2. KAVRAMSAL ÇERÇEVE VE LĠTERATÜR
2.4. Güzel Sanatlar Liseleri
2.4.1. Güzel Sanatlar Liselerinde Okutulan Alan DıĢı Dersler ve Amaçları
ESTIMULA A CONSTRUÇÃO E A COGNIÇÃO DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES, ajudando a desenvolver outras áreas de conhecimento.
201 Era da autoria de Carlos Gustavo Yoda e Eduardo Carvalho, in:
http://cartamaior.uol.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=11489 . Acesso em 29.06.2006.
202 Alguns exemplos de publicações usadas: BARBOSA, Ana Mae. A imagem no ensino da arte. São Paulo: Ed.
Perspectiva, 1994; AZEVEDO, Fernando Antônio Gonçalvez. Movimentos Escolinhas de Arte: em cena memórias de Noemia Varela e Ana Mae Barbosa. Dissertação (Mestrado). São Paulo: USP, 2000; RIZZI, Maria
Christina de Souza Lima. Olho Vivo. Arte-Educação na Exposição da Moda: Uma Aventura Infantil. Tese
(Doutorado)São Paulo: ECA/USP,1999.
203 Disponível em: http://www.ccsfr.org.br/chaoverdesite/setor_educ/canalprof/sm_canal_aula02.php. Acesso
em: 03.08.2010. ©Carta Maior
A matéria e o trecho da entrevista da Ana Mae Barbosa que usamos a seguir são do site Carta Maior de autoria de Carlos Gustavo Yoda e Eduardo Carvalho.
Além de trazerem algumas informações sobre a trajetória profissional e de vida de Ana Mae Barbosa, apresentam elementos de sua visão e CONCEPÇÃO PÓS-MODERNA DE ARTE E DE ARTE-EDUCAÇÃO.
Filha de uma família tradicional, Ana nasceu no Rio de Janeiro, mas foi criada com os avós em Pernambuco. Sonhava em estudar Medicina, mas isso era um absurdo para toda a família. “Como uma mocinha vai ficar com um monte de homens vendo corpos nus?”, questionava a avó. Acabou caindo na “vala comum” da época e foi estudar Direito. Para pagar os estudos, teve que partir para o ensino. “As únicas profissões aceitáveis eram ser professora ou casar”, disse. Odiava aquilo. Odiava o ambiente repressor das salas de aula. Por ironia, foi em um cursinho para concurso de professora primária que conheceu Paulo Freire. Na primeira aula, o tema da redação era “por que eu quero ser professora?” Ana Mae escreveu o que sentia, que odiava educação. No entanto, apenas quatro horas de conversa com o mestre foram suficientes para destruir todos os seus preconceitos. “Só então compreendi que educação não era aquilo que eu tive. Eu passei por um processo de abafamento e moldagem. Mas ele me ensinou QUE A EDUCAÇÃO PODERIA SER LIBERTADORA”. E Ana Mae transferiu aquele sentimento para a arte-educação, na Escolinha de Artes de Recife. Mudou- se para São Paulo para fugir da ditadura militar. Foi para os Estados Unidos, fazer mestrado e voltou como a primeira doutora brasileira em arte-educação e comandou as pesquisas sobre o tema na Escola de Comunicações e Artes da USP.
CRIADORA DA TEORIA DA “ABORDAGEM TRIANGULAR”, a arte-educadora entende a necessidade da existência de educadores atualizados, artistas e acesso aos trabalhos contemporâneos para que os estudantes consigam atingir o máximo do desenvolvimento do conhecimento” (www.cartamaior.com.br)
Carta Maior – Então, explique para nós e para o leitor: por que é importante ter isso tudo [ensino de arte] na escola?
Ana Mae Barbosa - Para trabalhar CONSTRUÇÃO E COGNIÇÃO. NA CONSTRUÇÃO DA ARTE UTILIZAMOS TODOS OS PROCESSOS MENTAIS ENVOLVIDOS NA COGNIÇÃO. Existem pesquisas que apontam que a ARTE DESENVOLVE A CAPACIDADE COGNITIVA DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE de maneira que ele possa ser melhor aluno em outras disciplinas. A música desenvolve diversos processos cognitivos, comparando, organizando, selecionando. Em Arte, opera-se com todos os processos da atividade de conhecer. Não só com os níveis racionais, mas com os afetivos e emocionais. As outras áreas também não afastam isso, mas a Arte salienta ou dá mais espaço. Para desenvolver a criatividade em ciência, a criança tem que ter certo QI racional. Para desenvolver através da Arte, a necessidade de QI é muito menor. Significa que ele procura outros caminhos cognitivos. Eu acho que, em primeiro lugar, A FUNÇÃO DA ARTE NA EDUCAÇÃO É ESSA, DESENVOLVER AS DIFERENTES INTELIGÊNCIAS.(www.cartamaior.com.br)
Enquanto Noemia Varela - educadora de referência nas escolas de arte modernas - “defendia a idéia de arte como expressão e portanto arte não se ensina”, Ana Mae Barbosa “buscava fundamentar a idéia de que ARTE ALÉM DE EXPRESSÃO É CULTURA CONSTRUÍDA HISTÓRICA E SOCIALMENTE E POR ISSO PODE SER ENSINADA”. (AZEVEDO, Fernando Antônio Gonçalvez. Movimentos Escolinhas de Arte: em cena memórias de Noemia Varela e Ana Mae Barbosa, p.05) Ainda segundo Fernando Azevedo, em sua tese Movimentos Escolinhas de Arte: em cena memórias de Noemia Varela e Ana Mae Barbosa, a Ana Mae Barbosa vê o arte-educador hoje como tendo que “saber cada vez mais sobre arte, ler arte, contextualizar a arte, saber história da arte e saber problematizar diante da arte” (p.17. )
Veja a seguir nos trechos selecionados de autores que estudam a arte-educação brasileira e da própria Ana Mae MAIS ALGUNS ELEMENTOS DA CONCEPÇÃO DE ARTE PRESENTE NO ENSINO ATUAL DAS ARTES.
