KALİTE BOYUTU
2. Silahlı Kuvvetlerde uygulanması planlanan yönetim yaklaşımlarının etkinliğini ölçmede yaralanılabilecek bir metedoloji oluşturacağı umulmaktadır
4.9 Görev Performansını Ölçme Araçlarının Tanıtılması
4.9.6 Görev Performansını Doğru Ölçebilmek İçin Gerekli İki Temel Kural
Estava chegando a festa junina. Em uma roda de conversa os adolescentes perguntam o que vamos fazer na festa junina. A pergunta lhes é devolvida: O que nós vamos fazer na festa
junina? Acostumados em receber a festa pronta, perguntaram-nos como seria a festa daquele ano. Foi-lhes dito que não sabíamos como seria, mas que gostaríamos de saber deles como imaginavam a festa.
Nos disseram que todo ano a Associação traz comidas, bebidas, brinquedos e prendas para eles. Certo ano uma estagiária foi até uma rua de comércio no centro da cidade providenciar as prendas. Foi dito a eles que esse ano talvez possa ser diferente e aponta-se a necessidade da participação na festa que é destinada a eles mesmos. Pedimos que se organizem para que a festa aconteça.
Começamos por indagar se queriam uma festa ampliada, com as famílias participando ou uma festa exclusiva dos frequentadores da brinquedoteca. Decidiram durante a semana por uma festa só para eles mesmos.
Assim, nas rodas de conversa começaram a se organizar, dividiram-se em grupos e começaram a pensar na festa. Na realidade os adolescentes contribuíram mais efetivamente nesse planejamento. Porém, certa manhã, ao chegarmos à brinquedoteca encontramos todos muito desconfortáveis, mal humorados. Ao serem perguntados sobre o que houve, explicam que saíram pelas ruas pedindo comida para a festa e as pessoas não quiseram dar. Um deles fala: não sou mendigo, não estou pedindo esmola. Me senti pedindo esmola. Narraram-me, então, as diversas vezes em que se sentiam assim quando mexiam no lixo que os moradores do condomínio deixam em suas portas. Lá encontram coisas úteis, mas correm riscos ao fazer isso. Os seguranças do condomínio os afastam com brutalidade. Só são tolerados quando vão fazer algum trabalho, como limpar a piscina, cuidar do jardim ou fazer pequenos serviços.
Falam sobre a sensação de inferioridade, de sentirem-se humilhados por não terem acesso a bens, serviços e oportunidades. A organização da festa faz emergir uma situação latente: a humilhação que vivem no dia a dia, a impossibilidade de verem suas vidas se modificarem, o modo como a sociedade os olha e reprova. Falar, expor a raiva, a falta de expectativa foi uma das formas de transformar essa situação em algo menos dolorido para todos. A outra forma foi pensar com eles outras maneiras de se fazerem presentes no mundo, por meio de seus desejos, de sua criatividade, de seu fazer. Não mais como coadjuvantes, mas como coautores daquele espaço, algo poderia ser transformado.
Essa realidade se concretizou com os preparativos e com a organização da festa junina. Havia outras formas de articular doações que não fosse pedindo de porta em porta.
Perguntamos como procedem os outros espaços da comunidade, as escolas. Começamos a pensar em alternativas. Uma delas foi elaborar um documento explicando sobre a festa e que algum adulto pudesse estar junto com os adolescentes nessa primeira explicação, assim como, elencar lugares comerciais e o que estaríamos precisando para a festa.
Produzimos um documento ao comércio da região solicitando contribuições para a festa junina das crianças. Basicamente solicitou-se material para o lanche: cachorro quente, pipoca, refrigerante. A Associação e o Cecco providenciaram as prendas e o preparo do lanche, e os adolescentes trataram das barracas e a da diversão. Eles se organizaram entre os que iriam cuidar da comida e os que iriam fazer as brincadeiras. Constroem barracas de pescaria, tiro ao alvo, boca do palhaço etc. As meninas organizam as comidas e a distribuição do lanche, assim como algumas brincadeiras que entretêm as crianças menores. Um dos brinquedistas oferece um show com violão e músicas sertanejas.
A elaboração da festa trouxe muitas questões à tona, como fortalecer esses meninos e meninas para as contradições de uma sociedade dividida em classes? Como conviver com a existência da falta de oportunidades? Como compreender as humilhações? Como criar opções quando não há possibilidades de lazer em um bairro ocupado por moradias precárias? A quem recorrer quando não se tem recurso para comprar o necessário, até para comer?
Guimarães (2001) destaca que a convivência com uma população que sofre de carência continuada, tem levado a perceber que esse grupo acaba por desenvolver sentimentos de banalização e naturalização da dor física e psíquica. Termina por desenvolver sentimentos de banalização do sofrimento e da morte que por vezes pode transformar-se em falta de concern, em falta da capacidade de preocupar-se, de transformar-se em um movimento autofágico, por vezes autodestrutivo, da mesma forma como cria uma dificuldade ou impossibilidade de organização em termos autogerativos.
