PEKTİNİN KAYNAĞI ESTERLEŞME ORANI (%)
3. BULGULAR VE TARTIŞMA
3.1. Farklı Oranda Çürük Elmalardan Elde Edilen Mayşe Örneklerinin Bazı Fiziksel ve Kimyasal Özelliklerine Ait Analiz Sonuçları
3.1.5. Galakturonik Asit Miktarı
No Brasil, o mercado de trabalho típico do capitalismo da segunda Revolução Industrial teve formação tardia, impulsionado pelo engajamento no padrão de desenvolvimento norte-americano no alinhamento ao modelo prosistêmico do pós-Guerra Fria20, e se constituiu, desde a sua formação, de modo bastante heterogêneo, como é característico das regiões semiperiféricas do capital, mesmo na fase em que o país contava com um projeto de desenvolvimento pautado na industrialização via substituição de importação e mediação do Estado para empregar na produção o capital estrangeiro. Ainda neste momento, parcela significativa da força de trabalho migrava do campo para se inserir em atividades nos centros urbanos laborais que, na maior parte das vezes, caracterizavam-se pela exigência de pouca qualificação pautada no trabalho, na maioria de natureza física, e por serem informais devido à ausência de um padrão de seguridade social nas relações trabalhistas.
A compreensão da formação da heterogeneidade da força de trabalho brasileira requer a análise específica da história social e econômica das relações de produção na periferia do capitalismo. Contudo, para o nosso objeto de estudo interessa-nos apenas apontar que a heterogeneidade da força de trabalho tem como substrato as relações de produção que são vivenciadas em determinado momento histórico do modo de produção social. O período se
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Neste momento inicia-se o que se convencionou chamar de “segunda Revolução Industrial”, pois há a remodelação das bases de produção do capitalismo em âmbito mundial pela introdução do sistema fordista de produção e a implantação mais completa em alguns países centrais de Estado de bem-estar social. Esse processo é o que dá emergência à configuração espacial de um novo delineamento do sistema político e econômico mundial, definindo um processo que culminará em um novo lócus de poder, com hegemonia do Estado norte-americano sobre o Ocidente, bem como propicia o surgimento do que Arrighi (1997) denomina
43 relaciona ao de institucionalização das políticas públicas de qualificação do trabalhador e coincide com o momento de maior fragmentação do mercado de trabalho brasileiro.
Gordon, Edwards e Reich (1986, p. 43)21 apontam que embora os processos de trabalho representados pelas organizações produtivas sejam separados dos processos de acumulação externos, conectam-se a eles porque cada capitalista organiza seu processo de trabalho dentro de um contexto social específico, que contém uma organização do processo de trabalho socialmente representativa e constitui um componente da estrutura social de acumulação. O processo de desenvolvimento das organizações produtivas, das instituições e da força de trabalho ocorre em um mercado de trabalho que funciona sob a lógica totalizante do capital e obedece às coordenadas de deslocamento desigual e, portanto, de formação heterogênea desse mercado de trabalho. Para ilustrar essa dinâmica do capital, Silver (2005, p. 83) mostra como a indústria têxtil, principal ramo da indústria moderna localizada na Inglaterra no século XIX, já no século XX se desloca para as regiões periféricas em razão da centralização do inovador complexo automotivo de produção em massa que se concentra nos Estados Unidos. O processo indica um novo setor principal em termos econômicos, com padrões sociais e culturais assim como com repercussões no poder de barganha dos trabalhadores de sua época22.
