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Fitoplanktonun Kümeleme Analizine göre (Cluster Analizi) Gruplandırılması.

4. BULGULAR

4.5. Fitoplanktonun Kümeleme Analizine göre (Cluster Analizi) Gruplandırılması.

Habermas, autor de referência para a prática comunicativa, concebe que a comunicação linguística tem papel fundamental nos processos de socialização e de individuação (Aragão, 2002; Freitag, 2005).

Para Habermas (2006), a ação social se constitui na construção que ocorre entre os sujeitos, na intersubjetividade, e o trabalho se constitui na experiência da linguagem, não havendo primazia de um sobre o outro, ou seja, o trabalho e a linguagem se constituem numa relação dialética.

Na sua trajetória investigativa, Habermas propõe uma Teoria da Ação Comunicativa na qual o conhecimento se produz a partir da experiência da interação, da linguagem e da intersubjetividade. Nesta teoria, a linguagem tem ação performática, tem efeito tremendo sobre a ação, um meio regulador do comportamento e do entendimento mútuo (Freitag, 2005).

O cerne da teoria de Habermas está na intersubjetividade do acordo e na comunicação sem restrições, sejam de ordem da

autoridade acadêmica ou das tradições da cultura, de ordem política ou econômica (Habermas, 2003). Para o seu desenvolvimento, o autor busca respaldo na combinação de um arsenal teórico que passa por Marx, Weber, Adorno, Mead, Durkheim, Parsons, Piaget, Austin e Searle. A esse ecletismo o próprio Habermas justifica seu princípio metodológico de que “o objeto determina o método”. Assim se utiliza de uma gama de recursos teórico-metodológicos, muitas vezes de naturezas conflitantes, para formar uma combinatória que permita explicar a complexidade dos problemas contemporâneos e formular uma solução para os dilemas da modernidade (Aragão, 2002).

Para melhor compreensão da teoria do autor, dois aspectos merecem atenção: o conceito tríplice de mundo (objetivo, social e subjetivo) e a distinção entre mundo da vida e sistema. Tanto o primeiro aspecto quanto o segundo guardam relação dialética e a mediação entre eles é feita pela linguagem.

O conceito tríplice de mundo foi desenvolvido por Habermas a partir das formulações de Popper, em que

[...] o mundo objetivo [...] se refere ao mundo físico ou aos estados de coisas existentes; o mundo social ou normativo relacionado às normas sociais e culturais sob as quais agimos; e o mundo subjetivo que se refere ao mundo interno dos indivíduos (Artmann, 2001, p.184).

O outro conceito a ser referenciado refere-se ao mundo da vida e sistema. O mundo da vida é constituído pela cultura, pela sociedade e pela personalidade. A cultura assegura a reprodução cultural por meio de conhecimentos e tradições historicamente construídas pelas gerações anteriores; a sociedade assegura a coordenação e a integração das ações sociais no contexto normativo sob o qual agimos, e é na personalidade onde se encontram as competências individuais para a comunicação e consequente socialização. O mundo da vida apresenta duas facetas: a da continuidade e a da mudança. A continuidade seria garantida por

meio da reprodução cultural, pela integração social e pela socialização; e a mudança seria possibilitada pelo mundo da vida ser o lugar em que se questionam e reformulam as aspirações de validade, ou seja, por meio da prática argumentativa (uma forma refletida do agir comunicativo), podem ser contestadas as afirmações sobre a verdade dos fatos, a validade das normas e a veracidade das manifestações subjetivas. O sistema, constituído pelos vários subsistemas (jurídico, financeiro, etc.), foi se autonomizando e se descolando do mundo da vida, com destaque para o político e o econômico; é mediado pelo poder e pelo dinheiro e representado pela razão técnica, instrumental (Aragão, 2002; Artmann, 2001; Freitag, 2005; Habermas, 2003; Pinzani, 2009).

Na interpretação de Habermas, dois processos centrais marcam a passagem das sociedades primitivas para a modernidade: o primeiro consiste na disjunção entre o mundo da vida e o sistema, que se constituíam originalmente uma unidade e vão se desmembrando e desenvolvendo mecanismos autônomos de integração específicos para cada sistema. O segundo processo refere-se a um avanço da racionalidade técnica ou do sistema sobre o mundo da vida, o que ele denominou de colonização do mundo da vida por mecanismos de integração sistêmicos, em que a ação comunicativa vai sendo substituída gradualmente pelos mecanismos “dinheiro e poder” (Freitag, 2005; Pinzani, 2009). Apesar desta constatação, Habermas adota uma postura otimista ao afirmar que seria possível desvendar formas distorcidas de comunicação e buscar uma reconciliação entre o mundo da vida e o sistema (Artmann, 2001).

