1.7. Asimetrik Bilgi Kuramı
1.7.2. Finansman Hiyerarşisi Kuramı
Adotaremos aqui o mesmo procedimento utilizado para a análise do manual didático “Junior 1”, ou seja, faremos primeiro uma descrição detalhada das imagens de cada etapa da unidade 1 (que é dividida em quatro lições, tendo como última parte uma recapitulação), e somente em um segundo momento, procederemos à análise da mesma.
A lição número 1 (Amis et Compagnie – Anexo p.6) apresenta uma “história em quadrinhos”, conforme imagem abaixo, cujo código escrito é substituído pelo oral, melhor dizendo, o aluno vê as imagens enquanto escuta um CD com as falas referentes a cada quadrinho. As imagens podem ser classificadas de
situacionais, uma vez que servem para ilustrar o contexto ou a situação mimo-
gestual, os elementos icônicos “colam” menos ao enunciado. O que se pede em relação a essa HQ é que ela seja completada com as frases transcritas abaixo da mesma.
Amis et Compagnie 1 – p. 06
Uma segunda atividade, na mesma página, traz imagens referenciais de objetos contendo cada um, uma expressão explicativa (uma borracha, uma régua, um lápis, etc.). É solicitado que o aprendiz continue a criar novas frases com outros objetos da sala de aula.
Na página 7 (Amis et Compagnie – Anexo p.7), outras imagens
ilustrativas, apresentadas em forma de desenho, trazem quatro personagens da HQ,
e o exercício solicita que os alunos associem cada imagem às frases escutadas em CD.
Amis et Compagnie 1 – p. 07
Finalizando esta etapa, duas fotos manipuladas, com imagens
situacionais comunicativas reduzidas, trazem dois personagens exemplificando os
diálogos que devem ser praticados com os alunos a respeito de objetos da sala de aula a serem aprendidos e memorizados. A imagem dos objetos, desenho ilustrativo, aparece ao lado da foto dos personagens.
Amis et Compagnie 1 – p. 07
A lição 2 (Amis et Compagnie - Anexo - p.8) mostra como no primeiro exercício uma escuta em CD cujo diálogo aparece em forma de balões com os três personagens (fotografia manipulada) se apresentando. As imagens são situacionais
comunicativas reduzidas. Aconselha-se que os alunos brinquem uns com os outros,
Amis et Compagnie 1 – p. 08
O exercício seguinte traz o mesmo tipo de imagem e o mesmo tipo de atividade, mas, desta vez, o que se trabalha é a apresentação de terceiros, para praticar verbos: a terceira pessoa do singular. A imagem é situacional comunicativa
reduzida.
Amis et Compagnie 1 – p. 08
A lição 3 (Amis et Compagnie - Anexo p. 9) continua utilizando o mesmo tipo de imagem manipulada, situacional comunicativa reduzida, com dois personagens em situação dialogada. Um personagem está vendado e deve descobrir qual objeto é colocado em suas mãos e nomeá-lo em francês.
Amis et Compagnie 1 – p. 09
O último exercício da página refere-se a uma imagem ilustração, também manipulada, com vários objetos contidos em uma mochila. Um aluno pergunta que objeto é e o outro responde dizendo tratar-se de certo objeto e faz uma apreciação positiva ou negativa a respeito do mesmo.
Amis et Compagnie 1 – p. 09
Toda a lição 4 (Amis et Compagnie - Anexo p. 10 e 11) é tomada por uma História em Quadrinhos chamada “Os Três Mosqueteiros”. As imagens são
situacionais comunicativas reduzidas e o único exercício pedido aos alunos é que
representem a historinha com seus colegas.
A seção de recapitulação (On Recapitule!) (Amis et Compagnie - Anexo p.12 e 13) das estruturas aprendidas ao longo da unidade traz somente exercícios gramaticais, listas de vocabulário, verbos, adjetivos, interjeições e também uma parte contendo questões de fonética. Faz-se necessário observar, contudo, que, das duas páginas dedicadas à revisão da unidade, somente um pequeno espaço, do lado direito de uma delas, é deixado para fotos autênticas ilustrativas descritivas, cujo título é “Culture et Civilisation” (Cultura e Civilização).
