A poluição marinha por águas residuárias é um problema global, que injeta, diariamente, grandes quantidades de poluentes no ambiente marinho e costeiro. Desta forma, medidas de controle deste tipo de poluição são importantes e urgentes, para evitar danos maiores a estes ecossistemas.
O controle da poluição por esgotos domésticos está diretamente relacionado às políticas de saneamento básico nos municípios, a fim de evitar o despejo de esgoto in natura em corpos d’água próximos ou no solo. As redes de coleta de esgoto devem ser expandidas de forma a cobrir 100% da área de municípios urbanos e rurais. Também é fundamental o tratamento de 100% dos
esgotos coletados, antes de serem lançados em rios ou no mar, por meio de emissários submarinos. No ano de 2008, apenas 68,8% do esgoto coletado era tratado no Brasil, variando de acordo com as regiões brasileiras. O estado de São Paulo, por exemplo, tratou 78,4% do esgoto coletado, já o estado do Maranhão, apenas 1,4%. Outro problema é que apenas 55,2% dos municípios brasileiros contam com uma rede de coleta de esgoto, neste mesmo ano (IBGE, 2008). É importante também instaurar os tratamentos secundário e terciário nos sistemas de disposição oceânica de esgoto, a fim de remover altas cargas de nutrientes e de outros poluentes, que podem causar danos ao meio marinho. Se aplicadas, essas medidas serão efetivas no controle da poluição marinha por águas residuárias.
Há muitos anos, diversos países legislam sobre a disposição de esgoto no mar. Na década de 1970, houve três convenções internacionais na Europa, a fim de fixar acordos para controlar o despejo de águas residuárias no mar. Na Convenção de Oslo, em 1972, 13 países europeus banhados pelo mar do Norte e pelo oceano Atlântico nordeste assinaram um acordo para controlar a poluição marinha causada por lançamentos no mar de esgotos municipais e efluentes de navios e aeronaves. Ficou determinado que, para que o esgoto ou lodos de estações de tratamento de efluentes fossem lançados no mar, a presença de substâncias tóxicas teria que ser inferior aos padrões estabelecidos (VICENT; CRITCHLEY, 1984).
Na convenção de Londres, também em 1972, as determinações estabelecidas em Oslo passaram a valer para todos os mares e oceanos, e foi assinada por 60 países. A Convenção de Paris, em 1974, foi mais voltada ao controle da poluição por efluentes terrestres, especialmente os que chegam ao mar via tubulações. Foi assinada por quase todos os países europeus, com exceção de Irlanda, Bélgica e Luxemburgo (VICENT; CRITCHLEY, 1984). Em 1998, foi proposto pela Comissão de Comunidades Européias (CCE), a proibição, para países europeus, do lançamento de esgotos in natura no mar. Nos Estados Unidos, desde 1991, existe uma lei que proíbe este tipo de ação (MATTHEWS, 1992; HEMPHILL, 1992; MALTA, 2001).
No Brasil, segundo o Decreto nº 24643, as indústrias são responsáveis pelo tratamento de seus efluentes, inclusive os sanitários. É importante que haja fiscalização para garantir o cumprimento da lei, pois indústrias contribuem com cargas de metais pesados, que, em altas concentrações são extremamente danosos
ao ambiente aquático. É também necessário garantir que haja tratamento terciário neste tipo de efluentes, capaz de remover metais e outros poluentes específicos presentes no efluente (NUVOLARI, 2003).
Segundo Giordano (2004), os efluentes líquidos industriais são gerados a partir de perdas de energia térmica e por contaminação de águas pelos resíduos dos processos industriais, pela perda de produtos e de matérias-primas. Desta forma, a poluição por águas residuárias industriais é produto da ineficiência do processo produtivo. Portanto uma forma importante de controle deste tipo de poluição é a busca da eficiência na produção industrial, benéfica para o meio ambiente e também para a competitividade da indústria no mercado. Deve-se minimizar perdas nos processos, utilizando maquinário mais moderno, otimizar o arranjo geral da indústria, visando à redução de perdas de produtos e de matérias-primas em descarregamentos e perdas por vazamentos além de reduzir o consumo de água nas lavagens de pisos e de equipamentos.