Ao buscar estruturas que permitissem analisar a razão objetivamente, Habermas passa a se contrapor, a partir de 1970, à Teoria Crítica da Escola de Frankfurt, à qual se vinculava, que adotava o conceito de razão baseado na filosofia da consciência. Neste paradigma, a fonte de legitimação de qualquer fenômeno de

consciência – entendido aqui como conteúdo mental, como as representações subjetivas que fazemos dos objetos que ela toma para si e através das quais se manifesta – é a autoconsciência do sujeito (Aragão, 2002; Pinzani, 2009). Para a razão centrada no sujeito, valem os critérios de verdade no conhecimento de objetos e de sucesso no domínio sobre objetos e coisas. Esses dois critérios medeiam as relações entre o sujeito e o mundo (Artmann, 2001).

Desde o cogito cartesiano, o fundamento da certeza da existência do próprio homem e do mundo é a consciência que ele possui de sua racionalidade. E é sobre esta racionalidade, ou melhor, sobre esta autoconsciência, que se apoia toda a capacidade do homem de produzir conhecimentos verdadeiros (Aragão 2002, p.92).

Movido pelo desejo de buscar estruturas que permitissem analisar a razão de modo não intuitivo, Habermas defende a mudança do paradigma da consciência ou da filosofia do sujeito para o paradigma da comunicação ou da intersubjetividade. Nesta mudança de paradigma, a linguagem assume papel de suma importância porque permite comunicar o conteúdo dos pensamentos, ou seja, constitui-se em um meio mais adequado para revelar de forma objetiva e estrutural os conteúdos da consciência subjetiva. Na análise da comunicação cotidiana infere a existência de uma competência universal de todo falante: a capacidade comunicativa de dizer algo, de ser compreendido pelo outro e de ambos buscarem a concordância (Habermas, 2003; Artmann, 2001; Aragão 2002; Pinzani, 2009).

Ao analisar o aspecto pragmático da linguagem, Habermas descobriu uma racionalidade heterogênea à razão instrumental, a estrutura de uma racionalidade comunicativa, que por sua natureza essencialmente dialógica e intersubjetiva tem como único objetivo o de fomentar o entendimento entre os homens e produzir acordos intersubjetivos. É sobre esta dimensão não instrumental da racionalidade que Habermas se apoiou para construir sua teoria do

Agir Comunicativo, na qual o conhecimento se produz a partir da experiência da interação, da linguagem e da intersubjetividade (Aragão, 2002; Freitag, 2005; Habermas, 2003; Pinzani, 2009).

Chamo comunicativas às interações nas quais as pessoas envolvidas se põem de acordo para coordenar seus planos de ação, o acordo alcançado em cada caso medindo-se pelo reconhecimento intersubjetivo das pretensões de validez (Habermas, 2003, p.79).

Na ação comunicativa, os atores coordenam suas ações e constroem com seus atos de fala, ao se entenderem mutuamente, acordos pautados em pretensões de validez referentes a três planos: verdade proposicional, correção normativa e autenticidade expressiva ou sinceridade. A pretensão de verdade proposicional se refere a algo no mundo objetivo e expressa a correspondência do que é dito com a realidade, ou seja, que o enunciado formulado é verdadeiro. A pretensão correção normativa se refere a algo no mundo social comum, e é expressa na totalidade das relações interpessoais legitimamente reguladas de um grupo social. Expressa que o ato de fala é correto relativamente a um contexto normativo existente e permite aos interlocutores compartilharem o enunciado do ponto de vista ético, moral e político. A pretensão de sinceridade ou autenticidade expressiva se refere a algo no mundo subjetivo próprio, enquanto totalidade das vivências a que tem acesso privilegiado. Esta pretensão de validez consente aos interlocutores o estabelecimento de uma relação de confiança, desde que reconheçam que as opiniões, intenções, sentimentos e desejos expressos são sinceros e autênticos (Habermas, 2003).

A linguagem é central para definir a racionalidade que orienta a ação, e é por meio da linguagem que os participantes verificam as pretensões de validade ligadas a afirmações, normas e formas expressivas subjetivas (Pinzani, 2009).

