BAKIŞIN VE DEFORMASYON TANIMININ TARİHSEL SÜRECİ
24 Öjenik: İnsan türünün gelecek nesillerini geliştirmek için istenen kalıtsal özelliklerin seçimidir 1883'te
3.5. UCUBE GÖSTERİLERİ
Na opinião pública brasileira, muito em função da atuação dos meios de comunicação de massa e do forte apelo ideológico, ALCA já constitui uma sigla de domínio público, embora grande parte da população não tenha a noção e a dimensão do que se trata e dos efeitos que pode causar na vida brasileira. O que muitos também não sabem é que a ALCA, ainda hoje, nada mais é do que um plano para o futuro e não uma realidade concreta (BORGES, 2005).
A ALCA foi idealizada em dezembro de 1994, na Primeira Cúpula das Américas, em Miami, nos Estados Unidos, pelos chefes de Estado de trinta e quatro países do continente americano. O objetivo concebido foi a instituição de uma zona de livre comércio, com a eliminação das barreiras ao comércio e aos investimentos recíprocos na região. Nas várias reuniões de negociação do projeto, inclusive na Segunda Cúpula das Américas, em Santiago do Chile, ficou estabelecido o ano de 2005 como deadline para a respectiva concretização.
O prazo fixado, todavia, não pôde ser cumprido. As negociações para implementação da ALCA sempre foram muito tensas, com Estados Unidos como protagonista e Brasil no foco de resistência. Principalmente a partir do governo Lula, a política externa brasileira passou a adotar uma posição mais firme pelo fortalecimento do MERCOSUL e em defesa de suas postulações históricas em questões fundamentais de sua economia. O establishment norte-americano, por outro lado, nunca abriu mão da condução hegemônica do projeto, tratando algumas questões que lhe são sensíveis como inegociáveis.
Nas negociações, o Brasil conseguiu firmar o consenso no MERCOSUL acerca da necessidade de se negociar em bloco, na perspectiva das conquistas históricas de integração dos anos noventa e aos poucos foi conseguindo driblar a pressão dos Estados Unidos. A postura tem causado forte descontentamento na diplomacia norte-americana, que assumiu um tom mais duro nas negociações, objeto de algumas críticas no meio acadêmico, especialmente daqueles com inclinação menos conservadora, insatisfeitos com a linha da política externa do governo Bush.
Crítico dessa linha de atuação individualista dos Estados Unidos, David Harvey, pensador norte-americano de tendência marxista, exemplifica seu ponto de vista com uma passagem da história recente da política externa, em que Robert Zoellick, representante comercial norte-americano, teria ameaçado o presidente Lula, então recém- eleito, afirmando que este “pode acabar tendo de ‘exportar para a Antártica’” (2004, p. 109) se não aderir ao projeto da ALCA.
O tom arrogante do discurso dos Estados Unidos e a contínua ameaça velada pela “arma da recusa do acesso a seu imenso mercado a fim de obrigar outras nações a atender a seus desejos” (HARVEY, 2004, p. 109) tem dificultado sobremaneira as negociações e inflamado o debate puramente ideológico sobre a temática, tanto na academia quanto no meio político, alçando a discussão técnica a um patamar secundário. Daí porque a maior parte dos estudos tem se debruçado sobre a legitimidade de condução do processo, sem se ater mais especificamente sobre sua viabilidade e sobre os reais efeitos na economia brasileira. De todo modo, esse é um tema que ainda vai render muita discussão, muitas linhas dos acadêmicos e muita especulação pela imprensa.
Por incrível que pareça, o projeto da ALCA não é tão ambicioso quanto o do MERCOSUL. Seus objetivos são pouco audaciosos: liberalizar o comércio, a fim de expandir mercados; gerar níveis crescentes de comércio e de investimentos, mediante incentivo de regras próprias e adequadas; eliminar obstáculos, restrições ou distorções injustificáveis à liberalização do comércio (TÔRRES, 2005).
Assim, o foco da ALCA é em si o livre comércio. Não existem de imediato nas negociações planos para avançar para além desse grau de integração mais superficial, restrito à primeira fase entre os níveis já experimentados. A pedra de toque da celeuma é a participação da superpotência norte-americana e o impacto que isso pode causar na economia dos Estados que lhe formalizarem adesão.
