2. BÖLÜM: ÇOCUK BAKIM ÜRÜNLERİ AMBALAJ TASARIMLAR
2.1. Göstergebilime (Semiyotik) Giriş
O projeto de política externa a ser desenvolvido durante o governo de Lula da Silva foi apresentado de maneira coesa desde os primeiros dias do governo. No seu discurso de posse, Lula da Silva expressaria as diretrizes que balizariam a ação internacional do Brasil em seu mandato, que teria como objetivo central colaborar para a implementação do projeto de desenvolvimento sócio-político proposto em seu projeto de governo.
Nesse sentido, trabalharemos para superar nossas vulnerabilidades atuais e criar condições macroeconômicas favoráveis à retomada do desenvolvimento sustentado, para a qual a estabilidade e a gestão responsável das finanças públicas são valores essenciais. (LULA DA SILVA, 2003, p. 15)
No meu Governo, a ação diplomática do Brasil estará orientada por uma perspectiva humanista e será, antes de tudo, um instrumento de desenvolvimento nacional. Por meio do comércio exterior, da capacitação em tecnologias avançadas, e da busca de investimentos produtivos, o relacionamento externo do Brasil deverá contribuir para a melhoria das condições de vida da mulher e do homem brasileiros, elevando os níveis de renda e gerando empregos dignos. (LULA DA SILVA, 2003, p. 17)
Em modelos de presidencialismo de coalisão, como é o caso brasileiro, é comum que os Ministérios sejam distribuídos entre os partidos aliados, com o intento de atrair apoio às ações do Executivo (LIMONGI; FIGUEIREDO, 1998). Contudo, no caso do Ministério das Relações Exteriores, resistia um costume de nomear diplomatas como Ministros. O costume
encontrava suas raízes na ideia de que o Itamaraty agia de forma “neutra” e executava uma
política de Estado e não uma política partidária, e, portanto, deixar um diplomata a cargo desta política seria uma boa escolha. No entanto, como foi debatido no capítulo anterior, a existência de uma política exterior que não esteja sujeita a entrechoques políticos não é coerente com a realidade do modelo democrático adotado pelo Brasil. Assim sendo, e tendo a política externa um lugar de destaque na execução do planejamento governamental, Lula da
Silva encontraria um meio termo: nomear um diplomata com uma visão coerente com os anseios do novo governo.
A escolha de Celso Amorim parecia acertada para o caso. Seu discurso de posse como Ministro das Relações Exteriores se mostrou alinhado com as demandas do governo, demonstrando a persistência de ideias centrais, que seriam a força motriz da lógica da política exterior a ser desenvolvida. Era enfocada a questão das parcerias Sul-Sul como a fórmula de articulação a ser adotada para encorpar e dar força à voz da política externa brasileira no cenário internacional.
O aumento das exportações, a busca de tecnologias e investimentos produtivos serão elementos importantes da estratégia nacional de crescimento e da redução da vulnerabilidade externa. Participaremos empenhadamente das diversas negociações comerciais, movidos pela busca de vantagens concretas, sem constrangimento de nos apresentarmos como país em desenvolvimento e reivindicamos tratamento justo. Saberemos nos articular, sem preconceitos, com as nações que compartilham conosco interesses e preocupações. (AMORIM, 2003, p. 22)
O alinhamento no planejamento da política exterior dentro do Itamaraty não cessou no Ministro. Em seu discurso de posse como Secretário Geral do Ministério das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães, elencaria as principais vulnerabilidades externas do Brasil, as quais, na visão oficial, representariam um obstáculo para a consolidação da autonomia brasileira enquanto não fossem superadas. De acordo com o Secretário Geral, as vulnerabilidades externas seriam inúmeras, mas podiam ser divididas em quatro eixos fundamentais:
Essas vulnerabilidades são econômicas, e sua síntese é o elevado déficit em transações correntes; são tecnológicas, e se expressam pela necessidade de importar tecnologia devido à reduzida geração de inovações; são de natureza política, pela ausência do Brasil nos principais centros de decisão mundial, como o Conselho de Segurança da ONU e o G-8; são de natureza militar, diante da imensidão do território e da instabilidade do cenário mundial (GUIMARÃES, 2003, p. 27).
