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Günay‟ın Sosyolojisinde Din Kavramı

I. BÖLÜM

1. Günay‟ın Sosyolojisinde Din Kavramı

Para despertarmos nos professores o motivo de aprender, foi preciso incentivá-los a se envolverem com a atividade de aprendizagem, ou seja, com a criação de uma condição psicológica ou uma disposição positiva para o desencadeamento do processo de apropriação da habilidade de planejar situações de ensino.

No período em que fizemos o convite aos professores para fazerem parte da pesquisa, a aceitação foi positiva, mas, quando explicamos como a pesquisa iria desenvolver-se, eles reagiram de modo negativo, justificando suas dificuldades. Diziam que não sabiam planejar conforme as novas exigências, porque não haviam aprendido daquela forma. E mais, argumentavam que: Os alunos não tinham maturidade para trabalhar com os procedimentos lógicos (DRC7); O contexto formativo era precário (ABO2); Os alunos não sabiam ler nem escrever (CMF11); a escola não disponha de material didático (FGC3); os alunos eram indisciplinados e não se concentravam (FGC3); Os alunos não costumam trabalhar desse modo (ALS10). Enfim, surgiu um argumento relacionado a condição dos professores: a gente não tem tempo para estudar e esse modo de planejar precisa de estudo (JCC14); Cada um buscava uma justificativa pautada na precariedade do ambiente,

nas dificuldades dos alunos, na impossibilidade de aplicação do conhecimento no contexto de ensino.

A partir dessa situação, iniciamos uma conversa evidenciando a necessidade de atuação, cooperação e participação efetiva dos professores no seu próprio processo formativo. Compartilhamos então os objetivos da formação e, de forma cordial, procuramos criar um clima de confiança, buscando superarmos a insegurança e a tensão dos professores. Trazer para a discussão o que eles consideravam dificuldades para desenvolverem a atividade de planejamento da definição de conceitos e da identificação de objetos foi uma maneira de despertar neles a necessidade de aceitarem nosso desafio, com envolvimento e com convicção da possibilidade de mudança. Assim, estabeleceu-se o seguinte diálogo:

Formadora: considerem que as dificuldades para aprender a planejar situações de ensino de conceitos estão relacionadas com a habilidade de planejar o ensino via definição e identificação, e não com os problemas práticos do cotidiano. Como vocês me explicam isso?

FGC3: planejar assim fica difícil, porque as crianças não são acostumadas com esse tipo de trabalho.

Formadora: se as crianças não são acostumadas com esse tipo de trabalho, o que devemos fazer, para mudar a situação?

MCH6: professora, o problema não é esse. O problema é que o comportamento dos alunos não possibilita esse tipo de trabalho. Formadora: Se o comportamento dos alunos não possibilita esse tipo de atividade, que outro tipo de trabalho é possível realizar? É correto abrir mão da educação das crianças porque elas apresentam comportamento inadequado?

ALS1: professora, nós temos um problema sério: as escolas não têm recursos materiais.

Formadora: A falta de recursos materiais impede o planejamento com a definição e com a identificação de conceitos? A quais materiais você está se referindo? E que tipo de atividade é possível planejar, diante dessa situação? A que conclusão vocês podem chegar?

CMF11: olha, professora, nós temos esse tipo de problema também. Mas o que torna esse tipo de planejamento difícil de ser colocado em prática é que as crianças das séries iniciais não sabem ler nem escrever

Formadora: as crianças não sabem ler nem escrever... Vocês vão ensinar essas habilidades com base em quê?

Observa-se que a questão inicial colocada para motivar os professores é ignorada: eles continuam sem responder à pergunta e insistem nos pontos que consideram como entraves para uma nova aprendizagem. Se eles não

desenvolvessem o interesse pela nova orientação, isso inviabilizaria o trabalho de aprendizagem, visto que a conversa tinha como finalidade despertar neles a necessidade de aprender a planejar situações de ensino de conceitos pela importância que isso tem para a atividade docente, na perspectiva da atividade de ensino.

A problematização da própria fala dos professores foi retomada e encontramos outra maneira de motivá-los e despertar neles a necessidade de aprenderem um novo modo de planejar. Na segunda tentativa, desenvolvemos uma atividade em grupo na qual eles deveriam buscar uma resposta para cada caso referido no diálogo anterior. Todos os grupos receberam a incumbência de encontrar repostas para as questões postas para a discussão em sala.

Para o primeiro grupo, propomos as seguintes situações: Os professores devem aprender a planejar situações de ensino de conceitos ou não, dado que os alunos não sabem ler nem escrever? Qual a relação entre essa situação dos alunos e a aprendizagem dos professores? Na discussão, os professores não encontraram solução, mas já se apresentaram mais flexíveis, como se pode observar neste comentário feito por uma professora representante do grupo: Nós aprendemos a buscar problemas no ambiente e nos alunos e às vezes esquecemos que precisamos aprender mais. Mas uma das nossas dificuldades é que não sabemos como fazer. Queremos que você nos ensine (JCC14, DRC7, MDA4, CMF11). Como se observa, o grupo começou a refletir e a pedir ajuda, demonstrando, assim, inquietação e certo desejo de planejar melhor.

O segundo grupo recebeu a seguinte situação: As crianças não são acostumadas com o tipo de aprendizagem ativa, que lhes proporcione definir conceitos e identificar objetos. Considerando a primeira situação, os professores não precisam desenvolver a habilidade de planejar situações de ensino de conceitos. Confronte a primeira situação com a segunda e reflita, qual é o problema que existe? O grupo dos professores FGC3, MCH6, ALS10 e ANG13 levantou uma discussão na sala de aula sobre a resistência docente para mudar, para aceitar o novo e a dificuldade de reconstruir os saberes consolidados, o medo de se envolver com uma nova aprendizagem, porque demanda esforço e dedicação.

O terceiro grupo discutiu sobre o problema da falta de recursos materiais, a partir da seguinte situação: os professores da escola pública enfrentam a precariedade dos recursos didáticos; por esse motivo, não devem desenvolver a

habilidade de planejar situações de ensino de conceitos. Vocês concordam com essa afirmativa? Por quê? Os professores reagiram à questão e se pronunciaram com certa irritação: É lógico que não concordamos com isso!— disse um deles — Isso é um absurdo! A falta de material não quer dizer que a gente não possa aprender para ensinar! (depoimento apresentado pelo relator do grupo composto pelos professores MFA1, MFS5, ACS8, JLF12, quando falou em nome do grupo).

Essa situação foi interessante, porque movimentou a turma e os professores passaram a concordar com o discurso do grupo, mostrando a importância de aprenderem para melhorarem a atividade de ensino. No entanto, eles não se lembravam de que essa idéia havia sido expressa por eles na própria sala de aula. Desse modo, quando a questão foi retomada, eles perceberam que, às vezes, criavam explicações para escamotearem a própria intenção de não se envolverem com seu processo de aprendizagem.

A partir dessa atividade, discutimos o problema relacionado com planejamento de ensino de conceitos e a necessidade de os professores se envolverem na sua própria formação.

Benzer Belgeler