2. MONTE CARLO YÖNTEMİ
2.1. Tipik Bir Monte Carlo Programı
2.1.1. Fiziksel Sistemin Tanımı
Como se verificou, a implantação da República proporcionou uma importante reforma sectorial, desde logo com a substituição do Ministério das Obras Públicas,
286 Tradução livre do texto original italiano Cf. SOLARI, Luigi, Storia della Radio, Tip. Fratelli Treves,
Milano, 1939, p.294. À data desta publicação Solari desempenhava funções como director técnico da
Marconi’s Wireless Telegraph Company.
122 Comércio e Indústria pelo Ministério do Fomento – embora aqui se tratasse mais de uma mudança de nomenclatura do que de política ministerial – e a criação da Administração Geral dos Correios e Telégrafos, que teve sobretudo em vista a descentralização de serviços com consequente desenvolvimento e aumento de eficiência das redes telegráficas, telefónicas e, já em perspectiva, radiotelegráficas, a cargo do Estado. Com efeito, a política republicana, assente num optimismo reformista embora num contexto de dificuldades crescentes – nomeadamente, a elevada dívida pública, o
deficit comercial, o atraso industrial e agrícola e o descontentamento social herdados da Monarquia, a que se acrescentava a necessidade de credibilização e consolidação do regime –, pautou-se pela aposta num maior investimento que, todavia, não teria capacidade de dar resposta aos processos de transformação tecnológica acelerada e de crescimento das redes de telecomunicações. Ou seja, embora garantindo a presença do Estado e sem nunca abdicar do monopólio, a República depressa reconheceu a inevitabilidade de recorrer a investimento privado na exploração das redes mais dispendiosas.
A autonomização da AGCT, até então limitada na sua acção como Direcção Geral, justificava-se precisamente pelas exigências de adaptação e eficiência do serviço telégrafo-postal às necessidades do público, a par da urgência em dar resposta às reclamações dos funcionários, cuja degradação das condições de trabalho era por demais evidente288. A reforma, como se verificou, implicou uma transformação profunda dos serviços com consequente aumento do investimento e de custos que, na óptica republicana, convergia com o papel do Estado em relação ao sector. Mas se, neste último ponto, (...) a mudança de regime não introduziu nenhuma alteração,
mantendo-se a orientação anterior, isto é o monopólio estatal (...)289, o certo é que foi preservada a lógica de concessão privada em regime de exclusividade – como era o caso da rede da APT em Lisboa e Porto – o que, a curto prazo, também seria equacionado para a malha de radiocomunicações. Do conjunto de problemas associados às infraestruturas de comunicações, a República herdara uma rede radiotelegráfica incipiente, urgindo dar-lhe resposta, sobretudo no que dizia respeito à extrema debilidade das comunicações coloniais.
288 Maria Fernanda Rollo, História das Telecomunicações (…), p.115 e pp.121-122. 289 Ibidem, p.122.
123 Como se observou, embora a consolidação da Marconi’s no plano internacional coincidisse com os últimos anos da Monarquia, a transição para a Primeira República cruzou-se com algumas transformações significativas no plano comercial e mesmo político que ofereceram melhores condições ao seu posicionamento diplomático em Portugal. Se em termos tecnológicos o sistema tradicional de faísca desenvolvido por Marconi estava já claramente ultrapassado pelo transmissor de Fessenden (alternador), que gerava uma onda contínua pura numa frequência precisa e reduzia o ruído da transmissão, pelo arco eléctrico de Poulsen ou ainda pelo audium desenvolvido por Lee De Forest – todos eles considerados “um passo em frente” em relação aos sistemas existentes – por outro lado a MWTC tinha conseguido posicionar-se comercialmente, sobretudo com base na política de processos judiciais e defesa de patentes colocada em prática pela administração de Gofrey Isaacs. Ou seja, mesmo não sendo já um “pioneiro tecnológico”, a Marconi’s impusera-se pela estratégia comercial, tornando-se um precursor das grandes empresas que viriam a dominar o terreno das radiocomunicações durante e depois do primeiro conflito mundial. 290
No contexto português, como se verificou, o debate foi-se impondo, por motivos técnicos ou por desígnios estratégicos, dando progressiva centralidade à Marconi’s ainda antes da implantação da República, sobretudo na esfera militar naval. As primeiras propostas de construção de uma rede de serviço público de TSF, sistemática e propositadamente desvalorizadas entre 1906 e 1910, foram novamente submetidas ao Governo Provisório na expectactiva de desbloqueio – pelo menos do ponto de vista diplomático – de um eventual contrato com a Companhia inglesa. Mas também aqui o caminho foi marcado por um conjunto de atavismos que só no final de guerra se diluíram. Não obstante, e como se verá, a Primeira República foi determinante para a construção da rede Marconi em Portugal. Como se verificou, a instalação da rede portuguesa de TSF era já uma prioridade clara para a Marconi’s que, desde o início de
1910, vinha intensificando contactos com o Governo português, agora com o apoio diplomático italiano mas também britânico. Nesta altura, a Companhia tinha já ocupado vários pontos estratégios, com postos costeiros no império britânico, Estados Unidos e América do Sul, conseguindo, no mercado europeu, estabelecer-se em Itália, Espanha (com especial importância das Canárias) e deter uma parte dos interesses franceses e belgas.
