2. BÖLÜM: SANATTA KENTSEL MELANKOLİ İMGESİ
2.1. Günümüz Sanatında Kentsel Melankoli İmgesi
(produção, distribuição, consumo)
linguagem e suas outras formas de semiose, por exemplo, a linguagem corporal ou imagens visuais) e outros elementos da prática social”16.
O autor afirma que o discurso figura-se de três modos nas práticas sociais. Primeiro, configura-se como parte de uma atividade social (gêneros); segundo, configura-se como representação, sendo representação um processo de construção social das práticas (discursos17); terceiro, configura-se como modo de ser, nas construções das identidades (estilos) (Fairclough, 2001, p. 2).
O discurso é apresentado como elemento da prática social e, segundo Resende e Ramalho (2006, p. 40), “a mudança discursiva se dá pela reconfiguração ou pela mutação dos elementos que atuam na articulação (...) a luta articulatória assim definida é uma faceta da luta hegemônica”, pois segundo as autoras, “a hegemonia é um estado de relativa permanência de articulações dos elementos sociais”.
Para que se realize uma análise efetiva de como se dá essa ‘permanência’ de articulações hegemônicas no seio das práticas sociais, Resende e Ramalho (2006, p. 41) apontam que se pode fazer uma correlação, ao contrastar conjuntura, estrutura e eventos. Segundo Magalhães (2004: 115), “para compreensão da TCD (Teoria Crítica de Discurso), é preciso questionar sobre a relação entre práticas, eventos e estruturas sociais”, sendo que as estruturas “como raça, gênero, classe, parentesco, língua, determinam um ‘conjunto de possibilidades’ que podem ou não concretizar-se nos eventos sociais, como a aula, a reunião acadêmica ou o culto religioso”.
Fairclough (trad. 2001) recorre a teorias que podem estabelecer uma relação interdisciplinar com a linguística e, por meio de uma discussão teórica, questiona a posição de Foucault referente ao conceito de ‘ordem de discurso’. Em seu artigo “A dialética do discurso” (2001a), a definição de ‘ordem de discurso’ é a de como os aspectos do discurso estão interligados em uma ‘ordem social’, observando que uma ‘rede de práticas sociais’, associada a aspectos particulares, constrói uma ‘ordem social’.
Fairclough (2003) faz um recorte mais específico e observa que a linguagem é um elemento social que abarca todos os níveis: estrutura, prática e evento. O autor apresenta o seguinte quadro comparativo:
16 Minha tradução para “CDA is analysis of the dialectical relationships between discourse (including language but also other forms of semiosis, e.g. body language or visual images) and other elements of social practices”. 17O autor chama atenção para que perceba a diferença de ‘discurso’, no singular, que seria o elemento da prática social, e ‘discursos’, no plural, que envolveriam os diversos discursos que temos como forma de representação em nossa sociedade, como o discurso da família tradicional, o discurso feminista, o discurso jurídico.
Quadro 1 - Elementos sociais e linguagens, baseados em Fairclough (2003, p. 24)
ESTRUTURAS SOCIAIS LÍNGUAS
PRÁTICAS SOCIAIS ORDEM DE DISCURSO
EVENTOS SOCIAIS TEXTO
No aspecto de discurso como prática social, que envolveria ‘ordem de discurso’, cabe avaliar a relação do discurso com outros elementos da prática social, como dito anteriormente, observando os aspectos do discurso como gêneros (meio de ação), discursos (meio de representação) e estilos (meios de ser). Ao dividir as funções e correlacioná-las a significados o autor apresenta uma nova possibilidade de análise em relação ao funcionamento da linguagem, repensando o significado da linguagem como ação, representação e identificação.
Segundo van Dijk (2000, 1997), deve-se considerar o aspecto sociocognitivo de enunciação do discurso, pois aspectos contextuais e cognitivos aliados a uma análise discursiva textual de determinados elementos linguísticos propiciam uma reflexão acerca de ideologia e poder. O autor associa ainda poder aos modos de reprodução discursiva, indicando que
Quanto menos poderosa for uma pessoa menor o seu acesso às várias formas de escrita e fala. No fim das contas, os sem-poder “não tem nada para dizer”, literalmente, não têm com quem falar ou precisam ficar em silêncio quando pessoas mais poderosas falam, como no caso das crianças, dos prisioneiros, dos réus e (em algumas culturas, incluindo algumas vezes a nossa) das mulheres. Van Dijk (2008, p. 44)
Segundo Meyer (2005, p. 15), as correntes18 de abordagem da Análise de Discurso Crítica possuem como base a tentativa de tornar explícitas relações de poder que muitas vezes estão escondidas, resultando na legitimação de práticas de exclusão. Essas correntes têm como princípio elucidar problemas sociais relacionadas a poder, buscando debater ideologias, mas o conceito de ideologia entre elas não é o mesmo.
2.2.2. ADC e ideologia
Conforme observa Bessa (2009), o conceito de ideologia é amplo, gerando inúmeras interpretações. O autor destaca a visão de Thompson (1995), ao apresentar a concepção de
conceitos neutros e conceitos críticos, já poderíamos produzir enunciados imbuídos ou não de ideologia sempre dependendo do conceito adotado.
