• Sonuç bulunamadı

3.1. BULGULAR

3.1.1. Güvenirlik Analizi Sonuçları

Buscamos compreender, no processo institucionalizado do ensino primário em Minas, como a legislação, os Relatórios dos Presidentes da Província e as Mensagens dos Presidentes do Estado trataram a questão das escolas de colônias e do ensino primário particular ou vinculado à associações. Entendemos que a delimitação destes tipos de escolas circunscreve a educação das crianças filhas de imigrantes no estado. Além destas, verificamos se havia referências a escolas de imigrantes ou estrangeiras neste contexto.

A previsão de criação de escolas nos núcleos coloniais, detectada na análise das leis e regulamentos mineiros da imigração, desde o Regulamento 108 de 25 de janeiro de 1888, indicou a intenção dos governos em prover as colônias do Estado de escolas. Nas iniciativas pioneiras de fundação de núcleos coloniais, ainda no período imperial, a escola se fez presente, inclusive na colônia Pedro II em Juiz de Fora.

Partimos da consideração de que nos anos iniciais da República em Minas, a política de educação assumiu uma dinâmica que se movimentou entre as tentativas de remodelação do ensino dadas pelas constantes e nem sempre bem sucedidas reformas educacionais. A constatação de que a instrução pública necessitava ser radicalmente transformada remontava aos Relatórios dos Presidentes da Província.

A Falla à Assembléia Provincial de 1888, tratou da Instrução Primária em dois momentos, no corpo geral do relatório e em um anexo. No primeiro, abordou os investimentos do governo nesta área, falando do desânimo que se apresentava em relação a este assunto na maior parte dos documentos oficiais, reconhecendo que a instrução apresentava sérias dificuldades, e que estas não eram decorrentes da falta de investimento público.

No segundo momento, em anexo, na apresentação dos assuntos relacionados à Inspetoria Geral de Instrução, do relatório dos Negócios da Instrução e da análise da legislação, referiu- se às dificuldades na instrução primária, reconhecendo que a instrução não melhorara como se esperava, não bastando a existência de um grande número de cadeiras.

Para o ano de 1889, a Falla apresentada à Assembléia Provincial relatava que as escolas não possuíam material e continuavam pouco freqüentadas, e que, por esse motivo, era insignificante o número de alunos “prontos” a cada ano. Descreveu, dentre aquelas que seriam as causas desta situação, a existência de um grande número de cadeiras.

Não basta, como diz a inspetoria geral, criar anualmente um grande número de cadeiras, algumas em localidades de diminuta população escolar. É indispensável também atender as condições em que devem as escolas ser organizadas, para que se tornem instituições verdadeiramente úteis ao povo. O professor, a casa, a mobília, o material técnico, o aluno, e,

finalmente, o programa de ensino, são elementos essenciais que se não devem perder de vista na organização do ensino primário. Ao vosso

medido zelo e nunca desmentido patriotismo compete, pois, decretar medidas eficazes que façam subir o nível da educação popular, da qual depende o engrandecimento de nossa província. (FALLA .... 1889, p.18) (Grifo nosso)

Afirmou que esta situação já fora tratada pelos antecessores, que pregavam uma “reforma completa e radical” da instrução. (FALLA .... 1889, p.18). Chamou-nos a atenção a articulação apresentada na avaliação das condições da instrução, que indicou os mesmos elementos que depois se constituiriam o cerne das reformas republicanas, quais sejam, o professor, a casa, a mobília, o material didático, o aluno, e o programa de ensino, além da educação popular, como uma questão de patriotismo e como caminho para o engrandecimento da província.

A estatística de matrícula e freqüência foi apresentada para as cadeiras de instrução, com dados sobre o número de cadeiras, a média de alunos, e com a seguinte afirmação: “Não obstante o grande número de meninos que se deve presumir haver em idade escolar, não foram consideráveis a matrícula e a freqüência das escolas primárias no ano próximo passado.” (FALLA .... 1889, p.18).

Os dados relativos à matrícula e freqüência foram analisados a partir da consideração de que cada escola comportava o máximo de 60 alunos, a população escolar presumível era de 300.000 crianças e o número total de cadeiras era de 1.239 cadeiras providas, os números apresentados foram:

TABELA 2 Escolas públicas Minas Gerais, 1889

Fonte: RELATÓRIO ..., 1889, p. 18

A partir destas informações estimaram-se os números relativos à população escolar dos que deixaram de matricular e freqüentar as escolas. “(...) deixaram de matricular 256.114 e deixaram de freqüentar 278.639.” E, “dividindo o número de cadeiras pela população escolar presumida, havia uma cadeira para 176,26 alunos”. (FALLA .... 1889, p.18). Mereceu destaque a solicitação de algumas autoridades literárias que “no louvável intuito de fazer cessar a vagabundagem da infância, têm reclamado a aplicação das penas infligidas pelo regulamento vigente aos pais que não cumprem o dever de mandar instruir os filhos.” (FALLA .... 1889, p.18)(Grifo nosso).Ao que ponderou que tal medida coercitiva demandava condições preliminares e despesas que não eram pequenas. Esta foi, portanto, a condição da instrução deixada pelo governo imperial, com o indicativo da necessidade de uma reforma completa e radical na instrução pública.

As reformas e a legislação do período republicano foram as ações destinadas a cumprir o que era necessário para promover a transformação da instrução pública, mudando a antiga estrutura, reduzindo o número de escolas existentes e investindo mais em sua qualidade (prédios, mobiliário, livros) e na formação do docente. A fiscalização do ensino tornou-se um aspecto essencial a esse processo para fazer cumprir as propostas do Estado, bem como para intervir onde fosse necessário.

Na trajetória dos Relatórios dos Presidentes da Província e das Mensagens dos Presidentes do Estado, para os anos de 1890-1912, estes documentos se referiram aos principais problemas relativos à instrução e à organização deste serviço, os textos demonstraram a grande importância da educação para a construção do Estado e do País, e as ações e investimentos se balizaram pela extensão de escolas a todos os rincões do Estado, pela preocupação relativa à formação dos professores, à inspeção, à mobília, ao material didático e aos prédios escolares.

Sexo Matrícula Freqüência Alunos prontos Alunos 28.418 18.525 1.174 Alunas 15.168 7.836 855

Total 43.586 21.301 2.029

Benzer Belgeler