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O estudo sobre a questão da Instrumentalidade e as dimensões prático- sociais do exercício profissional na Educação exige a análise do espaço sócio ocupacional de trabalho do assistente social no IFRN, no conjunto do trabalho coletivo, inserido em diferentes processos de trabalho.

Torna-se importante demarcar que o assistente social vinculado ao IFRN, na condição de trabalhador, se insere no processo social de trabalho, numa dada totalidade social, na e a partir da divisão social e técnica do trabalho, ocupando uma função nos espaços sócio-institucionais a que se vinculam como profissionais. No exercício desta função, o assistente social desenvolve atividades circunscritas nas instituições sociais, particularmente nos campi do IFRN, expressando-se como um indivíduo ativo, produtivo, relacionado e engajado num processo de prestação de serviços através de seu trabalho. Neste sentido, de acordo com Nicolau (2005)

[...] sua atividade permite-lhe objetivar-se, ao mesmo tempo em que lhe é estruturante, vez que este processo polariza não apenas seu intelecto e suas energias físicas, mas o contempla em suas múltiplas dimensões, possibilitando-lhe expressar-se e se circunscrever. Trata-se, portanto, de uma atividade que envolve o homem na produção de si, no mesmo movimento da produção social e simbólica, numa relação de unidade e luta com a natureza, em cujo embate ele a transforma e é por ela transformado. O que caracteriza o homem nesse processo de construção, é que, a um só tempo, ele é individual e social (Idib., p. 159).

Essa atividade humana, compreendida como trabalho, que se faz mediada por um processo de humanização, no processo de construção da sociedade, se expressa como um elemento constitutivo do ser social. Neste sentido, o trabalho, na condição de atividade humana, que se mediatiza pela linguagem e pelo ato de se pôr consciente na relação com o outro homem e com a natureza, torna-se condição fundamental para existência do homem88 (cf. LUKÁCS, 1979).

88“A humanização do homem, nessa perspectiva, tem no acesso ao simbólico e, neste, à linguagem, a condição de designar coisas, dar sentido aos objetos e situações e estabelecer relações de unidades e de diferenças entre o meio natural, material, científico, sociocultural, espiritual e intelectual, usando para isso signos, símbolos e significados, na sua comunicação com o outro.” (NICOLAU, 2005, p. 160). Ver melhor em Vygotsky (1988, 1989) e em Leontiev (1988, 1991).

Note-se que o assistente social é um trabalhador especializado em Serviço Social, que vende sua força de trabalho em troca de um salário, na particularidade desta pesquisa, nas unidades institucionais do IFRN, as quais têm demandado e requisitado seu exercício profissional89. Segundo Nicolau (2005, p. 162)

Para que esta força ou capacidade de trabalho transforme-se em atividade prática, ou seja, em trabalho, torna-se fundamental o uso dos meios e objetos necessários à sua efetivação. Logo, o assistente social vende um conjunto de instrumentos técnicos operativos, conhecimentos e habilidades, histórica e socialmente construídos e reconhecidos como da sua força de trabalho, elementos estes necessários à objetivação da sua ação profissional.

Tenha-se presente que o contrato de trabalho dessas profissionais com o IFRN viabiliza o ingresso das assistentes sociais ao mercado de trabalho, na condição de proprietárias de uma força de trabalho universitária, que as legitimam para o exercício de seu trabalho. De acordo com os dados enunciados no quadro 1, é possível inferir sobre a condição de qualificação desses profissionais para o exercício do seu trabalho no âmbito dos campi do IFRN

QUADRO 1 – Qualificação dos profissionais do IFRN

Nome

fictício Ano de Conclusão da Graduação Instituição de Ensino Faixa Etária

01 Ana 1996 UFRN Acima de 41

02 Bia 2006 UFRN Entre 26 e 30

03 Cris 2001 UFRN Entre 36 e 40

04 Déa 2006 UFRN Entre 26 e 30

05 Elis 1999 UFRN Entre 36 e 40

06 Flor 2008 UERN Entre 36 e 40

Fonte: Pesquisa de Campo do Mestrado realizada por MEDEIROS, Izabelle Emanuele Santos, no

IFRN, no período de agosto a dezembro de 2012.

