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A Escola Estadual Presidente Kennedy tem uma história subsidiada à criação da Escola Normal de Natal. Nesse contexto, foi institucionalizada pelo Decreto nº 178 e regulamentada em abril de 1908 (ESCOLA ESTADUAL PRESIDENTE KENNEDY, 2008). Inicialmente, funcionou como anexo da Escola Estadual do Atheneu Norte Riograndense considerada escola de referência no centro da cidade do Natal.

Em 28 de janeiro de 1960, a Escola Normal tornou-se Instituto de Educação de Natal de acordo com a Lei nº 2.639 (ESCOLA ESTADUAL PRESIDENTE KENNEDY, 2008). No ano de 1965, a Escola Normal recebe uma nova configuração devido a um convênio consolidado entre a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) – United States Agency for International Development/Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) e Secretaria Estadual de Educação. Esse convênio foi fruto de um empreendimento norte-americano denominado Aliança para o Progresso, que orientou as políticas educacionais no Brasil e, consequentemente, aquelas conduzidas no Rio Grande do Norte. Os investimentos internacionais começam a direcionar a organização da educação brasileira. Saviani (2010, p. 367) afirma que “A adoção do modelo econômico associado-dependente, a um tempo consequência e reforço da presença das empresas internacionais, estreitou os laços do Brasil com os Estados Unidos”.

Nesse contexto, o prédio do Instituto Superior Presidente Kennedy foi construído e, na atualidade, denomina-se Instituto de Educação Superior Presidente Kennedy (IFESP). Pode-se perceber que esse Instituto forma-se em meio a estreitas negociações estabelecidas

entre o Brasil e os Estados Unidos, demarcando as influências desse país em nossa organização educacional. Vivencia-se, ainda, nesse período (anos de 1960), no Brasil outras experiências educacionais como A Campanha de Pé no Chão também se aprende a ler dirigida por Paulo Freire. Esse movimento tinha o intuito de alfabetizar Jovens e Adultos em 40 horas. A primeira experiência que utilizou o método formulado por Paulo Freire ocorreu em Angicos no Rio Grande do Norte.

Romanelli (2006, p. 210) analisa as proposições que embasaram os investimentos norte-americanos na educação brasileira:

Foi essa, na verdade, a forma que assumiu a atuação da AID no Brasil, visto que os programas que ela desenvolveu incluía assistência financeira e assessoria técnica junto aos órgãos, autoridades e instituições educacionais. Naturalmente, essa estratégia, embora não explicitasse uma ação direta, planejadora e organizadora, incluía, e isso está evidentemente implícito nos programas, um tipo de ação que implicava doutrinação e treinamento de órgãos e pessoas intermediárias brasileiras, com vistas obviamente e uma intervenção na formulação de estratégias que a própria AID pretendia fosse adotada pelos dirigentes, órgãos e instituições educacionais.

Pode-se perceber que os investimentos internacionais têm uma preocupação deliberada com a produtividade do sistema educacional. O intuito é difundir uma lógica reprodutivista baseada no modelo econômico norte-americano que defende a preparação de mão de obra devido à implementação de empresas. Melhor dizendo, a intenção é instituir, no campo da educação, o modelo organizativo que embasa a lógica das empresas. Os esforços eram direcionados à formulação de políticas educacionais que atendessem ao modelo econômico importado. Nessa perspectiva, houve uma grande impulsão à proliferação do ensino técnico. Por consequência, nesse contexto, o Instituto Superior Presidente Kennedy tem seu surgimento mais amplo de reforma das políticas educacionais.

