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4. GEREÇ VE YÖNTEM 1 Deney Hayvanları

5.5. Fluvastatin uygulamasının Rhokinaz düzeylerine etkiler

Qualquer conjunto de palavras, organizado à luz de uma sintaxe, forma uma sentença; contudo, há vários tipos de sentenças. Da mesma forma, um aglomerado de frases – que obedeça a uma espécie de sintaxe textual e a objetivos para a sua produção – pode formar discursos. No entanto, assim como diferenciamos um conjunto de frases de outro, também diferenciamos um conjunto de textos de outros –, ou seja, identificamos discursos diferentes.

Apesar da vasta discussão sobre a delimitação do objeto „discurso‟, iremos adotá-lo, de forma

não problemática, considerando-o a partir de propriedades mínimas necessárias para o

ocorressem. No entanto, como nosso trabalho faz interface com a comunicação, nada nos impede de também assumirmos uma semântica estável, convencional, mas nada nos obriga a assumir a interface com a lógica, dado que estamos tratando da interface com a comunicação, esse significado convencional será oferecido pela língua, pois aqui a semântica está a serviço da inferência comunicativa.

desenvolvimento do nosso trabalho – seguindo Costa (1984). Sendo assim, entenderemos por

„discurso‟ qualquer texto cuja situação de produção atribui-lhe uma existência concreta enquanto ato

comunicacional ligado a contextos e a intenções e enquanto veículo para comunicação cuja base e eficiência dependem da expressão linguística, ou seja, do uso real/potencial da linguagem para fins específicos.

Tais propriedades serão tomadas como os pilares mais fundamentais sobre os quais se sustenta e se expressa a natureza pragmática dos discursos jornalístico, político e jurídico, justificando-os, portanto, como ambiente propício para o surgimento do fenômeno linguístico que nos interessa, a saber, implícitos multiformes, e, portanto, locus ideal para avaliarmos a adequação do potencial teórico do modelo a ser construído e usado.

É importante ressaltar: não estamos tomando nenhum dos discursos – nem o jornalístico, nem o político e nem o jurídico  como objeto teórico. É metodologicamente impossível abordá-los, em si, como um todo. Cada um deles, assim como qualquer outro tipo, é, na verdade, um objeto, extremamente complexo, constituído não apenas de fatores linguísticos  das mais diversas naturezas

, mas também de aspectos históricos, sociológicos, antropológicos, culturais, lógicos, psicológicos,

éticos, etc. Se um único e simples enunciado de discurso pode ser considerado, como diz Costa

(1984), “um poço metafísico”, pretender que uma teoria explique um discurso inteiro, dando conta de

todos os aspectos envolvidos na construção do seu sentido, da sua capacidade de significar, é algo altamente improvável – mas que de maneira alguma não os torna intratáveis.

Dessa forma, é importante não só isolarmos propriedades que lhes atribuem um caráter pragmático, como também aquelas que lhes conferem identidade. O objetivo desta seção é, portanto, apresentar os aspectos específicos da natureza de cada um dos discursos e como tais aspectos interferem e promovem a geração de conteúdos implícitos, os quais, por sua vez, influenciam na construção do significado do discurso, contribuindo para a sua racionalidade comunicacional.

(i) O Discurso Jornalístico

Tendo em vista a orientação teórico-metodológica do nosso trabalho, e dada a riqueza e complexidade do discurso jornalístico, ele será considerado aqui a partir de três propriedades – a do comunicacional, a do jornalístico e, por fim, a do linguístico – tomadas como relevantes para a sistematização da sua natureza pragmática. Dado que este não é um trabalho sobre jornalismo propriamente dito, mas que tem nele seu locus no qual se pode identificar o fenômeno que nos interessa, a saber, as inferências realizadas pelos receptores desse discurso, iremos abordá-lo de forma não problemática.

De maneira geral, por „jornalismo‟ entende-se o conjunto dos veículos da informação coletiva

do qual fazem parte, além do jornal, a revista, o cinema, o rádio, a televisão, e ultimamente, e cada vez mais, a internet – que disponibiliza a maioria desses veículos também online. Segundo Marques de Melo (1985), a origem do uso um pouco inapropriado do termo se deve ao fato de o jornal ter sido, durante muito tempo, o único canal de expressão jornalística. Assim, enquanto o jornalismo

consiste numa forma de comunicação coletiva, o jornal é apenas um dos instrumentos através dos quais a atividade jornalística acontece.