A heterogeneidade histórica do mercado de trabalho brasileiro influencia a sua condição nos dias atuais, apesar de o deslocamento do trabalho atualmente percorrer novas direções. A busca por condições de reprodução da força de trabalho reduzidas ao mínimo, de um Estado com nenhuma ou com pouca segurança no trabalho e condição de vigilância das regulamentações trabalhistas tende a impulsionar os deslocamentos em direção à periferia do capitalismo. Entretanto, Silver (2005) menciona que tais deslocamentos levam consigo os conflitos da tradição trabalhista do segmento e criam novas regiões de forte resistência contra os avanços agressivos do capital. Neste terreno contraditório, as organizações capitalistas recorrem às estratégias de subcontratação para avançarem na disputa pela competitividade entre as empresas, que se enfrentam na mesma condição de concorrência. Por gerar uma rede
21 Cleaver (1981, p. 132) critica a abordagem dos autores pela visão unilateral do processo de segmentação da
classe ao conceber o capitalismo como onipotente. Em lugar disso, o autor argumenta que o padrão real da estratificação e da segmentação do mercado de trabalho é resultado da luta de classes real dos trabalhadores que, com frequência, é violenta. Para o autor a questão é descobrir como a classe desenvolve sua própria unidade, suas forças e fraquezas.
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Silver (2005) menciona que também se deslocam as lutas trabalhistas, o poder de resistência de uma determinada classe de trabalhadores, com determinado perfil de qualificação conforme o grupo e o segmento da produção.
44 de organizações interligadas sob a forma de terceirização23 ou até mesmo quarteirização, algumas se utilizam de formas perversas de gestão da força de trabalho porque bastante precarizadas, conforme o segmento da produção24, optando pelo trabalho informal e intensificando a exploração via extração da mais-valia absoluta25. Nessa medida, estamos diante de um mercado de trabalho que se caracteriza por elevada segmentação e heterogeneidade.
Além disso, a composição dos diferentes setores produtivos em determinado espaço social também é um fator que estimula a heterogeneidade do mercado de trabalho na medida em que, no caso específico das indústrias, cada segmento de produção organiza suas relações de trabalho de modo bastante diferenciado, no que diz respeito: à contratação da mão de obra; ao patamar tecnológico vigente; à faixa salarial; ao nível de controle sobre a força de trabalho e; à exigência de qualificação. Todos estes fatores dependem da inserção do segmento no mercado mundial.
Neste caso, a pesquisa de Invernizzi (2000) traz os condicionamentos que os setores de produção exercem sobre a qualificação do trabalhador e é elucidativa porque pesquisou seis segmentos diferentes no Brasil26 e demonstrou como a qualificação da força de trabalho não é condicionada apenas pela introdução de novas formas de organização do trabalho no segmento, mas que a inovação da técnica se atrela às formas de controle sobre a força de trabalho que define o conteúdo da qualificação. O controle que se exerce sobre a força de trabalho em determinado segmento se relaciona a diversos fatores ligados ao ramo de atividade, como a história de luta e de resistência dos trabalhadores, a região em que se localiza e os salários auferidos, o gênero, a educação formal, a idade, além do grau de complexidade demandado pela atividade de trabalho no setor. Invernizzi (2000) observou diferenças na composição da qualificação em cada segmento investigado, o que refuta a
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No setor de telecomunicações, segundo Pimentel (2008, p. 63-64) há um processo, desde o ano de 1998, de reestruturação dos serviços prestados pelas empresas. Essa reestruturação praticamente extermina todos os postos de trabalho dos instaladores e reparadores de linhas telefônicas em um período de seis anos na empresa de telefonia privatizada, a Telemar. Mas o serviço, produto fundamental do processo de produção da telefonia fixa, passou a ser prestado por empresas interpostas, que precarizaram as condições de trabalho no setor, sendo que houve diminuição de postos de trabalho e aumento da produtividade. Ou seja, observou-se na pesquisa que houve uma intensificação da exploração da mão de obra, seguida da precarização das condições de trabalho nas empresas interpostas.
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Conforme o segmento da produção, a exploração intensifica-se ainda mais. Kuenzer (2006) investigou o ramo coureiro-calçadista e se deparou com o processo de terceirização e de quarteirização. Neste último, encontrou forte presença de trabalho infantil e feminino, submetidos a longas jornadas de trabalho e sem condições adequadas de trabalho, sem nenhuma proteção social e garantia trabalhista. A extração da mais-valia absoluta ocorre na sua forma bastante primitiva.
25 Por mais-valia absoluta entendemos o grau de exploração a que o trabalhador está submetido no processo de
trabalho. Em geral, essa exploração ocorre por meio da extensão da jornada de trabalho ou pela intensificação do trabalho simples. Aprofundaremos essa discussão no próximo capítulo.