A resolução federal CONAMA n° 357, de 17 de Março de 2005, art. 34, estabelece os parâmetros de qualidade do efluente para que este possa ser lançado direta ou indiretamente nos corpos d’água. Estabelece também que deve haver tratamento especial para os efluentes que estejam conhecidamente infectados com microrganismos patogênicos. O artigo 25 desta mesma resolução estabelece que é proibido lançar ou autorizar o lançamento de efluentes no mar, em desacordo com os padrões estabelecidos nesta resolução.
A poluição causada pela lixiviação de solos agrícolas é de difícil controle. Isto porque não há como impedir o fluxo deste efluente para o mar, muito menos como tratá-lo. Portanto, medidas devem ser tomadas na origem do problema: a utilização de compostos tóxicos como agrotóxicos. Esforços na comunidade científica devem ser direcionados a fim de desenvolver produtos menos tóxicos, mas ainda eficientes no combate às pragas da agricultura.
Enquanto substâncias menos tóxicas ainda não são descobertas, uma medida efetiva a ser tomada para minimizar este tipo de poluição é a fiscalização intensa do uso de pesticidas organoclorados na agricultura. O Brasil é signatário do tratado internacional que proíbe a comercialização e o uso de 12 tipos diferentes de POPs, porém estes compostos ainda são utilizados ilicitamente em países em desenvolvimento. Isto, aliado à má estocagem de pesticidas e ao monitoramento
ambiental precário, promove ainda uma exposição do homem e dos organismos marinhos a estes compostos tóxicos. No Brasil há um esforço para o monitoramento e compilação de dados que apontem o grau de poluição por organoclorados como forma de facilitar medidas de gestão de áreas contaminadas, com possível descontaminação em um futuro próximo (NETO; WALLNER-KERSANACH; PATCHINEELAM, 2008).
Para controlar a grande quantidade de nutrientes que chega ao mar pela lixiviação dos solos agrícolas cultivados, causando zonas mortas, Tilman et al. (2001), creem que a melhor forma é manter os fertilizantes utilizados na agricultura fora do ambiente marinho. Eles sugerem o desenvolvimento, nos sistemas agrícolas, de métodos a fim de fechar o ciclo de nutrientes dos solos a serem colhidos, de forma que estes sejam devolvidos para o solo. Esta medida pode ser bastante eficaz para reduzir as cargas de nutrientes no ambiente marinho. Diaz, Rosemberg (2008) acreditam que é irrealista dizer que se deve reduzir as entradas de nutrientes a níveis de antes da Revolução Industrial. Porém creem serem necessárias medidas de manejo que reduzam as entradas de nutrientes no ambiente marinho a níveis que ocorriam na metade do século passado, antes de as zonas mortas se alastrarem por todo o globo.
O controle da poluição por águas de escoamento urbano é mais complicada e exige maiores esforços para sugerir uma alternativa viável e efetiva para conter a chegada dos poluentes associados ao ambiente marinho. Isto porque a chegada desses contaminantes ao mar está associada a eventos de chuvas fortes ou tempestades, nos quais grande volume de água lava os solos urbanos. Esse grande volume de água pode impossibilitar o emprego de estações de tratamento deste tipo de efluente, pois a carga de entrada é bastante alta, em um curto tempo, podendo exceder a capacidade suporte da estação.
Porém, Pusch, Guimarães, Grassi (2007) consideram que uma alternativa viável para o controle deste tipo de poluição é a melhoria da qualidade dos materiais empregados em construções civis, como telhados, e em peças automotivas, como discos de freio. Esta melhoria é necessária tanto para reduzir a quantidade de componentes metálicos e hidrocarbonetos tóxicos utilizados em sua composição, quanto para empregar processos que imobilizem melhor estes compostos, que são facilmente removidos da superfície destes objetos e carreados pela água da chuva.
Para garantir a efetividade desta medida de controle, a a poluição atmosférica também deve ser controlada, pois grande parte dos poluentes encontrados em águas de escoamento urbano sofreram deposição atmosférica. Ademais, melhorias na qualidade de materiais tem que atingir todas as marcas do mercado, e sua qualidade tem que ser constantemente fiscalizada.