Conforme os dados elucidados pode-se afirmar que 100% dos sujeitos entrevistados possuem qualificação-acadêmica profissional, alcançada por meio de formação universitária, sendo dotadas, portanto, de qualificação específica na área

89 Para Braverman (1981, p. 55) tem início um processo de trabalho através de “[...] um contrato ou

acordo que estabelece as condições da venda da força de trabalho pelo trabalhador e sua compra pelo empregador”. Na ótica de Marx (1996), é a força de trabalho, enquanto capacidade humana de

executar trabalho - para aqueles que vivem do trabalho - que exige ser consumida ou acionada para que se efetive. O trabalho, neste caso, define-se como força de trabalho em ação “[...] proposital, orientado pela inteligência, é produto especial da espécie humana.” (ibid., p. 52).

de Serviço Social para o exercício do seu trabalho profissional como assistente social, em consonância com as orientações da Lei que Regulamenta a profissão (Lei 8.662/1993).

Observa-se, também, que 100% das entrevistadas concluíram o Curso de Graduação em Universidades Públicas, todas sediadas no estado do Rio Grande do Norte, sendo 05 (cinco) pela UFRN e 01 (uma) pela UERN. A faixa etária dos sujeitos da pesquisa se assemelhou ao perfil da profissão realizado pelo CFESS, das entrevistadas, 50% possui idade entre 26 e 30 anos e 50% entre 36 e 45.

Em relação ao processo formativo, apenas 02 (duas) assistentes sociais não se formaram a partir do currículo de 1996 e, sim de 1982, embora 01 (uma) delas tenha participado da fase transitória da reformulação das Diretrizes Curriculares atuais. Isto significa que a maioria das entrevistadas vivenciou, no processo formativo, a proposta de formação profissional orientada pela direção social crítica que norteiam as Diretrizes Curriculares. Essas Diretrizes, associadas ao Código de Ética Profissional e a Lei que Regulamenta a Profissão constituem o Projeto Ético Político Profissional (PEP). PEP que vem através de sua direção social crítica centrando esforços na formação de um assistente social generalista90, crítico, capaz

de pensar e propor ações no campo das políticas sociais,

com competência teórico-metodológica, técnico-operativa e ético-política [...] requisitos fundamentais que permitem ao profissional colocar-se diante das situações com as quais se defronta, vislumbrando com clareza os projetos societários, seus vínculos de classe, e seu próprio processo de trabalho (ABEPSS, 1996, p.13)

As assistentes sociais, sujeitos desta pesquisa, portam uma Instrumentalidade construída em seu processo formativo, expressa em suas dimensões prático-sociais. Ao se inserir no mercado de trabalho vendem uma força de trabalho especializada, como trabalhadoras assalariadas - de fato - pela via da prestação de serviços sociais através da implementação da política de assistência ao educando, em instituições públicas. Essa venda da força de trabalho se dá pela mediação de um contrato de compra e venda que, como qualquer mercadoria, tem valor de uso e de troca. Concretizado o contrato, a força de trabalho das assistentes sociais assume um valor de uso no processo de trabalho das instituições

contratantes (IFRN), passando a ser consumida mediante o atendimento as necessidades humanas, que chegam como demandas, cujo efeito é ser útil como trabalho ou atividade.

Tem-se presente que no meandro dessas relações, o espaço de trabalho (o qual tem a função historicamente constituída) do assistente social se constitui e é configurado, em seu processo interventivo.

Estabelecendo uma aproximação destas reflexões de análise da realidade concreta do trabalho das assistentes sociais, sujeitos desta pesquisa nos campi do IFRN, é preciso ter presente que a identidade e a consequente legitimidade na esfera social do Serviço Social, associam-se à prestação de serviços sociais. Na particularidade desta pesquisa, a prestação dos serviços socioassistenciais ao educando, em relação à qual existe uma demanda e requisição concreta, que se amplia no nível das instituições públicas e privadas em várias áreas de atuação, inclusive na área da educação91.

