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3.4. ARDILPAZARDA PAZAR GÜCÜ TEORİLERİ

3.4.4. Fiyat Farklılaştırması Teorisi

Em filosofia analítica, o sujeito é o eu consciente, definido por Descartes pela máxima penso, logo existo. A psicanálise, entretanto, vê dois problemas nessa concepção. Em primeiro lugar, o que importa, o que determina o sujeito, é o pensamento inconsciente e não o pensamento consciente, que, sendo uma mera racionalização, tem em relação ao primeiro um estatuto pouco elevado.

Em segundo lugar, o que Descartes chama de eu é produto de uma cristalização de imagens ideais, com as quais aprendemos a nos identificar desde crianças. Tais imagens, como a imagem no espelho e outras imagens ideais, como a de um “bom filho” ou de uma “menina má”, vão sendo, gradativamente, internalizadas pela criança, fundindo-se em uma única imagem, que vem a ser considerada como o self. O eu ou ego é, como diz Lacan, um produto do imaginário:

“O conhecimento humano e da mesma feita a esfera das relações da consciência, é constituído por uma certa relação a esta estrutura a que chamamos de ego, em torno da qual centra-se a relação imaginária. Esta última ensinou-nos que o ego nunca é apenas o sujeito, que ele é essencialmente relação ao outro, que ele toma seu ponto de partida e de apoio no outro. É a partir desse ego que todos os objetos são olhados.” (Lacan, 1985:224).

Esse sujeito, assim constituído, tem, para Lacan, existência efêmera, sendo produto da coincidência entre ser e pensar. Para ser, o sujeito cartesiano tem de ficar repetindo para si mesmo: “Eu penso”. Contrariamente ao pensamento cartesiano, o sujeito da psicanálise não se encontra na conjunção entre o ser e o pensar, mas na sua disjunção. O sujeito lacaniano é o sujeito barrado, indicado pelo símbolo $, ou seja, é o sujeito fendido, dividido entre o consciente e o inconsciente, ou entre um falso ser, o eu ou self, e o funcionamento automático da cadeia simbólica no inconsciente. Diz-se também que o sujeito é alienado na linguagem e essa divisão do ser é referida como a clivagem do eu. Essa clivagem, entretanto, não é absoluta. O eu e o inconsciente não são constituídos de materiais essencialmente diferentes, já que ambos são de natureza lingüística, mas são como as superfícies da fita de Möebius, apenas localmente distinguíveis.

Em psicanálise, portanto, o sujeito não é nem o sujeito biológico, nem o cogito da filosofia analítica (o eu pensante e consciente de Descartes), mas o sujeito do inconsciente,

entendido fundamentalmente como o sujeito submetido e constituído pela linguagem, um sujeito estruturado pelo desejo. Por isso diz Lacan:

“... o mundo freudiano não é um mundo das coisas, não é um mundo do ser, mas um mundo do desejo como tal” (Lacan, 1985: 280).

Portanto, Freud introduziu um novo cogito: ao invés de “penso, logo existo”, poderíamos dizer “desejo, logo existo” (Quinet, 2000:65).

Mas o que é o desejo?

Primeiramente, em psicanálise é preciso distinguir entre necessidade, demanda e desejo.

A necessidade é biológica e diz respeito ao corpo, como a necessidade de água, de ar ou de alimento. É instintual e animal e tem sempre um objeto que a satisfaz.

Já a demanda pede por um objeto específico, por exemplo, demanda de amor, ajuda, reconhecimento ou alimentação e é dirigida sempre a um outro, pois o mundo humano impõe que o homem tenha que demandar a seu semelhante para poder sobreviver. A demanda é marcada pelo significante, pela dimensão do Outro. Por exemplo, a criança ao dizer “mãe, estou com fome”, nem sempre é de alimento que se trata, mas de cuidados e atenção.

Na demanda, o sujeito se dirige ao outro e pede: “me dá isso”; enquanto que o desejo é uma busca autônoma: “eu quero isso”. Ou seja, enquanto que a realização da demanda depende do outro, a realização do desejo, o querer, depende fundamentalmente de mim, ou do sujeito.

O desejo na psicanálise é a busca constante por algo mais, para o qual não existe nenhum objeto capaz de satisfazê-lo ou extingui-lo. O desejo se sustenta em uma permanente insatisfação, que o remete a uma busca por uma falta inicial, a um objeto perdido. “No desejo se encontra, de maneira metafórica, uma estrutura nostálgica de uma satisfação que se teve...” (Vallejo e Magalhães, 1991:24).

