Na proposta elaborada em 2007, na ocasião de adesão ao Reuni, consta que a sua implantação ocorrerá até 2012, um projeto para se desenvolver ao longo de quatro anos. No vestibular de 2008, realizou-se a primeira ampliação, constituída de 10 vagas na Engenharia Química e a oferta do Curso de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis pela Escola de Belas Artes, com 40 vagas.
Segundo o entrevistado 3, o Reuni está em processo de implantação e há cursos que ainda não se iniciaram. Assim, pode-se dizer que é um projeto que está no meio de sua implantação. Conforme esse entrevistado, ainda não há indicadores para avaliar os resultados, para que seja possível responder se os alunos estarão bem empregados, se terão um bom mercado de trabalho.
Ao se considerar o que foi projetado para ser implantado, basicamente está tudo em funcionamento. As dificuldades previstas para o primeiro
aumentaram os números de cursos e de alunos muito além da capacidade instalada e hoje têm problemas de falta de espaço físico. Nas outras, muitos problemas estão equacionados, os alunos têm aulas e professores são contratados. Porém, a contratação de docentes para o Reuni passa por problemas inerentes às contratações de professores em geral.
Esses educadores também sofrem problemas, conforme citado pelo entrevistado 3:
O MEC anuncia: ‘proibida a contratação’, não só para os professores do Reuni, mas os outros também; dois dias depois: 'agora pode contratar', e contrata. Aquelas coisas que acontecem regularmente. São os imprevistos previsíveis, com tudo acontecendo, os prédios estão sendo construídos. O Centro de Atividades Didáticas I está basicamente pronto, depois do projeto ter atrasado seis meses por que tinha um problema de licitação - coisas que acontecem mesmo na Universidade. Então a resposta quanto ao Reuni hoje, o projeto está sendo implantado dentro do que era previsível no cronograma correto. Os cursos, no que diz respeito ao vestibular, tem uns que têm tido uma alta procura, outros mais mediana para baixa, o que já eram os cursos antes do Reuni, então, nada que foge do que já era o padrão da UFMG.
Na opinião do entrevistado 3, há grandes vantagens que já se pode perceber: o Reuni povoou bem mais a universidade à noite, tanto de professores quanto de alunos, o que é um feito importante. Isso é algo que corresponde a um ganho para a UFMG, no sentido da inclusão, do uso do espaço e dos recursos. O Reuni já causou um aumento muito expressivo das bolsas na pós-graduação, que já se fez sentir na última avaliação da CAPES. Os primeiros departamentos que receberam as primeiras bolsas Reuni, que são basicamente para o ciclo básico, já tiveram mudanças resultantes do Reuni nos seus conceitos. Aumentou muito o número de dissertações e teses defendidas. A entrada de alunos nas vagas criadas pelo Reuni indica que houve uma melhora nos indicadores de inclusão.
O entrevistado 5 avaliou que, no primeiro semestre de 2011, a UFMG conseguiu implantar aproximadamente 90% das propostas do Reuni. Todos os cursos que foram abertos, os novos e os propostos para serem ofertados em horários diferentes, estão implantados. A UFMG ainda continua a receber
acordadas entre a UFMG e o Ministério de Educação. As vagas de técnico- administrativos também estão bastante encaminhadas, mais de seiscentos servidores para vários cargos foram admitidos.
Os recursos para a implantação do REUNI estão disponíveis e iniciou-se a licitação do terceiro Centro de Atividades Didáticas. As reformas nas unidades já existentes estão na dependência de uma negociação com o Conselho Universitário que, em dezembro de 2007, definiu a distribuição dos recursos iniciais para a construção dos Centros de Atividades Didáticas. A UFMG fará uma avaliação da necessidade de cada unidade, para que seja aplicada parte do restante dos recursos destinados para a infraestrutura em cada uma, em resposta à ampliação promovida por elas.
A respeito das ações promovidas pela equipe pedagógica do Giz, de acordo com o entrevistado 4, até pessoas incrédulas com os resultados do Giz, começaram a participar. Então a constituição da equipe cresceu na medida do aumento das ações favoráveis às inovações das práticas pedagógicas. O trabalho do Giz teve início com a formação de turmas de alunos de pós, com acompanhamento de alguns cursos. Como outros depois também demandaram os mesmos cuidados pedagógicos, houve necessidade de um maior número de pessoas para suprir a demanda emergente. Assim, a equipe cresceu, suas ações se ampliaram, porém, ainda não atingiu todas as unidades, devido ao elevado volume de trabalho. Algumas unidades, por exemplo, solicitaram trabalhos mais pontuais, como o Curso de Terapia Ocupacional, que necessitou de organização do programa de curso e das disciplinas e o de Odontologia que demandou formação pedagógica para todo o seu corpo docente. Dessa forma, o trabalho do Giz se consolida gradativamente, conforme suas ações atingem mais unidades da UFMG.