Figura 62 - Trecho da entrevista e algumas citações utilizadas na aula.
O artigo Arte Educação no Brasil: do modernismo ao pós-modernismo, que na época estava sendo escrito por Ana Mae Barbosa e que hoje compõe livro organizado e publicado
pela autora, em 2008204, foi disponibilizado como texto para leitura. E as atividades dessa aula se referiam à visita realizada pelos professores ao MAC-USP, que foi uma das atividades presenciais do curso205. Nessa visita, foram apresentadas algumas experiências de leitura de obras de arte realizadas pela equipe de arte-educadores do museu no atendimento do público visitante de exposições e presentes em materiais de apoio produzidos.
O MAC-USP – Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo – detém hoje um dos maiores e mais representativos acervos em arte moderna e contemporânea brasileiras no país e proporciona aos seus visitantes o conhecimento e contato com os grandes artistas criadores do século XX e os caminhos e propostas artísticas que permearam esse século. 1) Antes da visita ao MAC, você já tinha estado numa exposição de artes? Fale um pouco sobre essa experiência.
2) Quais as obras que mais chamaram à sua atenção na visita ao acervo do MAC? Por quê? Fale um pouco sobre a visita e o que conheceu e vivenciou nela.
3) A Abordagem Triangular “foi desenvolvida e testada primeiramente no MAC da USP, onde Ana Mae foi diretora de 1987 a 1993 e no Projeto Arte
na Escola, iniciado em 1989 pela Fundação Iochpe, com as professoras
Denyse Vieira e Analice Dutra Pillar, do qual foi orientadora da pesquisa inicial e consultora durante o desenvolvimento e implantação do Projeto”(Rizzi, Maria Christina de Souza-Lima Rizzi. Olho Vivo. Arte-
Educação na Exposição da Moda: Uma Aventura Infantil. 1999). Como foi
a monitoria à exposição do MAC? Ela facilitou o entendimento das obras do acervo? De que forma? Fale sobre a visita monitorada. (texto da aula virtual
Abordagem Triangular. Grifo do autor) 206.
Na aula Leitura crítica de obras de arte, o quadro chamado Para dar Aula, elaborado por um professor de história, e extraído do CD-Rom sobre a arte produzida no país nos anos 1960 e 1970, Percurso Educativo Arte Efêmera207, foi inserido, pois permitia visualizar a diversidade de questões e temas presentes nos trabalhos artísticos desse período que podia ser relacionada ao conteúdo do currículo escolar (quadro apresentado abaixo).
Nosso desafio aqui é VERIFICAR ALGUMAS DAS QUESTÕES, PROBLEMÁTICAS E TEMAS QUE UM TRABALHO DE LEITURA CRÍTICA REALIZADO POR UM EDUCADOR PODE REVELAR e perceber a importância de se HABILITAR O ALUNO A ABSORVER CRITICAMENTE AS INFORMAÇÕES PRESENTES EM IMAGENS, sejam essas imagens provenientes de trabalhos artísticos ou não, desde que essa ação seja promovida por EDUCADORES CONSCIENTES E
204 Ver: BARBOSA, Ana Mae (org.) Ensino da Arte: Memória e História. São Paulo: Perspectiva, 2008a.
205 Ver CD-Rom de Documentação em anexo.
206 Disponível em: http://www.ccsfr.org.br/chaoverdesite/setor_educ/canalprof/sm_canal_aula02.php. Acesso
em: 03.08.2010.
207 Outro material educativo concebido por mim no Itaú Cultural. Disponível em:
PREPARADOS. (texto da aula virtual Abordagem Triangular. Grifo do autor) 208.
Nas atividades, foi proposta uma navegação pelos artistas brasileiros e suas obras trabalhados nesse CD-Rom (Nelson Leirner e Hélio Oiticica, por exemplo, eram dois desses artistas), que nas décadas de 1960 e 1970 “experimentaram formas inusitadas de expressão para denunciar o que acontecia com a arte e a política naquela época.”209
Contexto Histórico Conceitos Artistas e Obras
Guerra-Fria: o mundo polarizado em dois blocos (EUA x URSS)
• Implantação de Regimes Ditatoriais Militares na América-Latina (anos 60 e 70) • Guerra do Vietnã (1961 - 1975) • Revolução Cultural Chinesa (1966) • Protestos Estudantis por todo o Mundo (1968) • Fim da Primavera de Praga (1968) Arte e Política Imperialismo norte-americano Sociedade de Consumo Socialismo x Capitalismo Terceiro Mundo e Subdesenvolvimento
Inserções em Circuitos Ideológicos — Projeto Coca-Cola, Cildo Meireles (1970)
Zero Dólar, Cildo Meireles (1978-84) Napalm, Luiz Alphonsus (1970)
Livro de Carne, Artur Barrio (1979) Zero Cruzeiro, Cildo Meireles (1974- 78)
208 Disponível em: http://www.ccsfr.org.br/chaoverdesite/setor_educ/canalprof/sm_canal_aula02.php. Acesso
em: 03.08.2010.
209 in: Percurso Educativo Arte Efêmera. São Paulo: Itaú Cultural: 2001. Disponível também online na
Enciclopédia Itaú Cultural: http://www.itaucultural.org.br/efemera/abertura.html?cd_pagina=1247. Acesso em: 03.08.2010.