“O desejo é uma relação de ser com falta. Esta falta é falta de ser, propriamente falando. Não é falta disto ou daquilo, porém, falta de ser através do ser que existe. (...) O desejo, função central em toda experiência humana, é desejo de nada que possa ser nomeado. É, ao mesmo tempo, este desejo que se acha na origem de qualquer espécie de animação. Se o ser fosse apenas o que é, não haveria nem sequer lugar para se falar dele. O ser se põe a existir em função mesmo desta falta. É em função desta falta, na

experiência de desejo, que o ser chega a um sentimento de si em relação ao ser.” (Lacan, 1985:280-281).

Convém esclarecer que mesmo na análise esse desejo não é nomeado. Não se trata de, após a análise e a interpretação chegar-se por fim a dizer: “ah, eis aqui o seu desejo”. De fato, Lacan desafia que se encontre na Interpretação dos Sonhos (em alemão

Traumdeutung) “uma só análise que vá dar na formulação de um desejo”:

“O desejo, no final das contas, nunca está aí desvendado. Tudo se passa nos degraus, nas etapas, nos diferentes escalões da revelação desse desejo. (...). Eu desafio vocês a me trazerem nem que seja um só trecho da Traumdeutung que conclua – o sujeito deseja isso.” (Lacan, 1985:265).

O desejo não é da ordem do significante, está fora do significante, mas é inferido a partir da sua articulação através da demanda:

“O enunciado de uma fala é da ordem da demanda, mas é em sua enunciação, na modalização do dito, sua entonação, suas pausas, suas cadências, sua rapidez ou lentidão, na ênfase ou na elipse de suas palavras que rola o desejo”. (Quinet, 2000:90).

Lacan define o desejo através do aforismo o desejo do homem é o desejo do Outro, que toma emprestado de Hegel.

Para Hegel, o desejo humano é um desejo de desejo. Enquanto o desejo do animal é uma necessidade e incide sobre uma coisa, o desejo humano incide sobre um objeto que ultrapassa a realidade, ou seja, o desejo de um outro. Por isso para Hegel o desejo do

homem é o desejo do outro, com a observação de que o outro (com “o” minúsculo) é o meu semelhante e rival, enquanto que o Outro (com “O” maiúsculo) é o grande Outro da linguagem. Para Hegel, o homem desejando um desejo, deseja na verdade representar um valor para um outro e, nesse sentido, todo o desejo humano é, para Hegel, desejo de reconhecimento (Quinet, 2000:92).

Para Lacan, o desejo do sujeito é constituído a partir do desejo do Outro. Para entender isso, será preciso entender a constituição da criança como um sujeito do desejo, que Lacan atribuiu a dois processos, a alienação e a separação. A alienação é a sujeição da criança ao Outro como linguagem universal que precede ao seu nascimento. O sujeito veio ao mundo como conseqüência de uma ação, deliberada ou não, por parte de seus pais,

envolvendo motivos complexos. O sujeito é causado pelo desejo do Outro, que inicialmente é representado pela mãe.

Enquanto a alienação é a causação do sujeito pelo desejo do Outro, a separação é a tentativa do sujeito em lidar com esse Outro desejo (Fink, 1998:73). A criança tenta desvendar o desejo da mãe, esta também constituída como um sujeito barrado, desejante e incompleto, procurando preencher a falta do Outro materno com o seu próprio ser inexistente. Ela precisa saber que posição ocupa em relação a seus pais, em especial à mãe e procura tornar-se o objeto de desejo da mãe. A criança tenta preencher toda a falta da mãe, todo o seu espaço de desejo. Ela tenta fazer com que os seus desejos e os desejos da mãe coincidam completamente (Fink, ibid:77).

Entretanto, a criança normalmente fracassa em preencher o vazio da mãe. Ela não é tudo o que a mãe quer. A sua tentativa em fazer com que a sua falta e a da mãe coincidam é abruptamente frustrada. Se considerarmos que no inicio a mãe e a criança formam uma unidade, esta sofre uma quebra pela intromissão de um terceiro elemento, o pai ou outro membro da família, um amante ou um namorado, ou a religião, que desvia o interesse da mãe do qual a criança espera exclusividade. Esse terceiro termo, ao qual Lacan denomina de Nome-do-Pai, exerce o que se chama de função paterna, ou seja, um corte na unidade mãe-criança, impedindo o seu monopólio sobre a mãe.

Essa ruptura deixa como resíduo o chamado objeto a, que pode ser entendido como “uma última lembrança ou resto da unidade hipotética mãe-criança ao qual o sujeito se apega na fantasia de atingir um sentimento de totalidade” (Fink, 1998:108). Ou seja, o desejo é estruturado a partir de uma falta, de um furo, de um objeto de gozo para sempre perdido, o objeto a, a causa do desejo. Dessa forma:

“O desejo é justamente a busca, a procura daquele objeto suposto da primeira experiência fictícia de satisfação, que nunca existiu mas é um postulado necessário a Freud para constituir o objeto como faltante e sua conseqüente busca da parte do sujeito.” (Quinet, 2000:88).

Benzer Belgeler