• Sonuç bulunamadı

Vinicius de Moraes

Esta sessão está dividida em duas subseções: 1) Reflexão sobre como se dá o comportamento das pessoas on-line no Badoo. 2) Análise de experiências relatadas pelos usuários entrevistados no Badoo.

3.1) O comportamento on-line na Rede Social Badoo

Em uma tentativa de realizar a discussão sobre o comportamento das pessoas quando estão on-line em Redes Sociais, fez-se a seguinte a pergunta aos entrevistados: “Como você explicaria o comportamento das pessoas aqui no Badoo se comparado ao

da ‘vida real’?” 61 A partir das respostas suscitadas, tornou-se necessário entender qual

o tipo de comunicação com que se está lidando quando se fala sobre relacionamentos desencadeados pela Internet.

Segundo Marcondes Filho (2012), a criação da nova realidade medial, a partir das primeiras décadas do sec. XIX veio instaurar três grandes transformações no quadro histórico-social do Ocidente: o afastamento do homem para a periferia do sistema social, a relativização do conceito de morte com as máquinas de registro e reprodução da imagem, do som e do movimento e a criação de uma realidade paralela à cotidiana, mais atraente e glamorosa. Em especial, tratamos desta última transformação, pois é preciso entender como esta realidade paralela gerou novas especificidades para a comunicação. Avançando nesta discussão e para melhor entendê-la, o autor destaca a

61 O termo “vida real” é aqui entendido como um sinônimo para “off-line” e não um antônimo para “vida

virtual”, pois se entende que os fenômenos coexistem de acordo com o já explicitado conceito de “vida mix” sugerido por Turkle (2012).

74 importância do surgimento da segunda cibernética 62, que realça a posição do observador e questiona o status de comunicação como coisa, como materialidade, como existência “em si”. Nesta perspectiva, a comunicação não é nada, não existe por si mesma, pois ela é um resultado virtual do relacionamento entre dois agentes, pode acontecer ou não. A questão é que o intercâmbio de mensagens informativas entre emissores e receptores num meio comum não os torna genuínos interlocutores. Para isso, é preciso que eles se tratem como cosujeitos numa relação dialógica.

Deste modo, Marcondes Filho (2012) defende que se há a virtualidade de uma comunicação no campo do presencial, os diálogos eletrônicos on-line deverão, eles também conter essa possibilidade. Nos chats ocorre uma tendência à dulcificação e à banalidade; lá só se praticariam frases preconcebidas e lugares comuns “semanticamente congelados”. Nesse território as conversações são óbvias, tolas e padronizadas tal qual na vida fora da tela. E que não poderiam ser diferentes, já que vêm de uma socialização nessa direção. No trecho a seguir Roberta corrobora com essa opinião, mas baseando-se na sua experiência prática de usuária da Rede também afirma que relações iniciadas sob esse tipo de comunicação também podem se transformar em algo mais profundo. Vejamos,

Roberta — o comportamento das pessoas aqui varia muito, no mundo

virtual você escolhe o melhor lado da foto, da sempre pra pensar um pouco antes de digitar, da pra camuflar um pouco, muitos representam diante do computador, mas às vezes da certo e o que era virtual torna real e da uma bela historia.63

De fato, a comunicação à distância aparenta ser mais pobre quando comparada com a face a face. Mas a questão não pode ser vista por esse ângulo, já que se trata de formas de comunicação distintas. Sem contar que não há nenhuma comprovação de que o estar junto presencial propicie maior comunicabilidade, já que o face a face também apresenta problemas e, possivelmente, mais entraves do que os encontros virtuais. O autor explica que o face a face inibe, o olho no olho deixa as pessoas incomodadas, a aproximação ao outro é sempre algo ambíguo porque os seres humanos jogam com os níveis de linguagem. Por isso o face a face constrange, superar essas artimanhas do

62 Marcondes Filho (2012) afirma que o conceito de comunicação da primeira cibernética é muito

precário, pois “comunicação” torna-se simplesmente tudo: qualquer contato, qualquer ligação, qualquer transmissão.

