6. FĠNANSAL ANALĠZ UYGULAMASI
6.1. Yatay (KarĢılaĢtırmalı) Analiz:
6.3.3. Mali yapı oranları
6.3.3.3. Finansman (borçluluk) oranı
Como a decisão da Suprema Corte sobre o caso Edwards vs. Aguillard envolvia alegação de o criacionismo ser religião e, portanto, a do seu ensino, mesmo que de forma balanceada, violar a Primeira Emenda Constitucional, o movimento antievolução começa a evitar termos como criação, Criador e criacionismo em suas investidas jurídicas. A ideia do “tratamento balanceado” permanecia, mas falava-se em ensino de evolução e das suas “alternativas científicas”. O principal conteúdo vinculado a estas tais “alternativas científicas”, entretanto, eram evidências que seriam contrárias à evolução. (SCOOT, 2009).
A chamada teoria do aparecimento abrupto (TAA) foi a primeira a ser apresentada pelos proponentes do criacionismo como uma alternativa científica à evolução após o julgamento do caso Edwards vs Aguillard. A expressão “aparecimento abrupto” fazia parte da definição da ciência da criação apresentada durante esse julgamento pelo advogado ligado ao ICR, Wendell Bird. A ideia a ela vinculada surge de forma mais detalhada na obra The Origin
of Species Revisited publicada pelo mesmo Wendell Bird logo após o julgamento, ainda em
1987. A TAA não identificava nenhum agente natural ou sobrenatural causador do aparecimento abrupto. Também não havia nada que pudesse apresentar uma conotação religiosa. Hoje, mesmo na literatura criacionista, há pouca menção à TAA. Isso decorre do “sucesso” de outra alternativa científica à evolução que vinha tomando forma entre os
criacionistas, a chamada teoria do design inteligente (SCOTT, 2009). Segundo Scott (2009, p. 122),
o design inteligente (DI) é um movimento que se iniciou alguns anos antes do caso Edwards vs Aguillard e se solidificou poucos anos depois. Como a ciência da criação e a teoria do aparecimento abrupto, o design inteligente é apresentado como uma alternativa científica à evolução, e tem sido mais bem-sucedida e atraente aos cristãos não literalistas bíblicos do que a ciência da criação.
Vários são os autores que enumeram obras que teriam fundamentado intelectualmente e/ou disseminado o design inteligente. Conhecer essas publicações, suas histórias, seus autores e vínculos que eles estabelecem é de grande importância para compreender a história desse movimento. Num primeiro momento é isso que buscamos fazer. Assim, em 1984 três cientistas protestantes, um químico, Charles B. Thaxton, um engenheiro mecânico, Walter L. Bradley, e um geoquímico, Roger L. Olsen, publicam o livro The mystery of life’s origin. Na obra, os
autores discutiam sobre o que entendiam ser a principal falha da evolução biológica: a improbabilidade de processos iniciais não direcionados serem os responsáveis pela complexidade dos sistemas vivos. O livro não fazia referências à Bíblia, mas mencionava sobre a necessidade de ter havido algum tipo de inteligência envolvida na origem da vida. Sem pretender identificar o agente inteligente que estaria envolvido, recorriam a autores que sustentavam possuir este agente uma origem extraterrestre, tomando o cuidado de evidenciar, por outro lado, que preferiam a possibilidade desse agente ser Deus (NUMBERS, 2006; SCOTT, 2009).
Em 1986, é publicada pelo físico e geneticista Michael Denton (1943), a obra Evolution:
Theory in Crisis. Nela, o autor questionava o que já era conhecido como Neodarwinismo
argumentando haver evidências para a existência de um design divino na natureza. Nesse mesmo ano Richard Dawkins (1941) publica The Blind Watchmaker (O relojoeiro cego), enfatizando o papel da seleção natural na produção da complexidade dos seres vivos, afirmando ser ela um processo automático, cego, não consciente e sem propósito. Ao longo da obra ele afirma, dentre outras coisas, que o Gênesis bíblico era um mito e que os criacionistas eram estúpidos e ignorantes (NUMBERS, 2006).