Já Fairclough (trad. 2001, p. 118) faz uma discussão a respeito da relação entre discurso como prática social, ideologia e hegemonia. O autor apresenta o conceito de ideologia tendo por base três aspectos:
1) a ideologia tem existência material nas práticas das instituições, fazendo com que as práticas discursivas sejam percebidas como formas materiais de ideologia;
2) a ideologia passa pelo conceito de sujeito uma vez que a ideologia interfere na ‘constituição de sujeitos’;
3) os ‘aparelhos ideológicos de estado’ são locais e marcos delimitadores na luta de classe social, que apontam para a ‘luta no discurso’, dando origem a uma análise de discurso orientada ideologicamente.
Fairclough (trad. 2001, p. 117) define ideologia como:
significações/construções da realidade (o mundo físico, as relações social, as identidades sociais) que são construídas em várias dimensões das formas/sentidos das práticas discursivas e que contribuem para a produção, a reprodução ou transformação das relações de dominação.
Nesse sentido, o autor indica a existência de uma visão de ideologia ligada à questão de poder unilateral, não neutra, em que todos os discursos19 seriam uma forma de impor uma ideologia dominante. Mas, a visão proposta por Fairclough é a de que os discursos podem ser ideológicos ou não, pois um discurso particular pode ‘reproduzir’ uma ideologia dominante, existindo uma resistência que se configura em uma ‘luta’, podendo produzir uma ‘transformação’.
A noção de ideologia ligada ao poder unilateral provém da proposta de Althusser (1985), considerando e contestando determinados aspectos por Fairclough (trad. 2001). A noção de ideologia ligada ao aspecto de ‘transformação’ foi baseada em trabalhos de Thompson (1995), que apresenta a ideologia como não sendo neutra, ligada a aspectos simbólicos que podem ser ideológicos se relacionados à manutenção do poder, constituindo a representação de uma hegemonia.
Tendo por base as noções de estrutura, evento e prática social, Fairclough (trad. 2001) enfatiza que não podemos fazer uma análise de questões ideológicas observando apenas o aspecto da estrutura social ou do evento, devemos observar a relação entre os elementos sociais, considerando as possibilidades de ‘transformação’.
19 Discursos como forma de representações sociais mais concretas, como discurso religioso, discurso familiar etc.
Observa-se que os discursos ideológicos podem contribuir para uma hegemonia, que, segundo Fairclough (trad. 2001, p. 122), seria “liderança tanto quanto dominação nos domínios econômico, político, cultural e ideológico de uma sociedade”, constituído por um ‘equilíbrio instável’.
A ideologia, desta forma, passa pelo discurso, na medida em que, visto como elemento da prática social e constituinte de uma ‘ordem de discurso’, os discursos contribuem para o estabelecimento de relações ideológicas e para a construção de uma hegemonia.
O autor argumenta ainda que “pode-se considerar uma ordem de discurso como a faceta discursiva do equilíbrio contraditório e instável que constitui uma hegemonia, e a articulação e a rearticulação de ordens de discurso são, consequentemente, um marco delimitador na luta hegemônica” (Fairclough, trad. 2001, p. 123).
2.2.3. ADC e identidades de gênero
Magalhães (2005, p. 185), afirma que, se seguirmos as reflexões propostas, as “identidades são constituídas em uma relação dialética entre discurso e outros elementos da prática social”20.
Tendo por base que as identidades femininas passam pelo processo de identificação coletiva, constituindo uma identidade coletiva, a análise crítica da questão de poder centrado na figura masculina pode servir de indicativo para verificar se ocorre ou não uma mudança social relacionada a questões de gênero. Por meio da análise da intertextualidade e de outros elementos presentes na teoria fairclougheana, pode-se delimitar o fenômeno de transformação societária.
A questão de gênero social relacionado à identidade pode ser observada sob dois prismas, um primeiro considerando que as identidades são construídas por meio de oposições e um segundo em que determinamos o aspecto hibrido das mesmas. Conforme explicitado anteriormente. A presente pesquisa tem como premissa o fato de que o gênero é apresentado como forma de oposição, mas que as figuras pertencentes a cada gênero podem assumir diversos papéis e considerar sua identidade hibrida, por assumir diversas identidades coletivas.
20Minha tradução para : “Such an identity is constituted in a dialectical relation between discourse and other dimensions of social life”.
Dentro da questão de gênero, observa-se uma hegemonia masculina que vem sendo questionada pela figura feminina, principalmente após o surgimento dos movimentos feministas. A questão de ideologia que passa pelo discurso torna-se um elo entre as pesquisa que envolvem identidade de gênero e ADC.
Lazar (2005) faz uma discussão a respeito das questões de gênero e ADC, indicando a instituição de uma Análise de Discurso Crítica feminista, mas constatando que já existe um debate em outras teorias, como a estilística feminista, pragmática feminista e análise da conversação feminista. Discordando um pouco a respeito dessa visão, a Análise de Discurso Crítica como um todo já seria feminista, ao estabelecer que feminismo refere-se a tornar evidente um problema social que afeta parte da sociedade que está submissa.
As identidades passam pelo processo de representação e de agência, que pode ser desempenhada de diversas formas, inclusive por discursos. Por meio da análise discursiva, observam-se elementos de interação entre as pessoas situadas em determinado contexto social. Dessa forma, pode-se analisar as representações que as pessoas fazem de si, as representações que fazem de outras pessoas e as formas de agência observáveis no discurso.
Por meio da proposta da ADC podem-se investigar questões identitárias tendo por base os significados do discurso, considerando que cada significado contribui para uma forma de análise de aspectos identitários, conforme o proposto no quadro 2:
Quadro 2 - ADC e identidades (Dias, 2007)
ADC (SIGNIFICADOS DO DISCURSO) IDENTIDADE