26 A indústria automobilística, de eletromésticos de linha branca, do complexo petroquímico, a indústria têxtil, a
45 concepção de que há um determinismo tecnológico nos processos de reestruturação produtiva que passam a requerer cada vez mais o emprego do componente intelectual em decorrência da complexificação das novas formas de organização do trabalho, bem como demonstra que a qualificação agrega um conjunto de elementos hierarquizados conforme a relação de produção vivenciada em uma determinada organização. Neste sentido, também Bruno (1996, p. 92) compreende a qualificação profissional a partir de um conceito amplo atrelado a determinado patamar de desenvolvimento social e da tecnologia capitalista, que demonstra ser flexível e capaz de abarcar as transformações do capitalismo contemporâneo e a segmentação própria de sua organização. Assim, a qualificação do trabalhador compõe-se de atributos comportamentais, intelectuais, físicos e ideológicos próprios exigidos ao trabalhador em cada momento histórico e da hierarquização estabelecida no mercado de trabalho.
Algumas considerações de Invernizzi (2000) explicitam que nos segmentos em que houve remodelação a partir da automação com a maior implantação de sistemas computadorizados e mudança de layout, acarretando maior complexidade ao processo de trabalho – realidade do setor automobilístico, que ainda conta com tradição combativa e movimento trabalhista minimamente organizado – o conteúdo da qualificação referiu-se aos conhecimentos técnicos da produção em novas linguagens informatizadas e os atributos comportamentais ligavam-se à necessidade de execução do trabalho, como por exemplo: saber trabalhar em equipe para viabilizar o trabalho nas células de produção, de comunicação e de criatividade. Já nos segmentos com pouca inovação tecnológica ou ainda quando a introdução da tecnologia reduzia a atividade à função de vigilância da máquina, como é o caso do segmento têxtil, os atributos comportamentais de assiduidade, responsabilidade e adaptabilidade ganharam maior importância do que os relacionados aos aspectos intelectuais. Isso ocorre porque a atividade técnica do trabalho não agregou em complexidade, mas a polivalência tende a adquirir o sentido de adição de tarefas simples.
Outro aspecto da segmentação do mercado de trabalho está na análise que Barbosa (2008) faz da história da constituição do mercado de trabalho no Brasil desde o período colonial27. Ele diz que a informalidade se sedimentou na estrutura do mercado de trabalho em consolidação não apenas por uma necessidade do capital de expansão, mas o principal fator foi a ausência de uma regulação social nos moldes de uma sociedade salarial.
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Na análise que faz desde o período colonial até a década de 1930, traz dados significativos sobre a heterogeneidade do mercado de trabalho brasileiro ao longo do período. A título de ilustração, o autor aponta que a população sem trabalho que formava o exército industrial de reserva na periferia referia-se a 105 mil pessoas, 43% da PEA, com base no Censo de 1920, além dos trabalhadores que possuíam uma inserção eventual e precária no mercado de trabalho e que se transformavam em verdadeiros andarilhos à procura de trabalho (BARBOSA, 2008, p. 217-218).
46 Para o autor, a questão fulcral da fragmentação do mercado de trabalho brasileiro está na não observância da proteção social como universalizante, já que o regime de assalariamento se restringiu à integração da reprodução do trabalho ao capital produtivo e o consumo popular, assim como a informalidade, era irrelevante para a valorização do capital, sendo que esta última foi considerada legítima, sem contestações estruturais sérias graças ao excedente estrutural da força de trabalho. A ausência das garantias sociais de uma sociedade salarial é o principal obstáculo para a constituição de um mercado de trabalho menos heterogêneo.
De fato, segmentos expressivos da classe trabalhadora brasileira vivenciariam mesmo no auge dos anos 1970 - a inatividade disfarçada, a alta rotatividade, o baixo acesso ao padrão de duráveis, o alcance segmentado às políticas sociais e a necessidade permanente de correr atrás dos direitos, postos que não universais. (BARBOSA, 2008, p. 257).