124 Entretanto, embora a França se mantivesse hesitante quanto ao futuro da sua rede, algumas colónias africanas estavam já equipadas com TSF antes do primeiro conflito mundial, beneficiando indirectamente parte dos territórios portugueses. Em 1910, resolvidos os problemas de adaptação à humidade do clima tropical pelo desenvolvimento de transmissores que superavam a estática desencadeada pelas tempestades291 a Société Française Radio-électrique instalou duas estações de alta potência no Congo, as primeiras do género em África, que permitiam comunicar com os territórios franceses na África equatorial mas também com o Congo Belga.292 Em Dezembro de 1911, esta Companhia ofereceu um posto de TSF para instalação no norte de Angola, com vista ao estabelecimento de comunicações entre Santo António e o posto de Banana, daqui ligando ao posto de Loango (a sul de Luanda), que por sua vez estaria ligado “por fio, cabo e telegrafia sem fio com a África Ocidental e a Europa”. Com a oferta, a SFR tinha por objectivo mostrar o (…) mais vivo desejo de entrar em
relações com a nossa Administração sobre os assuntos que se referem à instalação de postos de telegrafia sem fio em Angola e outras colónias portuguesas e convenções a estabelecer para a exploração dum comum acordo entre o nosso serviço de exploração e dos seus postos no Congo Belga e Congo Francês (…).293 Mas a capacidade de implantação da Marconi’s nos territórios coloniais portugueses acabaria por se mostrar mais eficaz.
A transição para o regime republicano não cumpriu de imediato as expectativas da MWTC ou da diplomacia inglesa. Não só o ambiente de concorrência entre empresas (que envolvia já claramente os respectivos apoiantes diplomáticos) não se esbateu com a implantação da República como pareceu complexificar-se à medida que as indústrias ligadas ao sector se tornavam mais competitivas no mercado internacional. Acrescia, é claro, a preocupação da Marconi’s Wireless face à estratégia de “ocupação” territorial
da Telefunken em Portugal. Recorde-se que nesta altura as transmissões radiotelegráficas eram ainda muito vulneráveis a interferências entre postos muito próximos, o que significava o controlo sobre as comunicações rádio da região pela Companhia que primeiro montasse o seu posto.294 Às preocupações da MWTC acrescia
291 Designados como transmissores de “frequência musical”. 292 Daniel Headrick, The invisible weapon, p.442.
293 AHD-MNE. 3-P/A-1/M-836. Proc.202/13. Ofício [202/9], enviado pelo director geral das Colónias ao
director dos Negócios Políticos e Diplomáticos a 15 de Dezembro de 1911.