Nos anos de 1970, vivenciou-se uma significativa reforma educacional por meio da Lei nº 5.692/71 (BRASIL, 1971) institucionalizando as Diretrizes e Bases para o Ensino de Primeiro e Segundo Graus. A partir da promulgação dessa legislação, o Instituto Presidente Kennedy tornou-se Escola Estadual Presidente Kennedy de 1° e 2° graus. A escola foi instituída sobre a autorização de n° 394/76 tendo com o Curso de Magistério, anteriormente, denominado Curso Normal. A formação pedagógica também assume seu caráter técnico instituído no Ensino Médio, uma vez que se desenvolve no período de forte influência da

Pedagogia Tecnicista. Saviani (2010, p. 381) ressalta as características da concepção pedagógica tecnicista:

Com base no pressuposto da neutralidade científica e inspirada nos princípios de racionalidade, eficiência e produtividade, a pedagogia tecnicista advoga a reordenação do processo educativo de maneira que o torne objetivo e operacional.

Nesse período, vivenciam-se propostas pedagógicas próximas à produção fabril com enfoque puramente sistêmico, objetivo e racional, princípios que passam a definir a formação dos sujeitos. A educação recebe intensa influência da organização das empresas, e, consequentemente, os métodos de ensino assumem caráter rígido e intensamente sistemático privilegiando, apenas, a dimensão técnica do fazer pedagógico. O processo de ensino aprendizagem ocorrerá de maneira mecânica e sistêmica, buscando, nesse processo, apenas o alcance da eficiência das propostas pedagógicas. Tenta-se diminuir ao máximo as influências subjetivas que pudessem comprometer o alcance da eficiência no ensino.

Ao longo dos anos, as propostas educacionais vivenciam profundas transformações. O Instituto Superior Presidente Kennedy assume a Formação Presidente Kennedy (IFP) em nível de 3° grau por intermédio do Curso de Formação de Professores de 1α. a 4α. séries por meio da Lei n° 6.573, de 3 de janeiro de 1994 (ESCOLA ESTADUAL PRESIDENTE KENNEDY, 2008). Esse curso foi reconhecido pela Portaria n° 69/96 do Conselho Nacional de Educação (CNE). Com base nessa organização legislativa, criou-se a Escola Estadual Presidente Kennedy de Ensino Fundamental visando oportunizar estágio aos alunos em nível superior, ou seja, servir de Laboratório para práticas educativas dos sujeitos que cursam Pedagogia ou mesmo outras Licenciaturas. No ano de 1999, houve a promulgação da Lei Complementar n° 163, de 5 de fevereiro (RIO GRANDE DO NORTE, 1999) que dispõe sobre a organização do Poder Executivo do Estado Rio Grande do Norte e dá outras providências. Em seu art. 44, consta a definição das atribuições referentes à oferta de ensino instituída ao Ifesp.

Art. 44. Ao Instituto de Formação de Professores Presidente Kennedy (IFESP), órgão de regime especial, compete a realização de:

I - cursos de licenciatura, mediante convênio com instituições reconhecidas;

II - cursos pré-escolar e de 1° grau menor (1a a 4a séries), destinados a funcionar como escola de aplicação para alunos do curso referido no inciso anterior, a fim de adquirirem prática nas atividades de magistério (RIO GRANDE DO NORTE, 1999).

Na legislação acima, veem-se as possibilidades de formação oferecida pelo IFESP, estabelecendo a capacidade de atuação da Instituição no que concerne à oferta do ensino. No ano de 2001, é instituída a Lei nº 7.909 em 4 de janeiro (RIO GRANDE DO NORTE, 2001) que transforma o Instituto de Formação de Professores Presidente Kennedy (Ifesp), órgão de regime especial, em autarquia, sob a denominação de Instituto de Educação Superior Presidente Kennedy – Centro de Formação de Profissionais de Educação (Ifesp), e

dá outras providências. Essa legislação amplia o grau de autonomia da Instituição com

relativa independência e não de maneira absoluta, uma vez que ainda será regida pelo Estado do Rio Grande do Norte. Mostra-se, abaixo no Art.1º da Lei nº 7.909 (RIO GRANDE DO NORTE, 2001), a principal mudança dessa legislação.