Em 1989 é publicado Of Pandas and People pelos autores Dean H. Kenyon e Percival Davis. Essa obra, intensamente pesquisada por diferentes autores, apresenta uma história de publicação particularmente interessante, reconstituída pela National Center for Science
Education (NCSE), em 2004, quando do julgamento de Dover71, abordado à frente. Ela foi publicada várias vezes com diferentes títulos e com alterações em seu conteúdo visando se adequar às decisões judiciais que envolveram o ensino do criacionismo. É nela que surgem, pela primeira vez, as expressões “design inteligente”, “proponentes do design” e “teoria do design”. A figura 4, elaborada pelo NCSE, exibe as suas diferentes publicações, títulos e a inversão de linguagem ocorrida, notadamente, partir de 1987. O objetivo inicial da publicação, ainda sob o título Biology & Origins, era disseminar a “ciência da criação” nas escolas públicas secundárias. A obra foi planejada para ser um livro didático. A análise de cartas trocadas entre os autores e editores revela que esperava-se vender, antes de 1987, isto é, antes do julgamento que decretou inconstitucional o ensino do criacionismo científico, ao redor de 6,5 milhões de dólares em um prazo de 5 anos (NUMBERS, 2006).
Figura 4: Alterações da obra Of pandas and people entre 1983 e 1993
Fonte: NCSE (2008a)
A obra, em 1987 (versão 1), estaria sendo aprimorada para seu lançamento sob o título
Biology & Origins. Algumas cópias haviam sido distribuídas em escolas para que professores
interessados pudessem testá-las. A decisão da Suprema Corte, ainda em 1987, faz com que a obra sofra transformações (versão 2). Dentre as mudanças estavam a troca do título e de alguns termos no conteúdo. A edição definitiva surge em 1989. A pesquisa realizada pela NCSE encontrou cópias que continham erros grosseiros na substituição de alguns termos evidenciando a manobra feita pelos autores/editor. Assim, em um dos livros analisados, em vez de “design
71 A adoção de Of Pandas and People por um conselho escolar de Dover, após a escola receber uma doação anônima de 500 exemplares da obra provoca o julgamento do Design inteligente de Dover que aconteceu em 2004.
proponents”, estava escrito “cdesign proponentsists”. A palavra “creationists” havia sido deletada e em seu lugar havia sido colocada a expressão “design proponentes”, mas por um erro as letras “c” e “ists” permaneceram (NCSE, 2008a; SCOTT, 2009). No livro,
usando seis estudos de caso, Kenyon e Davis compararam explicações darwinistas e ID para verificar qual seria mais a compatível com os dados científicos. Não surpreendentemente, o design inteligente - definido como um quadro teórico que ‘localiza a origem de novos organismos em uma causa imaterial: em um projeto, um plano modelo, elaborado por um agente inteligente’ - sempre venceu. Apesar da previsão extravagante de Buell [o editor] sobre a popularidade do livro, este vendeu decepcionantes 2.500 cópias em cinco anos (NUMBERS, 2006, p. 376).
Como relata Matzke (2004) essa obra geralmente não é mencionada quando membros do grupo do design inteligente fazem um retrospecto histórico do surgimento do movimento. Geralmente, os adeptos do DI iniciam sua retrospectiva histórica com uma publicação de 1991, que descrevemos a seguir. Como ele explica, estranhamente, neste caso “o livro veio primeiro, e a ‘pesquisa’ para apoiá-lo veio muito anos depois. Assim, se o ID algum dia tiver êxito, será o primeiro movimento da história da ciência que começou em um livro didático do ensino médio, para depois ser aceito pela comunidade científica” (MATZKE, 2004).