O reuso de água é também um recurso importante para o controle da poluição marinha por águas residuárias, pois possibilita que o efluente, após ser tratado, seja reutilizado, para o mesmo fim que o produziu ou para outros fins. Esta medida de controle, bastante eficaz e viável, reduz o volume de efluentes que chegam ao oceano. Segundo Giordano (2009), se uma bacia hidrográfica é classificada como especial, nem mesmo efluentes tratados podem ser lançados nela. Dessa forma, o reuso da água pode ser considerado, pois os custos de lançar os efluentes em outras bacias podem ser muito grandes, dependendo da distância. De acordo com Miller (2006), Estados Unidos, Europa Ocidental, Austrália e Israel já fazem reuso de águas residuárias. Nos Estados Unidos, essa prática vem se expandindo cada vez mais, porém apenas 7,4% de todo efluente tratado que é gerado é reutilizado, mostrando o grande potencial que ainda é desperdiçado. Na Austrália, houve um crescimento do volume de águas residuárias reutilizadas de 7,3%, de 1996 a 1999 para 9,1% de 2001 a 2002. O reuso de águas também já é aplicado no Brasil, em indústrias e na irrigação, por exemplo (CUNHA et al., 2011).
Para ser reutilizado, o efluente tratado precisa estar dentro dos parâmetros de qualidade de efluentes, geralmente definidos de acordo com a atividade em que será utilizado. Efluentes tratados destinados a consumo humano possuem padrão de qualidade bastante superior aos utilizados em sistemas de irrigação, por exemplo. Em 1989, a Organização Mundial de Saúde (OMS) publicou uma série de recomendações no manual “Health Guidelines for the Use of
Wastewater in Agriculture and Aquaculture“, onde sugere padrões microbiológicos
de águas residuárias para uso na agricultura e aquacultura, a fim de evitar a transmissão de doenças pelo consumo dos alimentos irrigados com efluentes tratados.
O reuso de água é uma ótima alternativa para localidades que sofrem com a falta de água, promovendo a recuperação de áreas degradadas, ações de reflorestamento, recarga de aquíferos e a agricultura em locais secos, mesmo no
período de estiagem, além de preservar mananciais, por promover a redução do consumo de águas naturais. A utilização de efluentes tratados na agricultura também significa menor utilização de fertilizantes, pois os nutrientes reciclados do esgoto desempenham o mesmo papel, significanto economia para o trabalhador rural e menores índices de fertilizantes nos corpos d’água (SOUSA et al., 2000).
Miller (2006) afirma que, apesar de o reuso de águas residuárias ser aplicado em muitos países do mundo, a parcela de efluentes tratados que é reutilizada ainda é muito inferior ao volume total produzido pelos municípios e pelas indústrias. Afirma também que com o aumento da demanda por água, comunidades estão se abrindo a novas possibilidades para obtenção desta, como o reuso de águas residuárias, a água da chuva, a água resultante de indústrias de energia e mineração, bem como a dessalinização da água do mar e das águas subterrâneas salobras.
Apesar da necessidade, muitas barreiras ainda são impostas ao reuso de efluentes tratados, como a necessidade de tecnologias inovadoras, necessidade de informação do público a respeito e maior aceitação da técnica pela sociedade e necessidade de suporte dos governos. Vencidas estas barreiras, também serão necessários mais estudos para avaliar os riscos e desenvolver ferramentas acessíveis para a prática, para que o reuso de águas residuárias possa ser implantado com sucesso em todo o mundo.
Pela alta capacidade de dispersão do esgoto no meio marinho, e por serem produzidos grandes volumes de despejos diariamente, a poluição marinha por águas residuárias é um transtorno de difícil solução. Ações preventivas são a melhor alternativa de controle pois, uma vez no ambiente marinho, as águas residuárias não podem mais ser retiradas, e as cargas de poluentes associados a ela causarão danos a este ecossistema.
O maior problema relacionado à poluição por águas residuárias reside na alta porcentagem da população mundial que vive sem coleta adequada de esgoto e na baixa porcentagem do esgoto coletado que é tratado. Desta forma, políticas públicas que visem melhorias no sistema de saneamento básico dos municípios, com ampliação da rede coletora de dejetos e tratamento secundário e terciário em estações de tratamento de efluentes que precedem emissários submarinos. Estas políticas, aliadas à fiscalização intensiva de grandes indústrias e de empresas do
setor agrícola, além de incentivos para o desenvolvimento de insumos agrícolas menos danosos ao meio ambiente são medidas chave para o controle da poluição marinha por águas residuárias.
