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1.3 Ruhsal Travma

1.3.2 Göç, Çocuk ve Travma Sonrası Stres Bozukluğu

A Instrumentalidade do trabalho do assistente social é pensada como mediação, uma vez que se constitui em uma particularidade sócio-histórica da profissão, se apresenta como categoria reflexiva, e tem a capacidade de mostrar as diferentes formas de inserção do Serviço Social nos distintos espaços sócio- ocupacionais, bem como suas competências e requisições. Ela é capaz de mostrar o concreto particularizado nos diferentes modos de operar da profissão, ou as “mediações particularizadoras que conferem existência real” à profissão em contextos e espaços sócio-históricos determinados (LESSA, 1999; GUERRA, 2000). A mediação é uma das categorias centrais da dialética. No pensamento marxista ela é a responsável pela passagem do nível da singularidade e da universalidade para o nível da particularidade. “[...] a mediação aparece em um complexo categorial com um forte poder de dinamismo e articulação”. Ela é a grande “[...] responsável pelas relações móveis que se operam no interior de cada complexo relativamente total e das articulações dinâmicas e contraditórias entre as estruturas sócio-históricas.” (PONTES, 2003, p. 208). Guerra (2000), amparada em Lukács, ainda afirma que, no movimento dialético do universal ao particular e vice-versa, deve-se observar que o meio mediador (a particularidade) é sim, em certa medida, um inteiro campo de mediações.

Compreende-se que, pelo trabalho o homem desenvolve outras mediações que são postas pela práxis77: consciência, linguagem, intercâmbio, conhecimento,

77 Há que se diferenciar a práxis da atividade (ação), a práxis pressupõe a transformação consciente e teleológica. A práxis se apresenta como uma atividade material, transformadora e adequada a fins. De acordo com Vázquez, “as modificações impostas aos fins de que se havia partido para conseguir uma passagem mais cabal do subjetivo ao objetivo, do ideal ao real, só fazem demonstrar, ainda mais vigorosamente, a unidade entre o teórico e o prático na atividade prática. Esta, como atividade ao mesmo tempo subjetiva e objetiva, como unidade do teórico com o prático na própria ação, é transformação objetiva, real, na matéria através da qual se objetiva ou realiza um fim; é, portanto, realização guiada por uma consciência que, ao mesmo tempo, só guia ou orienta – e isso seria a expressão mais perfeita da unidade entre teoria e prática – na medida em que ela mesma se guia ou orienta pela própria realização de seus fins.” (VÁZQUEZ, 2011, p. 237).

dentre outras, elas estão no nível da reprodução do ser social como um ser histórico. Para que o trabalho seja desenvolvido, se faz necessário desenvolver as relações sociais e o processo de reprodução social, como um todo. E isso demanda a existência de outras mediações tais como: a ideologia, a teoria, a filosofia, a política, a arte, o direito, o Estado, a racionalidade, a ciência e a técnica; essas são mediações de complexos sociais. Tais complexos sociais são chamados por Lukács (1979) de mediações de “segunda ordem”, pois as de primeira ordem referem-se ao trabalho, objetivam proporcionar uma determinada organização nas relações entre os homens e localiza-se no âmbito da reprodução social (cf. GUERRA, 2000).

Ontologicamente, pode-se afirmar que o trabalho possui Instrumentalidade, pois na busca pela satisfação de suas necessidades, o homem, através de seu pôr teleológico, projeta finalidades, planeja suas ações, escolhe formas mais adequadas de atingir suas finalidades; constrói, reconstrói e aperfeiçoa instrumentos de trabalho a serem utilizados, sendo assim é também um ser crítico.

O trabalho, segundo Marx (1996), é o metabolismo entre o homem e a natureza e, a partir dele, o homem apropria-se da matéria natural e a transforma em produtos úteis para si próprio.

O pensamento e a linguagem78 são determinações fundamentais constitutivas

e constituintes do movimento que dá substância a sociabilidade humana. Esse movimento se dá na medida em que o trabalho, enquanto atividade prático-social, permite ao homem transformar a natureza e, ao fazê-lo, transformar-se a si mesmo e aos outros homens. “O trabalho, enquanto atividade humana mediatizada pela linguagem e pelo ato de se pôr consciente na relação com o outro, é condição fundamental para sua existência como homem.” (NICOLAU, 2005, p. 160). Os homens sentem necessidades e a satisfação delas se dá pela via do trabalho, na qual o homem cria os meios para chegar a essa satisfação, recriando assim, sua reprodução enquanto ser prático-social. O trabalho é a condição da existência humana, o homem só existe enquanto ser que trabalha.

