• Sonuç bulunamadı

Dando prosseguimento à discussão dos resultados, nesse capítulo serão retomadas algumas das informações apresentadas nos capítulos anteriores, a fim de analisar-se conjuntamente a opinião dos participantes, na busca de pontos divergentes e convergentes entre eles. Ao final, são apresentadas algumas reflexões sobre os principais pontos a serem levados em consideração pelos projetistas ao escolherem e utilizarem sistemas remontáveis derivadas das observações feitas durante a pesquisa.

Ressalte-se, antecipadamente, as características do sistema escolhido, que, baseado em uma planta ortogonal, mostrou-se limitante em termos compositivos, condição que, no entanto, não inviabilizou o exercício prático pretendido, muito pelo contrário, talvez, o tenha tornado ainda mais interessante, pois exigiu maior “jogo de cintura” dos participantes na busca dos efeitos pretendidos.

No que se refere as suas plantas baixas e a forma plástica, a avaliação de profissionais, estudantes e professores sobre os módulos do sistema

Arcostruttura é semelhante (Gráficos 23 e 24)., embora os primeiros os avaliem

mais favoravelmente, talvez devido à oportunidade de terem utilizado o SCR em um exercício projetual desenvolvido em tempo relativamente longo, o que lhes permitiu seu estudo detalhado.

Os comentários dos estudantes reforçam esse entendimento e apontam para a influência do sistema na definição do partido:

A variedade de formatos (plantas quadradas e retangulares) das coberturas e a condição da modulação dos elementos facilitaram a projetação (Extraído da entrevista do 04).

O sistema é prático, esteticamente moderno e tem uma variedade grande de modelos, o que possibilitou escolhermos o mais adequado ao projeto (Extraído da entrevista do E48).

Apesar dessa tendência geral à aprovação do SCR, ela não é uma unanimidade, também havendo um grupo de insatisfeitos (mesmo em menor número), os quais indicam como maior dificuldade “a pouca variedade (de

modelos) para criar composições” (E31). Logo, nem todos os grupos de estudantes tiveram facilidade de lidar com os elementos pré-estabelecidos do sistema, quer pela dificuldade em usar este sistema especificamente falando, quer pela falta de hábito/treinamento para adotar um sistema pré-definido em seus projetos.

Gráfico 23: Opinião sobre Formatos – Profissionais x Estudantes Fonte: Dados da pesquisa realizada

Gráfico 24: Opinião sobre Forma Plástica – Profissionais x Estudantes Fonte: Dados da pesquisa realizada

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Por sua vez, os arquitetos aparentam perceber com mais clareza este problema, provavelmente por terem experiência anterior que subsidia maior entendimento do SCR (mesmo sem ter usado especificamente o Arcostruttura) os que lhes garante uma visão mais aprofundada sobre o assunto.

Sobre a pergunta dos modelos, gostaria de fazer um comentário: o modelo Gaivota não me agradou, preferi o da cruz (volta a crociera) (Extraído da entrevista do PA07).

Com relação às dimensões das peças do SCR, mesmo que os dois grupos (professores e alunos) tendam a ter uma opinião favorável (bom ou ótimo), há uma perceptível diferença de opinião entre ambos: os estudantes avaliaram o ítem como ótimo, enquanto os arquitetos o julgaram apenas bom (Gráfico 25), como mostram suas falas.

Sim, entendimento fácil, pelo fato de ter todas as medidas(...) (Extraído da entrevista do E17).

As tabelas simples, com croquis em corte e em planta do sistema em questão, deixam claras todas as dimensões possíveis de uso, o que agiliza o projeto, mas também limita algumas das ideias, que simplesmente não podem ser levadas em consideração (Extraído da entrevista do PA02).

Gráfico 25: Opinião sobre Dimensões – Profissionais x Estudantes Fonte: Dados da pesquisa realizada

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De modo geral, que os profissionais entendem a limitação do sistema, e ressaltam que as dimensões definidas são inerentes ao bom funcionamento do sistema, mesmo que não facilite o uso. Os profissionais parecem estar mais familiarizados com as dimensões disponíveis, ao contrário dos estudantes que encontraram maior dificuldade em adequá-lo aos seus projetos.

(Sobre a dificuldade) Quanto aos tamanhos: poderia haver uma variação maior ou um mecanismo que pudesse fazer essa variação de dimensão (Extraído da entrevista do E02).

