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4. KÜLTÜREL İŞLEMLER

4.2. Gübreleme

Pesquisa no Congresso Nacional acusa o que se informa neste trabalho. Projetos de Emenda Constitucional relativos às Medidas Provisórias.

ANO PEC EMENTA SENADOR

2003 SF PEC 69/2003 de 2/9/2003

Altera o § 1º, do artigo 62, da Constituição Federal, para vedar

a edição de medida provisória referente a matéria objeto de

veto rejeitado na mesma legislatura.

Rodolpho Tourinho

2004 SF PEC 14/2004 de 29/3/2004

Inclui novo parágrafo ao artigo 62, da Constituição Federal,

para prever que lei complementar fixe os pressupostos de urgência para

medidas provisórias.

Rodolpho Tourinho

2004 SF PEC 21/2004 de 27/4/2004

Altera o artigo 62, da Constituição Federal, para estabelecer nova sistemática de

edição de medidas provisórias pelo Presidente da República, com concessão de eficácia e

força de lei pela Mesa do Congresso Nacional.

Hélio Costa

2004 SF PEC 32/2004 de 25/5/2004

Dá nova redação ao art. 62, da Constituição Federal, que

dispõe sobre a edição de medidas provisórias.

Marcelo Crivella

2004 SF PEC 35/2004 de 9/6/2004

Altera o artigo 62, da Constituição Federal, para acrescentar-lhe o § 13, na forma

que especifica. (Dispõe sobre a edição de Medidas Provisórias).

Paulo Paim

2004 SF PEC 45/2004 de 24/8/2004

Altera o artigo 62, § 1º, I, da Constituição Federal, que dispõe sobre as vedações à edição de medidas provisórias.

Renan Calheiros

2004 SF PEC 47/2004 de 17/9/2004

Altera a Constituição Federal para extinguir o instituto da

medida provisória.

Papaléo Paes

2004 SF PEC 56/2004 de 16/11/2004

Altera o art. 62, da Constituição Federal. (Alterar o processo de

votação e tramitação das Medidas Provisórias).

Eduardo Azeredo

2006 SF PEC 11/2006 de 21/2/2006

Dá nova redação ao caput do art. 62, da Constituição Federal,

para limitar a dez o número anual de medidas provisórias que o Presidente da República

poderá adotar.

José Jorge

Fonte: Autoria do próprio autor desta dissertação. Conclusão

Nenhum desses projetos externa preocupação com a questão da regulamentação das relações jurídicas originárias nas medidas provisórias que perderam eficácia.

Do cotejo desses elementos com outros já referidos neste trabalho que acusam a existência de apenas 5 decretos legislativos, para regulação de medidas provisórias que perderam a eficácia, seja por rejeição ou por decurso de prazo, desde a promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil que as instituiu entre nós, resulta irrefutável que de fato não existe preocupação com essa questão e que a sociedade e os seus representantes não exprimem dar importância ao mandado do § 3º, do artigo 62, da Constituição, que dispõe sobre caber ao Congresso Nacional por via do decreto legislativo disciplinar as relações jurídicas decorrentes da medida provisória que perdeu eficácia.

2007 SF PEC 3/2007 de 6/2/2007

Acrescenta inciso V ao § 1º, do art. 62, da Constituição Federal,

para vedar a edição da medida provisória sobre matéria objeto de projeto de lei em tramitação

no Congresso Nacional.

César Borges

2007 SF PEC 11/2007 de 1/3/2007

Altera o § 9º, do art. 62, da Constituição Federal, para estabelecer que as medidas provisórias serão despachadas,

pela Mesa de cada uma das Casas, à comissão permanente

com a qual tenham maior pertinência temática.

Expedito Júnior

2007 SF PEC 78/2007 de 22/8/2007

Altera o art. 62, da Constituição Federal, para disciplinar a

edição de medidas provisórias. Marcelo Crivella

2008 SF PEC 25/2008 de 18/6/2008

Altera a redação do § 6º, do art. 62, da Constituição Federal, para evitar o sobrestamento de

deliberações legislativas da Casa em que estiver tramitando

a medida provisória.

Osmar Dias

2008 SF PEC 45/2008 de 10/12/2008

Acrescenta inciso ao art. 85, da Constituição Federal, que trata dos crimes de responsabilidade

do Presidente da República, e dá nova redação ao § 3º, do art.

167, que permite edição de Medida Provisória para abertura

de crédito extraordinário.