294 Pascal Griset atribui mesmo a este e outros interesses de ordem estratégica e comercial a razão para
125 ainda a ausência de uma decisão oficial por parte da administração inglesa quanto à construção da rede imperial. Entre Janeiro e Março de 1911, a pressão da Companhia sobre o governo britânico aumentou consideravelmente, agora em associação mais directa ao processo de negociação para a construção da rede portuguesa e brasileira, com vista ao controlo da malha sul-americana. A 14 de Março, Godfrey Isaacs reforçou o pedido de audiência junto do Colonial Office antes que se realizasse a Conferência Colonial, justificando a urgência com a importância das negociações em curso:
We have applied to both the Brazilian and Portuguese Governments for concessions to erect long-distance stations on the coasts of Brazil and Portugal in order to embrace in the Imperial network of Communications which we are proposing the whole of South America. In the absence of any decision upon our application to you we have abstained from speaking of this Imperial Scheme; thus one of the principal advantages which we could put forward both to the Brazilian and Portuguese Government is absent. 295
A perspectiva de construção da rede inglesa servia agora de garantia significativa ao desenvolvimento da rede sul-atlântica e intercontinental, sendo também um argumento de peso para conter o avanço das negociações alemãs. Para além do progresso da Telefunken sobre a negociação de redes estrangeiras, o governo inglês estava a par do orçamento do Governo alemão para 1911, estimado em 10 millhões de marcos, destinado às comunicações radiotelegráficas entre todas as colónias alemãs.296
desenvolvimento da onda curta que, não sendo desconhecida na época, não poderia ter passado despercebida ao ponto de ser negligenciada. Esta opção ter-se-á devido à necessidade de dar resposta à procura, aproveitando as rivalidades internacionais, com ela garantindo a manutenção de rendimento e subsequente financiamento da investigação e desenvolvimento do sistema:
In fact, the radio companies were marketing a communications tool that used exactly the same geostrategic system as cable. It created a centre with its periphery, it suggested the expansion of the nation's influence and thus was perfectly accepted by a political class that had been frustrated for decades by British domination. The so-called blindness of radio-electric companies regarding short wave technology must thus be reassessed. Long wave stations corresponded to the expectations of clients. The substantial investments made by the operating subsidiaries of the large groups provided the necessary funds for manufacturing and research activities. The large sums invested also justified the relatively high rates charged, hardly less than cable rates. The construction of long wave stations thus appears as the result of a tacit agreement among various partners on a technological choice which was costly and risky, but which satisfied the needs of all the actors involved. Pascal Griset, “Technical systems and strategy: intercontinental telecommunications in the first quarter of the twentieth century” in The Governance of
Large Technical Systems, COUTARD. O., (editor), Routledge, 1999, p.69.
295 NAUK. Board of Trade Harbour Department: correspondence and papers. 1911. MT 10_1356. Paper
No. 101. Cópia de carta enviada por Godfrey Isacs ao Under Secretary of State, Colonial Office, a 14 de Março de 1911.
296 Idem. Cópia de carta de Godfrey Isaacs ao Secretary of State for the Colonies, Colonial Office, enviada
126 Por todos estes motivos, era já explícito o pedido de apoio formal dos canais diplomáticos ingleses:
On the other hand, those promoting the opposition scheme of Germany speak freely of a network which they are endeavouring to create and with the support of the German Government and German Possessions an argument of weight in favour of the Germans is being pressed very strongly with both the above mentioned Governments.
Were you able to indicate, or had we the authority of so to do, to both the Brazilian and Portuguese Governments that this Imperial Scheme was in contemplation and probably would be put into execution in the near future, we think it would lend considerable weight to our applications, which if granted would be of great importance to the Imperial Scheme whether it be eventually carried out by this Company or by His Majesty's Government. 297
Com efeito, a estratégia de apoio do governo alemão às negociações da Telefunken vinha colhendo bons resultados em diferentes países e, no caso português e brasileiro, parecia conquistar terreno. Por isso mesmo, e receando sobretudo a perda de influência inglesa sobre estas redes, o gabinete do Primeiro-Ministro, H.H. Asquihth, apressou-se a autorizar a intervenção dos respectivos ministros em Portugal e no Brasil para que oportunamente informassem ambos os governos que “muito agradaria ao Governo inglês se fosse considerada a proposta da Marconi’s Wireless para instalação de estações de TSF nesses países”.298
Em Março de 1912, Marconi apresentou nova proposta ao governo inglês, com vista à construção de estações no Egipto, Aden, Índia e África do Sul, cuja exploração seria entregue ao Estado. Foi então aprovado o primeiro projecto da grande Imperial
Wireless Chain, dando lugar ao contrato com as autoridades inglesas em Julho de 1913.299 Mas, como se verá mais em detalhe, o contexto de Guerra veio alterar
the question of the establishment of a chain of high-power wireless stations throughout the empire. Meetings of 8th and 23rd March 1911. Report of 29th March 1911, p.15.