75 relacionamento tona-se uma missão pouco simples. (Marcondes Filho, 2012) Nesta perspectiva, pode-se chegar ao entendimento de que a existência de tais entraves no face a face se faz um dos fatores responsáveis pela mudança no comportamento das pessoas quando estão on-line. A desinibição aparece como principal fator destas mudanças de acordo com o que os entrevistados defendem existir, através das suas falas. Segue,

Nataly — Algumas pessoas na frente de um computador, em um

mundo virtual, perdem completamente suas inibições, se sentem mais à vontade pra mostrar seus lados ocultos. Com certeza é diferente! Já tive provas concretas disso! 64

Leandro — muitas se comportam diferente sim. Acho que ninguém é

totalmente verdadeiro num site. 65

Alice — Muito diferente, aqui elas são mais desinibidas. 66

Numa tentativa de explicar este fenômeno Marcondes Filho (2012) acredita que toda a estrutura montada para dificultar o acesso do outro a nós e vice-versa, para proteger nossa frágil individualidade, sempre sujeita a assaltos daqueles que são mais hábeis na arte da conversa e nas investidas eróticas através da sedução, tudo isso ou quase tudo isso fica banido diante de uma tela de computador. Porque, nesse caso, trata- se de outro tipo de relação, outro tipo de comunicação possível. As relações face a face têm carências, mas estas não são resolvidas pelos diálogos on-line, porque estes têm suas dificuldades próprias.

De certa forma, nessa plataforma é mais fácil fazer o outro conhecer o meu mistério, meu segredo, que é um critério para se atingir a comunicação. Na distância, abrindo minha especificidade ao outro, poderá haver, em tese, mais chance de se “conviver com o estranho”. A questão, entretanto, começa na continuidade desse relacionamento. O outro, que me abrirá a possibilidade do infinito, para me exigir, não poderá exercer sua mirada, já que o olhar remetido por uma webcam para a tela do meu computador jamais poderá ser um tiro à queima- roupa. Há que se engendrar uma outra estratégia em que ele possa, assim mesmo e a distância, me solicitar e me exigir. (Marcondes Filho, 2012, p.47).

Pode-se iluminar melhor este aspecto da comunicação on-line através do entendimento das novas utopias derivadas da cultura eletrônica, que são, ao contrário das utopias antigas, utopias de preenchimento, de completude. Uma comunicação

64 Entrevista realizada no Badoo em 13 nov. 2013. 65 Entrevista realizada no Badoo em 13 nov. 2013. 66 Entrevista realizada no Badoo em 27 nov. 2013.

76 imaginária, que se funda no desaparecimento das mediações, em uma ideia fantasiada de possibilidade da comunicação direta, plena, de espírito para espírito, sem passar pelos obstáculos das regras da socialidade. “Parte-se da suposição de que a ausência do rosto do outro, de seu olhar, de sua presença física, libere o trânsito direto entre as mentes. Que a exclusão da identidade, das ‘marcas do social’, faça fluir um fluxo contínuo e livre de todas as amarras.” (Marcondes Filho, 2012, p.120).

Ao analisarmos o que Elisângela afirma a seguir, pode-se reiterar a desinibição como uma forte característica do comportamento on-line, o que confirma a teoria defendida por Marcondes Filho (2012). Outro ponto que merece ser destacado é a observação da entrevista de que uma possível causa para isto decorre do fato de que “a

maioria dos contatos não ultrapassa a vida real.”.

Elisângela — O Badoo é uma ferramenta "segura" para se conhecer

pessoas, seja qual for a sua intenção, ela facilita o acesso e desinibe. Estar por trás de uma tela faz com que as pessoas se soltem mais, pois a maioria dos contatos não ultrapassa a vida real. 67

Diante desta afirmativa, é possível contestar que o distanciamento não é uma característica exclusiva das relações on-line, visto que as relações de copresença sempre envolvem contiguidade e afastamento, proximidade e distância, sensatez e imaginação. No entanto, também é possível afirmar que a presença contínua da proximidade virtual, universal e permanentemente disponível graças à rede eletrônica, faz a balança pender decididamente em favor do afastamento, da distância e da imaginação. A distância física não é mais condição para a distância espiritual, esta “agora tem sua própria ‘base material’ 68 high-tech, infinitamente mais ampla, flexível, variada, atraente e cheia de aventura do que qualquer rearranjo de corpos materiais. E a proximidade física tem menos chance do que nunca de interferir no afastamento espiritual.” (Bauman, 2004, p.81). Nesta perspectiva Marcondes Filho (2012) cita Lévinas para corroborar com a linha de pensamento apresentada até este ponto:

Lévinas fala que um rosto é a um só tempo total fraqueza e total autoridade. Mas o rosto num diálogo mediado por computador ou mesmo um diálogo em que não aparece o rosto do outro me invalida de tomá-lo como eixo de comunicabilidade. Na situação eletrônica eu tenho que eleger outro parâmetro que não o rosto, mas que tenha, da

67 Entrevista realizada no Badoo em 29 nov. 2013. 68 Grifo do autor

77

mesma forma, esse caráter de fraqueza e autoridade, libertação do meu ego de meus temores diversos. Só me resta o parâmetro da linguagem escrita, dos ícones que buscam representar a expressão, as falas. (Marcondes Filho, 2012, p.47).

Diante disto uma alternativa possível entender a existência desse traço de

desinibição nas conversas através da Rede mundial de computadores seria partir da

suposição de que é a ausência do rosto do outro, de seu olhar, de sua presença física, que propicia às pessoas a impressão de que no ciberespaço é possível liberar o trânsito direto entre as mentes. E também que a exclusão da identidade e das “marcas do social”, talvez fossem capazes de fazer fluir um fluxo contínuo e livre de todas as amarras. (Marcondes Filho, 2012). Porém, segundo o autor mesmo afirma, são utopias, as quais apesar de terem sido repaginadas, ainda continuam sobre o julgo do significado dessa palavra. Apenas por ser chamado de utopia já é deduzível ser projeto irrealizável; quimera; fantasia.

Para Bauman (2004) é uma questão em aberto saber qual o lado da moeda mais contribuiu para fazer da rede eletrônica e de seus implementos de entrada e saída de dados um meio de troca tão popular e avidamente usado nas interações humanas. Há duas hipóteses para esta questão, pode-se afirmar que o sucesso da rede se dá ou por que ela é capaz de facilitar a conexão ou por sua capacidade de cortar essa conexão. O autor defende que não faltam ocasiões em que a desconexão parece mais importante que a primeira. Já segundo a defesa de Turkle (2011), o sucesso da tecnologia se deve à sua proposição de ser a arquiteta das nossas intimidades, pois a sua sedução gira em torno de um alvo específico, as vulnerabilidades humanas.

A internet por ter instituído uma nova configuração de espaço e tempo para a interação social, se configura como a invenção tecnológica que mais teve ferramentas adaptadas para o uso na sociabilidade e afetividade dos seres humanos. O ciberespaço estabeleceu novas possibilidades para a sociabilidade e promoveu novas formas de relações sociais, com novos códigos advindos de uma restruturação de formas já conhecidas, de contato com o outro. O ato de estar conectado a uma Rede Social pode proporcionar ao indivíduo o sentimento de acesso ao mundo e de pertencimento ao grupo. Essas redes possibilitam iniciar contatos por meio de clicks de accept e também desfazê-los através dos clicks de delete. Essas ferramentas multiplicam os contatos e as

78 possibilidades de relação com o outro num intervalo mínimo de tempo e isso pode promover a sensação de não estar sozinho nunca mais, pois a qualquer momento pode- se apertar uma tecla e o “mundo” se apresenta na sua tela.

Não há dúvidas que esses comportamentos são projetos da cultura da modernidade líquida. E aqui, entende-se o conceito de cultura empreendido por Bauman (1998) em O mal-estar da pós-modernidade, no qual o modelo seria o de cultura como consumidor cooperativo, onde não facilmente se consegue distinguir o autor do agente, pois se espera que cada membro atue em ambos os papéis. Deste modo, cada sociedade modifica ou desenvolve uma fórmula mais geral pela qual as pessoas se relacionam socialmente, seja no amor, no trabalho, nas amizades, etc. O que as proposições aqui apontam é para uma alteração, já em curso, de como a sociedade atual está modificando ou reestruturando as relações afetivas sociais e de como a tecnologia tem o cursor dessa mudança nas mãos.

