2. ENZİ M AKTİ Vİ TESİ
2.3. Gı da Sanayisinde Enzim Kullanı mı
O Superior Tribunal de Justiça tem reconhecido a força da coisa
julgada da sentença arbitral estrangeira homologada face à ação judicial em
curso no Brasil. Primeiramente, a sentença judicial ou arbitral estrangeira deve
passar pelo crivo homologatório a fim de ser internalizada e de produzir seus
efeitos no Brasil. Entretanto, se essa decisão chocar-se com outra que tenha a
mesma identidade de partes, de causa de pedir e de pedido, e que já tenha
sido transitada em julgado, tendo seus efeitos reconhecidos em território
nacional, os efeitos da coisa julgada impedirão o reconhecimento dessa
sentença estrangeira homologanda.
No caso SEC. 349 (Mitsubishi v. Evadin), aventou-se o possível conflito
de competência entre o juízo estatal e o juízo arbitral e a aplicação da
litispendência internacional nos termos do artigo 90 do CPC, examinando-se
235
O Ministro Jorge Mussi entendeu que como a sentença não tem eficácia no país de origem, seria o mesmo que homologar o nada. (STJ, SEC n.5.782. Relator: Ministro JORGE MUSSI, Data de Julgamento: 02/12/2015, CE - CORTE ESPECIAL). Barbosa Moreira já afirmou a mesma frase em caso de sentença judicial estrangeira: “A despeito do ‘unicamente’ que se lê no art. 35, permanece cabível, a nosso ver, a distinção entre as hipóteses em que o ordenamento do Estado de origem subordina a eficácia de decisão à homologação judicial e aquelas em que não a subordina. Nas últimas, a decisão arbitral estrangeira é decerto, satisfeitos os requisitos, passível de homologação pelo Superior Tribunal de Justiça, sem qualquer outra formalidade; nas primeiras, continua exigível a prévia homologação judicial no Estado de origem, já que sem ela nem mesmo lá produz efeitos a decisão, e não se concebe que o Brasil ‘importe’ uma eficácia ainda inexistente: não se importa o nada”. (MOREIRA BARBOSA, José Carlos. Comentários ao Código de Processo Civil, vol. V. Rio de Janeiro: Forense, 1985. p. 72).
um estágio anterior ao controle possível por meio da coisa julgada. No entanto,
nesse caso, o Superior Tribunal de Justiça já antecipou seu entendimento de
que, embora não fosse possível afastar a competência dos tribunais brasileiros
por aplicação da litispendência internacional – não reconhecida pelo Brasil -,
em razão de ações concomitantes sobre o mesmo objeto e entre as mesmas
partes, o controle ocorreria em momento posterior ao da prolação da primeira
sentença que transitasse em julgado, seja a decisão na ação ordinária, seja a
decisão na homologação da sentença estrangeira
236.
Em outro caso, SEC n. 1
237(Kia Motors Corporation v. Washington
Armênio Lopes e outros), o Superior Tribunal de Justiça fez alusão expressa à
coisa julgada de uma decisão proferida pela Justiça brasileira como impeditivo
para a homologação de parte da sentença arbitral que se pretendia reconhecer
no país. Afirmou que “a decisão anterior à homologação, de juízo nacional, tem
prevalência sobre a decisão arbitral não homologada, porque acobertada pelo
manto da coisa julgada. (...) Por esse motivo é que se apresenta adequado
proceder ao decote da sentença homologanda dos temas que conflitam com a
res iudicata”
238.
236
O voto do Min. Luiz Fux: “Deveras, no campo contratual no qual gravitam interesses disponíveis vigora a regra do art. 90 do CPC segundo a qual ‘a ação intentada perante tribunal estrangeiro não induz litispendência, nem obsta a que a autoridade judiciária brasileira conheça da mesma causa e das que lhes são conexas”. Consequentemente valerá nessas hipóteses de jurisdição concomitante a primeira decisão que transitar em julgado; vale dizer, a decisão nacional ou a homologação do decisum alienígena,”( STJ, SEC 349, Corte Especial, j.21.05.2007, rel. Min. Eliana Calmon, DJ 21.05.2007,p.31).
237
STJ, SEC n.1, j.19.10.2011, rel. Min. Maria Theresa de Assis Moura, DJ 01.02.2012. 238
SENTENÇA ARBITRAL ESTRANGEIRA CONTESTADA. PRETENSÃO HOMOLOGATÓRIA ASER DEFERIDA EM PARTE. REQUISITOS DA LEI ATENDIDOS. VÍCIOS DENEGAÇÃO INEXISTENTES. AMPLA COMPETÊNCIA PARA DIRIMIR CONFLITOS ENTREOS CONTRATANTES DE JOINT VENTURE. Sendo lícito o negócio jurídico realizado no Brasil, por partes de legítimo contrato de joint venture, não se lhe pode extrair as consequências jurídicas da quebra do acordado. Por mais razão, não se pode afastar a convenção arbitral nele instituída por meio de cláusula compromissória ampla, em que se regulou o Juízo competente para resolver todas as controvérsias das partes, incluindo aí a extensão dos temas debatidos, sob a alegação de renúncia tácita ou de suposta substituição do avençado. Uma vez expressada a vontade de estatuir, em contrato, cláusula compromissória ampla, a sua destituição deve vir através de igual declaração expressa das partes, não servindo, para tanto, mera alusão a atos ou a acordos que não tinham o condão de afastar a convenção das partes.Ademais, o próprio sentido do contrato de joint venture assinado pelas partes elimina o argumento de que uma delas quis abdicar da instituição de juízo arbitral no estrangeiro.A revelia não importa em falta de citação, mas, ao contrário, a pressupõe.O laudo arbitral lavrado por Corte previamente prevista na cláusula compromissória obedece aos requisitos para sua internalização em território pátrio, máxime porque não ofende os ditames dos arts. 3º,5º e 6º da Resolução n.º 9 desta Corte, devendo, por isso, ser homologado.Havendo a Justiça brasileira, definitivamente, resolvido controvérsia quanto a um dos temas do pedido de homologação da sentença arbitral, deve a pretensão ser negada quanto a isso por obediência à coisa julgada.Homologação deferida em parte, com a exclusão dos itens 7 e 10 da decisão arbitral.(STJ ,