A ênfase do autor está na não constituição de um sistema de regulação social que abarcasse a população marginal ao sistema produtivo e que constituísse condições para o consumo próprio de uma sociedade salarial. Mattoso (1995, p.28) diz que a constituição do mercado de trabalho dos Estados Unidos embora contasse com o crescimento da estrutura industrial, somente a partir de 1930 é que teve a intensificação da adequação às normas salariais e de consumo, o que ocasionou maior limitação de Welfare State no país. Esse processo provocou maior heterogeneidade produtiva e tecnológica assim como maior segmentação do mercado de trabalho. Na maioria dos países avançados da Europa, como o sistema de Welfare State foi mais amplo e desenvolvido a partir do desenvolvimento do segundo pós-guerra, isso teria favorecido maior homogeneização28 do mercado de trabalho. Como apontaram Barbosa (2008) e Mattoso (1995), é muito provável que a constituição da
28 Nota-se que os termos “heterogeneização” e “homogeneização” estão sendo utilizados para se referir à
característica do mercado de trabalho segmentado, em especial da forma de inserção da força de trabalho neste mercado. Entretanto, Gordon, Edwards e Reich (1986, p. 31) têm como objeto de análise a transformação do trabalho nos Estados Unidos e observam o período de maior homogeneização, entendido por eles como o período justamente em que predominaram as inovações fordistas, pois permitiu maior padronização da força de trabalho e, consequentemente, menores diferenciais entre as qualificações, dispondo de trabalhadores qualificados como artesãos, ferramenteiros com elevado poder de barganha. Nota-se que
aqui o termo “homogeneização” adquire sentido distinto, pois não se vincula ao Estado de bem-estar social,
mas à padronização própria da produção em massa. Neste sentido, também Silver (2005, p. 31) entende que o fordismo contribuiu para a redução do poder de barganha dos trabalhadores no local de produção ao homogeneizar e diminuir as habilidades necessárias ao trabalho industrial e ao abrir a possibilidade de se contar com um exército industrial de reserva vasto com pouca ou com nenhuma qualificação profissional. Essa posição difere da ideia de que o fordismo por ter se complementado com a política Keynesiana de bem- estar social tenha contribuído para a ampliação do poder de barganha do trabalhador.
47 seguridade social minimize a heterogeneidade do trabalho, entretanto, a própria dinâmica de totalidade que coordena os deslocamentos do capital a partir da constituição de um lócus de poder organizado em centro, periferia e em semiperiferia, não viabiliza a generalização da homogeneização das formas de inserção no mundo do trabalho, já que o mercado de trabalho global é uma totalidade multifacetada.
A partir da crise do capitalismo mundial no início da década de 1970, intensifica-se a problemática da constituição do mercado de trabalho pautada na exploração da força de trabalho na periferia e na semiperiferia do capitalismo. O Brasil é um dos exemplos na América Latina, que embora tenha assimilado características particulares os impactos da crise, os efeitos da precarização sobre as condições de trabalho assumiram novas proporções e configurações a partir da década de 1990.
Para termos maior clareza desse processo, iremos reconstituir sinteticamente as principais características do período da crise do início dos anos 1970 até a década de 1990 para indicar a repercussão na nova conformação (redefinição) do mercado de trabalho brasileiro.
Bruno (2001, p. 4) aponta que a crise dos anos 1970 se apresentou como a primeira crise realmente mundial, provocando a reestruturação geral e em nível global do capitalismo como modo de produção. A crise emerge da insuficiência do modelo societal anterior, que redunda em uma crise de superacumulação, em que integra, neste contexto, a insuficiência de sustentar a produção pautada no consumo em massa em um mercado cada vez mais competititivo, a partir da concorrência de novos pólos estratégicos de produção e de desenvolvimento tecnológico, como o Japão reconstruído do pós-guerra, juntamente com a forte pressão do movimento trabalhista. Isto faz com que Silver (2005) defenda a tese de que a crise do capital se tornou uma crise impulsionada pelas forças do trabalho. Soma-se isto às dificuldades nas transações econômicas que a economia norte-americana, então hegemônica, passa a vivenciar com o embargo árabe ao petróleo. Esse conjunto de fatores irá culminar na crise do capitalismo, marcada pela combinação de baixa taxa de crescimento e de inflação elevada (estagflação) que leva os países coordenados pelo centro de poder da OCDE a buscarem uma reestruturação de suas instituições e do modelo de acumulação. Por essa razão, Bruno (2001, p. 4) diz que somente no final da década de 1980 o “Ocidente Livre”, cujo centro de poder é a OCDE, reconheceu oficialmente a crise dos países do COMECOM, quando o modelo por eles gestado já estava suficientemente estruturado para servir como a única alternativa possível.