A ampliação da requisição de assistentes sociais no IFRN se deu mediante a necessidade de operacionalização direta das “políticas de assistência ao educando”, ou seja, através de programas e projetos no campo da assistência estudantil e das ações afirmativas, na esfera pública, e de organização não governamentais sem fins lucrativos. E, também da necessidade de execução de programas e projetos de concessão de bolsas que fazem parte da política de assistência ao estudante. Embora seja considerado à diversidade das formas de inserção e atuação dos assistentes sociais nos espaços sócio ocupacionais que implementam a Política de Educação, esse tipo de demanda institucional predomina as requisições e demandas feitas ao assistente social. Guerra (2002a, p. 13) afirma

(...) de fato há uma invasão da racionalidade racionalista e instrumental do capitalismo na profissão, na medida em que o assistente social atua em políticas sociais de caráter terminal, que ao longo do processo histórico vem atendendo múltiplos interesses do capital (embora não apenas), dentre eles, os de administrar os conflitos, compensar os baixos salários e manter a força de trabalho viva e apta para a produção e o consumo, políticas sociais que não se configuram como políticas de fato, mas como programas e projetos na sua maioria de cunho assistencialista, paternalista, de objetivos

91 Destaca-se a presença de 30,44% de assistentes sociais nos Conselho de Direitos ou de Políticas Sociais. “[...] As maiores frequências incidem nas áreas de: assistência (35,45%), criança e adolescente (25,12%), saúde (16,67%) idoso (7,08%), direitos humanos (6,57%), mulher (4,23%), portador de deficiência (1,41%) (IAMAMOTO, 2009b, p.6).

eleitoreiros, descontínuas e que se alteram de acordo com a política econômica [...], programas e/ou projetos que não visam intervir na chamada (pelo pensamento conservador) questão social, mas apenas distensioná-la; conter tais tensões pela abstração de seus conteúdos revolucionários [...]

Demarca-se de forma concreta que no Rio Grande do Norte, a instituição que demanda e mais emprega assistentes sociais na área da Educação, mediante concurso público, é o IFRN, em razão da Política Educacional implantada incialmente pelo governo Lula e ampliada pelo governo Dilma Rousseff, como também pelo Plano Nacional de Assistência Estudantil (PNAS) das IFE’s como já foi abordado no segundo capítulo dessa pesquisa.

As assistentes sociais, sujeitos desta pesquisa, estão inseridos na divisão social e técnica do trabalho no IFRN nos campi: Natal Central, Natal Zona Sul, Santa Cruz, Currais Novos e Ipanguaçu. Além de todas serem concursados (100%), todas possuem vínculos empregatícios, sob a forma de contratos estatutários, fazendo parte dos 38,34% dos assistentes sociais que no Brasil são estatutários, em detrimento dos 61,66% que se encontram em situação de precarização em seus contratos de trabalho e apresentam fragilidades nas relações de trabalho92.

Note-se que a forma de ingresso dessas profissionais no IFRN foi por meio de concurso público, e essa forma propicia a essas profissionais estabilidade93, por se

tratar de um cargo público efetivo, o que lhes afastam do domínio do medo da demissão e outras situações que envolvem contratos precarizados do trabalhador assalariado94. Tenha-se presente que a luta para que a inserção dos assistentes

sociais no mercado de trabalho se efetive por meio de concursos públicos, se constituiu pauta de campanhas do conjunto CFESS-CRESS, desde o final de 2012,

92“Em relação ao tipo de contrato de trabalho, os dados são eloquentes na demonstração da precarização. Somente 38,34% são estatutários, 25,04% não têm vínculo permanente, 19,56% recebem apenas cargos comissionados e 12,84% são regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), o que revela a extrema fragilidade nas relações de trabalho.” (BOSCHETI, 2011, p. 567).

93 Tal estabilidade só é conquista após o período de estágio probatório.

94 A precarização do exercício profissional se expressa por meio de suas diferentes dimensões: desregulamentação do trabalho, mudanças na legislação trabalhista, subcontratação, diferentes formas de contrato e vínculos que se tornam cada vez mais precários e instáveis, terceirização, emprego temporário, informalidade, jornadas de trabalho e salários flexíveis, multifuncionalidade ou polivalência, desespecialização, precariedade dos espaços laborais e dos salários, frágil organização profissional, organização em cooperativas de trabalho e outras formas de assalariamento disfarçado, entre outras. (GUERRA, 2010, p. 719)

quando foi lançada uma nova edição da campanha nacional por "Concursos Públicos para Assistentes Sociais".

Os assistentes sociais formam uma categoria com mais de 120 mil profissionais95, que trabalham em sua maioria no setor público, pela efetivação dos

direitos da população brasileira, dessa forma a estabilidade e direitos trabalhistas garantidos, fortalece a autonomia profissional e a defesa por melhores condições de trabalho. A estabilidade dá maior segurança aos vínculos empregatícios de assistentes sociais, “o resultado é uma categoria mais organizada e preparada para discutir seu papel dentro das instituições, bem como qualificada para realizar seu trabalho.” (CFESS, 2012, s.p.). Essa autonomia rebate diretamente no direcionamento teórico-político do exercício profissional das entrevistadas, contribuindo, assim, com uma possível efetivação de uma instrumentalidade de mediação.