Este trabalho inspira-se em Paulo de Barros Carvalho, para sugerir a solução do problema:

Uma análise mais apressada da parte final do parágrafo único do art. 62212 sugere que, rejeitada a medida provisória, esta há de perder sua eficácia, a contar da publicação (efeito “ex tunc”), movimentando-se o Congresso Nacional para o fim de disciplinar as relações jurídicas delas decorrentes. Quem se ativer à leitura pura e simples do texto dificilmente deixará de entender que cabe ao Poder Legislativo regrar as situações jurídicas remanescentes, sempre que a proposta for rejeitada. Contudo, meditação mais atenta demonstrará logo que, havendo a perda de eficácia, contada da sua entrada em vigor, os efeitos da medida serão desfeitos. Isso naturalmente, com relação àqueles que suportarem o desfazimento, posto que os já consumados ganham definitividade, podendo, quando muito, estudar-se a composição dos danos porventura verificados. Se assim é considerando-se que tais situações fogem por completo dos esquadros genéricos da previsão legislativa, em vista da extraordinária gama de eventos que podem assumir tal condição de imutabilidade jurídica, o remédio apropriado será invocar-se a prestação jurisdicional do Estado para que, mediante a expedição de normas „individuais e concretas‟, o Poder Judiciário atenda às peculiaridades de cada caso, fazendo incidir o direito positivo nos variados tipos de concreção factual insusceptíveis de desfazimento. Tomemos o exemplo de alguém que se viu privado da liberdade, por virtude da aplicação da regra contida em medida provisória que não logrou aprovação (expressa ou tácita) pelo Parlamento. De evidência que a violação de seu direito à liberdade consolidou-se, de tal modo que a desconstituição do ato se tornou impossível. Cumpre ao prejudicado, em face da lesão de seu direito individual, buscar decisão judiciária que, não podendo recompor a situação anterior, determine a reparação do dano efetivamente praticado. Mas, convenhamos, isso dista de ser função do Poder Legislativo, mesmo porque, como já foi dito, os acontecimentos dessa natureza revestem-se de múltiplas e imprevisíveis colaborações existenciais, reclamando grau de especificidade que só o judiciário pode oferecer.

Mais e mais, cometida atribuição desse tope ao Legislativo, ficaria ele entretido com assuntos que julgou irrelevantes, inoportunos ou incompatíveis, representando autêntica violência contra esse Poder da República compeli-lo a restaurar a ordem jurídica arranhada por expedientes utilizados com açodo ou imprevisão pelo Executivo. Sua missão constitucional está bem longe de ser esta.213

De fato, o Professor Paulo de Barros Carvalho parece ter razão. A solução jurídica e constitucional de sorte a evitar o mal maior que é a regulação de relações jurídicas em definitivo por instrumentos que não sejam lei, material e formalmente falando, é que a composição da situação daqueles afetados por perda de eficácia de

212Continua válido o raciocínio em face da atual redação do artigo 62, da Constituição da República Federativa do Brasil, com sua alteração pela Emenda Constitucional nº 32, de 11 de setembro de 2001.

213CARVALHO, Paulo de Barros. Medidas Provisórias. Revista de Direito Público, São Paulo, n. 97, ano 24, p. 38-39, jan./mar. 1991.

medida provisória seja acertada pelo Poder Judiciário, de maneira até mesmo mais justa e inclusive no campo da responsabilidade civil objetiva do Estado.

Lamentavelmente, de maneira tácita, tanto o Congresso como a sociedade, é o que mostram as estatísticas, não se incomodam em permitir que medidas provisórias que perderam a eficácia continuem a viger, eis que há reiterada omissão do Congresso Nacional quanto a editar o decreto legislativo para o regramento das situações pendentes em consequência da perda de suas vigências, enquanto elas vigeram precariamente.

De outro bordo, a continuidade de vigência de medidas provisórias sem eficácia por tempo indefinido e vigência permanente, como se dá na hipótese do § 11, do artigo 62, da Constituição da República Federativa do Brasil, na medida em que consagra uma inconstitucionalidade, perde em favor da ideia de deixar em mãos do Judiciário decidir sobre o que acontece com as relações jurídicas ocorrentes no período de vigor de medidas provisórias que perderam vigência, porque isso é de acordo com a estrutura geral da Constituição Brasileira de 5 de outubro de 1988, apelidada com Justiça, Constituição Cidadã.

CONCLUSÃO

A primeira conclusão que se extrai deste trabalho é a de que o nome técnico do instituto jurídico com os contornos da medida provisória no Direito Europeu é o de Decreto-lei.

