Crist ina Mendes
Resum o
O m undo cont em porâneo, cada vez m ais com pet it ivo e exigent e, const ant em ent e em m udança e com novos desafios, obriga- nos a pensar e a olhar a int eligência de out ra form a. Os m odelos educacionais rapidam ent e t ornam - se obsolet os e o sist em a educat ivo nem sem pre consegue acom panhar as necessidades dos alunos e as exigências do m undo m oderno. Assim , est e art igo pret ende apresent ar um a breve revisão da lit erat ura sobre int eligência, com especial dest aque para a t eoria das I nt eligências Múlt iplas de Howard Gardner e os diferent es inst rum ent os desenvolvidos para avalia- las, procurando assim dest acar a im port ância dest a t eoria para a educação e para a aprendizagem e desenvolvim ent o dos alunos.
Palavras- chave: I nt eligências Múlt iplas, Escola, Com pet ências, Educação.
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Mult iple I nt elligences: a Lit erat ure Review
Crist ina Mendes
Abst ract
The m odern world, each day m ore com pet it ive and dem anding, const ant ly changing and wit h m or e new challenges, requires a new way of looking and t hinking about t he int elligence concept . The educat ional m odels quickly becom e out dat ed and m ost of t he t im es do not answer t o t he st udent ` s needs and t he dem ands of t oday` s world. Therefore, t his art icle aim s t o briefly explore t he lit erat ure about int elligence, focusing on t he Mult iple I nt elligences t heory by Howard Gardner and t he different t est s developed t o m easure t hem and as a result em phasize t he im port ance of t his t heory for t he Educat ion Syst em and for t he st udent s` learning and developm ent .
47 I nt rodução
A int eligência foi encarada e m edida durant e m uit os anos unicam ent e at ravés das capacidades cognit ivas dos indivíduos, pelo que est ava consignada apenas às capacidades ensinadas nas escolas. Apenas há relat ivam ent e poucos anos, alguns aut ores com eçaram a colocar em causa est a ideia, defendendo que a int eligência engloba m uit o m ais, pois o ser hum ano é m uit o m ais do que aquilo que com preendem os. Logo, é essencial com preender com o é que aprendem os e o que podem os fazer para pot encializar as nossas capacidades. E proporcionarm os um a m elhor educação às nossas crianças.
Apesar de verificar- se que cada vez m ais pessoas concordam com est a ideia, não t êm sido t om adas m edidas para que a escola at ual aproxim e- se da m esm a e a educação responda às necessidades dos alunos. Cont udo, há que dest acar o t rabalho dos professor es, provavelm ent e as pessoas que m ais se apercebem dest a realidade e procuram realizar o seu t rabalho nest e sent ido, sem eles, a educação est aria m uit o m ais com prom et ida.
Em sum a, o est udo da int eligência t em suscit ado vast o debat e ent re os especialist as, enquant o alguns acredit am que a int eligência possui um único fat or, out ros acr edit am que est a é com post a por um a m ult iplicidade dest es. Ent re eles, encont ra- se o psicólogo am ericano Howard Gardner da Universidade de Harvard, nos Est ados Unidos da Am érica, que desenvolveu a t eoria das I nt eligências Múlt iplas. Assim ,
48 após explanar alguns conceit os- base em t orno na int eligência e da sua avaliação, o present e art igo apresent a a t eoria das int eligências m últ iplas e alguns est udos int ernacionais associados à m esm a.
Em Torno Do Conceit o De I nt eligência
O est udo da int eligência rem ont a a Wilhelm Wundt e aos seus est udos no Laborat ório de Psicologia Experim ent al de Leipzig ( Alm eida, 1992; Candeias & Alm eida, 2007) . Cont udo, os prim eiros est udos sist em at izados dest e const ruct o são at ribuídos a Sir Francis Galt on ( Alm eida, 1992; 2002) , que definiu a int eligência em t erm os de energia
e sensibilidade aos est ím ulos físicos ( Franco, 2007, p.57) , e foi dos
prim eiros aut ores a t er em cont a as diferenças individuais e a valor izar o fat or heredit ário dest as ( Schult z & Schult z, 2007) .
As suas ideias foram levadas par a os Est ados Unidos da Am érica por Jam es McKeen Cat t ell ( Alm eida, 2002) , que desenvolveu um conj unt o de t est es para m edir a int eligência, cunhando assim a designação t est e m ent al. Nest a linha de pensam ent o, Karl Pearson desenvolveu o coeficient e de correlação, que perm it e calcular com o os result ados variam em relação uns aos out ros ( Franco, 2007) .