A comunicação de massa, da qual o jornal é uma das expressões mais significativas – ao lado dos demais veículos –, iniciou na Alemanha, no século XVII, consolidando-se nos Estados Unidos, no século XX (MARQUES DE MELO, 2003). Hoje ela envolve e movimenta indústrias e

conglomerados no mundo inteiro que, “polarizam a atenção das massas, ocupando, vorazmente, todos os espaços que veiculam a informação” (COSTA, 2005b, p. 3).

Marques de Melo (2011) tem contribuído ricamente para sistematizar a grande diversidade de textos que são publicados em veículos de natureza jornalística, caracterizando-os em gêneros e formatos; contudo, essa caracterização não é nova. Segundo Olson (1966 apud MARQUES DE MELO 2011, p. 24) foi com Samuel Buckley, na Inglaterra do século XVIII, que “se deu a

„invenção‟ dos gêneros jornalísticos” como uma forma de organizar o espaço jornalístico. Dessa

forma, ao separar os textos em duas grandes categorias, a saber, news e comments, foram instituídos os dois grandes gêneros que, segundo Olson (1966, apud MARQUES DE MELO 2011), fundaram o jornalismo contemporâneo, quais sejam, o informativo e o opinativo.

No jornalismo opinativo, o texto, por pertencer ao jornal, o qual não passava de um intérprete do seu proprietário e redatores, apresentava um teor altamente subjetivo, devido à predominância da opinião nos textos. A linguagem utilizada condicionava-se aos limites da oratória, sendo muito mais pessoal do que coletiva. Podemos dizer que a retórica desse tipo de texto jornalístico corresponde a da função emotiva da linguagem, afinal, representava o que os emissores pensavam, seu posicionamento. A acepção do texto jornalístico nesse período caracterizava-se por um caráter idealista (BAHIA, 1990).

Contudo, a partir do final do século XIX, houve uma mudança do fazer jornalístico através do que ficou conhecido como “guerra jornalística”: disputa travada entre os principais magnatas da notícia nos Estados Unidos, Hearst e Pulitzer, pela conquista do mercado fruto de um constante e sólido processo de industrialização que lá ocorria naquele momento (BAHIA, 1990). Assim, ao contrário do jornalismo que até então vigorava, iniciava a era do que ficou conhecido como jornalismo informativo.

Essa nova perspectiva caracterizava-se pela preocupação pura e simples com a apresentação dos fatos, pela busca da objetividade e da imparcialidade ao fazê-lo, pela abolição dos comentários, restringindo-os agora a uma seção especial, a editorialista, etc. Seu “objetivo passa a ser o de cobrir

os eventos a partir de critérios como: veracidade, objetividade, clareza e impessoalidade”

(MARQUES DE MELO, 1975, p. 65). Nesse sentido, o texto perde sua acepção idealista para assumir um caráter mais concreto. Na nova sociedade, o jornal é feito para uma audiência ampla, o texto passa a ser do leitor. Assim, a retórica desse novo tipo de texto passa a ser referencial.

Por hipótese, não se escrevia mais para expressar o ponto de vista do dono ou dos redatores do jornal, mas para a massa. Como esse novo tipo de jornalismo transformou a informação sob forma de texto jornalístico em um produto, o destinatário deixou de ser um círculo de consumo e

repercussão antecipadamente estabelecido para se constituir nessa ampla audiência; a linguagem da imprensa naturalmente passou a sofrer reformulações (MARQUES DE MELO, 1985).

No entanto, o chamado novo jornalismo, também evoluiu. De maneira geral, podemos dizer que desfrutamos hoje de uma espécie de mutação daquela nova forma de veicular informações. Embora isso não signifique que tenha havido um retorno à forma opinativa, nem que se tenha deixado de ter um jornalismo orientado para a objetividade, o texto jornalístico passou a oferecer explicações e considerações a respeito dos fatos. Consolida-se então o que ficou conhecido como jornalismo interpretativo. Assim, o invés de veicular fatos opinando sobre eles ou apenas apresentando-os, deixando para o leitor a compreensão dos mesmos, o jornalismo passou a

„interpretar‟ tais fatos36‟.