Art. 1º. O Instituto de Formação de Professores Presidente Kennedy (IFP),

órgão de regime especial, nos termos do art. 44 da Lei Complementar n.º 163, de 05 de fevereiro de 1999, fica transformado em autarquia, com personalidade jurídica de direito público e plena autonomia administrativa, técnica e financeira, vinculada à Secretaria da Educação, da Cultura e dos Desportos, com a denominação de Instituto de Educação Superior Presidente Kennedy – Centro de Formação de Profissionais de Educação - IFESP.

Na Lei nº 7.909 (RIO GRANDE DO NORTE, 2001), está explicita a vinculação estabelecida entre a IFESP e a Escola Laboratório. De maneira peculiar, a Escola Laboratório estará integrada à rede de ensino orientada pela Secretaria do Estado do Rio Grande do Norte, sendo incluída em todas as políticas e programas, no entanto sua proposta pedagógica deve seguir as orientações estabelecidas pelo Ifesp. Por consequência, a escola possui duas instâncias reguladoras de suas ações.

Art. 9.º A Escola Laboratório do Instituto de Formação de Professores

Presidente Kennedy permanecerá integrada à rede de ensino do Estado, devendo, no entanto, a sua prática pedagógica obedecer à orientação do IFESP.

Parágrafo único. Os professores que estiverem na docência do ensino

que trata o parágrafo único do art. 6º, bem como de sua correspondente remuneração (RIO GRANDE DO NORTE, 2001).

Acredita-se que essa dupla integração que compete à escola pode comprometer a definição de uma identidade coletiva, permitindo inclusive instituir distintas orientações que atendam a interesses adversos, que, muitas vezes, possam não ser o específico da comunidade escolar. Ainda no parágrafo único, pode-se observar que há uma nítida distinção remuneratória entre os professores vinculados ao Ifesp e à Escola Laboratório, mesmo quando se trata de assumir as mesmas atribuições. A contradição exposta nessa legislação pode permitir conflitos administrativos, financeiros e pedagógicos uma vez que as instâncias reguladoras da Escola Laboratório apresentaram orientações distintas para a regulação e o seu funcionamento.

É notória a contradição existente na organização técnica e administrativa da Escola, uma vez que existe a perpetuação da gestão escolar há sete anos não atendendo à orientação recomendada pela Secretaria Estadual de Educação que institui a eleição direta para diretores nas demais escolas do Estado. A perpetuação da gestão na escola, indicada pela Direção-Geral, há sete anos, é subsidiada por orientação prescrita no Regimento Interno da Escola (ESCOLA ESTADUAL PRESIDENTE KENNEDY, 2007, p. 07), conforme o artigo abaixo:

Art. 19 – A equipe de direção da Escola Laboratório Presidente Kennedy é constituída por um diretor (a) indicado pela direção geral do Instituto de Educação Superior Presidente Kennedy – IFESP, pelo Coordenador Pedagógico e pelo Coordenador Administrativo- Financeiro.

Na verdade, o que se torna evidente na indicação para a gestão da escola é um interesse interno de perpetuação da organização administrativa, uma vez que existe uma orientação da Secretaria de Educação do Estado para a realização das eleições diretas para diretores. Sabe-se que, apenas, a modificação da gestão não excluiu a influência de interesses internos, mas a eleição para diretores apresenta-se como uma possibilidade de repensar os rumos da organização da escola até então vivenciados. Ainda possibilita aos diversos atores da comunidade escolar vivenciar práticas diferenciadas de gestão, tendo os sujeitos possibilidade de assumir o cargo de direção. Ainda é possível verificar que as legislações que amparam o Ifesp, dentre eles: Estatuto – Decreto n° 15.939 (RIO

GRANDE DO NORTE, 2002), Lei Complementar n° 163 (RIO GRANDE DO NORTE, 1999) e Lei nº 7.909 (RIO GRANDE DO NORTE, 2001) não excluem a possibilidade de efetivação das eleições diretas para diretores. O único documento encontrado que trata da indicação do gestor da escola é o Regimento Interno da Escola Laboratório, o que demonstra um interesse interno de perpetuação da gestão. Torna-se evidente um interesse de manutenção da gestão escolar até então vivenciada.