78“A linguagem é tão antiga quanto a consciência – a linguagem é a consciência real, prática, que existe também para outros homens, que existe, portanto, também primeiro para mim mesmo e, exatamente como a consciência, a linguagem só aparece com a carência, com a necessidade dos intercâmbios com os outros homens”, ou seja, “[...] a consciência da necessidade de entrar em relação com os indivíduos que o cercam marca, para o homem, o começo da consciência do fato de que, afinal, ele vive em sociedade.” (MARX; ENGELS, 1998, p. 24-5).

Por meio de um projeto ou finalidade, o homem emprega sua força ou capacidade de trabalho79 na ação sobre o objeto que pretende transformar. Essa

relação é mediada pelos meios de trabalho ou condições materiais sobre as quais o trabalho se realiza. “Os meios de trabalho não são só medidores do grau de desenvolvimento da força de trabalho humana, mas também indicadores das condições sociais nas quais se trabalha.” (MARX, 1996, p. 299). Ou seja, a partir dos meios de trabalho pode-se verificar em qual época econômica aquele processo de trabalho foi ou é realizado.

As finalidades do processo de trabalho são permeadas pelo confronto entre as necessidades e a realidade, ou seja, o homem como ser social possui a dimensão teleológica, que é constitutiva e constituinte de seu ser, e possibilita o seu desenvolvimento enquanto ser crítico e transformador, mas essa dimensão esbarra nos limites e possibilidades das condições materiais e objetivas da realidade em que o trabalho é realizado.

O processo produtivo de trabalho tem como elementos constitutivos: matéria- prima, meio, força de trabalho e produto. Este último adquire valor de uso na medida em que o homem, por intermédio do trabalho, transforma a natureza criando e recriando modos de produção e realizando sua própria essência. O trabalho coloca- se assim, como forma primeira e privilegiada de práxis. Segundo Vázquez (2011, p. 221), “toda práxis é atividade, mas nem toda atividade é práxis”. A práxis se realiza quando há a passagem do ideal para o real, quando há a transformação da matéria por via da teleologia, da consciência e do trabalho, ou seja, por via da unidade entre a teoria e a prática. Por meio da práxis de determinadas condições sócio-históricas, o trabalho passa a adquirir características específicas.

O processo de trabalho é a capacidade de produção de produtos úteis, estes por sua vez, são dotados de valores de uso, ou seja, são matérias naturais transformadas pelos homens para atingirem suas necessidades. Esses produtos são concomitantemente “resultados e condições do processo de trabalho.” (GUERRA, 2000, p. 7), na medida em que são os fins – produtos – e meios – instrumentos para a obtenção de novas finalidades. Neste sentido Marx (1996, p. 298) afirma

79“Por força de trabalho ou capacidade de trabalho entendemos o conjunto das faculdades físicas e espirituais que existem na corporalidade, na personalidade viva de um homem e que ele põe em movimento toda vez que produz valores de uso de qualquer espécie”. (MARX, 1996, p. 285)

O meio de trabalho é uma coisa ou um complexo de coisas que o trabalhador coloca entre si mesmo e o objeto de trabalho e que lhe serve como condutor de sua atividade sobre esse objeto. Ele utiliza as propriedades mecânicas, físicas, químicas das coisas para fazê-las atuar como meios de poder sobre outras coisas, conforme o seu objetivo.

É por meio desse movimento de transformação da natureza que o ser social se objetiva. O homem atuando sobre a natureza externa a ele, a modifica, como também modifica a si mesmo, sendo assim, o trabalho em sua materialidade produz muito mais do que apenas produtos. “Ao atuar, por meio desse movimento, sobre a Natureza externa a ele e ao modificá-la, ele modifica, ao mesmo tempo, sua própria natureza.” (Ibid., p. 297). O processo de trabalho, portanto, exige elementos imateriais, mesmo sendo o seu produto de natureza material, tais elementos são: necessidade, alternativas, projeção no nível da consciência das consequências de cada alternativa, escolha. O ser social objetiva-se na medida em que escolhe a melhor forma de atingir seus fins e transforma a natureza construindo algo novo: “O trabalho se uniu com seu objetivo. O trabalho está objetivado e o objeto trabalhado. [...] Ele fiou e o produto é um fio.” (Ibid., p. 300).