Enfim, os rumos da ALCA, em que pesem todas as rodadas de negociações já empreendidas, são ainda marcados pela incerteza. É verdade que, depois dos atentados
aéreos de 11 de setembro de 2001 ao edifício World Trade Center, no coração financeiro do planeta, em Nova Iorque, Estados Unidos, as atenções da política externa norte- americana concentraram-se no Oriente Médio, inclusive com a deflagração de guerras no Afeganistão e no Iraque, recentemente culminando no julgamento e execução do ex- ditador iraquiano Saddam Hussein. Todavia, em algum dado momento a própria diplomacia dos Estados Unidos terá que retomar o debate acerca da integração das Américas. É preciso que o Estado brasileiro esteja preparado e bem articulado, sob pena de os efeitos em sua política de comércio internacional não serem os mais positivos.
4 INTERNALIZAÇÃO DE NORMAS INTERNACIONAIS
A fonte primordial da integração regional é o tratado internacional. A base convencional está presente tanto no regionalismo quanto na integração, através do exercício pelos Estados nacionais de suas faculdades soberanas. Portanto, se de um lado a integração regional termina resultando numa produção normativa autônoma, suscetível de constituir uma ordem jurídica distinta e com conceitos, categorias jurídicas e standards hermenêuticos próprios, sua criação se dá sob a dinâmica do direito internacional geral.
Com efeito, o marco de criação da ordem regional de integração é o respectivo tratado constitutivo. Mas, se no campo dos efeitos esse tratado tem peculiaridades próprias, haja vista o grau de compromisso dos Estados Partes na criação de um projeto estruturante, quanto à formação não há nenhuma distinção em relação a qualquer outro documento normativo celebrado sob o regime jurídico do direito internacional geral.
No direito internacional geral, não há prescrição de um procedimento específico na formação desse tratado, que é disciplinado pela Convenção de Viena de 26 de maio de 196941, documento normativo que contempla, para a ordem internacional, metanormas referentes aos tratados42. Assim, não apenas a formação, mas a vigência, a validade e a eficácia do tratado na ordem internacional são reguladas por essas normas.
Todavia, a vigência, validade e eficácia desse tratado constitutivo – e de qualquer outro tratado – na ordem jurídica nacional não são automáticas. Dependem de incorporação segundo racionalidade, processos e fontes do próprio direito nacional, estabelecidas no exercício de soberania estatal. Essa incorporação da estrutura regional de integração como forma de vinculação das instituições internas àquela ordem é regulada pelo direito constitucional, que traça a organização fundamental do Estado.
A questão, enfim, desdobra-se da seguinte forma: a vigência, a validade e a eficácia do tratado na ordem internacional regulam-se pelo procedimento previsto na Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados; na ordem nacional, é o direito constitucional que irá determinar o procedimento a ser observado com a mesma finalidade.
41 A entrada em vigor internacional da Convenção de Viena se deu em 27 de janeiro de 1980. Em 1992, o Executivo brasileiro encaminhou ao Legislativo o texto da convenção para exame e eventual aprovação. Todavia, embora o Brasil não seja parte da convenção por não haver concluído o respectivo processo de incorporação ao direito interno, suas normas são cumpridas pela diplomacia brasileira, atendendo a costume internacional.
42 Outra convenção, com igual conteúdo, foi celebrada, também em Viena, em 1986, regulando os tratados entre Estados e organizações internacionais e entre estas.
Se bem que, atendendo a costume internacional, os procedimentos de incorporação normalmente seguem a receita da Convenção de Viena, a fim de se estabelecerem conexões harmônicas entre as duas ordens jurídicas.
O êxito da integração regional, em face do conteúdo e efeitos previstos no tratado constitutivo, depende de um sério comprometimento das instituições nacionais. Daí porque a abordagem sobre as relações e os modelos de conexões entre ambas as ordens jurídicas é decisiva para que o direito não seja o algoz da integração regional e, por outro lado, seja dotado de mecanismos para protagonizar de forma eficiente a legitimação desse processo.
4.1. RELAÇÕES ENTRE DIREITO INTERNACIONAL E DIREITO