4. ARAŞTIRMA SONUÇLARI VE TARTIŞMA
4.3. Güneş Enerjisi Kaynaklı İleri Aşama Çalışmaları
Visto que se chegou a apontamentos que indicam que as relações amorosas na modernidade líquida não possuem uma voz uníssona, pode-se afirmar que este trabalho gerou questionamentos a serem respondidos futuramente. A partir dos relatos recolhidos na Rede Social Badoo chegou-se à conclusão de que as relações sólidas estão se tornando mais raras e apresentam muitos problemas, mas que ainda são muito desejadas. Já as relações líquidas estão se mostrando muito mais comuns e juntamente com a proximidade virtual vêm “ditando as regras” para os relacionamentos amorosos contemporâneos, o que não significa dizer que representem unicamente o comportamento apresentados pelos indivíduos da sociedade líquida moderna. Os modelos, como já afirmado anteriormente, são coexistentes.
A partir desses pressupostos, surgiram novas questões quando nas suas falas as pessoas não delimitavam os problemas de relacionamento ao mundo online, ao contrário, o ciberespaço aparecia como uma luz no fim do túnel, como um ponto de esperança a qual todos querem se agarrar. As relações amorosas são extremamente desejadas e ainda fazem parte das ambições pessoais.
Diante disto, cabe questionar para futuros estudos como estão se desenvolvendo as relações amorosas no off-line. Talvez seja interessante fazer o caminho inverso e partir do on-line para o off-line, a fim de entender como as já discutidas características da modernidade líquida se instalam nas expectativas de vida das pessoas além da internet. Como se dão os namoros no off-line e sob quais intuitos e expectativas? Será que as pessoas ainda almejam o casamento, por exemplo? E de que modo esses casamentos enfrentam as mudanças sociais pelas quais estamos atravessando? Estes são apenas alguns exemplos de indagações despertadas por esta pesquisa.
O panorama apresentado por esta pesquisa sobre os relacionamentos amorosos presentes na modernidade líquida é apenas um espectro das muitas facetas que a “liquidez” possui, fazendo-se necessários estudos futuros para melhor desvendá-la. Por
104 isto reitero como essa categoria analítica da modernidade atual se faz pertinente e aparece em outros estudos. Segundo Santaella (2007) embora não tenha usado explicitamente o adjetivo líquido para nomear seus conceitos, nas obras de Deleuze e Guattari há conceitos cujo campo semântico está impregnado pelo sentido das coisas e movimentos líquidos. Em Maffesoli, a autora encontra afirmações de que o mundo que habitamos são territórios flutuantes, em que os indivíduos frágeis encontram uma realidade porosa. No qual “só pessoas fluidas, ambíguas, em estado de permanente devir, transformação e constante autotransgressão podem se adaptar a esses territórios. Quando existe, o enraizamento só pode ser dinâmico, reafirmado e reconstituído diariamente, num ato fundador, iniciático de estar de viagem, na estrada.” (Santaella, 2007, p.17).
Santaella (2007) ainda destaca que a publicação da terceira obra da trilogia
Esferas 95 retomou algo muito próximo da metáfora da ‘liquidez’ com a qual estamos
lidando neste trabalho. Pois as Espumas de Slorterdijk são até mais sutis, delicadas, complexas e leves do que os líquidos. A autora assevera que através desta metáfora Slortedijk (2004) criou uma teoria filosófica do presente segundo a qual a vida se desenrola multifocalmente ao utilizar-se da imagem da espuma para recuperar o pluralismo das intervenções no mundo e formular uma interpretação antropológico- filosófica renovada do individualismo moderno.
Diferentemente da noção de corporeidade do uno ou da massa atômica, a espuma é multifocal, polimorfa e heterarquicamente material. É parte de uma concepção não-metafísica e não-holística de formas de vida e não pode mais ser pensada por meio da simplificação ontológica da esfera-todo. São entornos invisíveis e frágeis, no interior dos entornos maiores, que agem de forma simultânea, ligados uns aos outros, que produzem seu espaço no que é e que é nela, manifestando a res pulica dos espaços. ‘quase nada e, no entanto, não nada’. Algo alhures, coberto com um tecido de espaços vazios que, no mínimo toque, explode e se reconstrói. Contém ar, líquido e sólido em consistências descontinuadas e extinguíveis. (Santaella, 2007, p.19).
A autora afirma que Esferas começa convocando os sentidos, as sensações, o entendimento das cercanias, o espaço vivido e vivenciado. A experiência do espaço é sempre a experiência primária do existir. Sempre vivemos em espaços, em esferas, em
105 atmosferas. Viver é criar esferas. A primeira formação esférica é a díada mãe – filho, um abrigo onde a solidariedade entre os humanos teria início; a mãe, seguido do núcleo familiar e finalmente a cultura em que se vive.
As histórias amorosas e as comunidades solidárias não são senão a criação de espaços interiores para as emoções escandidas. [...] Todos os espaços humanos não passam de reminiscências do abrigo original sempre acalentado da primeira esfera humana. (Santaella, 2007, p.21).
A tese que une a trilogia da obra Esferas está na crítica aos fundamentalismos filosóficos, nos quais a necessidade de manter definições sólidas impediu que se duvidasse dos conceitos por eles pressupostos. Esta tradição se prendeu em si mesma, e diante disso se faz necessário que uma nova perspectiva analítica seja adotada, uma que incorpore a sabedoria da vida cotidiana na tentativa de compreender a complexidade e polivalência do mundo. Sloterdijk luta contra os essencialismos e convoca os sentidos e sensações do espaço como experiência primária da vida humana. Em uma tentativa de entender qual é a natureza do vínculo que reúne os indivíduos, que a tradição sociológica chama de ‘sociedade’ e que o autor entende já ser uma palavra gasta. Uma teoria das multiplicidades espaciais, na qual a ideia é que o mundo não é estruturado monosfericamente, mas polisfericamente. (Santaella, 2007).
As esferas são, ao fim e ao cabo, índices da denúncia do autor contra a ontologia e lógica tradicionais, nas suas divisões dicotômicas entre corpo e alma, espírito e matéria, sujeito e objeto, liberdade e mecanismos, entre o eu e o mundo e, mais além, entre a natureza e a cultura. (Santaella, 2007, p.23).
A utilização desse novo vocabulário é justificada porque os discursos teóricos prévios foram desenvolvidos para um mundo de substâncias pesadas e sólidas. Estes apresentavam pouca eficácia na expressão própria das experiências em um mundo de leveza e relações, em um mundo de mobilidade e desprendimento das cargas. (Santaella, 2007). Os teóricos críticos caem na tentação realista de interpretar o leve como aparência e o pesado como essência. Praticando desse modo a crítica no velho estilo e expondo a leveza da aparência em nome do peso do real. “Na verdade, Sloterdijk completa, é sob efeito da abundância atual que o pesado se torna aparência – e o essencial agora mora na leveza, no ar, na atmosfera.” (Santaella, 2007, p.23).
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