A Instrumentalidade presente no processo de trabalho se materializa não só na relação dos homens com o objeto de trabalho, mas também na relação dos homens com os homens. Nesta última, é criada a dominação sobre aquele que produz e sobre o que é produzido, bem como a alienação da atividade, na medida em que o produtor não reconhece mais o seu trabalho e não se identifica com o que produz. Esse processo de trabalho, não vislumbra mais a criação de produtos com valores de uso80 para aquele que o produziu, esse é o processo de trabalho

capitalista, no qual o produtor não é mais detentor dos meios de produção, dos instrumentos, das habilidades e dos conhecimentos.

Nesse tipo especial de trabalho, o trabalhador detentor apenas de sua força de trabalho, vende-a como mercadoria81. Quem compra essa força de trabalho é o

capitalista, o detentor dos meios de produção, no momento da aquisição dessa mercadoria, o capitalista adquire o direito de utilizar essa força de trabalho por um

80“O valor de uso de cada mercadoria encerra determinada atividade produtiva adequada a um fim, ou trabalho útil.” (MARX, 1996, p. 172).

81 “A mercadoria é, antes de tudo, um objeto externo, uma coisa, a qual pelas suas propriedades satisfaz necessidades humanas de qualquer espécie.” (MARX, 1996, p. 165).

período de tempo determinado. Nesse caso, a força de trabalho é comparada a outras mercadorias no momento em que é colocada no mercado para ser vendida.

O processo de produção capitalista vislumbra como fim de seu processo de produção a criação de uma mercadoria, a qual será vendida no mercado por um valor muito superior ao que o capitalista investiu em sua produção. Como toda forma de produção capitalista materializa-se em uma mercadora, o trabalho privado pode ser visto como dois tipos.

O primeiro é o trabalho concreto, na medida em que produz mercadorias para satisfazer as necessidades sociais, nesse sentido, o trabalho possui um valor de uso; o segundo seria o trabalho abstrato, quando produz mercadorias com valores de troca – permutáveis. Ou seja, o trabalho abstrato é a substância do valor.

No trabalho abstrato os trabalhadores são despidos de suas especificidades, nele há apenas “[...] a combinação de ofícios autônomos de diferentes espécies, que são despidos de sua autonomia e tornados unilaterais até o ponto em que constituem apenas operações parciais que se complementam mutuamente” na produção de uma única mercadoria (MARX, 1996, p. 455). É um trabalho considerado como simples despesa de energias humanas, físicas e intelectuais. “O trabalho abstrato não é uma categoria arbitrária, mas social e historicamente desenvolvida.” (GUERRA, 2009b, p. 111).

No modo de produção capitalista maduro, o trabalho é alienado, fetichizado, assalariado, e as formas de relações sociais são reificadas. Marx (2006) discutiu a categoria da alienação em seus Manuscritos econômico-filosóficos de 1844, nos quais ele analisa a questão da alienação no trabalho. Ele parte de uma verificação muito clara presente na sociedade capitalista, na qual o trabalhador se empobrece na medida em que produz riqueza, na medida em que ele cria mercadorias e também se transforma em mercadoria. Em suas palavras:

O trabalhador torna-se tanto mais pobre quanto mais riquezas ele produzir, quanto mais a sua produção aumenta em poder e extensão. O trabalhador torna-se uma mercadoria tanto mais barata quanto maior número de bens produz. Com a valorização do mundo das coisas aumenta em proporção direta a desvalorização do mundo dos homens em proporção direta. O trabalho não produz apenas mercadorias; produz-se a si mesmo como uma

mercadoria, e, justamente na mesma proporção com que produz bens.

Partindo da análise da categoria alienação, Guerra (2009b, p. 122) mostra a via de liberação dos homens da racionalidade fetichizada que envolve a sociedade capitalista: se dará pelo “[...] domínio teórico de um complexo heurístico capaz de

compreender os sistemas de mediação e a (re)apropriação prática das relações entre os homens”.

