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3.1. Gülmecelerin Önemi ve Eğitimdeki Yeri

3.1.2. Gülmeceler ve Eğitimdeki Yeri

Alexandre Machado de Sá – presidente da Abragames (2013-2015). Entrevista realizada pessoalmente dia 04/07/2015

A primeira pergunta é uma contextualização da sua trajetória na Abragames na diretoria, quando você entrou e qual a situação que você encontrou no momento.

Encontrei uma diretoria que vinha focando em outras coisas no começo de 2013. O foco da Abragames tinha sido outro, mais para atrair outros associados, acho que principalmente esse. Era uma outra gestão e na minha gestão eu quis trazer um pouco da minha experiência do audiovisual e criar a pauta dos investimentos públicos, da regulamentação do setor, compreender como Estado poderia colaborar para o mercado se desenvolver, não só fomentando, mas também regulando, tentando entender o funcionamento dele, que é um mercado grande e pela correlação com o audiovisual que eu já identificava de fora. Então eu acho que na minha gestão eu tentei imprimir essa visão e tem sido a principal pauta desde então e tem surtido bons efeitos, como editais da prefeitura a regulamentação que vai ser estudada pela Ancine, a possibilidade de existir um fundo setorial para jogos e assim por diante.

Uma das situações que aconteceu anterior a sua gestão foi uma certa lacuna representativa junto aos órgãos governamentais em relação ao setor de games. A Abragames não aparecia tanto, não tinha tanta evidência em ambientes de debate, ambientes estes que acabaram sendo assumidos a representatividade por uma outra associação, a ACIGames, que acabou se tornando, em algumas dessas arenas públicas, uma porta voz do setor. Ela trouxe consigo seus discursos, que vêm com um posicionamento um pouco diferente do da Abragames. Diante disso eu queria saber como é a relação da Abragames com a ACIGames, no sentido de dialogar entre as associações de acordo com as suas agendas, com as suas metas, com as suas demandas e como vocês estruturam isso em conjunto ou não, caso vocês não consigam estabelecer esse diálogo.

Eu posso falar da minha gestão, eu não sei o porquê se estava ou não estava afastado e o aparecimento da ACIGames. É natural que exista mais de uma associação. Associações devem existir. Existem perspectivas diferentes, o cinema tem mais de 50 associações, todas elas conversam e cada uma vai falar de um ponto de vista. Os roteiristas falam de uma coisa, os diretores de fotografia vão ver outro problema e assim por diante. Eu acho que isso é o que cria a visão global do assunto para que a comunicação com o Estado seja feita da melhor forma possível. Então, é importante entender qual é a vocação da ACIGames, não sei qual é, do meu ponto de vista, mas não é a de desenvolvedor. A Abragames olha o mercado a partir do viés do desenvolvedor brasileiro. Não estamos olhando pelo distribuidor, pelos gamers, pelos jogadores, enfim. O nosso foco é o desenvolvimento local de jogos, do ponto de vista econômico. É uma associação de empresas, não de pessoas. Então, a partir disso, temos a missão de melhorar o cenário brasileiro para atingir o mercado internacional,

para que as empresas brasileiras consigam de desenvolver da melhor forma possível. Dentro dessa missão, é assim que a gente se comunica com o Estado. É óbvio que como somos desenvolvedores brasileiros nosso foco está ligado à cultura brasileira, à identidade brasileira, e por isso que, em alguns2ministérios, a gente acaba representando a produção de jogos nacional. Não sei quais são os setores que a ACIGames coloca como a única voz, mas eu acho que é aí que está o equívoco. Eunão acho que tem a única voz, eu acho que cada um tem que dar sua voz, ela tem que mostrara perspectiva dela, justifica quais são os associados e caminhar mostrando um outro ponto de vista.

Agora quanto à atuação da Abragames junto às instâncias governamentais. Você já falou agora da perspectiva de você trazer a questão do audiovisual, principalmente numa articulação junto com a Ancine, junto com a Secretaria do Audiovisual, mas que outros espaços vocês têm conversado com o governo e como tem sido essas conversas?

Eu tenho presidido essas pautas, outros diretores tem cuidado de outras pautas. Muitas delas são locais, outras são ligadas a outros ministérios, Ministério da Tecnologia, Ministério da Comunicação. O que eu identifiquei para essa gestão é que a gente entender o jogo como cultura, como conteúdo era importante, nos daria visibilidade e é por isso que existe uma certa vocação para esta gestão para cuidar desse setor, não em detrimento de outros setores, mas o trabalho para conseguir dentro do audiovisual e dentro da cultura, colocar tudo junto e ter o mesmo discurso já é imenso. É claro que temos ainda que trazer o Ministério das Comunicações e Tecnologia e tudo para o mesmo balaio, mas são outras partes do mesmo assunto. Acho quedo ponto de vista do conteúdo é Ministério da Cultura e Comunicação.