A Escola Laboratório Estadual Presidente Kennedy está localizada na Rua Jaguarari n° 2100, Bairro Lagoa Nova, zona sul da cidade do Natal/RN. Os alunos são oriundos de diversos bairros da cidade (Cidade Nova, Lagoa Nova, Ponta Negra, Felipe Camarão, dentre outros) até o ano passado inclusive da Zona Norte. No ano de 2010, os representantes do Conselho de Escola deliberaram excluir (não matricular) os alunos dessa região da capital devido a um problema vivenciado de ausência do transporte escolar. Devido à falta de transporte escolar, os alunos passaram dias sem frequentar as aulas. Assim, decidiu-se, em reunião colegiada, a não efetivação de matrículas de alunos que residissem nessa região da cidade. A nosso ver, houve uma tímida resistência quando a representante dos pais posiciona-se em defesa dos alunos por terem sido excluídos da escola. A representante se mostrou insatisfeita pelo fato de os alunos haverem perdido uma escola de qualidade.

De modo geral, a Escola apresenta uma estrutura em estado de conservação adequada, particularmente se levar em consideração as diversas escolas públicas do Rio Grande do Norte, inclusive a Escola Estadual Edgar Barbosa alocada ao seu lado. No ano de 2011, atendeu a 302 alunos do 1° ao 5° ano, sendo distribuídos nos turnos matutino e vespertino, contando com os seguintes ambientes: 06 (seis) salas de aula, 01 (uma) sala de apoio pedagógico, 01 (uma) telessala, 01 (um) laboratório de informática (composto por 10/dez computadores com acesso a internet), 01 (uma) sala de leitura, 01 (um) refeitório, 01 (uma) cozinha com despensa (ambiente da merenda escolar), 01 (uma) sala para os professores, 02 (dois) conjuntos de banheiros para funcionários e discentes (inclusive adaptados para sujeitos com necessidades especiais), 01 (um) pátio amplo para recreação e 01 (uma) sala para direção e secretaria. Vale salientar que os ambientes da escola são adaptados com rampas; isso é uma prova de que a escola defende a inclusão de alunos com necessidades especiais.

Referente à equipe docente e técnica, a Escola possui 41 profissionais, sendo 31 (trinta e um) efetivos, 10 (dez) professores temporários. Dos 31 funcionários, 04 são técnico-administrativos. Desse modo, a escola possui 28 professores alocados nas salas de

aula do 1° ao 5° ano e nos diversos espaços formadores da escola que direcionam o processo de ensino aprendizagem. É relevante destacar que 06 (seis) salas de aula possuem alunos com necessidades especiais; por esse motivo, possui (02) dois professores na mediação do processo de ensino aprendizagem. Dentre os professores, 14 (quatorze) possuem pós-graduação, 03 (três) estão cursando e, apenas, 02 (dois) não possuem graduação (mas estão cursando); diante disso, são acompanhados por outros graduados. Quanto aos funcionários, 01 (um) possui pós-graduação e outro está cursando. A gestão da escola é mediada por uma única gestora, desde 2004, totalizando 07 (sete) anos de mandato.

A gestora é professora formadora do Instituto de Educação Superior Presidente Kennedy (Ifesp), indicada pela Portaria do Diretor-Geral da referida Instituição. A Escola possuía 02 (duas) coordenadoras-pedagógicas, no entanto, no ano de 2010, a Escola passou um semestre sem profissionais na coordenação pedagógica. No momento, uma única coordenadora-pedagógica atende aos dois turnos na escola.

Para a compreensão do rendimento escolar, a Escola, anualmente realiza uma avaliação anual baseada no censo escolar, cujo resultado se vê na tabela 1:

Tabela 1: Rendimento escolar dos alunos em 2006 a 2009 da Escola Estadual Presidente Kennedy.

