4.3 Gövde ve kökün makro besin elementleri
4.3.1 Gövde ve kökün kalsiyum konsantrasyonu ve kalsiyum alımı
Anterior à chegada dos europeus, os indígenas com sua característica nômade ocupavam toda a faixa litorânea brasileira. Segundo Petrone (1966), o Vale do Ribeira foi
“uma área de passagem para os ameríndios que desciam, no inverno, do planalto para o
litoral paulista em busca de pesca, sendo habitada permanentemente por contingentes pouco
numerosos” (PETRONE, 1966, p. 69). Não se sabe ao certo, por não haver registros
escritos ou muitos indícios, a forma de agricultura praticada por essas populações, onde, seguindo as palavras do pesquisador, deviam ter uma característica de coleta e caça, porém com alguma agricultura rudimentar.
Sabe-se que com a chegada da colonização e a vinda de escravos com ela, se estabelece uma relação entre os indígenas e parte desse contingente onde, apesar da repressão sobre os nativos por uma parte, haverá uma mistura em outra, onde muitas das práticas agrícolas e de caça, culinária, parte do linguajar local, como o nome de rios, plantas e animais e posteriormente de vários municípios (como Pariquera-Açú, Apiaí, Cananéia e etc.) são incorporados e/ou adaptados e são até hoje utilizados.
Para Giacomini (2010),
[...] os povos indígenas tiveram forte influência nas comunidades negras no Vale do Ribeira, por terem deixado um legado cultural, um arsenal de adaptações técnicas, organizativas, e comunicativas provenientes das culturas tupi-guaranis, que foram apropriadas e redefinidas pelas populações negras e ribeirinhas em São Paulo. (GIACOMINI, 2010, p. 94).
Na questão da agricultura, a principal técnica que passa a ser utilizada era a da coivara, onde cabe destacar a introdução de variedades exóticas neste movimento de troca. A adaptação e complexidade desta técnica marcam tanto a cultura e o modo de vida local que até hoje ainda é utilizada pelas comunidades e até recentemente (década de 1990) por camponeses, fato que será debatido mais a frente. O modo de vida da população que se estabelece no local era baseado, além destes cultivos de subsistência, na caça e na pesca ao longo do rio e seus afluentes.
Esta técnica da coivara também será chamada por Mazoyer (2010) como sistema de cultivo de derrubada-queimada que desde a Era Neolítica é praticada por povos que habitam regiões florestadas. Ela se baseia no corte e derrubada de árvores, onde posteriormente é colocado o fogo e a agricultura é praticada por um, dois ou até três ciclos produtivos entre os tocos e troncos de árvores que após esses cultivos é abandonada por décadas, dependendo da dinâmica populacional local. O autor associa a crise e inviabilidade dessa forma de agricultura de acordo com o acúmulo populacional a ser
abastecido pelos alimentos da coivara, visto ela não utilizar todo o potencial produtivo da área por conta dos troncos e restos das árvores cortadas que ficam no período de cultivo.
Outro destaque que cabe é a forma de trabalho, na maioria das vezes a derrubada e queimada é coletiva, onde posteriormente também gerou uma cultura festiva e regiliosa nesses plantios após os mutirões (ou puxirões, como dizem). Após o plantio, normalmente voltavam uma ou no máximo duas vezes para uma roçada ou algum outro trato cultural.
É importante destacar que apesar desta descrição de troca e convivência de colonizadores com os indígenas nativos, estes sofrem um processo de escravização e assassinato que desencadeiam o que podemos considerar como os primeiros processos de luta e disputa por território na localidade, visto que com a chegada da colonização e distribuição de terras nas sesmarias, os espaços de agricultura, caça e sobrevivência dos indígenas são tomados para outras atividades, principalmente com a intensificação da mineração.
Na exploração do Rio Ribeira acima, é encontrado um dos produtos de maior cobiça por parte dos portugueses nesse início de exploração da colônia brasileira: o ouro. Sendo assim, este ciclo irá marcar o início da formação de povoados na região e na abertura de novos campos para esta exploração, além da intensificação da vinda de escravos africanos e da escravização de indígenas. Numerosos povoadores acorreram a estas zonas de mineração cujo futuro parecia promissor (BERNARDES, 1952, p. 57).
Com essa intensificação da exploração aurífera, a região recebe especial atenção com a construção de um porto no crescente vilarejo de Iguape para escoar o ouro e a construção de uma casa de fundição. No século XVIII, havia dois núcleos de povoamento na região: o de Cananeia e Iguape e o de Xiririca (Eldorado). Este último representava o fator aglomerador populacional no interior da região, sendo o principal polo da mineração surgindo Rio Ribeira acima. Sendo assim, se estabelecem aglomerados populacionais formados por portugueses colonizadores da coroa, colonizadores trabalhadores dos barcos, a igreja católica, escravos africanos e indígenas com o foco na exploração do ouro.
Porém, com as expedições para o interior e a descoberta do ouro abundante em Minas Gerais e Cuiabá (BERNARDES, 1952, p. 57) e de mais fácil exploração que o encontrado na região, fez com que o Vale do Ribeira, por suas condições difíceis de relevo e também de clima (muita chuva e umidade), fosse não sendo mais prioritário na ocupação e desenvolvimento da economia da colônia que ia crescendo pelo interior brasileiro.
Sendo assim, por volta de 176316, encerravam as atividades da Casa de Fundição de Iguape, acabando-se o período de mineração de lavagem que durou aproximadamente quase dois séculos (GIACOMINI, 2010, p. 95) e desencadeou as primeiras formações de povoados fixos no território.
Podemos descrever que neste intervalo, a agricultura praticada é a coivara adaptada por esse contingente populacional que vai se acomodando e conformando o território, baseado na produção unicamente para subsistência.
A atividade econômica que irá permitir o início de processos de acúmulo na região será a exploração minerária do ouro destinado unicamente à coroa portuguesa. Esse momento também é marcado pela distribuição de terras por parte da coroa dividindo as
capitanias hereditárias, onde seus ‘donos’ repartiam as terras a gosto próprio em detrimento
de um uso comum da terra e da floresta por parte das populações nativas. Essa época também é marcada pela vinda de escravos, a escravização indígena e a formação de pequenos povoados e vilas por quase toda a extensão do Rio Ribeira nestes dois séculos de ciclo da mineração.
O Vale do Ribeira de Iguape pôde conhecer o que viria a ser um de seus maiores ciclos econômicos, com grande importância histórica na consolidação da colonização nacional e paulista com a exploração do ouro rio acima, a escravização (e comércio) de africanos e indígenas, a distribuição das sesmarias e a formação de vilas importantes que se tornariam municípios. Mas também veio a conhecer a crise acentuada que também o faz perder o protagonismo de ocupação e investimento do império.