Amis et Compagnie 1 – p. 13
Seguindo a mesma linha de raciocínio que adotamos para a análise do manual didático “Junior 1”, observamos quantas imagens situacionais comunicativas foram utilizadas nessa unidade. De dez imagens analisadas, cinco são situacionais comunicativas, três são ilustrativas, uma é situacional e uma referencial. Ou seja, cinquenta por cento das imagens utilizadas são comunicativas. Comparado ao manual didático Junior 1, a porcentagem deste tipo de imagens é bem maior, o que pode significar uma maior coerência entre a metodologia proposta e a abordagem visual. Mas devemos considerar, entretanto, que não há imagem situacional comunicativa ampliada e esse dado aponta para o desejo de ancorar as imagens com diálogos preparados para cada situação de comunicação, como vemos nas imagens das páginas 7, 8 e 9 do estudado manual (Amis et Compagnie - Anexos 7, 8 e 9).
Após a descrição das imagens constantes nas lições de números 1, 2, 3 e 4 da Unidade 1, passaremos à análise das mesmas, seguindo sempre o mesmo raciocínio, ou seja, partindo da lição de número 1 até chegar à de número 4.
a) Lição 1
Amis et Compagnie 1 – p. 6
Desenvolveremos nessa lição o conceito do gênero história em quadrinhos. Voltaremos a analisar a mensagem linguística (quadrinização e figuratividade), plástica e icônica. Abordaremos, ainda, os conceitos de percepção e interpretação, material manipulado e falaremos sobre a abordagem acional.
A lição 1 é introduzida com uma “História em Quadrinhos”. Colocamos a expressão entre aspas por pensar que essa nomenclatura, citada no guia do professor, deva ser questionada, o que faremos mais à frente.
Conforme explicado no capítulo “O Gênero História em Quadrinhos”, as HQs se caracterizam como sendo “uma narrativa gráfico-visual, impulsionada por sucessivos cortes, cortes estes que agenciam imagens rabiscadas, desenhadas e/ou pintadas” (CIRNE, 2000, p. 23-24). E sobre a relação entre fala e escrita é esclarecido que ela se realiza geralmente no meio escrito, na tentativa de reproduzir a fala, a conversa informal. Para que as imagens introdutórias da lição 1 pudessem ser chamadas de HQ, elas deveriam fazer sentido por si só, contar uma história, caso não apresentassem a narrativa gráfica, ou seja, a mensagem lingüística. Mas isto não acontece, posto que o discurso é oralizado, e escutado através de um CD. Já que a HQ se caracteriza como uma narrativa, deveria haver a compreensão global da situação apresentada; entretanto, excluindo-se a mensagem lingüística, a mensagem icônica não fica clara. Embora algumas HQs possam se servir somente da mensagem plástica, sem utilização da mensagem linguística (como acontece às vezes, por exemplo, com revistinhas da Mônica, Cascão e Cebolinha, do quadrinista Maurício de Souza) para fazer-nos compreender a mensagem icônica, o mesmo não acontece na “história em quadrinhos” em questão. A narrativa não fica completa, não é possível entender o que é transmitido pelos quadrinhos.
Segundo o que analisamos sobre o manual didático “Junior 1”, a mensagem visual é composta, em sua maioria, por três mensagens: a plástica, a icônica e a lingüística. Exporemos a seguir as possíveis causas da má compreensão das citadas imagens.
De acordo com o explicado no capítulo “A Semiologia da Imagem” (JOLY, 2009), fazem parte da mensagem plástica as formas, as cores, a composição, o enquadramento, entre outros. Em relação às formas da imagem sob análise, existe certa dificuldade em destacar dados que são relevantes para uma interpretação que vá além da mera identificação dos personagens em cena, principalmente no tocante à figuratividade, já que essas formas são percebidas como dados da natureza. Não há o que dizer sobre a silhueta de um homem ou de uma mulher, e, assim, esquecemo-nos
de seu caráter escolhido. Na “HQ” da pág. 6, percebe-se que uma das personagens possui traços orientais; a escolha desta característica se justifica pelo fato de que o autor do referido manual, conforme esclarecido no guia do professor, optou por criar uma história que se assemelhasse aos “mangas” japoneses, assim foi introduzida uma personagem com características de uma japonesa. E essa é também a justificativa para que citada historinha se apresente em preto e branco, posto que os mangas são escritos e desenhados nessas cores.