Esse terceiro gênero, identificado e praticado mais tarde, no século XX, pela imprensa norte- americana, pode ser igual e perfeitamente identificado no jornalismo brasileiro. Embora Marques de Melo, segundo Costa (2011), tenha contemporaneamente identificado outros dois, o utilitário e o diversional, já para Bahia (1969, 1976, 1980, apud COSTA 2011) os três gêneros apresentados acima são os que caracterizam a base na qual o jornalismo se apoia e se desenvolve – embora as fronteiras e características de tais categorias ainda sejam objeto de fortes críticas e discussões (COSTA 2011).

Segundo Fraser Bond (apud ERBOLATO, 2001, p. 33), essa nova forma de fazer jornalismo

tinha como propósito “ajudar o homem a compreender melhor o significado do que lê e ouve”.

Afinal, são tantos assuntos e diferentes recortes dos mesmos povoando os jornais que as possibilidades para a sua compreensão perpassam várias instâncias. Para tanto, a contextualização do evento passou a ser vista e tratada de maneira mais intensa. Segundo Rafael Herrera (apud ERBOTALTO, 2003), ao veicular uma notícia, o jornal deve apresentar (i) os antecedentes do fato (nada surge isoladamente); (ii) o respectivo contexto social (um acontecimento é sempre parte de uma situação geral) e (iii) as consequências do que houve. Para ele, o jornalismo interpretativo estabelece conexões entre um fato e uma situação ou contexto mais amplo. Não estamos dizendo que isso não era feito anteriormente, afinal, seria impossível falar tudo sobre tudo. Mas acreditamos que as pessoas passaram ter consciência disso, o que se refletiu em uma redação que levava em consideração, de forma mais técnica, o papel da questão contextual37.

Apesar das inúmeras controvérsias que propriedades como a imparcialidade e a objetividade suscitam, nada impede que se suponha a sua existência e a sua manutenção, uma vez que elas, de forma alguma, não são incompatíveis com a interpretação. Ou seja, se um jornal publica um texto sobre a eleição de Bush, ninguém vai dizer que, porque questões interpretativas também dependem do sujeito leitor, tal texto seja uma receita de como preparar rabanetes. Há uma base semântica – cuja interpretação inicial é fruto da estrutura gramatical mais os itens semânticos, ou seja, como vimos, a interpretação básica do significado linguístico pode ser descrita e explicada, até certo ponto,

36

As controvérsias que a noção de imparcialidade traz dentro dessas concepções, embora importantes e intrigantes, não serão abordadas aqui.

37

É como se se dessem conta da necessidade de se estabelecer, nas palavras da TR, um ambiente cognitivo mútuo mínimo necessário – aspecto tratado nos modelos de código como conhecimento mútuo.

composicionalmente38 – que estabelece e orienta as interpretações, a qual, por sua vez, sofre a interferência de fatores contextuais.

O jornalismo diferencia-se, portanto, de outras formas de veiculação de informações – e de outras várias formas comunicativas interacionais – por estar associado a um conjunto de regras, deveres e princípios, à revelia dos quais, tornar-se-ia algo puramente histórico ou literário; alheio, portanto, ao aspecto que mais o caracteriza, a saber, a veiculação de informações sobre a realidade social imediata (BAHIA, 1978) as quais, como complementa Keeble (2001), têm um importante papel na vida dos leitores.

Nesse sentido, podemos citar Chaparro (1994), autor que enfatiza a importância de investigações que procurem identificar os propósitos que motivam e influenciam as intenções que controlam e orientam a constituição da mensagem jornalística – sejam elas manifestas, implícitas ou dissimuladas39. Para ele, uma conexão entre a Pragmática e Jornalismo está justamente no reconhecimento de que a linguagem [natural] não é simplesmente usada para produzir um enunciado, mas que tal enunciado é a execução de um ato social. Outra autora que discute o jornalismo em termos de intenção, objetivo do comunicador, é Tanaka (1994, apud SCHRÖDER; PERNA, 2006), para quem mudar o pensamento de alguém consiste no objetivo último da comunicação.

Nessa perspectiva, os jornais fazem isso a partir da compilação e da sistematização de uma série de flashes da nossa vida e cultura frequentemente de um ponto de vista específico (REAH, 1998). Esses flashes, após elaborados e consolidados sob a forma de textos linguísticos40, a partir da natureza representacional do componente semântico da linguagem natural, transformam-se em fatos para consumo, assumidos como interessantes à sociedade, mais comumente conhecidos como notícias.

