BÖLÜM II. KAVRAMSAL ÇERÇEVE
2.2. Piyano Eserleri
2.2.3. Geç Dönem Eserleri (1848 56 yılları arası)
Olympio Mourão Filho, à época do levante militar de 1964, era General e, em 1937, no governo de Getúlio Vargas, ocupava a posição de Capitão do Exército. Ele foi personagem importante, pois marcou a história política do país nesses dois grandes momentos. Cabe aqui adiantar a máxima marxiana, na obra, O 18 Brumário de Louis
Bonaparte, de 1852, quando o filósofo Hegel afirma que a história acontece duas
vezes, mas esqueceu de acrescentar: a primeira, como tragédia e a segunda, como farsa.
Como se pode inferir do desenrolar das circunstâncias do golpe de Estado de 1964, as ações de Olympio Mourão Filho irão residir em manter um status quo da política nacional, denominada de democracia, mas, concernente a um conservadorismo próprio da classe burguesa em manter um grau de exploração da classe trabalhadora, por conseguinte, de não se sentir ameaçada por esta. De acordo com os estudos de Thomas Skidmore, em seu já comentado trabalho sobre o período Vargas ao governo de Castelo Branco131, o então capitão Olympio Mourão era um militar integralista. Juntamente com outros importantes militares, como Góes Monteiro, Daltro Filho e Eurico Gaspar Dutra etc.132, cujas atuações eram de total confiança de Vargas, apoiaram veementemente o golpe de 1937. Entretanto, numa articulação política, com o intuito de permanecer no poder, esses oficiais fiéis a
131 Obra: SKIDMORE, Thomas. Brasil: de Getúlio a Castelo (1930-1964). 6ª edição. Vol. 2. Rio de
Janeiro: Paz e Terra, 1979.
132 A pesquisadora Dulce C. Pandolfi, em seu artigo Os anos 1930: as incertezas do regime, de 2003,
salienta que após o golpe de 1937 “[...] a condução do novo regime estava nas mãos de Góis Monteiro, Eurico Dutra, Agamenon Magalhães, Benedito Valadares, Negrão de Lima, Francisco Campos e Filinto Muller [...]” (PANDOLFI, 2003, p. 35). Em conclusão, para a sustentação do regime com esses atores, Vargas obteve sucesso.
Vargas irão confeccionar um documento no qual dizem que uma insurreição comunista estava para acontecer.
O plano forjado, de novembro de 1937, ficou conhecido como Plano Cohen, de combate a uma revolução comunista, segundo a pesquisa de Skidmore (1979, p. 50), “O golpe de 10 de novembro foi a concretização do desejo, há muito tempo evidente, de Vargas, de permanecer no cargo além do seu prazo legal (...)”. Em outras palavras, usou-se o pretexto de contenção ao comunismo, como o empregado três décadas depois, 1964, em outras instâncias, pelo mesmo personagem militar, Olympio Mourão Filho. O golpe de 1937, por assim dizer, mostrou-se mais tarde como tragédia para a democracia brasileira e o movimento trabalhista. Conforme Dulce Pandolfi (2003), a peça de ficção representada pelo Plano Cohen serviu aos seus objetivos. Para Maria Helena Capelato (2003, p. 116)133, “Após o golpe, como os partidos e o Parlamento foram abolidos, não havia mais intermediários entre as massas e o governo [...]”. Numa palavra, isso será novamente colocado em 1964, agora, com outros atores sociais.
O desenrolar dos fatos, conforme se analisou em capítulo anterior sobre o golpe de Estado de 1964, foi a situação criada no calor dos acontecimentos da década de 1960. O propício ambiente proporcionado pela Guerra Fria traduz-se como algo inerente à ação militar golpista de 1964. A farsa de combate ao comunismo ascendeu marcantemente no cenário latino-americano e, consequentemente, no Brasil.
Quanto ao movimento golpista de março/abril de 1964, o comando do agora general Olympio Mourão Filho foi salutar. Sob suas ordens, na madrugada de 31 de março de 1964, as tropas saem de Juiz de Fora, Minas Gerais, em marcha para o Rio de Janeiro, no intuito de derrubar o governo de João Goulart. Como já foi discutido em momento oportuno desta dissertação, o general Olympio Mourão Filho foi um articulador golpista muito precipitado. Se a intenção, em princípio, era apenas a de afastar Goulart do poder, todavia, conforme as opiniões e surpresas de Carlos Lacerda e as de outros civis e militares relatados no livro de Hélio Silva, 1964: Golpe
ou contragolpe, Mourão Filho, antecipou a derrubada de Goulart. Sem perda de
133 CAPELATO, Maria Helena. O Estado Novo: o que trouxe de novo? In: FERREIRA, Jorge;
DELGADO, Lucilia de Almeida Neves (org). O tempo do nacional-estatismo: do início da década de 1930 ao apogeu do Estado Novo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.
tempo, o general pôs em ação o que já estava planejado, desde fins de janeiro de 1964, pelos oposicionistas do governo Jango. Porém, era necessário um tempo hábil, um dia “D” e, no entanto, a decisão golpista veio mais cedo. A data prevista para a ação golpista, como afirma Hélio Silva (1978), era o dia 02 de abril.
Sendo assim, o golpe de 1964 repetiu o de 1937, pois, apesar de ter se apresentado com outras configurações, teve por finalidade afastar o espectro do comunismo. Foi realizado e levado em prática pelos militares apoiados por civis (deputado Armando Falcão, o governador da Guanabara Carlos Lacerda, no Espírito Santo o governador Chiquinho, entre outros) e instituições, como a Igreja Católica e outras. Não restam dúvidas, por argumentações já evidenciadas, bem como pela análise do contexto da Guerra Fria e de governos latino-americanos condizentes com o imperialismo norte- americano, que o combate ao comunismo ateu era prioridade como meta de eliminar o inimigo externo e, por sua vez, o interno (o comunista, o revolucionário e qualquer opositor de esquerda). Para tal assertiva, como foi explorado no capítulo segundo deste trabalho, o discurso de Vargas em janeiro de 1936, demonstrava uma ojeriza ao comunismo. Este deveria ser derrubado e negligenciado pelos brasileiros.
4.5 O GOLPE CIVIL-MILITAR DE 1964 E SEUS REFLEXOS NO ESPÍRITO