Na comunicação cotidiana usual, essas pretensões não são claramente diferenciadas, ou seja, não ocorrem isoladamente, são

todas interligadas. Em caso de dissenso ou da problematização persistente, os falantes competentes podem distinguir cada referência ao mundo, tematizar cada pretensão de validade e posicionar-se em cada caso relativamente àquilo com que deparam, seja referente a algo objetivo, normativo ou subjetivo (Habermas, 2003).

Correlata ao uso da linguagem enquanto forma de comunicação, Habermas desenvolve uma teoria da verdade consensual, em oposição às teorias da verdade proposicionais postuladas pela filosofia analítica. O fundamento da verdade consensual está no uso original da linguagem, como forma de alcançar o entendimento entre falantes e ouvintes (isento de qualquer coação). Ou seja, o critério para a verdade de um enunciado seria a possibilidade de se obter consenso sobre o conteúdo de uma comunicação entre os participantes, desde que este consenso seja fundamentado na argumentação, validada intersubjetivamente (Aragão, 2002; Habermas, 2003).

No agir comunicativo, os sujeitos envolvidos compartilham a interpretação das pretensões de validez dos seus enunciados ou buscam, através da argumentação intersubjetiva, recompor o entendimento.

Segundo a teoria dos atos de fala de Austin, há distinção entre diferentes enunciados, que podem ser: atos locucionários (diz algo, expressa um estado de coisas), atos ilocucionários (o locutor realiza alguma ação enquanto diz algo) e atos perlocucionários (ao falar causa um efeito sobre o ouvinte, produz algo no mundo), de modo que nenhum ato de fala se reduz ao que é dito, mas é também ação. Ainda segundo esta teoria, falantes e ouvintes se comunicam em dois níveis: no nível da intersubjetividade (por meio de atos ilocucionários estabelecem relações que lhes permitem chegar a um entendimento) e no nível de experiências e estados de coisas (sobre

os quais desejam chegar a um entendimento na função comunicativa determinada) (Aragão, 2002).

Habermas se baseia na distinção entre os atos de fala de tipo ilocucionário e de tipo perlocucionário para estabelecer a diferença entre os dois tipos de ação social: a comunicativa e a estratégica. “O tipo de interação em que todos os participantes harmonizam seus planos individuais de ação entre si e, assim, perseguem suas metas ilocucionárias sem reservas é o que Habermas denomina de agir comunicativo.” Esse tipo de agir tem uma concepção da linguagem que vê nela um meio para o entendimento. Em contraposição, na ação estratégica pelo menos um dos participantes quer produzir efeitos perlocucionários em seus opositores com seus atos de fala, ou seja, “deseja influenciar o comportamento de outro por meio de sanções, com a finalidade de que a interação atinja os efeitos que o primeiro deseja” (Aragão, 2002, p.115). Neste caso, o sujeito visa simplesmente impor uma opinião subjetiva, manipular outros sujeitos ou tratá-los como meios para alcançar sua finalidade, suas metas (Pinzani, 2009).

Outro tipo de ação, a instrumental, se baseia em regras técnicas e busca um êxito definido a priori, cuja validade depende de enunciados empiricamente verdadeiros ou analiticamente corretos (Pinzani, 2009).

Como todo agir, o agir comunicativo é também uma atividade que visa a um fim. Porém, aquele que age comunicativamente sente a necessidade de passar de uma ação que objetiva a conseguir algo no mundo (orientado pelo sucesso) para o enfoque performativo de um falante que deseja entender-se com uma segunda pessoa sobre algo. É, portanto, sobre a estrutura intersubjetiva da linguagem que está alicerçada a racionalidade comunicativa e a meta desta racionalidade é fornecer critérios para que os atores sociais possam

tomar decisões racionais, não arbitrárias, no que concerne à vida em sociedade (Aragão, 2002).

No entanto, quando há desacordo e os envolvidos na comunicação não alcançam o consenso, Habermas defende o uso da argumentação como forma de chegar ao acordo, sem que seja necessário apelar para a ação estratégica ou o uso da força. A prática argumentativa ocorre por meio do discurso, uma forma de comunicação, distinta da mera fala. Nesta, o significado de uma pretensão de validez problemática força conceitualmente os participantes a suporem que um acordo possa ser alcançado, com base na argumentação que deve ser conduzida de forma aberta e pelo tempo necessário até que se obtenha o consenso (Aragão, 2002; Habermas, 2003). Defende que na ocorrência de um acordo normativo perturbado, que pode se manifestar como conflito, deve ser desencadeado um discurso prático, em que na argumentação as pretensões de validade são expressamente tematizadas e validadas. As argumentações representam uma forma refletida do agir comunicativo (Habermas, 2003).

Benzer Belgeler