Foi mais fácil entender que utilizar, pois dava para entender que o tamanho (das tendas) era bastante flexível. Mas tem que se calcular tudo com precisão, e verificar qual modelo era compatível com o lote. A dificuldade foi achar o tamanho certo da tenda desejada que corresponda á área livre disponível. (Extraído da entrevista do E19)

A pouca facilidade em lidar com o sistema reflete a própria ausência, nos currículos dos cursos de arquitetura, de atividades que trabalhem uma situação real, usando o sistemas construtivos existentes no mercado. Embora o ensino de projeto costume utilizar simulações, em muitas situações restringe apenas particularmente os condicionantes, não impondo grandes limites ao projetista. Neste exercício em especial, a adoção de um sistema industrializado trouxe novas limitações aos estudantes, as quais, entretanto, não foram novidade para os arquitetos, já familiarizados com este tipo de situação.

Fácil de compreender (...) as fotos, detalhes e dimensionamento no sistema métrico que usamos (...) tornam os catálogos mais familiares (Extraído da entrevista do PA07).

Com relação às cores disponíveis para estrutura e cobertura também constituem um aspecto cujas respostas de estudantes e arquitetos são parecidas (Gráfico 26). Pouco mais de 30% consideraram este aspecto ótimo, entre 40% e 50% o julgaram bom, mas 23,5% dos arquitetos e aproximadamente 14% dos estudantes o classificaram como regular. Aliás, conforme discutimos no capítulo 6, embora o sistema ofereça um leque considerável de cores para sua estrutura e para a lona de cobertura, os projetistas (aprendizes e arquitetos), acostumados com uma palheta generosa de cores (das tintas de parede por exemplo), acabam por se incomodar com o que há disponível no SCR.

No caso dos projetos dos estudantes, a adoção de cores foi bastante utilizada para a setorização da feira itinerante, demarcando visualmente os diferentes setores. Mesmo que para isso não fossem necessárias muitas cores distintas, parece que, para alguns, as 22 opções disponíveis para a lona de cobertura e 19 opções para estrutura, não eram suficientes.

Gráfico 26: Opinião sobre Cores – Profissionais x Estudantes Fonte:Dados da pesquisa realizada

A quantidade de detalhes construtivos (encaixes, junções e conexões) apresentados no catálogo da Sprech aberto à consulta de todos, em especial os alusivos aos encaixes do sistema, foram entendidos como facilitação ao projeto, e muito bem avaliados pelos estudantes (Gráfico 27), a maioria dos quais conseguiu adequar os modelos das tendas ao partido arquitetônico, buscando um melhor arranjo das estruturas e encaixes do sistema.

Compreensível sim, pois a forma quadrada e de encaixes nas peças facilitaram o entendimento de montagem e desmontagem das tendas (Extraído da entrevista do E05).

O que facilitou o uso do sistema no projeto foi a mobilidade de montagem e os encaixes (Extraído da entrevista do E24).

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As diversas composições geradas confirmam que as medidas e os encaixes permitem variação no arranjo dos módulos, ao menos em planta, e essa flexibilidade parece ter sido compreendida pelos alunos ao desenvolverem e justificarem suas propostas (Gráfico 27).

Gráfico 27: Opinião sobre Encaixes – Profissionais x Estudantes Fonte: Dados da pesquisa realizada

Mesmo sem terem feito uma aplicação direta deste SCR, limitando-se à análise das informações do catálogo, o mesmo entendimento é tido pelos arquitetos que consideraram bons os encaixes da estrutura. Se observarmos o gráfico 27, assim como as médias aritméticas atribuídas por ambos estão bem próximas (8.8 para estudantes e 8.2 para os profissionais).

É possível usá-los em meus projetos (...) as imagens de produtos aplicados em situações reais, os catálogos com detalhes de montagem, suas dimensões, padronagens, enfim, ele é bastante rico (o catálogo) em dados técnicos (Extraído da entrevista do PA6).

(...) esquemas apresentados em corte e planta são de fácil entendimento pelo projetista (Extraído da entrevista do PA2).

De fato, a literatura aponta que os encaixes são peças fundamentais para a aplicação de um sistema pré-fabricado, pois são eles que proporcionam

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as conexões entre os módulos. Portanto, é preciso que o projetista compreenda como funcionam as peças, a fim de tornar a estrutura exequível. Entende-se que, por possuirem mais experiência projetual, os arquitetos são mais críticos em relação a este aspecto, sabendo que qualquer medida ou peça que não encaixe, comprometerá toda a estrutura. Provavelmente esta é a razão pela qual a maioria dos arquitetos, apesar de terem avaliado bem, consideraram os encaixes apenas bons (não ótimos, como indicado pelos estudantes).