No mundo on-line, ninguém jamais fica fora ou distante; todos parecem constantemente ao alcance de um chamado (Bauman, 2011). Porém essa agilidade, multiplicidade e dinâmica podem se converter em inúmeras maneiras de convívio e relações sociais. Como se pôde testemunhar através da pesquisa empírica realizada no Badoo, essas redes são capazes de despertar muitos tipos de interação simultaneamente. Desde o contato e da amizade, passando pelos encontros sexuais casuais e esporádicos, até relacionamentos duradouros como namoro e casamento. As questões suscitadas em relação às interações sociais proeminentes da tecnologia se encontram em torno da ambivalência humana característica da modernidade líquida: as necessidades de aproximação e afastamento concomitantes. Nós, humanos, somos seres solitários que necessitam dos outros, ao mesmo tempo em que também somos receosos de intimidade com este outro.

As conexões digitais, possivelmente, aparecem como a solução para esta ambivalência porque são capazes de oferecer a ilusão da companhia sem as demandas e obrigações comuns aos compromissos duradouros. A vida social on-line permite esconder-se ainda que estejamos amarrados uns aos outros e todos amam suas novas tecnologias de conexão, pois elas são capazes de fazer pais e filhos se sentirem mais seguros, de aproximar pessoas que estão geograficamente distantes ou que em outros

79 tempos, provavelmente, não se conheceriam; sem falar na revolução nos negócios, na educação, na medicina, na diversão, etc. Não foi por acidente que corporações americanas escolheram sabores de doces e sorvetes 69 para nomear seus dispositivos de conectividade, há mesmo uma doçura neles. (Turkle, 2011). Eles nos cativam mirando nos nossos pontos vulneráveis e são responsáveis por readaptar a forma como nos relacionamos com as pessoas e com o mundo.

Essas mudanças têm aspectos positivos e negativos: locais virtuais, por exemplo, oferecem conexão, mas existe uma advertência de que o compromisso é incerto. Nós não contamos com ciber-amigos quando estamos doentes, nem para celebrar o sucesso dos nossos filhos ou velar a morte dos nossos pais; as pessoas sabem disso, e ainda assim a carga emocional no ciberespaço é alta. A vida digital é interpretada como “o lugar da esperança”, o lugar aonde algo novo acontece. “No passado, esperava-se pelo som do correio – de carroça, a pé ou caminhão. Agora, quando há uma calmaria, nós checamos nossos e-mails, mensagens de celular e mensagens”.70 (Turkle, 2011, p.153, tradução nossa).

Segundo Bauman (2011), as substituições das portas de madeiras pelas telas digitais proporcionam a possibilidade da constante companhia, seguida do sentimento de não mais estar sozinho, já que apertar um botão é o suficiente para obter uma companhia e todos parecem estar constantemente ao alcance de um chamado. Neste sentido, é como se o pensamento geral fosse o de “se eu estiver sempre conectado, pode ser que eu nunca esteja verdadeira e completamente só”. A internet se torna um dispositivo potencializador dessa ideia diante da sua capacidade de encurtar significativamente as distâncias através da constante dinâmica do acesso a muitas informações e pessoas, simultaneamente. Neste sentido, os contatos e as possibilidades aumentam exponencialmente em um intervalo muito curto de tempo.

Através da tela é possível se sentir protegido e menos sobrecarregado de expectativas, além do já citado potencial de contato instantâneo, que fornece o sentimento animador de estar próximo ao outro. Nesse curioso espaço relacional, até os

69 Turkle (2011) refere-se a marcas como Apple e Blackberry, por exemplo.

70 Tradução livre para: “In the past, one waited for the sound of the post - by carriage, by foot, by truck.

80 usuários mais sofisticados que sabem que a comunicação eletrônica pode ser salva, compartilhada e mostrada no tribunal, sucumbem à ilusão de privacidade. Sozinho com seus pensamentos, ainda assim em contato com a quase tangível fantasia do outro, sente-se livre para jogar/atuar. Na tela tem-se a chance de escrever a si mesmo como a pessoa que se quer ser e de imaginar os outros como se quer que eles sejam. Na rede constroem-se imagens de si mesmo e do outro sempre para propósitos próprios. Esse é um sedutor, mas perigoso hábito da mente, quando se cultiva essa sensibilidade, uma ligação pelo telefone pode parecer amedrontadora, porque revela demais. (Turkle, 2011).