Porém , foi em 1905 que Alfred Binet e Théodore Sim on criaram o prim eiro inst rum ent o verdadeiram ent e psicológico que perm it ia m edir a int eligência: a Escala de I nt eligência de Binet - Sim on ( Alm eida, 1992; 2002; Franco, 2007; Schult z & Schult z, 2007) m as, um a vez que est e concent rava- se nas funções cognit ivas, acabou por associar a
49 int eligência às capacidades escolares dos indivíduos, o que m arcou fort em ent e a form a com o os invest igadores consideravam a int eligência m as perm it iu a int rodução da idade m ent al originando a t radição psicom ét rica, que perm it iu a m edida e quant ificação da int eligência, e at ribui ao suj eit o um papel at ivo no desenvolvim ent o da sua int eligência ( Franco, 2007) .
A Escala de I nt eligência de Binet - Sim on foi t raduzida por Henry Goddard, em 1908, do francês para o inglês e adapt ada, em 1916, por Lewis Term an, passando a ser conhecida por Escala St anford- Binet ( Alm eida, 2002; Schult z & Schult z, 2007) . Term an foi a prim eira pessoa a ut ilizar o Quocient e de I nt eligência ( QI ) , proporção ent re a idade m ent al e a idade cronológica, desenvolvido por William St ern, para cot ar os result ados. Em 1939, David Wechsler desenvolveu o prim eiro t est e de int eligência a incluir t est es não- verbais. As Escalas
de I nt eligência de Wechsler acabaram por t onar- se o m ais popular e
m ais ut ilizado t est e de int eligência ( Alm eida, 2002; Franco, 2007) . Enquant o Charles Spearm an defende a exist ência de um fat or geral de int eligência, denom inado de G ( Akbari & Hosseini, 2008) , o qual t eria um a origem biológica e seria inat o ( Franco, 2007) , nos EUA, alguns psicólogos acredit avam que a int eligência englobava um conj unt o de diversos fat ores, relat ivam ent e independent es ent re si. Ent re est es encont ram - se Louis Leon Thurst one, o qual delineou 7 apt idões prim árias: com preensão verbal, fluência verbal, apt idão num ér ica, apt idão espacial, raciocínio, velocidade percet iva e m em ór ia. Já Joy
50 Paul Guilford incluiu a criat ividade e o com port am ent o no est udo da
int eligência, bem com o a sua aplicação prát ica ( Alm eida, 2002; Franco,
2007) .
Est as t eorias são conciliadas por Philip Vernon e Raym ond Cat tel. Vernon encara o fat or G com o o fat or que est á na base de t odos os out ros, coordenando- os ( Franco, 2007) . Cat t el defende t am bém um a t eoria hierárquica da int eligência, m as percebe o fat or G com o de segunda ordem , que pode ser subdividido em int eligência fluída e crist alizada ( Fonseca, 2006) .
Por out ro lado, Jean Piaget concent ra- se sobret udo no est udo do raciocínio realizado pelas cr ianças e o seu m ét odo clínico consist e em t arefas que t êm de ser desem penhadas ( Franco, 2007) . A sua t eoria dá grande ênfase à experiência e à m at uração, dest acando o papel at ivo da criança na const rução do seu próprio conhecim ent o. É da int eração dest a com o m eio am bient e que desenvolve- se a int eligência, at ravés dos processos de assim ilação, acom odação e equilibr ação ( Piaget , 1972a) .
Segundo est e aut or o desenvolvim ent o da int eligência ocorreria, em t odas as crianças, at ravés de um a sequência de est ádios invariáveis e cont ínuos: sensório- m ot or ( dos 0 aos 2 anos) , pré- operat ório ou
int uit ivo ( dos 2 aos 7 anos) , oper ações concret as ou operat ório ( dos 7
aos 12 anos) e operações form ais ( a part ir dos 12 anos) . A velocidade de desenvolvim ent o varia ent re crianças e am bient e cult ural, pelo que as idades propost as são apenas est im at ivas ( Piaget , 1972b) .
51 Nest a linha surgiu ainda a corrent e cognit iva, a qual pret ende com preender com o as pessoas ut ilizam os seus conhecim ent os, ou sej a na aplicação à prát ica, com o o ensino e a const rução de program as de prom oção cognit iva. No ent ant o, t odas est as t eorias levant am problem as idênt icos, nom eadam ent e: o fact o de não explicarem a criat ividade, est udarem apenas a int eligência lógico- m at em át ica e não serem aplicáveis a t odos os indivíduos ( Franco, 2007) .