Em 1991, o presbiteriano Phillip E. Johnson (1940), professor de direito da Faculdade
de Berkeley, incentivado, também, pela publicação de The Blind Watchmaker de Richard
Dawkins, publica o livro Darwin on Trial72, objetivando expor falhas lógicas do pensamento
evolutivo (NUMBERS, 2014). Na obra, Johnson declara aceitar a microevolução e a existência de uma certa ancestralidade comum entre animais e plantas. Entretanto, ataca fortemente a ideia de que processos aleatórios não direcionados teriam sido responsáveis pela complexidade dos seres vivos e, também, o entendimento de que o naturalismo científico, seja ele filosófico ou metodológico, seria um pressuposto da ciência. Segundo ele, o naturalismo científico era injusto, uma vez que descartava, a priori, explicações teístas. Ele dizia: “[...] estou interessado no que a investigação científica sem preconceito tem a nos dizer sobre a história da vida [...] o que me torna um ‘crítico da evolução’ é que faço distinção entre a filosofia naturalista e a ciência empírica, e me oponho à primeira quando ela vem travestida na autoridade da segunda” (JOHNSON, 2008, p. 157). Para ele, portanto, naturalismo e ciência seriam coisas diferentes, sendo a empiria o que caracterizava a segunda. Segundo Numbers (2014), o que Johnson
72 No Brasil, Darwin on Trial foi publicado em 2008 pela editora Cultura Cristã, com o título Darwin do banco dos réus: o evolucionismo não se apoia em fatos. Sua base é a fé no naturalismo filosófico, traduzido por Enézio E. de Almeida Filho, Presidente Emérito da Sociedade Brasileira do Design inteligente e prefaciado por Augustus Nicodemus Lopes, então Chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
propunha era uma ressacralização da ciência. Ele “arguia que se as evidências permitiam uma explicação natural, então, evocar o Design inteligente deveria ser considerada uma resposta científica legítima. O Design inteligente, como um insider admitiu, era simplesmente uma forma politicamente correta de referir-se a Deus” (NUMBERS, 2014, p. 180, grifos do autor). É, também, Johnson que inicia a sistematização de ataque ao materialismo científico a partir da estratégia que denominou de A Cunha (The Wedge). A primeira fase da estratégia seria fundar o Center for Renewal of Science and Culture (CRSC), sediado institucionalmente junto ao Discovery Institute, uma organização conservadora de Seattle. Em menos de um ano de existência a CRSC já havia arrecadado cerca de 1 milhão de dólares de subsídio. Dentre os principais nomes do Design Inteligente que se estabeleceram no CRSC estavam: Phillip E. Johnson, Michael J. Behe (1952), católico e bioquímico da Lehigh University, o matemático, filósofo e professor de teologia Willian A. Dembski (1960), os filósofos da ciência Stephen C. Meyer (1958) e Paul A. Nelson (1958)73.
A estratégia da Cunha foi descoberta após um documento que a detalhava vazar do
Discovery Institute – CRSC para a rede mundial de computadores no início de 199974. O documento descreve uma ampla agenda social, política e acadêmica objetivando derrotar o materialismo científico. A ideia envolvida é usar a Cunha para abrir uma brecha na visão de mundo materialista (como se ele fosse o tronco de uma árvore), representada no campo científico pela evolução biológica. E, pouco a pouco ir adentrando até o materialismo científico e a evolução “rachar de vez”. Apesar de muitos proponentes do design inteligente afirmarem que a existência dessa estratégia seria uma espécie de “teoria da conspiração”, o documento foi utilizado como prova no julgamento de Dover, que abordaremos a seguir.
