3. MESLEK PROFĠLĠ
3.1. Görevler, ĠĢlemler ve BaĢarım Ölçütleri
A investigação, agora centrada nos conteúdos das m ensagens, perm itiu reforçar a conclusão j á atingida no que se referia à sua form a: as diferenças observadas são m ais notórias quando considerados os países de origem das em presas do que quando se entra em linha de conta com a sua posição em um a das duas listas de seriação consideradas.
De facto, com o será visto em detalhe nas secções seguintes, quer em term os de quantidade de declarações quer em term os de assuntos, não se verificam diferenças significat ivas ent re as duas am ostras, antes sobressaindo tem as que em bora constantes nos dois grupos, surgem com m uit o m aior incidência em em presas m ult inacionais, com o é o caso de dim ensões da categoria “ Sociedade” com o “ sida” ou “ t rabalho forçado” . Aliás, a Jerónim o Martins é a única em presa nacional com um a referência directa a direitos hum anos:
“ O Grupo Jerónim o Martins respeita os Direitos Hum anos, no quadro da Declaração Universal dos Direitos do Hom em ,”
Nenhum a em presa nacional faz alusão ao problem a da sida, que aliás tem apenas um a referência em português, no sítio de internet da Vodafone, com o exem plo de um a acção de filantropia. Contudo, das 11 em presas estrangeiras analisadas, sete referem directam ente esse tem a.
Tam bém o sector de actividade parece condicionar os assuntos abordados nas m ensagens de RSE. O efeito de “ tom ada de posição” , im posto quer pela dissem inação do uso da int ernet quer com o reacção a um a im agem detida pelos stakeholders da em presa ( causas referidas na secção anterior) , parece j ustificar a variação observada ao nível dos assuntos quando se altera o sector de actividade, com o se poderá constatar no Quadro 5.I .
Quadro 5 .I : Tem as “únicos” por sect or de act ividade
Sect or Tem a Em presa
Distribuição alim entar Agricultura biológica Auchan Distribuição de Com bustíveis Alteração do clim a BP
Shell
Telecom unicações Radiações Vodafone
TMN PT Com ércio electro-electrónico Acessibilidade I BM
Xerox HP Água, electricidade e gás Regulam entação REN
Est e fenóm eno indicia, por um lado, o conhecim ento por parte das em presas das áreas
sensíveis em que tocam , e por outro lado revela a necessidade de legitim ação, de forçar
um a im agem positiva nessas m esm as áreas.
O caso da BP é paradigm ático dest e processo, repare- se que levanta a questão sensível e tom a, em relação a esta, um a posição clara. A “ im agem ” de um a em presa que se preocupa com o am biente é fundam ental não só para a sua legitim ação j unto das com unidades m as, sobretudo, para se transform ar num a em presa que se preocupa com o am biente, incutindo esses valores na sua cultura e actuando, de facto, em linha com essa declaração:
“ A BP é um a com panhia que se preocupa com o am biente e se com prom ete a arranj ar soluções para m inim izar os efeitos que um a actividade com o a nossa possa causar” .
Aliás, neste m esm o contexto, a BP vai m ais longe ao referir concretam ente quais as acções que está a tom ar. O processo de criação e m anutenção da identidade está em m archa, da pressão exterior para a acção, desta para a cultura, da cultura para a identidade e desta últim a para a im agem , e enquanto isso a BP vai- se transform ando num a em presa petrolífera “ am iga do am biente” :
“ Redução das em issões - A BP com prom eteu- se em reduzir as suas em issões de gases causadores do efeito estufa em 10% entre 1990 e 2010. Além disso, procura est udar as causas dessas em issões para m elhor as poder controlar.”
Outro aspecto que é revelado pela análise genérica às declarações de RSE prende- se com a form a com o a ética é entendida pelas em presas. O debate entre um a aproxim ação ut ilit arist a ou kant iana m erece aqui t radução prát ica, verificando- se um fenóm eno interessante: em bora o discurso sej a kantiano, existem referências claras às vantagens de adoptar um a postura ét ica, ou seja, as em presas expressam as suas posições éticas em term os de dever1 m as não deixam , ao m esm o tem po, de referir que essas posições t am bém estão ligadas a obj ectivos bem determ inados, com o sej am a sustentabilidade no longo prazo, a própria sobrevivência num contexto em que as pressões sociais são elevadas e em que a diferenciação pelo vector social pode ser sinónim o de preferência por parte dos consum idores.