Na literatura científica encontram-se muitas formas de controle deste tipo de poluição. Contudo, há escassez de medidas que controlem a poluição pelo escoamento urbano e pelo alto uso de fertilizantes e agrotóxicos na agricultura. As consequências da poluição por águas residuárias em organismos marinhos é bem documentada na literatura científica quando são considerados poluentes específicos, como determinados metais pesados e pesticidas organoclorados. Os danos causados à biota marinha por outros compostos, como alguns derivados do petróleo, e certos microrganismos patogênicos, contudo, ainda são pouco conhecidos. Assim, estudos devem prosseguir para que se possa compreender melhor os danos causados por este tipo de poluição ao ecossistema marinho, e para que sejam fornecidas bases mais consolidadas para o estabelecimento de novas medidas eficazes para o controle da poluição por águas residuárias.
6 POLUIÇÃO MARINHA POR PETRÓLEO E DERIVADOS
O petróleo exerce papel fundamental na socidade moderna, pois é uma das principais formas de energia empregadas no mundo. É um composto de origem orgânica, natural, originado a partir da decomposição da matéria orgânica gerada pela atividade fotossintética e pela morte de organismos vivos, por processos químicos, geológicos e geoquímicos (NETO; WALLNER-KERSANACH; PATCHINEELAM, 2008).
Restos de plantas e de animais sedimentam e se acumulam em lamas argilosas e são submetidos à ação bacteriana, em processos aeróbios e anaeróbios. O produto destas transformações, sob altas pressões, e temperaturas menores de 150 ºC, dão origem ao petróleo. Estas reações de transformação da matéria orgânica ocorrem em presença de água e de outros compostos inorgânicos, como enxofre e ácido sulfúrico. Durante este processo, o petróleo disperso acumula-se em reservatórios por migração, formando os poços subterrâneos de petróleo, sendo imprescindível a ocorrência de rochas reservatórias de boa porosidade, para que este possa escorrer entre seus interstícios. Dependendo da região e das condições
em que foram formados, os óleos podem possuir características físicas e químicas distintas (NETO; WALLNER-KERSANACH; PATCHINEELAM, 2008; NAS, 2003; TISSOT; WELTE, 1984).
Menos denso que a água, o petróleo é constituído majoritariamente por hidrocarbonetos (97%), podendo conter também enxofre, nitrogênio, oxigênio e metais traço como níquel, cromo e ferro. Dentre os hidrocarbonetos, podem-se encontrar os alifáticos (cerca de 80%), e os aromáticos (aproximadamente 15%). Dentre os hidrocarbonetos alifáticos, destaca-se um grupo de cicloalcanos utilizados como biomarcadores de petróleo. Dentre os aromáticos, é importante considerar os compostos com apenas um anel benzênico e alta volatilidade, conhecidos como compostos BTEX (benzeno, tolueno, etilbenzeno e xileno), os hidrocarbonetos alifáticos e os hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs). O teor de HPA no petróleo é inversamente proporcional ao seu peso molecular. Geralmente, os HPAs com até três anéis correspondem a cerca de 90% dos hidrocarbonetos aromáticos do petróleo. Os HPAs com quatro a seis anéis são encontrados mais comumente em óleos (NETO; WALLNER-KERSANACH; PATCHINEELAM, 2008; NRC, 2003; KERR et al., 1999).
Hidrocarbonetos podem chegar ao ambiente marinho por fontes naturais ou antropogênicas. Dentre as fontes naturais, podem-se citar as ceras de plantas superiores, algas, plâncton e a introdução de petróleo por fendas no fundo oceânico, responsáveis pelo nível de background deste composto no ambiente, importante a ser considerado em estudos de poluição, a fim de não superestimar os teores encontrados. Dentre as fontes antrópicas, é imprescindível destacar as atividades de extração, transporte e consumo de petróleo e seus derivados, que introduzem quantidades importantes destes compostos no meio (NETO; WALLNER- KERSANACH; PATCHINEELAM, 2008; MENICONI et al., 2002).
