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B. SOSYAL VE KÜLTÜREL YAPI

1. Gayrimüslimler

O tema das Reformas Tributária, Trabalhista e Previdenciária, dentre outras, desde meados da década de 1990, insere-se como eixo importante da agenda governista que, embora, alegue que a Seguridade Social está em crise, estudos da ANFIP (2007, 2010) e pesquisadores da área, como Gentil (2007), Boschetti (2006), Salvador (2007/2010), Pochmann (2007) afirmam que não existe crise no sistema previdenciário nem no sistema de seguridade social.

É recorrente a divulgação nos meios de comunicação e como discurso oficial do governo a existência de déficit no sistema Previdenciário, desse modo, os defensores da reforma da Previdência Social atribuem essa necessidade ao severo choque demográfico, posto que a tendência de envelhecimento da população provocaria o aumento dos beneficiários sem o correspondente aumento dos contribuintes, o que implicaria insustentabilidade financeira do Regime Geral da Previdência Social (RGPS), somada a outras causas relacionadas às demandas do trabalho55.

O suposto déficit é enganosamente associado ao saldo previdenciário negativo, ou seja, a soma parcial de receitas provenientes das contribuições sociais ao INSS, sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho e de outras receitas próprias menos expressivas, deduzidas das transferências a terceiros e dos benefícios previdenciários do RGPS. É relevante mencionar que esse cálculo não leva em consideração todas as receitas que devem ser alocadas para a previdência social, conforme estabelece a CF/88 Art. 195, deixando de computar recursos significativos da COFINS, CPMF, CSLL e receita de concurso de prognósticos (GENTIL, 2007). Portanto, o resultado deste déficit não é real.

Se for calculada a totalidade das fontes de receitas da previdência e deduzida a despesa total, inclusive os gastos administrativos com pessoal, custeio e dívida do setor, além de despesas não-previdenciárias, o resultado será superavitário. Em 2005, o superávit é de R$ 921 milhões e, em 2006, ele chega a R$

1,2 bilhão. Tal como mostra a tabela 10, no período de 2000 a 2006, apenas 2003 não apresenta o mesmo resultado. O curioso é que este superávit, denominado de superávit operacional, mesmo sendo uma informação favorável, não é divulgado para a população.

Tabela 13

Regime Geral da Previdência Social – Resultado previdenciário e saldo operacional – 2000/2006 (valores correntes em mil reais)

Ano Resultado previdenciário

(arrecadação líquida - benefícios) Saldo operacional (recebimentos e pagamentos) 2000 -10.071.944000000000 710.866000000000 2001 -12.836.217000000000 121.241000000000 2002 -16.998.979000000000 2.968.976000000000 2003 -26.404.655000000000 -1.131.997000000000 2004 -31.985.381000000000 8.258.983000000000 2005 -37.576.033000000000 921.046000000000 2006 -42.065.104000000000 1.246.153000000000

Elaborada por Gentil (2007)

Fonte: Ministério da Previdência – Dataprev.

Quando na análise financeira são utilizados os dados da seguridade, incluindo para além dos valores da Previdência, também os da saúde e assistência social, a auto-suficiência do sistema torna-se ainda mais evidente. Os dados da tabela 11 correspondem ao que a Constituição de 1988 prevê como receitas da seguridade.

Tabela 14

Aplicação das receitas da seguridade social - 1995/2006 (valores correntes em milhões de reais)

Ano Receita arrecadada (Cofins, CSLL, CPMF) Aplicada na seguridade social

Aplicação fora da seguridade social Sem

DRU (20%) RPPS¹ Outros Ministerios² Subtotal Identificação de aplicação3 1995 20.284 9.801 4.057 2.964 260 7.281 3.202 1996 23.377 12.139 4.342 6.359 0 10.70 I 537 1997 32.449 19.021 2.825 8.763 666 12.254 1.411 1998 32.319 27.862 3.655 24 778 4.457 0 1999 45.591 18.352 7.699 17.455 657 25.811 1.428 2000 61.852 29.681 12.370 18.689 975 32.034 373 2001 71.678 32.461 14.335 19.243 628 34.206 5.011 2003 97.403 50.022 19.480 21.246 3.256 43.982 3.399 2004 123.508 68.397 24.699 21.694 5.991 52.384 2.727 2005 143.455 72.167 28.691 24.529 3.604 56.824 14.464 20064 152.681 82.397 30.537 28.700 105 59.342 10.942 Total 804.597 422.300 152.690 169.666 16.920 339.276 43.494

Elaborada por Gentil (2007).

Fonte: Siafi, Acompanhamento da execução orçamentária da União. 1. Pagamento de aposentadorias e pensões de servidores civis e militares.

2. Presidência da Republica, Câmara dos Depurados, Ministérios da Educação, da Agricultura, da Justiça, das Minas e Energia, da Integração Nacional, do Meio Ambiente, das Cidades, e outros.

3. Receita arrecadada cuja aplicação não aparece nos demonstrativos de execução orçamentária por fonte de receita do Siafi.

4. Posição do Siafi em 26/3/2007.

Obs.: Não foi possível fazer as mesmas verificações de aplicação de recursos para o ano de 2002. Relatório

inacessível.