O trabalho é esse movimento em que o homem modifica a natureza a partir de necessidades de sobrevivência, construindo seus instrumentos para transformá- la e, ao fazê-lo, transforma-se a si mesmo. “Nisso reside o caráter emancipatório da instrumentalidade do processo de trabalho.” (GUERRA, 2000, p. 8). Além das necessidades, há também no processo de trabalho razão e vontade “de modo que pode ser considerado não apenas uma atividade prático-material, mas também uma atividade crítica.” (GUERRA, loc. cit.). A razão que atua no esclarecimento das finalidades e na escolha dos meios, juntamente com a vontade na seleção dos melhores meios dentro dos limites possíveis, são componentes da liberdade dos homens.

Ao final do trabalho, o homem não será o mesmo homem, pois ele sempre adquire novos conhecimentos através de novas experiências vivenciadas no processo. O trabalho no nível da teleologia e da consciência detém a capacidade de produção de excedentes, de acordo com Guerra (2000, p. 8) citando Lukács “o fundamento ontológico objetivo consiste que o trabalho, teleologicamente, conscientemente posto, contém em si, desde o início, a possibilidade de produzir mais do que é necessário”, sendo assim, a gênese da divisão do trabalho, para o autor, é decorrente deste fato. A decisão por melhores alternativas é o elemento do processo de trabalho que, imediatamente, possibilita a criação da divisão do trabalho.

No processo de trabalho, o homem não será o mesmo, uma vez que, ao atingir suas finalidades na obtenção da satisfação de suas necessidades, novas necessidades serão criadas na medida em que ele adquire conhecimentos e habilidades para satisfazê-las. Esses últimos, são vitais para a criação dos vários tipos de conhecimento: científico, artístico, filosófico, técnico (GUERRA, 2000).

A passagem da prévia ideação para a ação, no processo de trabalho, requer instrumentalidade na medida em que exige a transformação de coisas em meios

para atingir as finalidades. Essa capacidade de conversão de coisas em meios só se dá no processo de trabalho, ela “como instância de passagem, possibilita passar das abstrações da vontade para a concreção das finalidades.” (ibid., p. 9).

Ao longo de suas trajetórias, todas as profissões, através de seus protagonistas, (re)constroem sua Instrumentalidade, na medida em que surgem novas necessidades sócio-históricas. Como o trabalho é o movimento em que o homem modifica a natureza para a satisfação de suas necessidades e de outros homens, e ao transformá-la também se modifica, o trabalho social pretende transformar a realidade. Dessa forma, a sociedade é reproduzida material e socialmente através dessa ação do homem.

O trabalho como praxis82, ou seja, como ação transformadora, é dotado de

Instrumentalidade, contudo a práxis não se resume a ela, ela precisa de várias capacidades/propriedades para se objetivar. Guerra (2002b, p. 03) observa que “se trabalho é relação homem-natureza, e práxis é o conjunto das formas de objetivação dos homens (incluindo o próprio trabalho) num e noutro os homens realizam a sua teleologia”. A Instrumentalidade está contida na postura teleológica, pois a partir dela o homem pode manusear e transformar objetos naturais em coisas úteis, com o objetivo de criar meios e instrumentos para atingir suas finalidades.

Contudo, a Instrumentalidade – que permite ao homem controlar a natureza convertendo-a em objetos e meios para a obtenção de suas finalidades – não se restringe a relação homem/natureza, de acordo com condições sócio-históricas específicas, ela se insere também nas relações homens/homem, o que acaba por interferir na reprodução social (Ibid., p. 04). Ou seja, o homem transforma-se em instrumento do próprio homem, tendo que vender ou comprar sua força de trabalho como mercadoria. A Instrumentalidade, nesta última colocação, converte-se no que Guerra (2002b) chama de “instrumentalização das pessoas”83, primordial para a

reprodução e manutenção da ordem burguesa. Na sociedade brasileira atual, ou seja, na sociedade do capital, após agudas transformações societárias, o processo

82 Ver melhor em Filosofia da Praxis, Adolfo Sánchez Vázquez.

83 “Instrumentalização das pessoas é o processo pelo qual a ordem burguesa, por meio de um conjunto de inversões transforma os homens de sujeitos em objetos, meios e instrumentos a serviço da valorização do capital.” (GUERRA, 2002b, p. 05).

produtivo do sistema capitalista consegue converter as “[...] instituições e práticas sociais em instrumentos/meios de reprodução do capital.” (Ibid., p. 05).