De acordo com GESAMP (2007), a entrada de óleo no ambiente marinho pode se dar por uma imensa gama de atividades antropogênicas, como pelas operações de carga e descarga de navios; por derramamentos acidentais; pela água de lastro; por deposição atmosférica dos hidrocarbonetos lançados pela poluição atmosférica, principalmente nas atividades de queima de combustíveis fósseis; em operações de reparo de embarcações em docas; em demolições e reciclagem de componentes de embarcações; por derrames em portos e demais terminais
marítimos; por vazamentos em estações de explotação de petróleo offshore; por descarte no mar de águas utilizadas na lavagem de cascos e comportas de navios, e por escoamento superficial de terrenos urbanos.
Segundo o National Research Council (NRC, 2003), órgão americano que promove a disseminação do conhecimento científico, tecnológico e de saúde, entre os anos de 1990 e 1999, estima-se que as fendas oceânicas tenham sido responsáveis pela injeção de 600x103 t/ano, de petróleo no meio marinho, sendo a fonte mais importante deste composto para o mar. A segunda fonte mais significativa de hidrocarbonetos de petróleo para o ambiente marinho seria o uso em terra destes compostos, que chegam aos oceanos pela drenagem terrestre e de rios, de derrames ocasionais causados por não-petroleiros, de descargas operacionais em indústrias e refinarias, e pela deposição atmosférica, somando 521,1x103 t/ano. Logo após, destacam-se as atividades de transporte que, considerando os derrames em oleodutos, petroleiros, descargas operacionais e deposição atmosférica somam 150,4x103 t/ano, de petróleo no mar. Em último lugar, vêm as atividades de extração nas plataformas, que somadas com as águas de produção (águas injetadas no interior dos poços para aumentar a pressão e facilitar a saída de petróleo) e com a deposição atmosférica dos compostos gerados por esta atividade, contribuem com 38x103 t/ano, de petróleo e derivados no ambiente marinho.
De acordo com Somerville et al. (1987), nos processos de extração de petróleo em plataformas marítimas, grandes volumes de água de produção são utilizados e descartados diretamente no mar. Quanto aos acidentes operacionais, é mais comum ocorrerem em petroleiros e demais navios, do que em plataformas.
Portanto, pode-se concluir que as fontes naturais são as maiores introdutoras de petróleo no ambiente marinho, principalmente nos últimos anos, em que a intensificação das medidas de controle e de prevenção da poluição marinha por navios e plataformas tem reduzido a entrada de petróleo resultante de atividades antropogênicas (NETO; WALLNER-KERSANACH; PATCHINEELAM, 2008; NAS, 2003). Huijer (2005) afirma que o número de derramamentos causados por petroleiros diminuiu significativamente de 1985 a 2005. Na década de 1970, a média anual de incidentes de derramamento correspondeu a três vezes a média das décadas de 1980 e 1990. Porém, acidentes durante os processos de transporte podem lançar, de uma só vez, grandes quantidades de petróleo e derivados no
ambiente marinho e costeiro, causando grandes impactos ambientais, atraindo a atenção da mídia e da sociedade.
Grandes derrames de petróleo têm sido registrados ao longo da história da humanidade. Alguns tiveram consequências bastante restritas ao local do acidente, não sendo muito divulgados na mídia internacional. Outros, porém, tiveram grandes proporções e os danos causados continuam sendo sentidos mesmo vários anos após os acidentes. Em 1989, por exemplo, ocorreu o acidente com o petroleiro Exxon Valdez, no Alasca, que foi um dos derrames de petróleo mais conhecidos do mundo. Após colidir com rochas submersas, o Exxon Valdez derramou cerca de 40.000 m3 de petróleo no mar, matando cerca de 260.000 aves marinhas, 20 baleias e 200 focas. Os maiores prejuízos ambientais foram causados pela localização do desastre, em uma região sensível a impactos ambientais que é o Alasca, e não pelo volume de óleo derramado. Além disso, impactos culturais e efeitos sobre a vida dos moradores da região também foram sentidos, após a invasão da região pela mídia, por agências governamentais e por curiosos em geral. A população local tornou-se cética e pessimista em relação ao futuro da comunidade, houve inversão do sentimento de que aquele local representa seus lares, pois a região passou a trazer uma sensação de perigo aos moradores, junto com uma reavaliação do pressuposto