Reah (1998) também insiste na crença de que esses fatos exercem uma espécie de interferência na ação e/ou pensamento daqueles que a recebem – nas palavras de Sperber e Wilson (1995), isso tem a ver com a forma como o conhecimento de mundo das pessoas é alterado. Por isso, os veículos de comunicação devem se preocupar em transmitir suas mensagens a fim de que todos – ou o maior número possível de pessoas – possam compreendê-las (LUSTOSA, 1986).

No caso deste trabalho, o assunto geral são as eleições americanas, em especial, os aspectos políticos e jurídicos que se seguiram devido a problemas na contagem dos votos. Temas especialmente ligados a questões de natureza política e jurídica são considerados como tendo extrema relevância para as pessoas e, consequentemente, para o jornalismo. Keeble (2001) destaca a importância de tais temas para o jornalismo justamente devido ao impacto social que causam, pois consistem em aspectos que interferem diretamente na vida e no funcionamento da sociedade.

38

Afinal, operamos a partir da suposição de uma semântica convencional/default, conforme veremos. 39

Fazemos a diferenciação entre implícito e dissimulado, pois acreditamos que necessariamente a existência de conteúdos implícitos não editorializam nem angulam notícias.

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Como sabemos, há inúmeros formatos para cada um dos gêneros. Geralmente, o formato notícia é mais conhecido e o que melhor caracteriza o texto jornalístico. Contudo, dado que estamos nos valendo de uma revista jornalística para a aplicação do modelo, estamos tratando basicamente de reportagens. Marques de Melo (2003 apud COSTA 2011, p. 53) diferencia a notícia da reportagem

ao tratar esta última como “um relato ampliado de um acontecimento que já repercutiu no organismo social e produziu alterações que já são percebidas pela instituição jornalística”. Lage (2001b, p. 51) já defendia que “a reportagem aborda assuntos, enquanto a notícia trata de fatos”. Enquanto a notícia

consiste em um relato integral, a reportagem consiste em um relato ampliado de acontecimentos (MARQUES DE MELO, 2011). Independentemente da terminologia, interessa-nos o que Costa

(2011, p. 54, grifo nosso) conclui dessa discussão: “Para a reportagem, interessam mais as relações

que reatualizam os fatos [...]”.

Ao contrário dos jornais, as revistas jornalísticas, por sua vez, caracterizam-se como uma nova categoria de impressos cuja finalidade é igualmente informar, mas, segundo Cohen (2008, p. 125), cabe também a elas a função de formar a opinião pública. De acordo com Vilas Boas (1996), o texto jornalístico da revista tem como propriedade essencial a interpretação dos fatos. Através de uma narrativa mais elaborada, as reportagens que, diferentemente das notícias, apresentam os fatos de maneira mais aprofundada, permitem que o leitor possa conhecer de forma mais abrangente contextos, causas, consequências envolvidas em determinado acontecimento. Scalzo (2009) também destaca como sendo função das revistas, ao mostrar os fatos de maneira diferenciada, explicá-los.

Segue-se disso, e dos aspectos a serem tratados ao longo desta seção, a possibilidade de tomarmos a Revista TIME41, de publicação semanal, como fonte jornalística das eleições presidenciais norte-americanas de 200042, e de onde selecionaremos os trechos que ilustrarão a aplicação do modelo teórico que estamos construindo. Os textos publicados apresentam uma reatualização dos fatos, ampliando-os, explicando-os, pois, a cada semana, fatos e eventos novos eram somados, reorientando e atualizando os acontecimentos – tais aspectos demonstram que os textos que estamos usando não caracterizam notícia no sentido mais rigoroso do termo, mas sim reportagens.

Assim, porque estamos tomando o texto jornalístico naquilo que ele tem de mais fundamental, a saber, a veiculação de fatos recentes e efetivamente ocorridos – diferenciando-se, portanto, da ficção e da história –, traduzidos através de uma linguagem – no caso, a linguagem natural – para um público que irá consumi-lo, trataremos notícia e reportagem como sinônimos; e tomaremos as informações obtidas da revista TIME como sendo de natureza jornalística. Quanto ao

41

A Revista TIME foi, segundo Erbolato (2000), o primeiro veículo fundado, quando do surgimento do jornalismo interpretativo, a fim de não apenas apresentar as notícias, mas também de explicá-las ao leitor. Dessa forma, passou a ser possível explicitar o impacto que as informações teriam sobre a sociedade.