Inseridos no IFRN como profissionais concursadas e com estabilidade, as assistentes sociais concretamente se colocam como trabalhadoras que vendem sua força de trabalho em troca de um salário, possibilitando, portanto, o ingresso do seu trabalho “no processo de mercantilização e no universo do valor e da valorização do capital.” (RAICHELIS, 2011, p. 424). Nesse contexto, as assistentes sociais, como trabalhadoras assalariadas exercem suas atividades profissionais, em resposta às necessidades sociais, que são transformadas em demandas sociais, sendo mediadas pela dinâmica do mercado de trabalho - produção, troca e consumo das mercadorias (de bens e serviços), no âmbito da divisão do trabalho social coletivo.

Note-se que o assistente social ao vender sua força de trabalho em troca de um salário, encontra-se submetido aos dilemas e constrangimentos do trabalho assalariado. O regime de trabalho de todas as profissionais entrevistadas é estatutário com carga horária de 40 horas, porém 05 (cinco) dos sujeitos entrevistados trabalham 30 horas, apenas 01 (uma) assistente social não trabalha com a carga horária reduzida, pelo fato dessa profissional assumir um cargo de direção e trabalhar com o regime de dedicação exclusiva.

95 CFESS, (2012). Disponível em:

http://www.cfess.org.br/arquivos/FOLDER_CONCURSOPUBLICO_CORTE.pdf. Acesso em: 03 jul. 2013.

No IFRN não vigora a Lei Nº 12.317/2010, que dispõe sobre a jornada de trabalho do assistente social fixando-a em 30 (trinta) horas semanais. As assistentes sociais trabalham com redução da carga horária devido à Portaria nº 1880/2012- Reitoria/IFRN que autoriza a flexibilização da jornada de trabalho às instituições que funcionam nos três turnos. Sendo assim, as profissionais trabalham 6 (seis) horas diárias e possuem carga horária de 30 (trinta) horas semanais, salvo casos de regime de tempo integral definidos em legislação específica.

É nesse sentido que a luta do Conjunto CFESS-CRESS, pela implementação da lei que determina a jornada máxima de trabalho da categoria em 30 horas sem redução salarial, permanece ativa e avança cada dia mais. Em 22 de março de 2013, o CFESS entrou com uma ação de antecipação de tutela na Justiça Federal do Distrito Federal para que assistentes sociais de todo o Brasil tenham direito à jornada de trabalho reduzida, conforme a Lei 12.317/ 2010, que complementou a Lei de Regulamentação da Profissão (8.662/1993) (CFESS, 2013, s.n.). Ações como essas devem ser encampadas por toda a categoria profissional, principalmente por aqueles trabalhadores que tem seu direito negado.

Questionadas sobre a luta encampada pelo conjunto CFESS-CRESS em torno da implementação da lei 12.317/2010 das 30h, os assistentes sociais responderam

Talvez todo mundo volte a trabalhar às 40 horas por causa da CGU (Controladoria-Geral da União). Se isso acontecer a categoria vai ter que correr atrás para implementar a Lei das 30 horas. (BIA).

A gente sinalizou a questão da Lei das 30h, mas eles falam da questão de que existem outros decretos que estão acima da lei. (DÉA).

[...] a gente está nessa briga, o procurador do IFRN entrou com uma ação contra a categoria dizendo que nossa lei era inconstitucional, ele disse que tinha que partir do executivo, e na verdade partiu da câmara dos deputados e Lula sancionou [...] Estamos com advogado do sindicato de todos os servidores do IFRN, estava tudo parado, mas parece que agora veio à tona a questão das 40h com a CGU, então a gente está se mobilizando para ver o que podemos fazer. (FLOR).

As falas das assistentes sociais entrevistadas deixam compreender que há uma consciência a respeito do direito que elas têm, como trabalhadoras, de redução da carga horaria para trinta horas semanais sem redução de salário. Inclusive já

tendo constituído advogado em defesa da causa, uma vez que o IFRN considera inconstitucional sua implementação.

