3. MATERYAL VE YÖNTEM
3.1 Gözlemsel Veri
Como último critério de análise foi efetuado o cruzamento dos três principais mapas24 que demonstram a classificação final relacionada aos três pilares desta pesquisa, o saneamento, as práticas sociais e a saúde coletiva. O resultado deste cruzamento encontra-se no mapa 19 que elucida o cenário geral do processo ambiente-saneamento-saúde na área de estudo.
Mapa 19: Cruzamento dos Resultados Sobre Práticas Sociais, Doenças e Saneamento
Fonte: Banco de dados da autora, 2014.
A hipótese lançada neste estudo tem a expectativa de que as práticas sociais sanitárias, junto às condições de infraestrutura de saneamento, sejam determinantes para um ambiente salubre e, consequentemente, para uma população mais saudável. Entretanto, os resultados desta pesquisa não corroboram plenamente com esta perspectiva. O bairro de Caetés III que, conforme já foi visto, apresentou a
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melhor infraestrutura de saneamento e práticas sociais relativamente melhores, todavia, registrou um elevado índice de disseminação de doenças, quando o esperado seria que este bairro apresentasse as menores incidências no campo das doenças, inclusive em comparação com os bairros que revelaram infraestrutura de saneamento menos adequada.
Em relação ao bairro do Centro, novamente não foi encontrada a situação esperada. Embora provido de uma infraestrutura de saneamento longe do ideal e, em relação a Caetés III, mais deficitário, apresentou práticas sociais sanitárias um pouco mais adequadas em relação ao Fosfato e ao Planalto, por exemplo. Por esta razão, aqui, também se esperava que estas condições refletissem numa incidência de doenças menor quando comparada aos bairros que apresentaram situações mais delicadas. Porém, o que se observou, foi um quadro de enfermidades mais elevado do que o esperado, ou seja, mais que o observado no Fosfato e Planalto.
Além dessas análises voltadas ao quadro sanitário, é importante lembrar que, na caracterização do perfil socioeconômico, os bairros de Caetés III e Centro também apresentaram os melhores índices para escolaridade e renda. Esta condição pode ter refletido nas práticas sociais sanitárias, pois estes bairros que apresentaram melhores níveis escolares e de rendas também apresentaram práticas sanitárias melhor classificadas, entretanto, a diferença entre estes e os bairros do Fosfato e do Planalto foram muito menores que o esperado.
Já estes dois últimos, surpreenderam este estudo de forma positiva, pois, apesar de não registrarem indicadores satisfatórios para saneamento, bem como, para suas práticas sociais sanitárias, surgem como os bairros que anotaram as menores ocorrências de enfermidades. Ou seja, não apresentam as melhores condições ambientais, mas detém os melhores índices relacionados à presença de doenças associadas a aspectos sanitários.
Assim, pode-se afirmar que, os resultados encontrados nesta pesquisa, não confirmam o que se esperava pela hipótese desta, o problema revelou-se ser mais complexo do que a forma como aqui tentou-se acercar. Os espaços onde se acreditava que seriam encontrados os ambientes mais salutares, resultando em melhores condições de saúde para a população, não responderam desta forma. Embora se saiba que a saúde não se constitui apenas pela ausência de doenças no corpo do indivíduo, esta se mostra como valioso indicativo para se chegar ao entendimento da real situação de saúde do ser humano.
Em busca da compreensão deste cenário podem ser necessárias algumas considerações a partir de outras perspectivas. Primeiramente, as condições a que está submetida a sociedade, devem ser analisadas também pela ótica da flexibilidade que as pessoas dispõem para se adaptarem às situações adversas inerentes ao seu ambiente mitigando as deficiências do status quo.
A abordagem das dinâmicas sociais pode requerer uma atenção maior à articulação entre o social e o cultural. Além disto, também é importante que seja explorada a relação dialética que se estabelece, na construção das realidades sociais, entre as determinações de caráter estrutural e coletivo e o papel inovador das atuações individuais – representando outro desafio científico, Gerhardt (2003).
É possível que, mesmo sendo parte de um ambiente que oferece condições desfavoráveis ao pleno desenvolvimento, as pessoas consigam criar mecanismos que permitam uma interação reestruturadora de um equilíbrio entre o corpo do individuo e o meio, promovendo uma situação diferenciada no processo saúde- doença. Ou seja, a explicação pode estar situada na capacidade dos indivíduos em formular estratégias de enfrentamento de seus problemas cotidianos e de suas necessidades básicas.
Em segundo lugar, pode ser considerado que na coleta dos dados primários, informações sobre ocorrência de enfermidades possam ter sido omitidas (principalmente nos bairros em que houve diferenças em relação aos dados secundários), pois a forma como alguns entrevistados respondiam que ‘ninguém da
casa nunca teve diarreia’, denotava certo constrangimento em admitir a ocorrência
da doença entre seus domiciliares, embora a diarreia seja uma doença de fácil transmissão, e alta incidência.
Por último e, não menos importante, quando se observa a incidência de doenças nos bairros, nota-se que a maior discrepância ocorre nos casos de dengue. Enquanto as demais doenças apresentam valores relativamente equitativos, a incidência de dengue nos bairros de Caetés III e Centro é bem maior. Assim, a dengue seria responsável pelo agravamento da situação dos referidos bairros no mapa final. Sobre esta questão, já foi abordado nesta pesquisa, sobre a maior suscetibilidade à dengue de bairros com melhores condições socioeconômicas, devido a existência de práticas peculiares como por exemplo o cultivo de plantas em recipientes que armazenam água e uma maior quantidade de residências com
piscinas, que muitas vezes se configuram como condições favoráveis à proliferação do mosquito transmissor.