Em relação à quadrinização, alguns aspectos devem ser ressaltados. Todos os quadrinhos são numerados, acreditamos, no intuito de guiar a leitura do aluno. A primeira observação que fazemos a esse respeito refere-se ao fato de que não há nas HQs usuais a necessidade de se numerar os quadrinhos, uma vez que a mensagem plástica é esclarecedora e não dificulta sua leitura. Outro motivo que deve ter levado seus autores a fazê-lo refere-se ao fato de que os “mangas” são lidos ao contrário, de traz para frente, e como o manual didático de línguas estrangeiras é, além de um bem cultural, um bem de consumo, utilizado em vários países, acredita-se que houve a preocupação em mostrar que sua leitura é feita segundo os hábitos ocidentais. Contudo, mesmo com a utilização desta estratégia, a leitura das imagens não fica clara.
Para que se possa compreender qual a narrativa contada na historinha acima mencionada, transcreveremos abaixo o texto oralizado e escutado pelos alunos através de um CD.
Meus objetos (Unidade 1 – Lição 1)43 Quem fala? Mostre os personagens!44
43
É preciso esclarecer que os personagens acima citados já foram apresentados em uma unidade introdutória do manual didático, que não escolhemos analisar, uma vez que seu esquema de apresentação se difere de todas as outras lições. 44
Mes Affaires (Unité 1 – Leçon 1) Qui parle? Montre les Personnages.
Image 1 – Max: Un sac! – Léa: C’est mon sac! Image 2 - Agathe: Une trousse!
– Léa: C’est ma trousse! Image 3 - Théo: Un livre
Image 1 – Max: Uma bolsa! – Léa: É minha bolsa! Image 2 - Agathe: Um estojo!
– Léa: É meu estojo! Image 3 - Théo: Um livro!
- Léa: É meu livro! Me dá meu livro! Me dá! – Théo: O que é?
– Léa: Os Três Mosqueteiros!
Image 4 - Max: Os Três Mosqueteiros? Bom dia! Eu, eu me chamo d’Artagnan! Ah! Image 5 - Léa: Mas não, você se chama Max...
– Max: Hé! Meu desenho… Me dá meu desenho! Image 6 - Agathe: Eu, eu sou Milady…
- Léa: Agathe!!
Image 7 - Agathe: Hé! Meu celular?!
- Théo: E você! Como você se chama? – Léa: Mas, eu me chamo Léa, veja só! Image 8 - Théo: Hé! Meu MP3! Me dá meu MP3!
Em relação à mensagem linguística, podemos dizer que ela não está bem representada através da mensagem plástica, e assim sua compreensão e interpretação ficam prejudicadas. Ao lermos o diálogo acima, percebemos que a brincadeira que os personagens fazem de representação dos “Três Mosqueteiros”, um se nomeando “d’Artagnan” e outro se nomeando “Milady” não fica clara. Somente
- Léa: C’est mon livre! Donne-moi mon livre! – Théo: Qu’est-ce que c’est?
– Léa: Les Trois Mousquetaires!
Image 4 - Max: Les Trois Mousquetaires? Bonjour! Moi, je m’appelle d’Artagnan! Ah! Ah! Image 5 - Léa: Mais non, tu t’appelles Max...
– Max: Hé! Mon dessin… donne-moi mon dessin! Image 6 - Agathe: Moi, c’est Milady…
- Léa: Agathe!!
Image 7 - Agathe: Hé! Mon portable?! - Théo: Et toi, comment tu t’appelles?
– Léa: Mais, je m’appelle Léa, voyons!
através da leitura ou escuta do discurso oralizado, podemos entender que os amigos de Léa, uma das personagens, brincavam com ela. A mensagem plástica, com seus desenhos, formas, cores, entre outros, não conseguiu expressar claramente a mensagem icônica, que, para ficar completa, tem necessidade, neste caso, da ancoragem da mensagem linguística. Ou seja, a interpretação do que acontece nesta historinha só fica completa após a escuta ou a leitura da mensagem linguística.
Ainda sobre a mensagem lingüística, podemos dizer que ela utiliza além do princípio de ancoragem, o princípio do revezamento. Ao final da historinha é dito que sua narrativa continuará na próxima unidade. Esse procedimento é explicado por Joly (2009), no capítulo da “Semiologia da Imagem”. A fala e a imagem estão em uma relação de complementaridade. As falas são um fragmento de um sintagma mais geral, da mesma forma que as imagens. A unidade da mensagem se faz a um nível superior: o da história, o do conto, o da historieta.
Mesmo com a grande riqueza de uma mensagem visual, há coisas impossíveis de serem ditas sem se recorrer ao verbal. Assim, para as indicações precisas de lugar ou de tempo, para as indicações de duração, para expressar os pensamentos recorre-se a esse recurso. No caso em questão utilizou-se a expressão “a seguir”, no final da historinha, para mostrar que a narrativa não acabava ali. Entretanto, ao analisar o segundo “capítulo” dessa historinha, percebemos que a sequência continua pouco clara, conforme pode ser visto abaixo.
