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Belgede STRATEJİK PLANI (sayfa 32-36)

Até o momento, as teorias de desenvolvimento apresentadas não incorporaram o espaço, mas será possível falar de industrialização,

sem se falar em localização de produção, ou de países pobres e ricos, sem se fazer analogias com regiões pobres e ricas?

Após dois séculos do início do crescimento econômico moderno, grande parte da população mundial permanece na pobreza. A despeito de muitos dos benefícios do desenvolvimento, particularmente o au- mento na expectativa de vida e a redução da mortalidade infantil, te- rem se difundido para quase todas as partes do mundo, grandes discre- pâncias ainda podem ser encontradas. Por outro lado, pouco se tem avançado na redução de desigualdades em termos de bem-estar mate- rial, principalmente quando medido pelo PIB per capita, mesmo que ajustado pela paridade do poder de compra (GALLUP et al.,1999).

Nesse sentido, um dos aspectos centrais sobre a Geografia Econômi- ca do mundo é a distribuição espacial desigual das atividades. Regiões de elevadas rendas estão quase que concentradas em poucas zonas tem- peradas; do mesmo modo, no interior dos países, é praticamente inevi- tável deparar-se com a concentração das atividades econômicas em re- giões metropolitanas, densamente povoadas (HENDERSON et al., 2000).

Krugman (1991c) adverte, entretanto, que o estudo da Geografia Econômica, isto é, da localização dos fatores de produção no espaço, ocupa, relativamente, uma pequena parte da análise econômica pa- drão. A partir dessa constatação, o próprio Krugman, partindo de instrumentos utilizados para análise de economia internacional, deu início a uma série de estudos sobre a distribuição espacial das ativi- dades econômicas.

Logo, pode-se admitir que a ausência de formalização de modelos da economia regional e urbana, muitas vezes, a deixaram relegada frente às demais áreas de estudo na economia. Ressaltem-se os mode- los no estilo de Hotelling (1929), que se baseiam no exame cuidado- so da interação estratégica das decisões de localização das firmas, con- siderando, como exógenas, a distribuição geográfica da demanda e dos recursos.

O modelo de Hotelling, porém, mereceu uma atenção especial mais no campo da organização industrial, pois a questão central é, de fato, a diferenciação de produtos e a escolha ótima de localização das fir- mas, haja vista a maximização dos lucros. Logo, mesmo sendo um instrumental para a análise da aglomeração de firmas, a discussão, na

forma apresentada por autores como Osborne e Pitchik (1987), D’Aspremont, Gabszewicz e T hisse (1979), Katz (1995), Bester et al. (1996), Anderson et al. (1997), Lambertini (1997), Irmen e Thisse (1998), circula ao redor da máxima ou mínima diferenciação do produto, haja vista o comportamento estratégico das firmas e pos- síveis falhas de coordenação.

Krugman (1996), por sua vez, considerando a possibilidade de equi- líbrios múltiplos, ou seja, o fato de que as firmas se localizam onde os mercados são maiores e os mercados maiores ocorrerem onde as firmas estão localizadas, identifica claramente a escolha da localização com o argumento anteriormente apresentado do big push, em que as firmas adotam técnicas modernas se os mercados forem suficientemente am- plos, mas estes só se ampliam onde houver adoção dessas técnicas. Assim, para o autor, é lógico que conceitos da teoria de desenvolvimen- to sejam incorporados à Geografia Econômica.

Além disso, o autor é enfático ao destacar que as idéias da teoria do crescimento balanceado são mais plausíveis num contexto de locali- zação do que em seu habitat original. Isto porque o modelo de big push na versão original apóia-se crucialmente na existência de oferta de trabalho elástica no setor artesanal, de menor salário. Tal dificul- dade, ainda que possa ser superada pela consideração dos fortes enca- deamentos nos setores intermediários, se houver inelasticidade de oferta de trabalho, o que é comum em muitos países em desenvolvi- mento, os equilíbrios múltiplos do big push podem não acontecer.

Já na Geografia Econômica, a oferta de fatores para qualquer região ou localização é, tipicamente, muito elástica, tendo em vista a livre circulação do capital e trabalho. Logo, o big push para o conjunto da economia pode não ser plausível, mas a big snowball para uma região particular pode fazer muito sentido (KRUGMAN, 1996).

Alan Pred (1966) foi o primeiro a incorporar, segundo Krugman (1996), os conceitos da teoria de desenvolvimento ao crescimento regional, podendo sua obra ser considerada uma variante do big push. Em seu modelo, supõe que uma economia regional cresce até certo ponto, a partir do qual se torna lucrativo substituir bens importados sujeitos a certa economia de escala por produção nacional. Tal subs- tituição de importação expande o emprego regional, atraindo traba-

lhadores de outras regiões, e, desse modo, amplia cada vez mais o mercado local, ensejando a demanda necessária para tornar atrativa uma nova rodada de substituição de importações.