Com base nesta compreensão, se pensarmos no processo projetual de edificações que adotem um SCR com a mesma visão e processo de projetação voltado para arquitetura convencional, o resultado final talvez seja o mesmo. Entretanto, sabe-se que os caminhos percorridos não são os mesmos para estes dois tipos de “fazer arquitetônico” (convencional e remontável), de modo que cada uma deles tem suas particularidades.

Sob alguns pontos comuns, as opiniões de estudantes e arquitetos a este respeito se dividem: um grupo acredita que, embora a arquitetura seja diferente, o processo é semelhante; outro grupo julga que estes processos são diferentes entre si (Gráfico 28).

Gráfico 28: Opinião sobre Semelhanças e Diferenças no Processo Projetual – Profissionais x Estudantes

Fonte: Dados da pesquisa realizada

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De fato esta é uma questão na qual é difícil obter um consenso, notadamente por ser bastante subjetiva. Ressalte-se que alguns alunos não responderam a questão e outros demonstraram ainda ter muitas dúvidas sobre o que é processo projetual. Talvez por estarem no meio do curso (6º período) ainda lhes falte amadurecimento a respeito, como mostram afirmações como “há semelhanças (no processo projetual), pois o projeto deve ser pensado para

as mesmas finalidades (edifícios de mesmo uso)” (E50) indicando que, para

aquele aluno, se dois edifícios têm a mesma função o processo projetual que os gerou terá sido o mesmo, sem importar as diferenças na temporalidade da construção ou sua tectônica.

Por sua vez, os estudantes que apontaram semelhanças entre os processos projetuais o fizeram sob três argumentos: (i) o programa de necessidades seria o mesmo; (ii) o uso definiria a forma; (iii) nos dois processos era trabalhada a flexibilidade. Este último item merece destaque, uma vez que alguns profissionais entenderam o mesmo.

Acho que é diferente somente por uma questão de familiaridade do projetista, quem usa pela primeira vez deverá sentir alguma dificuldade do ponto de vista da capacidade da estrutura, entender como ela se comporta diante da radiação solar, etc. Porém uma vez aplicado um desses sistemas e tendo a oportunidade de sanar essas dúvidas, acho que é tranquilo utilizá- lo pela segunda vez. Por isso acho que não difere do processo de usar algo novo na arquitetura não (Extraído da entrevista com PA2).

Nota-se que a maioria dos estudantes entende que, a adoção de um mesmo programa de necessidades para as duas categorias de arquitetura (convencional e temporária), nem muito menos, propor espaços de mesmo uso, indicaria similariedade nos processos. Como discutido no capítulo 3 desta tese, os estudantes participantes mostraram-se, portanto, ainda pouco amadurecidos, faltando-lhes um olhar crítico sobre o processo projetual que lhes permita compreender a diferença entre elencar etapas e princípios de projetação e adotar um método conceptual. De certa forma, parece que eles acreditam que estão “descartando” a ideia da projetação partir da resolução de problemas de funcionalidade, muitas vezes tomando como ponto de partida para as decisões projetuais os aspectos condicionantes e/ou limitantes do

projeto, e deixando de perceber que, a própria seleção de soluções oriundas de condicionantes e de limitantes projetuais já compõe a resolução de problemas.

Assim, o experimento permitiu-nos observar que os modelos de ensino aplicados na academia ainda conduzem ao processo de projetação pautado na hierarquização e sistematização dos e.lementos projetuais partindo da resolução de problemas.

Segundo Lawson (2011), as decisões projetuais seguem um ciclo contínuo que passa pela avaliação, análise e síntese dos elementos avaliados. O arquiteto estabelece os critérios de seleção. No caso do processo projetivo que adota um sistema pré-definido, parte do trabalho de seleção já foi feito anteriormente, na definição do sistema pelos seus projetistas específicos, o que reduz a tarefa a realizar.

A única diferença, a meu ver, é que alguém pensou antes em todas as fases para a execução, e, eu, apenas terei que utilizar o sistema que mais se adequar ao meu projeto (Extraído da entrevista com PA8).

Seguindo essa linha de raciocínio, não há como afirmar que a projetação de arquitetura convencional e arquitetura remontável são processos iguais, já que as respostas de arquitetos e estudantes apontam para suas diferenças. Embora esta pergunta pareça assinalar para uma resposta óbvia (não há como tais processos serem iguais), mesmo argumentando nesse sentido os entrevistados não se posicionam claramente. Para eles, a praticidade, a rapidez do processo que acelera o tempo de projetação, a própria pré-definição do sistema em vários aspectos, tais como materiais e forma plástica, por si só justificam esta compreensão. Ainda foram destacadas a facilidade com que as composições plásticas podem ser feitas a partir de combinações formais, bem como do potencial de inovação resultante destas combinações.