Amis et Compagnie 1 – p. 14
Pelos motivos acima explicados acreditamos não se tratar de uma história em quadrinhos e sim, de uma tentativa de se contar uma narrativa através de quadrinhos, o que não se concretiza. Assim sendo, resolvemos fazer uma comparação com as imagens utilizadas nos manuais didáticos da metodologia estrutural-global-audiovisual, mais precisamente o livro “De Vive Voix”, e o manual que estamos analisando.
De Vive Voix 2 – p. 111 Amis et Compagnie 1 – p. 06
Após olhar mais detalhadamente as duas historinhas, podemos perceber que as duas tentam contar uma narrativa que não se completa sem a escuta da mensagem linguística oralizada. As imagens são classificadas como situacionais, elas servem para ilustrar o contexto ou a situação mimo-gestual e alguns elementos icônicos não são retomados no diálogo, ou aparecem para serem compreendidos mais largamente no interior de uma seqüência de imagens. E elas trazem da mesma forma números para guiar a leitura de cada quadrinho.
No tocante à mensagem plástica, no que diz respeito às formas, mais precisamente à figuratividade dos personagens, pode-se perceber, através de seus traços, com características orientais, índices de sentimento de raiva (as sobrancelhas arqueadas, os dentes serrados, os punhos fechados, a boca bem aberta como se tivesse gritando). Traços feitos em linha reta, saindo dos quatro cantos dos quadrinhos, são índice de velocidade que nos levam à mensagem icônica. Talvez a intenção do autor do desenho em questão fosse passar certa energia e velocidade, bem característicos dos personagens dos mangas japoneses.
Ainda na mesma lição observamos na parte de baixo da lição 1, alguns desenhos ilustracionais que poderiam ser comparados, da mesma forma, com imagens utilizadas no manual didático “Mauger Bleu”, publicado de 1953 a 1959, conforme gráfico da página 69. Esses desenhos, conforme explicado na seção de descrição, são uma das formas mais antigas para o uso de imagens em métodos de línguas. Eles servem somente para a representação de elementos isolados, à tradução icônica de enunciados de sentido literal relativamente claro (CANIER, 1994).
Comparando os dois tipos de desenhos, do livro “Mauger” e do “Amis et Compagnie” percebemos que quase não há diferença entre um e outro, o grande diferenciador estando no fato de o primeiro ser em preto e branco e o segundo colorido. O que pode ser explicado pela dificuldade em obter a impressão colorida na década de 50. Entretanto, os exercícios a serem pedidos em relação aos mesmos não diferem. Enquanto no manual antigo os objetos são usados para se trabalhar frases contendo o verbo “être” (ser, estar), como “- C’est un livre? - Oui, c’est un livre.” (“É um livro? Sim, é um livro”) na forma afirmativa ou negativa; no livro atual são frases do tipo “Une gomme? Hé! C’est ma gomme! Donne-moi ma gomme!” (“Uma borracha? Eh! É minha borracha! Me dá minha borracha!”).
Mauger 1 – p. 04 Amis et Compagnie 1 – p. 06
Pelo que se percebe, nos dois exemplos, os exercícios são estruturais, conforme o que exigia a metodologia tradicional. Talvez a pequena diferença esteja no fato de que o manual atual exercita com os alunos as estruturas de forma mais comunicativa, uma vez que os exercícios são feitos entre dois colegas que se
questionam a respeito dos objetos da sala, utilizando frases que introduzem os possessivos.
As imagens ilustrativas da página 7, dispostas abaixo, ainda na primeira lição, iniciam um exercício (o de número 4), em que os alunos deverão escutar mais uma vez a historinha sobre os quadrinhos para, em seguida, fazer a correspondência entre a imagem e o nome do personagem. E o exercício seguinte sugere que após a mesma escuta eles associem cada objeto mencionado a seu personagem.
Amis et Compagnie 1 – p. 07
Conforme o mencionado por Martine Joly (2009), trabalhado no capítulo sobre “A Semiologia da Imagem”, existe diferença entre percepção e interpretação. Reconhecer uma imagem ou um objeto não significa a compreensão da mensagem transmitida, que pode ter uma significação particular, vinculada tanto ao seu contexto interno quanto ao momento de seu surgimento, às expectativas e conhecimentos do receptor. As duas operações ocorrem de forma complementar e não simultaneamente.
