3. FOKUS GRUP
3.4. FOKUS GRUP GÖRÜŞMELERİNE İLİŞKİN METODOLOJİK
O tema da descentralização tem levantado interesse de teóricos da área de economia, ciência política e administração pública desde meados do século XX, sendo
58 que no início das discussões o foco era sobre seus benefícios. Tiebout (1956) considerava que a descentralização leva a maior variedade na oferta de bens públicos, que podem ser adaptados para atender melhor às populações locais.
No entanto, no final do século XX, surgem proposições contra a descentralização. Tanzi e Schuknecht (1996) argumentam que existem muitas imperfeições na prestação local de serviços que podem comprometer a realização dos benefícios da descentralização. Dentre as imperfeições o autor destaca a falta de qualificação dos funcionários públicos que pode levar a ineficiência no fornecimento de bens e serviços públicos.
Segundo Oates (2008) a literatura sobre o federalismo fiscal fornece argumentos tanto a favor como contra a descentralização. Primeiramente, descentralizar significa levar o governo para mais perto dos cidadãos o que tem muitas implicações sobre a gestão local. Notadamente, é necessário um nível mais elevado de conhecimento e informações sobre assuntos locais, para culminar numa prestação mais eficiente de serviços públicos e para um maior grau de democracia e responsabilidade, que permitam aos cidadãos controlar melhor o comportamento dos governantes.
Funcionários e políticos serão obrigados a gerir os recursos fiscais de forma responsável e fornecer serviços públicos com maior qualidade (OTO-PERALÍAS, ROMERO-ÁVILA e USABIAGA, 2013). Por todas estas razões, os modelos de federalismo fiscal salientam o importante papel desempenhado pela autonomia geração de receita própria (tributos) por governos subnacionais (RODDEN, 2003; OATES, 2008; WEINGAST, 2009).
Neste sentido, a descentralização pode ser considerada uma ferramenta para progredir no sentido da democratização do Estado e na promoção da justiça social, além corroborar para o equilíbrio financeiro na gestão fiscal. No entanto, deve-se estar atendo aos entraves que podem se antepor a este processo.
A descentralização pode gerar concorrência entre os entes federativos quando os governos subnacionais reduzem as taxas de impostos e os padrões de regulamentação no intuito de atrair novos negócios à sua jurisdição, levando a corrosão das fontes de receitas e a desequilíbrios orçamentais (OTO-PERALÍAS, ROMERO-ÁVILA e USABIAGA, 2013).
Weingast (2009) explica que o desenho do federalismo fiscal pode levar a excessiva dependência de transferências intergovernamentais e culminar numa gestão fiscal irresponsável por parte dos governos subnacionais.
59 A divisão do governo em vários níveis subnacionais aumenta a probabilidade de existir duplicidade de funções e desperdício de recursos. Da mesma forma, quando existem economias de escala, os governos subnacionais podem ser menos eficientes no fornecimento de bens e serviços públicos, se eles não apresentarem tamanho adequado (TREISMAN, 2002; EZCURRA e RODRÍGUEZ-POSE, 2011).
A descentralização deve ser tratada com cautela, uma vez que são perceptíveis os benefícios que proporciona a administração pública em termos de oferecimento dos serviços públicos e promoção da democracia e da justiça social. No entanto, é necessário o acompanhamento continuo do desenho do federalismo fiscal no intuito de evitar problemas de coordenação pelo governo central e promover a responsabilidade na gestão fiscal dos entes federativos subnacionais.
No Brasil, o processo de redemocratização e a promulgação da Constituição de 1988, tornou o país um dos mais descentralizados na distribuição de recursos tributários e de poder político (SOUZA, 1996). Desde então diversos estudos buscam analisar os efeitos da descentralização sobre a democratização do estado como Souza (1996, 1998, 2001); a criação de novos municípios Gomes e MacDowell (2000); a gestão pública municipal Junqueira (1998), Dallabrida e Zimermann (2009), Reis, Costa e Silveira (2013), Massardi e Abrantes (2014).
Massardi e Abrantes (2014) afirmam que os municípios foram os maiores beneficiados com o processo de descentralização fiscal entre os entes federativos em termos de volume de receita. A criação de relevantes mecanismos distributivos, como as transferências intergovernamentais, possibilitou aos municípios concentrar uma parcela maior de recursos. No entanto, também passaram a ser responsáveis por atribuições adicionais que antes eram da União, resultando em uma maior participação municipal nos gastos públicos, principalmente naqueles relacionados à educação e à saúde que possuem percentuais mínimos previstos na Constituição.
O processo de descentralização fiscal no Brasil ocorreu de maneira desorganizada, o que resultou em aumento das desigualdades socioeconômicas inter e intrarregional, devido à distribuição inadequada de recursos entre as esferas de governo (MORAES, 2006; MASSARDI e ABRANTES, 2014).
Moraes (2006) afirma que o cálculo de repasse do FPM (Fundo de Participação dos Municípios), principal transferência intergovernamental para os municípios, é realizado de forma arbitrária e simplista, pois leva em consideração apenas o número de habitantes e, no caso das capitais, o inverso da renda per capita.
60 Além disso, os tributos de competência dos municípios, principalmente IPTU e ISSQN, principais fontes de receitas próprias, são os que apresentam maiores dificuldades técnicas e políticas de arrecadação, principalmente em pequenos municípios que são mais deficitários em termos de gestão pública.
Apesar dos governos locais terem aumentado suas capacidades fiscais provenientes das novas competências tributárias, esse fenômeno ocorreu de forma heterogênea entre os municípios, sendo que a descentralização fiscal favoreceu apenas àqueles mais desenvolvidos economicamente (MASSARDI e ABRANTES, 2014).
Dessa forma, os municípios que são os entes federativos com maiores dificuldades em termos de gestão, apresentam problemas em manter o equilíbrio de suas contar e a qualidade da gestão fiscal. Isso porque, a descentralização das responsabilidades no oferecimento de recursos públicos não foi proporcional às receitas destinadas aos municípios quando do redesenho do federalismo fiscal no país. Diante dessas dificuldades, os municípios devem buscar mecanismos de gestão que contribuam para a alocação de recursos de forma eficiente garantindo a qualidade da gestão fiscal.