297 Idem. Paper No. 101. Cópia de carta enviada por Godfrey Isacs ao Under Secretary of State, Colonial
Office, a 14 de Março de 1911.
298 No original: I am directed by Mr. Secretary Harcourt to request you to inform Secretary Sir E. Grey
that the Postmaster General and the Lords Commissioners of the Admiralty concur in the suggestion that His Majesty's representatives in Portugal and Brazil should be asked to take a suitable opportunity of informing those Governments that His Majesty's Government would be glad if they would favourably consider the application of Marconi's Wireless Telegraph Company for permission to establish Wireless Stations in these countries. NAUK. MT 10_1356. Cópia do ofício enviado pelo Gabinete do Primeiro- Ministro ao Under Secretary of State, Foreign Office, a 27 de Março de 1911.
127 profundamente os planos iniciais da Companhia, quer em relação ao império britânico como em relação a tantos outros contratos entre os quais se contava a concessão portuguesa. Na mesma altura, a Marconi’s trabalhava sobre a concessão do governo espanhol, preparando já a instalação de estações nas ilhas Canárias (Tenerife), Baleares, Vigo, Madrid e Barcelona, que deveriam ficar aptas a comunicar com as estações de alta potência italianas,300 ocupando em boa parte a importância estratégica que poderia ter sido conferida a Cabo Verde. A par desta instalação, preparava-se um contrato com o governo chileno para a construção de cinco estações de médio alcance.
Entretanto, algumas das mudanças internas ocorridas na administração da
Marconi’s Wireless, sobretudo com a entrada de Godfrey Isaacs para a Direcção, em
1910, reflectiram-se nas políticas de concorrência da Companhia, que enveredou por várias guerras judiciais em defesa das suas patentes num processo que se estendeu até 1911.301 Em Portugal, este clima de competição envolvendo a “guerra” de patentes, reflectiu-se desde logo nos órgãos de imprensa, onde interesses ingleses e alemães se entrincheiraram na tentativa de garantir a futura concessão. Um artigo de Luigi Solari, traduzido de um jornal britânico em Abril de 1911, fez divulgar os resultados mais recentes do processo judicial de reconhecimento da patente n.º7777 (de sintonização) contra a British Radiotelegraph and Telephone Company, desencadeando uma autêntica guerra de imprensa entre a Marconi’s e a Telefunken, à semelhaça do que sucedia noutros países.302 O processo judicial levado a cabo tinha objectivos estratégicos que pretendiam sobretudo assegurar a exclusividade tecnológica do sistema e garantir o monopólio de rede, numa altura em que a tendência internacional era a de livre- comunicação entre sistemas e ameaçava por isso o monopólio Marconi.
Entretanto, a malha radiotelegráfica portuguesa permanecia incipiente, reunindo apenas doze estações303, algumas das quais obsoletas, o que limitava a capacidade de
300 BT Group Archive. BT_POST 30/3094. Extracto do processo N.º 601057/10, de 1911 - “Interview
with Mr. Isaacs of the Marconi Company, 17 January 1911”.
301 Daniel Headrick, op. cit., p.436.
302 SOLARI, Luigi, “A Justiça ingleza e os inventos de Marconi” – com primeira publicação nos Anais do
Club Militar Naval, tomo XLII, n.ºs 3 e 4, Março e Abril 1911, pp. 165-171. O texto foi também editado, alguns meses mais tarde, na Revista de Obras Públicas e Minas, nºs 499 e 500, Julho e Agosto, 1911, nas páginas 333-339. O artigo terá sido traduzido do jornal Tribuna, n.º 103, de 13-14 de Abril de 1911.