Fonte: Escola Estadual Presidente Kennedy (2011).

Segundo os dados da tabela acima, é perceptível o avanço no que concerne à taxa de aprovação, fruto, certamente, de ações pedagógicas, visto que a Instituição desenvolve diversos projetos. Além disso, a escola, apesar de sua estrutura física está situada no interior do IFESP, possui espaços significativos para a sistematização de projetos pedagógicos, como por exemplo, telessala, sala de computadores e de leitura. Quanto à taxa de reprovação, percebe-se uma elevação do índice que necessita ser mais bem discutida pela comunidade escolar como um todo. Ainda é perceptível que a Escola conseguiu combater o abandono escolar, com diversas estratégias devendo ser mais bem

ANO Taxa de Aprovação (%) Taxa de reprovação (%) Taxa de abandono (%) Taxa de distorção idade/série (%) 2006 78% 4,2% 3,4% 17% 2007 81% 5% 2% 6% 2008 97% 3% 0,3% 15% 2009 87% 5,1% 0,0% 09%

analisadas, mas, certamente, relacionadas ao reconhecimento da escola enquanto um ambiente agradável amparado por atuações coletivas que interligam ações administrativas, financeiras e pedagógicas na busca da permanência do aluno na escola.

Além dos dados internos devido à intensa elevação do rendimento dos alunos, evidencia-se o resultado do Ideb que promove um incentivo na equipe de direção e pedagógica de acordo com as observações vivenciadas. Existe uma intensa preocupação com os indicadores educacionais instituídos pelo MEC para mensurar a qualidade do ensino, inclusive, durante o ano letivo, houve a sistematização de aulas extras no intuito de preparar os alunos para aplicação da Provinha Brasil. Nas visitações, percebeu-se uma grande preocupação da equipe gestora com a elevação do indicador de desempenho da escola. É notória a sistematização de estratégias, inclusive, simulações da Provinha Brasil para preparar os alunos para realização dessa avaliação que serve para auxiliar no cálculo do Ideb. Por isso, a Escola procura adequar-se à constante busca de superar seu Ideb ao longo dos anos. A equipe gestora mostra-se satisfeita com os resultados alcançados antes do período previsto para elevação do seu índice. A tabela abaixo mostra a evolução do rendimento calculado por meio do Ideb e qual a previsão superada pela Escola ao longo dos anos.

Tabela 2: Ideb da Escola Estadual Presidente Kennedy (2005 a 2009) demonstrando a projeção (2011 a 2021) Instituição

de Ensino Pública

Ideb conquistado Metas Projetadas

Escola: 2005 2007 2009 2007 2009 2011 2013 2015 2017 2019 2012

Estadual Presidente Kennedy

2.6 4.6 5.3 2.6 2.9 3.3 3.6 3.9 4.2 4.5 4.8

Fonte: Ministério da Educação (MEC). Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Disponível em: http://ideb.inep.gov.br/resultado. Acesso em: 26 de agosto de 2011.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – Inep (BRASIL, 2011d) divulga, em seu portal, que, na primeira fase do ensino fundamental, o Ideb passou de 4,2 para 4,6, superando a meta definida para 2009 em âmbito nacional e atingindo, antecipadamente, a de 2011. Justifica-se no site que o crescimento nesse nível, mostra o aumento de notas dos estudantes nas provas respondidas e por 71,1% do

acréscimo no Ideb. Por consequência, o percentual de 28,9% da evolução se deu devido à melhora nas taxas de aprovação escolar (BRASIL, 2011d). Ao comparar os dados nacionais com os da escola pesquisada, nota-se uma evolução de ambos. A previsão estabelecida pela Escola foi superada, certamente fruto de um trabalho pedagógico coletivo na sistematização de ações voltadas para a realização dessa avaliação nacional das escolas públicas. Em âmbitos estaduais, no ano de 2009, a Escola atingiu o maior indicador do Estado, o que a coloca em destaque em relação às demais escolas pertencentes à rede pública.