Como já fora dito, mesmo não sendo um sistema “totalmente inédito”, os estudantes, por desconhecimento do produto avaliado, julgaram o SCR Arcostruttura era inovador tanto no aspecto funcional, quanto no formal:

Facilitou a composição; foi mais fácil arranjar soluções. Esteticamente ficou bastante agradável (Extraído da entrevista do E12).

Houve um grande diferença, (o sistema usado) é inovador e mais flexível (Extraído da entrevista do E46).

Sob esse ponto de vista, a facilidade de utilização do sistema acabou sendo confundida com facilidade (ou não) de projetar o objeto arquitetônico e, além disso, em semelhança ou diferença entre o projeto de arquitetura permanente e o projeto de arquitetura temporária.

Entende-se que uma das maiores vantagens do SCR é a modulação. Sem dúvida “a modulação, a disposição em planta, a organização, todos estes

fatores foram beneficiados com o uso do sistema” (E08). A modulação permite

a ordenação espacial de maneira muito mais clara e simples. Através desse elemento norteador, o projetista consegue projetar os espaços. No caso da aplicação do SCR, adaptá-lo ao lote requer a compatibilização entre esta modulação e o formato e as dimensões do lote, considerando as medidas mínimas necessárias para viabilizar o uso pretendido.

A modulação, a portabilidade, a flexibilidade e o fato do sistema está pré-definido foram as principais vantagens apontadas por estudantes e projetistas, seguidas em menor escala indicativa por composição plástica, praticidade e tempo reduzido de projetação (Gráfico 29).

A questão de tempo está latente nas respostas de projetistas profissionais e aprendizes. O tempo ‘ganho’ tanto na projetação quanto na montagem (leia-se portabilidade) é ressaltado como ponto positivo, uma vez que ambas são muito mais rápidas do que costuma acontecer quanto são usandos sistemas tradicionais. Durante o exercício projetual os alunos puderam comprovar o quão prático e rápido pode se tornar este processo, uma vez que alguns momentos de tomada de decisões são substituídos por soluções completas previamente planejadas. Contudo, não podemos esquecer que, a compreensão do sistema e sua modulação exige um certo tempo, que não pode ser desconsiderado.

A maior vantagem do sistema foi a implantação do sistema no projeto.

Utilizando os modelos disponíveis não houve perda de tempo, nem desperdício de ideias (E28).

Gráfico 29: Opinião sobre Vantagens do Sistema Arcostruttura – Profissionais x Estudantes

Fonte: Dados da pesquisa realizada

Em uma época em que o imediatismo é a tônica, na qual ‘ganhar tempo’ é associado a lucros e satisfação, projetar com mais rapidez e construir em menos tempo são qualidades visto com bons olhos por todos, estudantes e profissionais. Nem sempre este ‘ganhar tempo’ é algo positivo. Para profissionais entendemos que sim. Mas, para o ensino e sua prática da práxis isto é algo extremamente perigoso, podendo gerar acomodação do aluno, e mesmo uma certa “preguiça mental’ de pensar nas soluções e desenvolvê-las.

Outro ponto destacado como positivo também por todos, é a possibilidade de reutilização do sistema sem impactar tanto o meio, contribuindo assim para uma melhor qualidade de vida e ambiental. Além disso, a portabilidade dos sistemas construídos foi outro ponto ressaltado como fundamental para o futuro das novas construções. Alguns arquitetos estão cientes de que este é um interessante caminho e, para perseguí-lo, não só o processo projetual sofrerá mudanças, mas, sobretudo, muda o processo construtivo que passa a ter menos despedício de tempo e de material.

Os processos construtivos pré-fabricados e convencionais diferem, principalmente, na questão tempo de montagem, durabilidade e manutenção. Adotá-los e difundi-los é tentar pensar em um modo mais eficiente de projetar e construir (PA4).

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Concordando com o colega, ressaltamos que, embora nem todos os arquitetos e engenheiros conheçam e trabalhem utilizando SCRs industrializados, esta discussão é bastante relevante e atual para o campo da arquitetura e engenharia civil, sendo essencial que nos atualizemos com esta tendência mundial.