As possibilidades são imensas e de fato, muito sedutoras. É possível fazer contato com outras pessoas sem necessariamente iniciar uma conversa perigosa e indesejável, pois se pode terminá-la ao primeiro sinal de que o diálogo se encaminha na direção indesejada. Sem riscos, sem achar motivos para pedir desculpas ou mentir, basta um toque leve, quase diáfano, numa tecla, um toque totalmente indolor e livre de risco. (Bauman, 2011). E desse modo à ambivalência se mantem, sem maiores problemas. “As relações humanas são ricas e confusas e também são exigentes. E nós as limpamos com a tecnologia. E quando o fazemos uma das coisas que acontece é que sacrificamos a conversa por uma mera conexão.” (Turkle, 2012).71

Turkle (2011) também explicita que uma das principais razões para o sucesso da rede é que quando estamos on-line, nós nos sentimos melhorados. Todavia, como consequência disto enfrentamos o risco de começarmos a ver os outros como objetos a serem acessados somente pelas partes úteis, confortáveis e divertidas. A autora defende que quando se é retirado do fluxo da física, confuso, desarrumado – e a rede faz isso – há menos disposição a sair lá fora e dar uma chance ao que não é virtual. Há uma música que se tornou popular no youtube em 2010 e que ilustra bem isso chamada “Você quer namorar meu avatar?” 72 e que termina com a seguinte frase: “Se você pensa

71 Turkle, Sherry. Conectado, mas só? Disponível em: http://www.ted.com/talks/lang/pt-

br/sherry_turkle_alone_together.html. (2012) Acesso em: 24.02.14.

81 que eu não sou o escolhido, desconecte! Desconecte e estaremos encerrados”.73 (Turkle,

2011, p.154, tradução nossa).

Nesta perspectiva, Ben-Ze’ev (2004) diz ser possível afirmar que quanto maior for à similaridade entre as entradas e saídas de dados e a interação off-line, maior será a percepção das pessoas de que elas são reais. O autor explica melhor ao dizer que,

A maior interatividade do ciberespaço implica em um maior controle sobre nossos relacionamentos pessoais. Por exemplo, quando desejarmos, podemos desacelerá-los ou acelerá-los. Se alguém lhe surpreende – digamos, ao expressar seu amor por você – você tem tempo para considerar sua reação. Você não tem que contar meramente com suas reações espontâneas. Neste sentido, é mais fácil lidar com os relacionamentos online. O senso de maior controle é frequentemente central para experiências gratificantes. (Ben-Ze’ev, 2004, p.3, tradução nossa). 74

As relações virtuais se caracterizam por contarem com o controle e reflexão das emoções, com a edição das palavras, com as teclas de excluir, com a remoção de spans, com a possível desconexão de uma das partes, etc. Esses atalhos podem ser interpretar como uma forma de seguro contra consequências inconvenientes, e principalmente, consumidoras de tempo. Bauman (2011) diz que o mundo on-line cria uma multidão infinita de possibilidades de contatos plausíveis e factíveis, com a internet as tentações se multiplicam ao infinito e todo esse aproximar-se e afastar-se para longe torna possível que o ser humano siga o impulso por liberdade e pertencimento, ao mesmo tempo em que pode protegê-lo dos anseios causados por ambos. Esses dois estímulos se fundem na tarefa de tecer redes e surfar nelas.

A internet é dispositivo potencializador desta tendência de comportamento, pois torna possível aproximação e afastamento, ambos com muita facilidade. O ideal de conectividade luta para apreender a difícil dialética desses dois elementos inconciliáveis, pois promete uma navegação segura entre a solidão e o compromisso, já que nos chats o que importa não são as mensagens em si, mas a circulação delas. O ir e

73 Tradução livre para: "And if you think I'm not the one, log off, log off and we'll be done." (Turkle,

2011, p.154)

74 Tradução livre para: The greater interactivity of cyberspace implies that we have greater control over

Benzer Belgeler