4.3. GÖÇMEN KAÇAKÇILIĞININ GÖRÜNMEYEN BOYUTLARI
4.3.1. Göçmen Kaçakçılığının Görünmeyen Sosyal Boyutları
Mesmo com a incerteza acerca de um tempo que preceda a existência, anterior ao Big Bang, esta investigação tem como verdadeiro o fluir de uma flecha do tempo, independente da percepção humana. A direção que segue em seu definir do que é antes e do que é depois, a partir dos conceitos anteriormente expostos, é a da internalização de relações. Seres surgidos em um ambiente que assim antecipadamente operava, desenvolvemo-nos em harmonia com tal realidade – marcha do tempo que acompanhamos. Nesse processo, vivemos acumulando o passado, história de todos e cada um. Duração que conecta o havido com o
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agora, intervalo único a compreender a íntegra da vida do sujeito, a lhe garantir permanência e evolução. Para Bergson, evolução que é a essência da vida e implica em um presente em que o passado persiste, coesa duração a garantir um perene evoluir. “Continuidade de mudança, preservação do passado no presente, duração real – o ser vivo parece, então, compartilhar esses atributos com a consciência” (BERGSON, 1998, p. 22-3, tradução nossa). O passado permanece, à revelia de nossa vontade, vinculado a nosso presente. Duração indivisível a se confundir com a flecha do tempo, reinventando-a e a reforçando a cada instante, amálgama e sentido de nossa perene evolução e de nossa finitude. Tempo contínuo, pontiaguda extremidade de um presente sempre a avançar. Prévia realidade que encontramos e com a qual precisamos, espacial e temporalmente, lidar.
O presente que esvanece sem cessar é armazenado, igualmente sem cessar, em nosso passado. E o faz organizadamente, de acordo com uma ordem temporal em que o único e fundamental critério é a primordial percepção de antes e depois. Registro de nossa duração
sentida e vivida no tempo, mas que a contém e dispõe como sequência de eventos no espaço
de uma linha do tempo disposta unidimensionalmente em nossa memória. A partir disso, considera-se que a notícia audiovisual pode reforçar nossa compreensão espacial do tempo.
Durante uma exibição noticiosa, relações podem ser internalizadas, indicando tanto o sentido do tempo como um entendimento linear de sua passagem. O colapso relacional acontece e o sistema indivíduo está efetivamente alterado. A notícia é um evento no tempo – e, uma vez internalizada, torna-se também um evento no tempo particular do sujeito. Passa a fazer parte de sua memória, encaixando-se no conjunto de todos os outros eventos que compõem essa memória. Assim como as experiências não-noticiosas, algumas originarão recordações mais sólidas que outras, terão mais relevância que outras. Mas, de alguma forma, terão sido parte da vida e do registro subjetivo da vida do indivíduo que internalizar uma notícia.
Tendo-se em mente a definição da função memória mais acima apresentada, a diferença de informação trazida pela notícia à internalidade do sujeito não só ocupa um intervalo em suas lembranças, como com elas se relaciona. A notícia – como qualquer outra informação percebida e apreendida – não é absorvida de maneira cristalina. Entra para o acervo de informações do indivíduo e é reelaborada9 a partir da história do sujeito até então.
9 A sequência deste processo de uma nova elaboração levaria a descrição para aquilo que a função de
transferência detalha como uma possível próxima etapa no comportamento de um sistema, após o surgimento de alguma assimetria no ambiente. Conforme Santaella e Vieira (2008, p. 87-8), a função de transferência leva o sistema a devolver ao ambiente a informação recebida, mas transformada segundo sua própria memória. A ideia de reelaboração é portanto advinda da definição de função de transferência.
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Gera uma transformação interna e passa a fazer parte desse histórico de transformações. Recuperando a notação seguida por Santaella e Vieira (2008), seja um sistema de memória M e estado E. Para qualquer instante t no tempo, o estado do sistema pode ser expresso como
E(t) = E(t – τ) * M(τ)
onde τ representa o tempo passado até o momento imediatamente anterior a t, e o operador * indica a ação da memória M – acumulada até o tempo τ – sobre a variação no estado E do sistema entre os tempos t e τ. A notação representa o processo em que a memória age sobre a assimetria presente no ambiente, depois ou enquanto essa é internalizada. O intervalo definido pelos instantes τ e t é o intervalo de tempo processual em que ocorre a internalização da diferença de informação trazida ao ambiente pelas notícias. Delimita o período em que ocorre o colapso relacional. Depois de sua ocorrência, é inviável ao indivíduo se desvincular do evento que acaba de vivenciar. Se o sujeito no ambiente não estivesse, ou se a emissão do noticioso ao ambiente não aportasse, essa vinculação não aconteceria. Ao compartilhar o tempo do ambiente com uma notícia, o indivíduo foi afetado pela diferença gerada por ela. Mais que a própria notícia, o evento é perceber a assimetria suscitada por sua exibição. O intervalo τ – t corresponde à duração da notícia (ou do noticiário, se o considerarmos integralmente), um tempo definido em que se sentiu e viveu um ambiente alterado pela presença da notícia.
O intervalo de tempo processual, é verdade, pode se estender para além do término da notícia (ou do noticiário). Nada impede a notícia de reverberar internamente mesmo depois de sua exibição e correspondente apreensão pelo sujeito. A memória pode seguir elaborando e reelaborando a diferença internalizada. Mas, em certo sentido, esse poderia ser considerado já um outro tempo processual. O instante t representa o momento em que a notícia terminou. Se o estado do sistema segue a mudar a partir disso, será já um outro estado que apresentará. Deixará de ser um E (t) para ser um E (t1), por exemplo, mesmo que a assimetria externa não esteja mais presente no ambiente. A informação que gerou o desequilíbrio entre os instantes τ e t, entretanto, permanecerá registrada na memória do indivíduo.