No que tange aos requisitos de habilitação dessa figura normativa, a condição que os identifica de relevância e urgência, com pertinência à medida provisória propriamente dita e de necessidade e urgência com relação ao Decreto-lei italiano ou de urgência ou interesse público relevante, em face do Decreto-lei brasileiro, nas Constituições brasileiras de 1967 e 1969, entende-se que essa variação de pressupostos, não obstante digressões jurídicas em suas verificações, para conclusão da oportunidade de edição da medida, em verdade, é um circunlóquio.

A condição de habilitação do legislador para editar uma medida provisória sob a ótica da doutrina emana de situação típica que pode ser identificada nas diretrizes consignadas em definição do saudoso Geraldo Ataliba, que bem exprime o requisito básico para a edição desta legislação especialíssima:

Para que se realize a hipótese de cabimento do decreto-lei [leia-se assim medida provisória] e que, portanto, se verifique o pressuposto de competência presidencial para expedi-lo, é necessário que surja uma situação imprevisível, configurando uma emergência exigente de providência normativa imediata. Vale dizer: que irrompa subitamente o estado de premência requerendo disciplina instantânea.214

Contextualizadas essas circunstâncias, destrava-se, em senso doutrinário, a autorização permissiva da atuação do titular do Poder Executivo em legislar pela medida provisória, já como demonstrado, em cenário que não seja o que enseje o estado de emergência ou o estado de sítio.

Essa conclusão à vista desta pesquisa é bastante plausível, na medida em que resta evidente que, por seus contornos e aprofundamentos, se torna impossível entender que a compreensão do Decreto-lei em parâmetro de similaridade com a medida provisória signifique uma equiparação dela ao Decreto-lei das Constituições

214ATALIBA, Geraldo. O decreto-lei na Constituição de 1967. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1967. p. 183.

de 1969 e 1967, muito embora haja quem considere a medida provisória um sucedâneo do Decreto-lei, o que obviamente não é a conclusão deste aluno.

Outra questão que merece destaque, esta já refutada no bojo deste estudo, é a relativa ao regulamento autônomo, em que pesem as doutas opiniões de Hely Lopes Meirelles e Eros Roberto Grau, referidas no trabalho e admitentes do regulamento autônomo no Direito brasileiro, e não obstante atualmente a já apontada atuação do Conselho Nacional de Justiça215, a qual se caracteriza por uma atuação de disciplina da Magistratura brasileira por meio de regulamentos, estes com nítidas características de lei em senso material.

Assim importa reiterar que a conclusão deste estudo é a de que somente a lei pode inovar a ordem jurídica, revogando as disposições conflitantes dentro da estrutura da Constituição, a parafrasear o entendimento já referido no trabalho do saudoso Osvaldo Aranha Bandeira de Melo, mencionado pelo não menos querido e igualmente saudoso Professor Celso Bastos.

Este estudo conclui pela constitucionalidade da medida provisória, não apenas pela literalidade da disposição constitucional, mas, substancialmente, por sua circunstancialização no texto e contexto da Constituição da República Federativa do Brasil, de 5 de outubro de 1988, com os quais ela é absolutamente compatível e consentânea.

Tanto não bastasse, destaca-se a natureza de liceidade constitucional que ostenta esse instrumento nos parâmetros do constitucionalismo europeu.

Trata-se, é o que se conclui, a medida provisória de um instrumento legislativo necessário à disposição do Poder, para a solução de questões

215O Jornal O Estado de São Paulo, de 21 de fevereiro de 2010, noticia CNJ manda vender bens apreendidos pela Justiça, referindo-se à autorização que este Conselho baixou para autorizar a venda de bens apreendidos em consequência de diligências policiais existentes em processos respectivos, com a seguinte especificação noticiosa: A recomendação leva em conta a conveniência e, sobretudo, a urgência na deliberação pelos juízes „em face da necessidade de administração dos bens apreendidos e que, sem prejuízo das determinações próximas ou futuras, estão sob a responsabilidade material administrativa do Judiciário‟. Os juízes, desde a data da efetiva apreensão, terão que manter „ rigoroso acompanhamento do estado da coisa ou bem, diretamente ou por depositário formalmente para isso designado sob responsabilidade‟. Este estudo não compartilha da estrita legalidade do procedimento e reitera sua opinião contrária ao regulamento autônomo, em que pese reitere-se pensamentos contrários que concretizam por regulamentos, procedimentos e ações que somente poderiam dar-se por via de lei, como este agravo referido do Conselho Nacional de Justiça.

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