Assim sendo, reconhecer nas imagens acima dois rapazes e duas moças, não significa que ocorra a interpretação das mesmas. E, geralmente, o que é solicitado no manual didático é que se perceba a mensagem visual, mas sem que seja explorada sua interpretação. Torna-se imperioso explicar que a unidade número zero, que introduz o manual “Amis et Compagnie”, apresenta os personagens acima dizendo somente seus nomes, sem nenhum outro comentário. E a ausência de interpretação nos leva a outro questionamento que se refere à descrição da mesma.
Segundo a autora supracitada, esse processo requer a transcodificação da mensagem visual para a verbal, e por esse motivo, ela pode ser parcial, em
primeiro lugar, pela interpretação feita por aquele que a descreve e, em segundo lugar, pelo processo de verbalização que, por si mesmo, pode trazer uma diversidade surpreendente de formulações. Essa abordagem é muito importante, pois indica até que ponto a visão de cada um é, ao mesmo tempo, coletiva e pessoal. Citada imagem poderia ser bem mais aproveitada se os alunos escutassem uma gravação contendo, por exemplo, as características físicas de cada um. Assim, haveria, pelo menos o momento da descrição, que, conforme explicado, envolve a interpretação pessoal.
Retomando o que já foi dito a respeito dos desenhos feitos para os manuais didáticos, esse recurso é muito utilizado, uma vez que diminui a polissemia, e “calibra” o material, afastando significados intrusos, secundários, que possam vir a desviar a atenção das estruturas que se deseja trabalhar. Assim sendo, as imagens apresentam somente os rostos dos personagens sobre um fundo branco, o que limita o poder interpretativo do leitor. Mas o fato de querer limitar a interpretação do aluno mostra uma incoerência por parte dos elaboradores do livro, já que os personagens da imagem acima são apresentados na historinha em quadrinhos (a ser lida e escutada) em preto e branco e, na imagem acima, eles aparecem em cores.
Segundo salienta Joly (2009) no capítulo sobre “A Semiologia da Imagem” a escolha ou ausência de cor é representativa e significativa. O fato de um personagem ser ruivo, outro castanho, outro louro e outro oriental podem significar o desejo de mostrar, por exemplo, vários povos compartilhando a mesma cultura, mostrando a França aberta para o mundo, para as questões multiculturais. É trabalho do professor, analista da imagem, decifrar as significações que a naturalidade aparente das mensagens visuais implica.
No último exercício da lição 1, conforme imagem abaixo, temos dois personagens que aparecerão da primeira à ultima unidade, sempre vestidos com a mesma roupa e o mais interessante, sem serem apresentados ou descritos.
Amis et Compagnie 1 p. 07
Segundo exposição feita no capítulo sobre “A Tipologia da Imagem”, a referida imagem é classificada como situacional comunicativa reduzida, entretanto algumas considerações devem ser feitas. O exercício referente à imagem solicita que os alunos digam os nomes e o gênero de cada objeto constante da lista ao lado, para que eles sejam memorizados através de um jogo. Entretanto, respectiva atividade traz uma troca dialogada, na qual aparece a tomada da palavra, mas em um contexto muito restrito: uma brincadeira, um jogo. Acreditamos que este tipo de diálogo não leve a uma comunicação ativa, tornando o aluno responsável por sua aprendizagem, uma vez que a estrutura trabalhada servirá a cumprir uma tarefa tão específica: enumerar objetos.
Conforme o estudado no capítulo sobre a abordagem acional, percebe-se que mencionada metodologia apóia-se sobre os pressupostos comunicativos cujo objetivo é o de dotar o aluno de uma competência de comunicação, tornando-o ativo e responsável por sua aprendizagem, capaz de efetuar tarefas em contextos variados: resolver um problema, alcançar um objetivo, levar a termo um projeto, etc. Assim sendo, o aluno é considerado como um ator social que sabe mobilizar o conjunto de suas competências e de seus recursos para conseguir se comunicar. Neste contexto, comunicar é escutar o outro falar, é ler e compreender o que o outro escreve e é, também, falar ao outro: é escrever uma carta, um resumo, um relatório. De acordo com o esclarecido no livro do professor, as atividades da lição 1 servem para propiciar uma compreensão oral da situação, assim como um treinamento à produção e à memorização do vocabulário e dos enunciados.
Nosso questionamento é no sentido de que, se a abordagem acional prega a aquisição de competências que levem o aluno a realizar tarefas, através da