303 Sete das quais nos Açores (cinco estações costeiras, sob exploração da Eastern, mais duas de bordo, de
interesse privado) mais uma estação no continente, no Arsenal de Marinha (cuja montagem acabara por ser entregue à Marconi) e quatro postos navais. Cf. ACM. Telegrafia sem fios. 1911-1931. Caixa n. 1514 .
Mapa estatístico de 1911.
Em 1911, a Empresa Nacional de Navegação instalou dois postos, sistema Marconi, nos vapores Beira e África cujo serviço não era exclusivo de bordo. Idem, Ofício de 4 de Fevereiro de 1912 ao Chefe de
128 transmissão, sendo em qualquer dos casos um número largamente insuficiente para as necessidades de comunicações do País. O atraso em relação a outros Estados europeus persistia e a ausência de uma rede autóma em relação aos cabos submarinos vinha compromentendo a futura estabilidade das comunicações portuguesas. Isto embora o debate fosse ganhando espessura e intensidade à medida que as radiocomunicações assumiam um papel estratégico e que a diplomacia britânica ia interferindo nesta matéria. No quadro colonial, ia também sendo definida uma política de opções em alinhamento com o poder central. Em Abril de 1911, a recomendação de utilizar preferencialmente equipamento Marconi chegou ao respectivo Ministério, sugerindo que (…) não havendo razão de ordem administrativa que o desaconselhe, será de toda
a conveniência política que nos fornecimentos para telegrafia sem fios, e montagem das competentes estações nas possessões portuguesas, se dê preferência ao material Marconi, que é o adoptado pela Inglaterra, nação nossa aliada.304
. Marconi como opção republicana
Retomando a proposta de 23 de Setembro do ano anterior, Luigi Solari submeteu novo projecto de acordo a 21 de Abril de 1911305, que deveria vigorar durante 30 anos, mantendo como objectivo principal a construção, a cargo da Companhia, de um “grande posto transatlântico de telegrafia sem fios em Lisboa e um outro nas ilhas de Cabo Verde” aberto ao serviço público marítimo naval e costeiro, com capacidade para estabelecer comunicações mundiais. Ou, em caso de constrangimento à construção do posto de Lisboa, a Companhia limitar-se-ia a montar o posto de Cabo Verde que “seria muito importante para um serviço marítimo internacional”, mantendo ainda a opção de entregar ambas as explorações ao governo. Para além disto, os telegramas oficiais seriam transmitidos sem custos e a taxa de transmissão entre Cabo Verde e Lisboa seria fixada em 60 cêntimos (Frcs.) por palavra. A partilha de receitas dependeria do modelo a adoptar: em caso de exploração directa pela Companhia, e depois de deduzidas as despesas de exploração e 10% do capital realizado, a restante receita seria dividida em
Estado Maior/Majoria General da Armada, comunicando dados sobre os meios radiotelegráficos existentes.
304 AHD-MNE. 3-P/A-1/M-836. “Marconi. Instalação da telegrafia sem fios em Portugal”. Ofício
confidencial enviado por J. Lima [director geral dos Negócios Políticos e Diplomáticos] ao director geral das Colónias a 24 de Abril de 1911.
305 Idem. Cópia da carta endereçada por Luigi Solari ao “Ministro da Marinha e do Ultramar” a 21 de
129 proporção de 1/3 para 2/3 entre o Governo e a Companhia, respectivamente. Na segunda hipótese, em exploração pelo Governo, as receitas brutas seriam divididas em partes iguais. Recorrendo às habituais estratégias de persuasão, Solari pedia agora uma resposta definitiva para que a Companhia pudesse decidir sobre o “aumento imediato da capacidade de transmissão dos postos de Vigo e das ilhas Canárias”.306
A proposta foi reforçada por um conjunto de argumentos de ordem “técnica, económica, legal e política”, que alegava a inutilidade de um concurso público numa altura em que apenas a MWTC teria capacidade de assegurar uma rede de longa distância. Em carta de 26 de Abril307, Solari apontou a necessidade de distinguir entre redes de longo e curto alcance sendo que, no primeiro caso, apenas as estações Marconi garantiam um serviço público regular transatlântico – numa distância “pouco superior àquela que separa Lisboa das ilhas de Cabo Verde” (cerca de 4000km) –, argumento que per se bastaria para não submeter a construção da rede a propostas de outras