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O debate do qual estamos nos valendo foi veiculado pela TIME, cujas reportagens encontram-se na íntegra nos arquivos do site CNN.com. Iremos, em especial, nos valer de textos de quatro edições: duas de novembro, dos dias 20 e 27; e uma de dezembro, dia 5. Para fins de praticidade, colocaremos as reportagens, retiradas do site, em CD, anexado a este trabalho.

consumo a que nos referimos, ele será considerado naqueles aspectos relacionados à decodificação e compreensão dos enunciados em linguagem natural.

Dados os aspectos acima já podemos identificar dois dos três aspectos, a saber, o jornalístico e o comunicacional. O primeiro aspecto que irá caracterizar a natureza pragmática do discurso jornalístico, qual seja, o fato de ser um ato comunicativo que se consolida através do uso intencional da linguagem natural para fins interacionais entre dois interlocutores, cujo sucesso depende do fazer- se compreender e do compreender. A propriedade do jornalístico é igualmente definida a partir de aspectos intrínsecos aos objetivos do tratamento e da transmissão das informações dos textos veiculados pelos meios de comunicação jornalística. Dessa forma, foi possível delineá-la sem ter sido necessário empregar o obscuro conceito de ideologia e as implicâncias que ele traz.

Já a existência social e comunicacional concreta do discurso jornalístico é algo que pode ser, inclusive, testado empiricamente, mais a dependência contextual e variedade dos aspectos a serem apresentados, os quais se instanciam através dos textos jornalísticos, constituem os aspectos que empregaremos a fim de identificar a propriedade do jornalístico – segundo critério para a determinação e corroboração da natureza pragmática do discurso jornalístico.

Assim, chegamos ao último, e, no entanto, extremamente complexo, critério para a descrição da propriedade pragmática do discurso jornalístico, a saber, a questão do linguístico. Afinal, enquanto ato comunicativo e de alcance amplo que se propõe e se constitui para ser facilmente compreendido pelo receptor, contribuindo de forma eficiente no que tange à quantidade de informações oferecidas, o discurso jornalístico precisa se fazer reconhecer enquanto tal e, para tanto, delineou certas diretrizes no que tange ao uso da linguagem na construção das suas mensagens.

Keeble (2001), valendo-se do trabalho de van Dijk (1988) e Fowler (1991), destaca dois aspectos importantes da linguagem jornalística – aqui basicamente constituída pelo texto e pelo título

– e, em alguns casos, por imagens. Em primeiro lugar, diz o autor, a linguagem da notícia é,

atualmente, o resultado de séculos de evolução linguística. Na verdade, não se trata de uma forma natural de escrita, mas de uma que se caracteriza por seu próprio ritmo, entonação, palavras e orações.

Além disso, ao mesmo tempo em que registra a mudança da linguagem complexa da sociedade, cria novas palavras e novos significados – característica mais marcante em jornais de língua inglesa. A fim de garantir que essa mensagem irá exercer sua função enquanto ato comunicativo, teóricos do jornalismo, dentre os quais destacamos Lage (1985), Bahia (1990), Bond (1992) Lustosa (1986), e Suzuki (2000), investigaram critérios que norteiam a construção linguística de um discurso jornalístico e que acabam interferindo na configuração linguística da mensagem jornalística.

Dentre as categorias mais citadas encontramos: clareza, simplicidade, concisão, ordem direta, objetividade, imparcialidade e veracidade. Há várias outras, Hohlfeldt (2000), por exemplo, chega a identificar dezenove tipos diferentes. Suzuki (1999), tomando como orientação o número de ocorrências desses critérios em textos de teóricos já consagrados, selecionou cinco – aos quais

iremos voltar, momentaneamente, nossa atenção: objetividade, clareza, exatidão, simplicidade e veracidade. Vejamos cada uma delas e depois faremos nossas considerações a respeito da relação delas com a linguagem natural no jornalismo.

Há várias definições para a categoria da objetividade. Segundo Lage (1985), ela refere-se à descrição dos fatos tal como aparecem na realidade, abandonando-se, portanto, a interpretação – no sentido puramente subjetivista da palavra. Contudo, os próprios jornalistas reconhecem quão difícil é satisfazer essa categoria. Bond (1992) diz que a objetividade é a ponte que leva a um pensamento direto, uma linguagem dirigida quase personalizada. Já Amaral (1986) liga a objetividade à economia de tempo e páginas. Dado que um fato f deverá ser contado de uma maneira que seja totalmente apresentado, a variação no uso das palavras e sentenças irá determinar a objetividade.

Benzer Belgeler