A prim eira m arca – a kant iana – é m ais visível nas declarações de valores. Nestas, as em presas proclam am os valores em que acreditam e orientam a sua actuação, não fazendo qualquer ponte com um referencial utilit arista2, tal com o pode ser detectado nesta declaração da Delta, pertencente ao Grupo 1:
1 Com uma ressonância a imperativo categórico. 2 Este ponto será abordado novamente na secção 5.2.4.
“ Há valores em que acreditam os: I ntegridade, Transparência, Lealdade, Qualidade, Sustentabilidade, Solidariedade e Responsabilidade Social.”
Ou ainda nesta declaração da Galp, em presa listada no Grupo 2:
“ Responsabilidade Social e Am biental: Transparência; Coerência; Ética; Cidadania; Respeit o”
O m esm o se verifica nas duas declarações seguintes, da Vodafone e da Siem ens, respectivam ente. Aqui, o tom utilizado é o de um a aproxim ação kantiana: a form a com o os em pregados são tratados é j ustificada por um sentido de dever que transcende a realidade organizacional:
“ A nossa política de igualdade de oportunidades proíbe a discrim inação por m otivos de raca, étnia, género, religião, orientação sexual, deficiência ou idade.”
“ Respeito m útuo, Honest idade e I nt egridade: Respeitam os a dignidade pessoal, a privacidade e os direitos individuais de cada um .”
O entendim ento do indivíduo com o único e um fim em si m esm o, m arca kantiana por excelência, pode ser apreendida na declaração da Portugal Telecom sobre o seu entendim ento dos clientes:
“ m as que apenas reforça um a orientação de base do nosso grupo: olhar para cada cliente com o único e procurar servi- lo da m elhor m aneira.”
A m arca ut ilit arist a, que garant e porvent ura a sust ent ação da própria sust ent abilidade ao conferir- lhe um m otivo m ais do que a ( duvidosa) alteração generalizada de m entalidades, é encontrada de form a basilar nesta extensa declaração da HP, paradigm ática da posição geral das em presas em análise:
“ O nosso sucesso de negócio está dependente de relações de confiança. A nossa reputação está fundada na integridade pessoal dos em pregados da
com panhia e na nossa dedicação aos nossos princípios de: Honestidade na com unicação dentro da com panhia e com os nossos parceiros de negócio, fornecedores e clientes, ao m esm o tem po que protegem os a inform ação confidencial e os segredos de negócio da com panhia; Excelência nos nossos produtos e serviços, esforçando- nos por oferecer ao nossos clientes produtos e serviços de alta qualidade; Responsabilidade pelas nossas palavras e acções; Com paixão nas nossas relações com os nossos em pregados e com as com unidadesafect adas pelo nosso negócio; Cidadania na nossa observância de todas as leis de qualquer país em que façam os negócio, no respeit o pelo am biente e no serviço para com a com unidade, através da m elhoria e enriquecim ento da vida na com unidade; Justiça para com os nossos em pregados, stakeholders, parceiros de negócio, clientes e fornecedores, através da aderência a t odas as leis aplicáveis, regulam ent os e políticas, e a um com port am ent o im pecável; Respeit o pelos nossos em pregados, stakeholders, parceiros de negócio, clientes e fornecedores enquanto m ost ram os o desej o de solicitar as suas opiniões e valorizam os o seu feedback”
Esta declaração estabelece a ponte, stakeholder a stakeholder, entre norm ativos éticos e vantagens para a em presa. Sendo exem plificativa de outras encontradas na generalidade das em presas analisadas, é possível referir que esta posição m arca de form a clara a associação entre a adopção de com portam entos éticos nas em presas e a sua própria sustentabilidade.
Não fica só m arcada, com o foi visto, a prevalência da ética com o tam bém se contraria a posição de Friedm an ( 1970) quanto à responsabilidade social das em presas. De facto, as em presas parecem querer dar razão aos autores pró- RSE, ao associarem não só a ética m as
tam bém a responsabilidade social activa à sobrevivência no longo- prazo1, tal com o é dem onstrado pelos seguintes exem plos, da DHL ( Grupo 1) e da Jerónim o Mart ins e Shell ( Grupo 2) :
“ Acreditam os que o com prom isso com um a boa cidadania é fundam ental para conseguir criar valor de form a sustentada, tanto para a sociedade com o para a nossa com panhia, assegurando assim o fut uro do t rabalho que realizam os.”