Quanto às perspectivas, o entrevistado 4 avalia ser exatamente esse movimento de adequação à realidade do docente que leva a aprovação da ideia de se ter um Núcleo Giz em cada unidade acadêmica, de maneira que esse núcleo possa ter na coordenação uma pessoa que articule os processos de ensino, os bolsistas da pós-graduação, os monitores de graduação e as
professores faça o acompanhamento dessas ações e veja os resultados, com autonomia para pensar seu próprio processo de ensino, em compartilhamento na rede UFMG. Assim sendo, o Giz Central seria o espaço de articulação dessas propostas.
Eu vejo que a cada dia fica mais nítida a ação do Giz em termos de formação de docentes para o ensino superior, ainda que a gente vá sempre dialogar com as tecnologias, nosso foco está na docência do ensino superior. As tecnologias estão dentro dessa formação junto de outras temáticas pertinentes. Vejo que o foco do Giz está ficando cada vez mais claro, que é a formação e o investimento na docência do ensino superior (Entrevistado 4).
Segundo o entrevistado 4, a receptividade pra começar a proposta de trabalho do Giz foi muito boa e esta permaneceu durante esses três últimos anos. Uma das ações que se consolida com ofertas periódicas é o Curso Formação em Docência do Ensino Superior, iniciado com os alunos de pós- graduação da Escola de Engenharia em 2008. Eles constituíram a Turma Piloto do Curso, que, no segundo semestre de 2011, está na sua 14ª oferta.
A equipe Giz foi se reestruturando e hoje não apresenta a mesma proposta inicial, nem é composta pelos mesmos membros: se agregaram novas ações, novos profissionais, até chegar ao que hoje se denomina de Giz – Rede de Desenvolvimento de Práticas de Ensino Superior. Na definição do entrevistado 4:
O Giz expressa bem a concepção de rede, de não ter alguém levando um modelo para o professor, mas, ao contrário, de colocá-lo como sujeito do seu próprio processo, tendo espaço para o compartilhamento das suas vivências, das suas experiências, seus sucessos, suas dificuldades. Então, foi se concretizando e as ideias que se tinha desde o início, foram se tornando realidade.
A novidade introduzida pelo Giz, para esse entrevistado, é mostrar aos professores novatos a existência de meios para o ensino e isso proporciona a eles reflexão sobre o curso, sobre a disciplina. Os trabalhos desenvolvidos com a Disciplina Cálculo 1 surtiu um efeito que emergiu do Reuni, sem que a equipe tivesse, no momento da concepção, claramente essa ideia. Era previsto o
acontecer era desconhecido.
Para o entrevistado 4, o que aconteceu foi a disponibilidade de mais meios para o professor e assessoria pedagógica na criação de novos cursos. Indo muito além daquilo que se esperava, o Giz possibilitou uma espécie de mediação positiva nos programas: o professor apresentava o conteúdo, e era levantada a seguinte questão: de que maneiras você pode apresentar esse conteúdo em sala de aula? Com isso foi criada, por exemplo, uma nova Disciplina Cálculo I, focada na aprendizagem. O professor que ministrava a mesma aula, da mesma forma há algum tempo, foi convidado a conversar sobre essa aula. Isso trouxe resultados positivos como a mudança metodológica, a utilização de recursos computacionais e a diminuição da evasão, como ocorreu na Disciplina Cálculo 1.
Verificou-se que o aprendizado ao longo dos quatro anos de implantação do Reuni na UFMG foi constante, em termos de como dialogar com o professor, de como se aproximar dele. Uma importante característica do Giz é de ser autorreflexível, estar sempre a se adaptar, constantemente a ouvir e a considerar o que o professor diz e, muitas vezes, em função disso, a se reorganizar. Assim, a inovação introduzida pelo Giz está na relação dialógica entre a equipe pedagógica e o professor, no trato das questões referentes ao ensino, com mudanças metodológicas focadas na aprendizagem.
As entrevistas com o professor Aluísio Pimenta e com os que participaram da implantação do Reuni na UFMG possibilitaram verificar que essa instituição foi pioneira em algumas ações de mudanças ocorridas nas universidades brasileiras, desde as atitudes do professor Mendes Pimentel, na ocasião da sua criação, e as ações do professor referido anteriormente, no momento que antecedeu à Reforma Universitária de 1968. As inovações e melhorias são possíveis a partir de pessoas e de grupos de pessoas que abraçam a causa da educação, sonham e agem a favor da modernização e da democratização do ensino superior na sociedade mineira. Como nos velhos tempos, as ideias aqui surgidas, mais uma vez se estenderam e influenciaram medidas a serem adotadas para todo o país, através dos textos legais como o
Por acreditar no valor formativo das ações do Giz desenvolvidas nesse momento histórico de expansão e reestruturação universitária, realizou-se a descrição detalhada das mesmas, na seção seguinte.