48 É a partir desse reconhecimento da crise que os esforços expansivos do capital ganham novos vultos, com a reestruturação da base material da produção e a remodelação dos modelos políticos dos países centrais e da periferia do capitalismo com repercussão sobre a gestão da força de trabalho e sobre a segmentação do mercado de trabalho mundial.
Dentro da perspectiva que já apontávamos de oligopolização das organizações, temos um processo, de um lado, em que muitas empresas de porte grande e médio são suprimidas por fusões, tendo como objetivo se transnacionacionalizarem, uma vez que as barreiras que demarcavam os Estados nacionais estão mais fluidas, e, por outro lado, temos o papel desempenhado pelos organismos internacionais que assumem o papel de coordenação dessa fluidez junto aos governos locais. Aqui se inicia uma nova direção do deslocamento do capital, em que um conjunto de organizações produtivas de alguns segmentos é direcionado à periferia e à semiperiferia, sendo que alguns ramos dessas organizações continuam centralizadas. Boito (1999, p.3 4) indica um pouco dessa nova configuração mundial a partir dos deslocamentos das empresas globais:
As empresas globais representam uma parte insignificante das grandes empresas que operam em escala internacional- as empresas globais, que dispersam suas instalações, suas ações e sua pesquisa tecnológica por diversos países são principalmente as empresas originárias de países pequenos da Europa Ocidental. O que domina amplamente são as empresas multinacionais que embora operem em diversos países, tem a maior parte dos seus ativos e do seu mercado no próprio país de origem para o qual repatriam seus lucros e no qual concentram suas atividades de pesquisa e desenvolvimento. Ademais, essas grandes empresas que operam em escala internacional pertencem, na sua quase totalidade, e investem na periferia apenas nos setores que deixaram de constituir atividade de ponto do capitalismo. Não investem em setores como bens de equipamentos, aeronáutica e espaço, indústria de defesa e telecomunicações etc. Por mais que o salário boliviano seja baixo a indústria aeronáutica francesa não vai transportar-se para a Bolívia, apesar dos altos custos fiscais e elevada carga fiscal vigente na França [...].
Outros autores (POCHMANN, 2001, 2004; BRUNO, 2001; MATTOSO, 1995, 1996; BOITO, 1999; MACHADO, 1995; CARDOSO, 2003, p. 82-83) têm apontado esse movimento de centralização das decisões e de inovações em centros estratégicos assim como de descentralização dos custos das organizações29 de produção e financeira do capital.
29 Este movimento das empresas de internalizar inovações e de externalizar custos é uma prática usual das
organizações sob a alegação de modernização por meio de enxugamento. A empresa Yahoo, de serviços de
Internet, em dezembro de 2010 anunciou corte de cerca de 600 funcionários, o que representa 4% de seu
quadro de funcionários, em um esforço de melhorar as finanças e aumentar sua margem de lucro (YAHOO!..., 2011).
49 Concomitante a isso, há o processo de periferização30 de alguns tipos de indústrias que, muitas vezes, destacam-se pelo alto nível de desregulamentação das relações de trabalho e intensificação da exploração, como já apontamos, embora seja uma forma do Estado fixar as unidades de produção em seu território e evitar a desindustrialização31.
Tal configuração mundial conduz a segmentações amplas do trabalho em nível global. Wallenstein (1974) menciona que a divisão da economia mundo “supõe uma hierarquia de tarefas ocupacionais na qual as tarefas que exigem maiores níveis de qualificação e uma maior capitalização estão reservadas às áreas mais bem posicionadas”. O autor salienta a