Mais recentemente, muitos autores, tendo em vista, justamente, a mobilidade de fatores no plano regional, têm procurado aplicar o modelo de big push, em muitos casos, baseando-se na formulação original de Murphy et al. (1989), ao processo de industrialização e desenvolvimento regional. Destacam-se, nesse sentido, o modelo de economia espacial de Fafchamps (1997), abordando o impacto da mobilidade de capital e externalidades locais no processo de indus- trialização; o modelo de jogos dinâmicos de Schmutzler (1998), con- siderando o papel da heterogeneidade e externalidades no processo cumulativo regional; e a análise discursiva de Scott (2003) acerca de uma geografia de crescimento em países em desenvolvimento, ou seja, de um regional push (impulso, “alavancagem” regional).

Por outro lado, devem-se destacar os trabalhos da chamada “Nova Geografia Econômica”, que, embora incorporem a idéia de retornos crescentes presente nos modelos de desenvolvimento, tratam a ques- tão por meio de uma modelagem da concorrência monopolística, não considerando a interação estratégica dos atores.

De acordo com Anas (2001), em The Spatial Economy: Cities, Regions and International Trade, de Masahisa Fujita, Paul Krugman e Anthony Venables (1999), encontra-se uma síntese da contribuição da cha-

mada Nova Geografia Econômica. Os modelos apresentados nessa obra almejam explicar a emergência das aglomerações espaciais, por meio de um aparato da dinâmica não linear e equilíbrios múltiplos, utilizando uma análise quase competitiva de equilíbrio geral. A base do argumento da “Nova Geografia Econômica” é a necessidade de explicar as concentrações de população e atividade econômica, isto é, as diferenças entre os cinturões de indústrias de manufatura e de produção agrícola, a existência de cidades e o papel dos clusters in- dustriais.

É válido destacar que, embora os autores recuperem o argumento de Marshall (1920) sobre a formação dos distritos industriais, dada a dificuldade de se modelar os spillovers de conhecimento (o que Marshall dizia estar no ar) e as vantagens da concentração de trabalhadores

qualificados, fazem uma reinterpretação apenas de um terceiro ele- mento, os encadeamentos para trás e para frente associados aos gran- des mercados locais, o que, de certo modo, aproxima bastante a Nova Geografia Econômica dos fundamentos da Teoria do big push e de Hirschman.

A proposição central dos autores fundamenta-se nas idéias de Krugman (1991a), ao sugerirem que a combinação de retornos cres- centes de escala com custos moderados de transporte pode propiciar a concentração geográfica de ofertantes e demandantes de insumos in- termediários. Logo, para os teóricos da Nova Geografia Econômica, a concentração pode resultar da conjunção de maior interação inter-in- dustrial vertical e custos intermediários de transporte, em contraposição à situação de maior dependência inter-industrial horizontal e altos custos de transportes (condições favoráveis à dispersão das atividades).

Tratar de modelos com retornos crescentes de escala, contudo, sem- pre representou um entrave para a teoria econômica de teor clássico, visto que eles levam a uma ruptura da concorrência perfeita. Krugman, Venables e Fujita (1999) buscam superar esse entrave, no desenvol- vimento de um modelo centro-periferia, pela adoção de fundamen- tos do modelo de concorrência monopolística de Dixit e Stiglitz (1977)3 e de uma versão espacial deste protótico.

Em síntese, a suposição dos autores é de que a distribuição desi- gual das atividades econômicas entre cidades, regiões e países certa- mente não é resultado das diferenças herdadas entre as localidades, mas de um conjunto de processos cumulativos envolvendo alguma forma de retornos crescentes, a partir dos quais a concentração geo- gráfica se torna auto-reforçada.

Não se pode negar que Krugman, Venables e Fujita (1999) logra- ram certo êxito em trazer a questão regional e urbana para dentro das

3 Dixit e Stiglitz ( 1977) tratam da questão quantidade versus diversidade. Co m eco no mias de escala, o s recurso s po dem ser eco no mizado s pro duzindo -se um número meno r de bens distinto s em quantidades maio res de c ada um. Po rém, tal situaç ão leva a uma meno r variedade o que traz em si uma perda de bem-estar so cial. Os auto res tentam, admitindo a co nvexidade das curvas de indiferença, o u seja, a preferência pela diversidade, tratar do caso específico em que o s bens o u serviço s de um grupo , seto r o u indústria são bo ns substituto s entre si, mas substituto s po bres de o utro s bens o u serviço s na eco no mia.

discussões da teoria econômica. Especificamente, ao admitirem a possibilidade de equilíbrios múltiplos, viabilizaram a feitura de ana- logias, na esfera regional, com as discussões de big push versus cresci- mento não balanceado e causação circular cumulativa.

Por outro lado, cabe enfatizar, novamente, que dois dos argumen- tos centrais da Nova Geografia Econômica parecem ter sido recobra- dos da teoria de desenvolvimento: os encadeamentos para trás e para frente e a idéia de retornos crescentes. Assim, ao mesmo tempo em que trabalha a noção de concentração e crescimento não-balanceado, ao enfatizar as economias de aglomeração, recupera a imperfeição dos mercados e, portanto, a existência de falhas de coordenação, reser- vando um papel determinante para os retornos crescentes e spillovers no processo de desenvolvimento.

Por fim, Krugman,Venables e Fujita (1999), ao introduzirem cus- tos de transporte em seu modelo, estavam, na verdade, incorporando a noção de espaço como fator determinante do desenvolvimento.

3 I mplicações da t eoria de desenvolviment o para f ormu-

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