Os números evidenciam claramente que o sistema de seguridade social não é deficitário, muito pelo contrário. A diferença positiva entre receita e despesa foi acrescida de R$ 27,3 bilhões em 2000 para R$ 72,2 em 2006 (ver tabela 12). Mesmo considerando os 20% das receitas das contribuições extraídas pela DRU mantém-se o superávit, que salta de R$ 12,4 bilhões em 2001 para R$ 38,5 bilhões, em 2006 (GENTIL, 2007).

Uma das contribuições que merece destaque é a CPMF, criada na época do Plano Real, de forma provisória para financiar a saúde, e extinta em dezembro 2007. A sua receita era distribuída da seguinte forma: 21% para a previdência

social; 42,1% para a saúde; 21,1% para o Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza; e 15,8% apropriados pelo orçamento fiscal, para aplicação livre de vinculações, mecanismo conhecido como Desvinculação de Receitas da União (DRU).

A ampliação das receitas da seguridade deve-se, principalmente, ao crescimento da arrecadação da previdência. Portanto, ao contrário do que alega a equipe econômica do governo não há déficit no sistema de seguridade social. Os números apontam que, apesar do crescimento contínuo das desvinculações da DRU (inclusive ultrapassando os 20% legalmente permitidos) o saldo positivo da Seguridade cresce ano a ano, principalmente, a partir de 2003. A questão passa, então, a ser o destino destes recursos, já que os mesmos demonstram excedentes.

Tabela 15

Resultado da Seguridade Social – 2000/2006 (valor corrente em milhões de reais) 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Receita1 Contribuição p/ INSS 55.715 61.060 71.028 80.730 93.765 108.434 133.015 Cofins 38.707 45.507 50.913 58.216 77.593 87.902 92.475 CPMF 14.395 17.157 20.265 22.987 26.340 29.230 32.090 CSLL 8.750 9.016 12.507 16.200 19.575 26.323 28.116 Receitas de concursos de prognósticos 923 1.028 1.062 1.276 1.450 1.564 1.410 PIS/Pasep2 5.791 6.700 7.498 10.011 11.650 13.228 14.566 Total da Receita 124.282 140.468 163.273 189.420 230.373 266.681 301.672 Despesa3 Assistência Social 4.442 5.298 6.513 8.416 13.863 15.806 21.551 Saúde 20.270 23.634 25.435 27.172 32.973 36.483 39.736 Previdência4 67.544 77.584 89.380 109.625 125.901 144.918 156.257 Abono e seguro-desemprego 4.636 5.635 7.062 8.074 9.471 11.337 11.927 Total da Despesa 96.892 112.151 128.390 153.287 182.208 208.544 229.471 Receita - Despesa 27.389 28.317 34.883 36.133 48.165 58.137 72.201 Receita com DRU5

– despesa 13.675 12.435 16.434 14.395 20.844 26.488 38.470

Elaborada por Gentil (2007).

1. Exclui a Contribuição à Seguridade Social do Servidor Público (CSSS) e a contribuição ao custeio de pensões dos militares.

2. Inclui apenas 60% de receita com PIS/Pasep. Os 40% restantes são destinados ao BNDES para programas de desenvolvimento econômico.

3. Despesa liquidada por função. Seguro-desemprego pertence à função trabalho, mas foi incluído por ser um evento da seguridade social. Excluídas as despesas com FAT.

4. Exclui os gastos com inativos do RPPS da União. 5. Receita deduzida da DRU.

Obs.: A receita de Contribuição para a Previdência Social não está sujeita a DRU.

De acordo com Gentil (2007), os dados disponibilizados na tabela 12 oriundos de minuciosa pesquisa a partir do Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo (Siafi), permitem demonstrar, ao longo de sete anos, os tipos de gastos que as receitas da COFINS, CPMF e CSLL financiam.

Os números são de uma magnitude impressionante e denunciam claramente que o maior montante de receitas desviadas da seguridade social devem-se aos desvios deflagrados pela DRU. “Esses recursos são apropriados na fonte 100 (recursos ordinários) e são livremente empregados no orçamento fiscal” (GENTIL, op cit, p. 34).

Outro instrumento importante que permite a apropriação financeira pelo capital é a chamada Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) (Lei complementar n. 101, de maio/2000). Segundo Salvador (2010, p. 380), “a LFR trata de limitar as despesas não financeiras do orçamento e priorizar o pagamento de juros. Essa lei foi criada no contexto de ajuste fiscal realizado no governo de FHC, monitorado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI)”. A Lei de Responsabilidade Fiscal e outras

Medidas Provisórias 435/2008 e 450/2008 (já convertidas em Lei) têm

respondido pelo significativo contingenciamento de recursos para a área social. Isto decorre da total priorização dos gastos com o endividamento, que desfigura completamente o orçamento votado pelo Legislativo. Enquanto qualquer proposta legislativa de aumento de gastos sociais é severamente impedida por meio da chamada “Lei de Responsabilidade Fiscal”, os gastos com endividamento não possuem limite algum, podendo ser livremente aumentados pelo Poder Executivo, mesmo sem a necessidade de aprovação do Legislativo.

Benzer Belgeler