Mas como nem tudo são vantagens, com relação ao SCR analisado também foram vistas algumas desvantagens (Gráfico 30). No caso específico do sistema Arcostruttura as desvantagens foram mais apontadas pelos projetistas, pois poucos estudantes se arriscaram a fazê-lo, o que é curioso, pois eles tiveram a oportunidade de aplicar o sistema, conhecendo-o bem mais de perto. Talvez esta contradição seja proveniente de uma certa ‘acomodação’ do aluno, que gosta de ‘ter’ tudo à mão, para que não seja preciso pensar muito.

Exemplifica-se o item limitação de forma plástica. Embora eles tenham sido limitados em relação a este aspecto projetivo, não questionaram as formas presentes no sistema. “É sempre bem mais fácil projetar quando já está

resolvida parte do projeto” (E36).

Gráfico 30: Opinião sobre Vantagens do Sistema Arcostruttura – Profissionais x Estudantes

Fonte: Dados da pesquisa realizada

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Os estudantes que apontaram possíveis limitações do sistema o fizeram através das respostas subjetivas, dando destaque para representação gráfica (classificada como difícil por aqueles que não dominam as ferramentas computacionais), a compreensão das dimensões, e consequentemente a adaptabilidade destas às dimensões do lote e ao pré-dimensionamento do edifício proposto, a flexibilidade dos módulos e, a limitação de cores.

Por sua vez, os profissionais chamaram mais atenção para o ‘engessamento’ de ter um sistema pré-definido, a modulação e também a flexibilidade, que de certa maneira ‘amarram’ as opções de arranjos projetuais, bem como a limitação de formas plásticas inerentes a um sistema pré-definido, ou mesmo inerente ao sistema avaliado nesta pesquisa (o SCR adotado).

Conjugando grande parte dos aspectos discutidos nesse texto, um dos arquitetos participantes trouxe uma questão inquietante, que vale a pena retonar.

O sistema é fácil de entender (...), fácil de usar, aparentemente sim. Bem entendido que o ‘usar em projetos’ significa utilizá-los em feiras, etc., ou seja, estaremos fazendo apenas o layout do evento. (...) Assim, acho que não estaríamos fazendo projeto, o projeto já foi feito, estamos apenas utilizando o produto (PA05).

No entender do colega citado acima, propor layout e agenciar peças prontas não seria projetar. Novamente nos vemos em meio a uma discussão complexa, voltando a questionar o que é projeto de arquitetura e qual o alcance de um projeto. Ao usarmos um sistema industrializado, ganhamos tempo ou perdemos o ato de projetar, nos transformando em arranjadores funcionais? O fato de ter peças pré-definidas em um sistema construtivo industrializado diminui o ofício da projetação, ou apenas significa que encontraremos soluções projetuais com tempo menor de concepção?

Se o projeto é ordenamento, estruturação, reorganização do espaço, ele é simultaneamente reatualização e antecipação do tempo. A percepção do espaço demanda, em contraponto, uma percepção do tempo. (...) Assim para o projeto nascer, é necessário que o projetista estabeleça para si um horizonte temporal suficientemente distanciado (BOUTINET, 2002, p. 259).

Ora, se para Boutinet (2002) é necessário pensar no projeto antecipando seu futuro, isso representa um certo tempo. Porém, quando estamos diante de uma situação onde parte dos elementos projetuais já estão resolvidos, isto seria ‘ganhar tempo’ ou na verdade, isto já indicaria que um esboço já havia sido feito anteriormente, mas não o projeto propriamente dito.

De fato, trabalhar e criar com peças pré-concebidas não é nada novo também para a arquitetura. Pensar no exercício projetual como uma estratégia de jogo de cartas ou de montar já foi estudado e investigado por muitos profissionais (a exemplo das tipologias adotadas por DURAND, 2002). Estas peças podem até variar a escala, mas trarão consigo o mesmo desafio de organizar o espaço através de seu uso.

Na década de 80, Stiny estudou a gramática Kindergarten de Frederick Froebel, fazendo uma analogia com o método utilizado nos ateliês de projeto, e propôs uma alternativa computacional para esse. Utilizando os blocos construtivos de Froebel num espaço tridimensional, Stiny criou uma gramática de formas arquitetônicas simples (PANET, 2007, p.10).

Recentemente, em 2012, um grupo de arquitetos holandeses da empresa LOOS.FM projetou e construiu um pavilhão temporário de uso público e uma igreja para o Festival Grenswerk (Figuras 139 e 140), na Holanda (Abondantus Gigantus), todo feito em peças gigantes, os chamados legosblocks, blocos de concreto semelhantes a peças de lego e pintadas em

Benzer Belgeler