaçada pelo BR, mas que na prática acabou sendo próxima do agrupamento Marighellista.

Já o quase antiintelectualismo servia para condenar as chamadas discussões inúteis que segundo consideravam só faziam atrasar a revolução. Constituiu-se assim um entrecruzamento entre guevarismo e leninismo, independente do que se falava nos documentos internos da organização.

Esta segunda Direção Central, assim como a primeira, não durou muito tempo, pois em dezembro de 1970 a base do Paraná foi destruída pelos órgãos de repressão. Em janeiro de setenta e um, durante um encontro nacional clandestino foram presos vários militantes, o que levou a uma rápida dispersão tendo em vista que existia o

perigo real de uma delação vinda de algum prisioneiro. Afinal era necessário impedir a penetração do inimigo no Staff partidário, a executiva do Comitê Central.

A terceira e última direção montada pelo BR se reconstituiu em meados de 1972 com remanescentes da anterior e mais alguns militantes que foram alçados ao Alto- Comando. Sua primeira decisão foi lançar uma nova diretriz, o Informe do Interior, quando pela primeira vez se reconheceu os revezes sofridos pela organização e a esquerda armada como um todo, além de sua fragmentação e isolamento.

Esse desencontro era aprofundado ainda mais devido à situação reinante, afinal 1968 tinha ficado para trás e a repressão estava em toda parte nos calcanhares dos sobreviventes gerando uma inversão nos papéis, pois em vez da guerrilha fustigar o inimigo, os guerrilheiros estavam sendo caçados.

Porém esse olhar realista não impediu que persistisse a crônica antinomia entre o massismo, trabalho de construção das condições subjetivas, e militarismo, continuação da luta armada a qualquer custo. Mas como a luta teria que continuar coube ao BR, em conjunto com outras organizações a última ação impactante da guerrilha brasileira, o fuzilamento do Delegado Otávio Gonçalves Moreira Jr.

Católico fervoroso, anticomunista neurótico filiado a organização ultramontana Tradição, Família e Propriedade (TFP) e ao Comando de Caça aos Comunistas (CCC), era originário da Faculdade de Direito do Largo São Francisco (USP). Quando do conflito entre um setor estudantil de extrema-direita da Universidade Presbiteriana Mackenzie e a esquerda da Filosofia da USP na “Batalha” da Rua Maria Antônia, apoiou os primeiros. 95

Atirador excepcional integrou-se ao DOI-CODI de São Paulo. Partícipe de torturas, assassinatos e ocultação de cadáveres de presos políticos, gostava de amarrar uma corda em uma das pernas dos prisioneiros quando levados a um ponto de encontro com seus companheiros, para segundo dizia, evitar fugas repentinas.

Em resumo, era um alvo perfeito para os objetivos dos guerrilheiros, uma nova oxigenação para a idéia de revolução armada, mesmo quando a realidade estava demonstrando justamente o contrário, que as constantes quedas de militantes estavam levando ao fim da luta.

Dessa forma em fevereiro de 1973, como sempre costumava fazer, o policial estava na cidade do Rio de Janeiro para, como rotineiramente fazia, tomar um banho

95 Além do BR participaram no Chile do planejamento do atentado contra o Delegado ALN e

VAR-Palmares e VPR. Porém esta última não esteve presente na execução. Os detalhes estão em SOUZA, Percival de. Op. Cit. Cap. 10. p. 161-173.

de mar em Copacabana. Na volta para a hospedagem foi surpreendido por um Comando Armado que o atingiu mortalmente com vários tiros de pistola. 96

Mas o que parecia ser uma demonstração de força e racionalidade acabou sendo o epílogo de algo que já estava apresentando sinais profundos de fraqueza, pois identificados os nomes dos autores do atentado, todos com exceção de um foram capturados, torturados e assassinados, sendo que alguns estão desaparecidos até hoje. Para o BR as conseqüências foram trágicas:

“A 28 de outubro de 1973, quatro corpos semicarbonizados jaziam dentro de um carro incendiado na Praça da Sentinela , em Jacarepaguá. Puderam ser identificados Ranúsia Alves Rodrigues, Almir Custódio de Lima e Ramirez Maranhão do Valle, militantes do PCBR.. O incêndio do carro apagou os vestígios da tortura e colocou o ponto final na militância ativa do PCBR”. 97

Esse foi o PCBR, a organização que não conseguiu superar até o seu aniquilamento total sua contradição entre o “velho”, diga-se Leninismo, e o “novo”, identifique-se Guevarismo. A prova disso pode ser encontrada na própria estratégia que construíram para sair dessa encruzilhada. Colocava-se como única possibilidade no horizonte o reforço e a reafirmação de algo que vinha se mostrando altamente falível.

No exterior, por exemplo, ainda esperava-se ansiosamente por informações sobre o que realmente se passava no Brasil, e quando a Direção-Comando recontactou os exilados, o fez acompanhada da proposta de uma nova operação militar, secreta, de retorno ao Brasil, que sem transtorno foi aceita imediatamente. O plano só não se realizou por motivos políticos alheios as suas vontades:

“Nunca nos consultaram, sequer buscaram nossa opinião. Só nos contataram – num SOS final – após setembro de 1972, quando a organização estava praticamente esfacelada. E ainda assim para propor um retorno suicida ao país, a fim de reforçar o pequeno grupo de militantes remanescentes. Manda a honestidade que se diga: tal retorno foi organizado; e só não se deu porque o golpe militar no Chile o inviabilizou”.

98

96 Veja Jornal O POVO. Nacional. Grupo terrorista fuzila delegado. P. 5. 27.02.73.

97 GORENDER, Jacob. Op. Cit. p. 201. No Ceará a organização tinha sido destruída em

fevereiro de 1972. Vide FARIAS, Aírton. Op. Cit. p. 206.

5. O quadro de organizações armadas no Ceará com ramificação nacional se