“ A m esm a postura responsável que j á lhe garantiu 200 anos de história e que lhe há- de granj ear um lugar de futuro, com o referência no m undo alim entar.”
“ O reconhecim ento com o um operador responsável aj uda- nos a atrair tanto clientes com o em pregados altam ent e qualificados; e salvaguardando cuidadosam ente a água aj uda- nos a construir confiança com os reguladores e os stakeholders principais.”
A sobressair da investigação está tam bém o facto de as em presas, no seu discurso, se encontrarem a m eio da escala do relativism o ético, ou sej a, as suas declarações vicam o valor universal dos preceitos ét icos que defendem , em bora sej a deixado algum espaço para a adaptação às condições concretas que se encontrem nos países em que actuem2, o espaço livre m oral referido por Donaldson e Dunfee ( 2002) na teoria integrativa dos contratos
sociais. Aliás, é notória a em ergência dos t rês valores hum anos cent rais, levant ados por Donaldson ( 1996) e referidos no terceiro capít ulo, nas declarações das em presas: o respeito pela dignidade hum ana; o respeito pelos direitos básicos; a boa cidadania. Da m esm a
1 Ver, sobre este assunto, a secção 3.2.2.
form a, as em presas parecem seguir os princípios de actuação em contexto m ultinacional apontados pelo m esm o investigador, com o pode ser constatado nos exem plos seguintes:
Princípio 1, extraído do sítio de internet da Vodafone:
“ Nós estam os com prom etidos em assegurar e defender os princípios contidos na Declaração Universal dos Direitos do Hom em ( DUDH) e nas convenções sobre padrões centrais de trabalho da Organização I nternacional do Trabalho. Não em pregam os t rabalho infant il ou forçado.”
Princípio 2, extraído do sítio de internet da DHL:
“ Respeitam os as tradições, estruturas e valores dos países onde operam os.”
Princípio 3, extraído do sítio de internet da BP:
“ A continuação das nossas operações num país com sérias quest ões em term os de direitos hum anos irá ser determ inado à luz da nossa capacidade de cum prir os nossos com prom issos nas nossas próprias actividades e de actuar com o um a força para o bem no longo prazo”
O aspecto da adaptação às condições concretas que encontrem não desvincula, no entanto, as em presas de actuarem no sentido de harm onizarem essas situações com os conceitos de desenvolvim ento que têm com o certos, o que vem reforçar a sua posição de defesa de princípios éticos e m orais universais. Esta vertente poderá ser encontrada nos seguint es casos exem plificat ivos, da Galp e da Auchan, respectivam ente:
“ a sua responsabilidade no apoio a desigualdades da nossa sociedade e no m inim izar dos im pact os da nossa actividade na sociedade que pret endem os servir e sat isfazer.”
“ Ao longo dos últim os quatro anos, a Auchan tem lançado, vis- à- vis com os seus fornecedores, um a iniciativa para assegurar o respeito pelos direitos hum anos básicos e pelos direitos das crianças. Nom eadam ente, a
Auchan organizou sem inários de alerta e form ação para com pradores internacionais e prospectores focando os direitos hum anos e os direitos das crianças.”
Quanto aos j á referidos valores hum anos centrais, as em presas procurar dem onstrar de form a inequívoca a sua anuência, com o será possível constatar pela análise dos seguintes exem plos:
Entendim ento dos em pregados, clientes ou fornecedores não com o m eios para um fim m as com o pessoas com valor intrínseco com o tradução do respeito pela dignidade
hum ana ( ret irado do sítio de internet da DHL) :
“ Mas, para nós o m ais im portante são as pessoas, o factor hum ano cont inua a ser a nossa força m ot ora.”
Protecção dos direitos individuais dos trabalhadores e das com unidades em que operam com o tradução do respeito pelos direitos básicos ( retirado do sítio de internet da TAP) :
“ proporcionar as m ais adequadas condições de trabalho e desenvolvim entos aos seus trabalhadores,”
Apoio a actividades de carácter social ou na protecção do am biente com o tradução da
boa cidadania ( retirado do sítio de internet da Som ague) :
“ Um com prom isso que assum e perante clientes, accionistas, colaboradores e a sociedade, contribuindo para um a econom ia saudável, para o desenvolvim ento hum ano, para um a m aior consciencialização e exigência individuais e para um a m elhor qualidade de vida.”