É através do caráter de capacidade, qualidade e propriedade, materializado no exercício profissional, que o trabalhador modifica e é modificado pelo meio de sua ação. Ou seja, sendo o Serviço Social uma profissão, inserido na divisão sócio- técnica do trabalho, os assistentes sociais dão instrumentalidade às suas ações na medida em que alteram o seu cotidiano e o cotidiano de seus usuários, como também, quando transformam as condições, meios e instrumentos que lhes são dados, em condições, meios e instrumentos para atingirem suas finalidades profissionais. Quando os assistentes sociais “[...] utilizam, criam, adéquam às condições existentes, transformando-as em meios/instrumentos para a objetivação das intencionalidades, suas ações são portadoras de instrumentalidade.” (Ibid., 2002b, p. 02). Sendo assim, todo trabalho social necessita de instrumentalidade.

Na lógica capitalista, o mercado de trabalho passa a ser o grande mediador para a questão da instrumentalidade no exercício profissional, pois nele são materializadas as requisições feitas às profissões, e, estas se transformam em demandas. Dessa forma, só a partir da agudização da questão social84, durante o

estágio monopolista, o Estado passou a intervir de forma mais sistemática e contínua na esfera social, o que abriu espaço na divisão sócio-técnica do trabalho tanto para o Serviço Social, quanto para outras profissões.

Com as necessidades sociais e econômicas das classes sociais, o Serviço Social ganhou utilidade social, na medida em que podia respondê-las. São estas que se transformam, por meio de muitas mediações, em demandas para a profissão. Entretanto há de se ressaltar que, as necessidades, por estarem imbricadas na ordem social constituída por duas classes elementares, são diferentes e antagônicas. Ou seja, a profissão deve dar respostas que tenham um significado

84 Na segunda metade do século XIX, houve a exposição clara da questão social através das lutas de classe. Por um lado, os trabalhadores foram à ação com greves e manifestações para fazer reivindicações contra a exploração extenuante do tempo de trabalho; a exploração do trabalho de crianças, mulheres e idosos, como também, por melhores condições de salário; e, por outro lado, os burgueses procuravam estratégias para lidar com a pressão da classe trabalhadora, que compreendiam “[...] desde a requisição da repressão direta pelo Estado, até concessões formais pontuais na forma de legislações fabris [...]” (BEHRING; BOSCHETTI, 2007, p. 54). Guerra (2002b, p. 05) define questão social como sendo a “[...] expressão do processo de formação e desenvolvimento da classe operária e do seu ingresso no cenário da sociedade, exigindo seu reconhecimento enquanto classe por parte do empresariado e do Estado”.

social reconhecido tanto por capitalistas, quanto por trabalhadores. A institucionalização do Serviço Social como uma profissão inserida na divisão social e técnica do trabalho deu-se por ser esta uma profissão voltada para o processo de controle racional da questão social, dito em outras palavras, dos conflitos entre capital e trabalho85. Para combater as diversas expressões da questão social, o

Estado instituiu as políticas sociais (modalidade histórica de enfrentamento da questão social).

A elaboração, implementação e execução das políticas sociais, bem como, o planejamento, organização e administração dos serviços sociais constituíram-se e constituem-se como parte das competências de atuação das assistentes sociais. Sendo assim, verifica-se que as políticas sociais possuem uma dimensão econômico-política (são resultados das lutas de classes, mas também são mecanismos de reprodução da força de trabalho), e uma dimensão técnico- operativa, cujo elemento instrumental reside na importância da atuação profissional, tanto no âmbito de sua formulação quanto de sua implementação.

Por muito tempo a atuação profissional do assistente social ficou voltada apenas para a fase da implementação das políticas sociais, hoje, no entanto, após a maturidade intelectual da profissão e compromisso político da categoria na defesa das políticas sociais, vê-se um esforço por parte dos assistentes sociais para consolidar seus espaços de atuação na formulação, gerenciamento, implementação e avaliação de políticas sociais.

Guerra (2002b., p. 7-8) situa a importância da reflexão acerca da atuação profissional no âmbito das políticas sociais

Por isso é importante, na reflexão do significado sócio-histórico da instrumentalidade como condição de possibilidade do exercício profissional,

Benzer Belgeler