No que tange aos documentos oficiais que amparam a gestão da Escola, destaca-se o Regimento Interno (ESCOLA ESTADUAL PRESIDENTE KENNEDY, 2007) e o Projeto Político-Pedagógico (ESCOLA ESTADUAL PRESIDENTE KENNEDY, 2008). Na verdade, não há um registro de como ocorreu a elaboração desses documentos. Esses documentos subsidiam a organização da Escola assumindo a gestão democrática como possibilidade para condução das ações administrativas, financeiras e pedagógicas. O Regimento Escolar (ESCOLA ESTADUAL PRESIDENTE KENNEDY, 2007, p. 05) assume o compromisso com a gestão democrática mediante a sistematização dos princípios citados abaixo:

I – participação dos profissionais envolvidos no processo educativo da escola na elaboração, implementação, acompanhamento e avaliação do seu Projeto Político-Pedagógico;

II – organização e participação dos segmentos da comunidade escolar, dirigentes, professores, alunos, pais, pessoal de apoio, técnico- administrativo e pedagógico nos processos consultivos e, através da representação em órgãos colegiados, nos processos decisórios;

III – autonomia da gestão pedagógica, administrativa e financeira da unidade escolar, observadas as diretrizes e normas vigentes;

IV – transparência nos procedimentos pedagógicos, administrativos e financeiros;

V – administração dos recursos financeiros, através da elaboração, execução, avaliação do plano de aplicação, devidamente aprovado pelos órgãos ou instituições escolares, levando em consideração a legislação vigente para gastos e prestações de recursos públicos;

VI – constituição e funcionamento do Conselho de Escola e da Caixa Escolar;

VII – valorização dos profissionais da educação e da escola pública como lugar privilegiado de implementação do processo educacional

Constatou-se que a participação e a autonomia são dois conceitos centrais presentes no documento. De modo geral, o documento segue as orientações da Política Educacional brasileira apresentando os princípios prescritos, inclusive, na Lei de Diretrizes de Bases da Educação Nacional - n° 9.394/96 (BRASIL, 1996). Apesar do destaque atribuído ao documento, a participação e a autonomia são necessárias para questionar a concretude das relações que amparam esse dois conceitos. Sabe-se que, na escola pesquisada, a autonomia torna-se questionada, pois ainda está atrelada, em sua dimensão administrativa, ao Ifesp. No que concerne aos recursos financeiros, principalmente ainda são relacionados administrativamente ao Ifesp, uma vez que a presidente do Caixa Escolar é representada pela Direção-Geral do Instituto. No entanto, é relevante considerar que os princípios definidos no documento apresentam-se por uma luta história de democratização da escola pública, em que o eixo principal da discussão é a participação.

A luta pela democratização da educação básica, então assume o aspecto de ampla defesa do direito à escolarização para todos, à universalização do ensino e à defesa de maior participação da comunidade na gestão da escola (OLIVEIRA, D., 2004, p. 101).

Na escola, é perceptível o esforço de apresentar um documento que deve conduzir as ações decisórias do ambiente escolar. Outro aspecto relevante refere-se à importância atribuída aos órgãos colegiados tratado como mecanismos de participação de diversos segmentos da escola em processos decisórios que auxiliam a gestão. No entanto, as contradições sociais mais amplas comprometem o envolvimento dos pares mesmo diante de um aparato legislativo tão claro como o Regimento Interno da escola (RIO GRANDE DO NORTE, 2007) apresentado. Por isso, Gutierrez e Catani (2008, p. 69) afirmam que:

A participação na administração da escola está, pelo menos teoricamente, garantida por meio do funcionamento do Conselho de Escola, cuja forma atual é resultado de uma longa e dura luta política que data do início da década de 80, com o sentido de dotar a escola de autonomia para poder

Benzer Belgeler