A gente sabe que a questão de articulação política é um caminho tortuoso e o setor de games é um setor novo, em relação a outros setores da economia criativa, e ainda existe resistência. Como vocês estão fazendo para permitir o entendimento dos setores públicos do que é o game e que tipo de resistência você ainda está encontrando para que eles entendam o que é o game e quais são as demandas desse setor?

Eu não tenho mais resistência, confesso que as coisas têm sido fáceis, eu não preciso explicar a importância dos jogos. Talvez houvesse uma resistência cultural, mas ironicamente a pujança econômica acabou com essa resistência cultural. Então isso é passado, o governo já sabe da importância dos jogos do ponto de vista de formação de identidade nacional, de cultura, de presença no cotidiano do brasileiro e econômico, então não preciso convencer ninguém, eles já sabem que isso é importante. Agora é só argumentar e mostrar os caminhos.

Uma questão muito particular: você entrou na Abragames, sua gestão começou no momento quase análogo àquela afirmação da Marta Suplicy de que game não é cultura e era a arena que você mais estava buscando articular as políticas para o setor. Como foi gerenciar essa questão da então ministra da Cultura deve feito essa afirmação?

Foi uma declaração infeliz. A gente precisa ser justo com a Marta, ela retornou nessa declaração, acabou apoiando a gente. Foi num momento específico do Vale Cultura, uma pergunta feita em um momento acalorado sobre quais produtos poderiam ser consumidos com o Vale Cultura. Eu3respondi formalmente para o Ministério da Cultura, inclusive citando o Ministro Gil, que tinha feito a primeira declaração de que jogo é cultura sim, numa das falas mais felizes dele, pelo menos para a nossa área. Mas sendo justo com o que foi o ministério da Marta, ela retomou isso. É que isso acabou ganhando espaço mais do que deveria. Então acho que a gente não pode ficar olhando para isso, ela fez muita coisa por nós e a gente retomou isso com facilidade. Decerta forma, foi essa declaração que nos aproximou deles quando a gente mandou aquela carta educada, explicando que ali havia um equívoco. Foi exatamente na troca de gestão e ela não tava a par do que havia caminhado em relação aos games dentro do Ministério da Cultura. Aquele ministério já havia promovido uma série de benefícios para o setor que a gente não pode esquecer.

Então, em relação à gestão anterior, da Ana de Hollanda, houve avanços dentro do Ministério. Você consegue identificar que avanços foram esses?

Eu não era presidente da Abragames na época da gestão da Ana de Hollanda, mas tão logo a Marta assumiu a coisas andaram com mais rapidez e agora com o Juca, as coisas andam com maior rapidez ainda, até pelo envolvimento que ele tem com games. Eu, pessoalmente, sou fã do Juca Ferreira e acho que as coisas vão andar com maior facilidade agora.

Para fechar essa conversa, como você acha que o assunto do game está imergindo com muita eficiência dentro do governo, só que ainda falta uma ponta que ainda não foi identificada que é a presença do Legislativo nas arenas de discussão. A única que existiu foi aquela audiência pública, que teve naquela comissão de ciência e tecnologia. Como está o diálogo com esses deputados que podem levar, por exemplo, o tal artigo 3B para votação? Como essa relação está se estabelecendo? Esse é o salto mais difícil, que é lidar com o Legislativo.

Precisa de tempo, precisa de visitas constantes, encontrar um deputado que abrace a causa. Já existem uns dois ou três que eu acho que vão poder nos ajudar. Mas eu acredito que é um caminho que vai acontecer naturalmente.

Então você acha que existe uma abertura em alguns espaços do Legislativo para que esse diálogo seja estabelecido?

Existe o diálogo, mas a gente precisa lembrar o que é o Legislativo no Brasil e qual vai ser a importância dessa pauta e quanto tempo ela levaria. Tudo é uma questão da gente conseguir fazer com que aquilo ganhe um impacto social, que faz com que as pessoas se motivem. A gente precisa muito do apoio da sociedade pra que isso ande.

Então, nesse momento, é possível dizer que dentro das esferas do governo federal não há mais resistência para se discutir profundamente o tema de jogos digitais e o próximo passo dessa discussão dentro das esferas públicas é o Legislativo?

Sim. Só para dar um exemplo, a Abragames acabou de ir junto com uma missão da vice presidência para Portugal e Espanha, que era uma missão de tecnologia, e games era uma pauta na missão. Isso já foi identificado pelo governo. Um mercado que movimento 85 bilhões de dólares por ano não precisa explicar muito que ele é importante.

7.4 Entrevista Nº 4 – Fred Vasconcelos & Juliano Alves ABRAGAMES

Benzer Belgeler