O planejamento governamental para a execução da política externa que julgou necessária não se restringiu aos pronunciamentos, estando incluído na Mensagem ao Congresso Nacional de 2003 e no Plano Plurianual de 2004 – 2007, também conhecido como Plano Brasil de Todos. O PPA de 2004 – 2007 tem como objetivo central a questão do desenvolvimento econômico associado à inclusão social. O documento parte de uma estratégia econômica que, de modo simplista, pode ser explicada através da seguinte lógica: o aumento das exportações gera superávits que, por sua vez, oferecem ao governo maior disponibilidade de recursos. Esses recursos são aplicados em programas sociais de distribuição de renda e em investimentos, que oferecem à população maior capacidade
aquisitiva, aquecendo, deste modo, o mercado interno, o que beneficia a indústria nacional. O crescimento industrial interno gera mais empregos, esses empregos aumentam a renda da população, que gasta mais, gerando lucro e demanda para a indústria, fechando-se um ciclo produtivo no país. Para a execução deste plano, são listados pelo PPA, três “megaobjetivos”, a
saber: “1) Inclusão Social e Redução das Desigualdades Sociais; 2) Crescimento com Geração
de Emprego e Renda, Ambientalmente Sustentável e Redutor das Desigualdades Regionais e 3) Promoção e Expansão da Cidadania e Fortalecimento da Democracia” (BRASIL, 2003a, p. 3).
Dentro desta estratégia, a política externa teria como função fundamental trabalhar na redução das vulnerabilidades externas. Para isso, são listados uma série de desafios a serem superados pela política exterior e pela política de defesa, esta última sendo inserida especificadamente dentro do megaobjetivo três. É demandada uma política de defesa mais robusta, que seja coerente com a interpretação governamental do papel do Brasil internacionalmente, contudo, há uma ausência de clareza de como isso deve ser feito, resultando em um texto genérico que reconhece a necessidade de um maior debate e planejamento para a área.
O Brasil exerce um papel importante no contexto internacional, particularmente no continente sul-americano. O País deve ser capaz de, empregando a postura da estratégia da defesa com o conceito da dissuasão, resguardar interesses, em proveito do convívio harmonioso entre os povos. Tendo o País escolhido a via diplomática para a solução de contenciosos, torna-se imprescindível o respaldo de uma estrutura militar adequada que represente equilíbrio de forças. Há a necessidade, ainda, de uma ampla discussão com o Congresso Nacional sobre o papel das Forças Armadas no Brasil, para que se defina, com clareza, uma orientação para o estabelecimento de uma visão consolidada de defesa nacional, a partir de um planejamento unificado, coerente com o redesenho da política de defesa nacional e a estratégia de desenvolvimento proposta. (BRASIL, 2003a, p. 50)
No caso da Mensagem ao Congresso Nacional de 2003, há uma secção especial que compila temas de defesa nacional e política externa. Neste documento há uma maior descrição dos objetivos traçados para a política de defesa. São descritas e detalhadas necessidades e funções que a política de defesa teria, na visão deste governo. O texto resume basicamente todas as frentes de ação que o governo Lula da Silva desenvolveu para a área da defesa ao longo dos dois mandatos. É ressaltada a necessidade de atualização de conceitos e do pensamento estratégico; enfocada a necessidade de proteção da Amazônia; prevê o uso da política de defesa para auxiliar na integração regional e atuar nos foros internacionais; fala da necessidade de modernização das Forças Armadas; de melhorar a atuação conjunta das Forças; de reduzir a dependência tecnológica do Brasil; de auxiliar a melhora da aviação civil;
de divulgar as ações realizadas pelas Forças em prol da sociedade com o intento de valorizar a carreira; e que a política de defesa sirva de base para a ação governamental na consecução de objetivos e metas nacionais (BRASIL, 2003b).
Este planejamento existente para a defesa expresso pelo Governo Federal e pelo MRE, contudo, não é expresso inicialmente pelo Ministério da Defesa. Isso pode ser notado no discurso de posse do Ministro da Defesa, José Viegas, que não expressa uma única proposta prévia para ser colocada em prática durante sua gestão. Não houve para o Ministério da Defesa aquela convergência e planejamento prévio que houve junto ao MRE. Este fator somado ao fato que o MRE era um Ministério muito mais consolidado que o comparativamente jovem MD, resultou na manutenção da preponderância do MRE para tratar das questões de política externa, inclusive as relativas à defesa, fato que só viria a sofrer alterações com a chegada do Ministro Nelson Jobim, durante o segundo mandato do Presidente Lula da Silva (2007-2010), como será visto mais adiante.