Tenha-se presente que a jornada de trabalho de trinta horas semanais, sem redução do salário encampada pelo conjunto CFESS/CRESS, significa uma conquista da categoria profissional, que mesmo não alterando substantivamente “a estrutura da organização do trabalho, possibilita diminuir a sobrecarga do trabalho, o que pode melhorar a saúde do(a) trabalhador(a) e, ainda impor limites à exploração do trabalho pelo capital.” (BOSCHETI, 2011, p. 567). Por outro lado é de conhecimento que este “importante direito vem sendo contestado judicialmente sua implementação pela Federação Nacional da Saúde junto ao STF, e muitas instituições públicas resistem à sua implementação.” (BOSCHETI, loc. cit.).

Tratando ainda das condições objetivas de trabalho das assistentes sociais referentes ao tempo de trabalho desses sujeitos, os dados das entrevistas revelaram que no IFRN, 83,33% das entrevistadas trabalham a mais de 03 (três) anos na instituição, enquanto 16,67% trabalham apenas há 02 (dois) anos. Embora seja um tempo mínimo de vivência e experiência de trabalho, entende-se ser um tempo razoável para a apreensão da realidade institucional em sua dinâmica pelas assistentes sociais. É evidente que aqueles profissionais que trabalham a apenas 02 (dois) anos na instituição se encontram ainda em um processo de apropriação da realidade institucional, é o caso de uma entrevistada que a propósito enfatizou no início da entrevista:

Antes de a gente começar a entrevista eu gostaria que você soubesse que a coordenação de atividades estudantis é um nó, e eu estou começando a aprender. Eu comecei a trabalhar recentemente, faz apenas 02 anos. Então nesse início eu me debrucei sobre os documentos institucionais para me apropriar desse fazer. Eu ainda tenho muitas dúvidas sobre o trabalho e me sinto muito só. Sempre que eu preciso de informações eu ligo para a DGAE e as assistentes sociais que se mostram muito solícitas. (FLOR).

Note-se que no exercício da profissão, o saber que o profissional recebeu e construiu no seu processo formativo (o qual fundamenta as dimensões pratico- social, teórico-intelectual, técnico-operativo, ético-político, investigativa e formativa) passa por um processo de reelaboração em relação ao saber próprio das instituições. Este saber das instituições deve ser apropriado pelos profissionais em

seu espaço de trabalho. Trata-se de um saber específico acerca do fazer profissional que dá conta daquele fazer no cotidiano, mediatizado em um processo de trabalho que exige uma Instrumentalidade, quando da implementação de políticas sociais, em respostas a necessidades, transformadas em demandas postas à instituição.

Os assistentes sociais neste processo “[...] utilizam, criam, adéquam às condições existentes, transformando-as em meios/instrumentos para a objetivação das intencionalidades, suas ações são portadoras de instrumentalidade.” (GUERRA, 2002b, p. 02). Quando Flor evidencia:

Então nesse início eu me debrucei sobre os documentos institucionais para me apropriar desse fazer. Eu ainda tenho muitas dúvidas sobre o trabalho [...] eu preciso de informações eu ligo e [...] as assistentes sociais se mostram muito solícitas.” (FLOR).

Ela revela a necessidade do sujeito que vai para o exercício profissional de construir e reconstruir um novo saber, que, necessariamente, levantará questões, terá duvidas, problematizará a realidade institucional, fará indagações, buscará informações de diferentes ordens aos demais profissionais envolvidos, no processo de apropriação de novo saber institucional que lhe é apresentado.

Segundo Nicolau (2005, p.138), “[...] o saber que se constrói no processo de trabalho tem sua especificidade articulada aos interesses de diferentes ordens que marcam a totalidade na qual aquele trabalho se realiza”. E, neste sentido, todo trabalho social necessita de Instrumentalidade, portanto, nesta lógica, “o saber do

fazer-profissional confronta-se às informações recebidas no processo formativo,

reconstruindo-as ao estabelecer alianças que garantirão as condições concretas de sobrevivência do trabalhador (NICOLAU, loc. cit.).

Ainda tratando das condições objetivas do trabalho profissional, tem-se a reflexão acerca da condição salarial do profissional que tem implicações diretas na sua sobrevivência como trabalhador. Tratando-se, portanto, da faixa de rendimentos das entrevistadas, identificou-se que 100% dos sujeitos entrevistados recebem entre 06 (seis) e 08 (oito) salários mínimos, que vai de R$ 4.068,00 à R$ 5.424,00. Se for comparado à média de salários recebidos pela maioria dos assistentes sociais no

Benzer Belgeler