Essa festa, além de fazer emergir questões tão difíceis, exercitou uma nova forma de trabalho coletivo, de preocupação com a comunidade, de responsabilidade e cuidado com o outro. E, principalmente, o início de uma conversa sobre os direitos que cada ser humano tem e como podemos assegurá-los.
Porém, outros momentos com as crianças nos alertaram que os muros invisíveis da exclusão eram mais concretos do que imaginávamos e tinham repercussões ainda maiores no processo de amadurecimento de cada criança e adolescente. Uma delas ocorreu em nosso
piquenique que estava agendado há semanas e algumas crianças e adolescentes trouxeram lanche para compartilhar. Fomos a um bosque que fica dentro do condomínio próximo. Um lugar agradável, cheio de árvores, mais abaixo um pequeno riacho e em volta do bosque um passeio para caminhadas. Pés de amora, árvores diversas, e uma clareira nos bastaram. Fomos conversando pelo caminho e as crianças correndo um pouco mais à frente, iam e vinham, corriam e voltavam.
Quando estávamos próximos alguns meninos que tinham se adiantado, voltaram correndo e gritando que não podíamos mais fazer ali o piquenique. Indagamos o por que e responderam que os alunos do colégio particular situado dentro do condomínio estavam lá. Esclarecemos que isso não tinha importância, pois o bosque era grande e havia lugar para todos. Ainda retrucaram, mas aceitaram continuar.
Chegaram em silêncio. Havia uma turma de alunos com sua professora fazendo uma atividade escolar. Passamos por eles e arrumamos nossa toalha, nosso lanche e fomos brincar: subir em árvores, colher amoras, pular obstáculos, desenhar na terra. Os adolescentes saíram para caminhar. Quando estávamos lanchando, a professora aproximou-se e perguntou se poderia vir com outra turma de alunos.
Aquela pergunta nos incomodou mais que o receio das crianças em estarem no mesmo espaço que os alunos da escola particular. Não era uma pergunta referente ao espaço físico, era uma pergunta que questionava a nossa permanência no mesmo espaço. Essa professora parecia acreditar que esse convívio talvez fosse realmente impossível. Respondi-lhe como respondi às crianças: o bosque é de todos e comportaria a todos.
No termino de nosso piquenique ao recolhermos nossas coisas, a outra turma de alunos já estava iniciando sua atividade pedagógica. Quando estávamos na rua um dos meninos chega perto e diz com muita raiva odiar aqueles meninos. Um ódio tão forte que o faz chorar. Perguntado por que, ele responde não saber bem, mas os odeia e que é bem-feito que os meninos do Abril venham roubar os tênis e as mochilas deles.
Novamente problematizar a situação com aquele grupo foi importante e uma forma de fazê-los pensar sobre seus direitos, a forma como podem reverter situações de exclusão. O senso de justiça, de direitos e cidadania parecem não caber na história brasileira e detonam processos de descrença no outro. Os pressupostos contidos na teoria winnicottiana, nos mostram que o trabalho desenvolvido a partir dos mesmos, implica um sentido de
humanidade, em um senso de cidadania, de direitos e uma estrutura social positiva que nos falta em nossa posição histórica.
A possibilidade dessa reversão foi se construindo no dia a dia, nas atividades coletivas, no cuidado com o espaço que era deles, na preocupação com o outro.
Uma dessas possibilidades se concretiza em uma ação dos adolescentes. Próximo ao final do ano começaram a escrever nas paredes do prédio da Associação. Escrevem seus nomes, o nome dos namorados e namoradas, fazem desenhos. Perguntamos o que estão querendo dizer com aquilo. Na verdade querem grafitar, o grafite parece ser a linguagem gráfica mais próxima deles. Um dos meninos que desenha muito bem traz uma pasta de desenhos para mostrar e dar ideias. Outros falam de uma grife e já combinam fazer bonés. De qualquer modo não estavam grafitando e não poderiam continuar a sujar as paredes.
Colocamos na conversa com eles nosso problema: o espaço estava ficando com as paredes sujas. A linguagem do grafite era outra, que não se resumia em ficar simplesmente escrevendo nas paredes. O grafite exigia também um aprendizado, uma ideia que se colocava na parede ou no muro, uma organização. Combinamos procurar alguém na comunidade que pudesse nos ajudar com uma oficina de grafite. Mas, ficávamos com um problema: as paredes estavam sujas. O que fazer? Os adolescentes se reúnem e falam que vão pintar as paredes que sujaram. Conseguimos a doação de um galão de tinta e eles pintaram as paredes como prometeram.