Trazemos alguns trechos do documento The Wedge, que contém cerca de 10 páginas. Dois são seus objetivos: “derrotar o materialismo científico e seus destrutivos legados moral, cultural e político e substituir explicações materialistas pelo entendimento teísta de que a natureza e os seres humanos são criados por Deus”. A estratégia envolveria 3 fases: “I- Pesquisa científica, publicação e propaganda; II- Propaganda e formação de opinião; III- Confrontação e renovação cultural”. Há metas estabelecidas para 5 anos e para 20 anos. Dentre as primeiras está “ver a teoria do design inteligente aceita como uma alternativa científica” e, dentre as
73 Paul A. Nelson participou do Primeiro Congresso Brasileiro do Design Inteligente realizado em 2014. 74 Uma pessoa, chamada de Matt Duss, encarregada de fazer cópias no Discovery Institute repassou o documento que estava carimbado como confidencial para Tin Rodhes que o postou na internet. A postagem inicial, realizada em 1999, pode ser acessada no endereço http://www.churchofvirus.org/virus.1Q99/0510.html (SOUZA, 2009).
segundas, está “ver a teoria do design inteligente como uma perspectiva dominante na ciência” (NCSE, 2008b).
Logo em seu início, o design inteligente (DI) recebeu críticas de diferentes grupos: dos evolucionistas e dos filósofos naturalistas: Gould, em 1992, faz uma extensa resenha na revista
Scientific American na qual criticava fortemente Darwin on Trial. Daniel C. Dennett (1942),
filósofo, em 1995, faz severas críticas aos argumentos do DI na obra Darwin’s Dangerous Idea;
dos evolucionistas teístas e criacionistas progressistas associados à ASA, aos quais os proponentes do DI, também, dirigiam severas críticas; e dos criacionistas científicos que se sentiam desprestigiados e viam com desagrado a insistência do DI de se desvincular dos relatos bíblicos, sobretudo da ocorrência do dilúvio. Dentre esses criacionistas crítico do DI estava Morris do ICR (NUMBERS, 2014).
Michael Behe e Willian Dembski desenvolveriam, pouco tempo depois da publicação de Darwin on Trial, os dois principais conceitos do DI: a complexidade irredutível e a
complexidade especificada. A complexidade irredutível, desenvolvida por Behe, surge com a
publicação de Darwin’s Black Box: the Biochemical Challenge to Evolution, em 1996, pela
Free Press of New York75. Para ele, haveria estruturas ao nível molecular que seriam irredutivelmente complexas, isto é, seriam formadas por inúmeros elementos que deveriam ter surgido ao mesmo tempo, pois todos seriam necessários ao funcionamento completo dessas estruturas. Seriam exemplos de estruturas irredutivelmente complexas: o olho, o flagelo celular, a cascata de coagulação sanguínea e as cascatas do sistema imune. A existência de estruturas irredutivelmente complexas, segundo ele, refutaria o entendimento de que a seleção natural, gradativamente, produziria a complexidade observada nos seres vivo. Por outro lado, isso seria uma evidência da existência de um planejamento realizado por um agente inteligente. Na obra ele diz:
de que maneira podemos identificar o plano com absoluta certeza? Quando é razoável concluir, na ausência de conhecimento de primeira mão ou de depoimento de testemunhas, que alguma coisa foi planejado? No caso de sistemas físicos separados – se não houver um caminho gradual para a sua produção –, o plano é evidente quando certo número de componentes separados, interatuantes, são organizados de maneira a realizar uma função que está além da capacidade dos componentes isolados. Quanto maior for a especificidade dos componentes necessários para produzir a função, maior será nossa confiança na conclusão da existência de um plano (BEHE, 1997, p. 196- 197).
75 Segundo Numbers (2014) era o primeiro livro anti-evolução publicado em por editora renomada nos últimos 70 anos. O anterior havia sido The Case against Evolution, de George Barry O’Toole publicado em 1925 (ano do julgamento de Scopes) pela McMillan de Nova Iorque. No Brasil, a obra de Behe foi publicada pela Zahar, em 1997.
Mas Behe deixa claro, na obra, que a sua crítica à evolução estaria voltada à macroevolução. Ele afirma que aceita a idade antiga da Terra, a ancestralidade comum e a microevolução. De certa forma, poderíamos dizer que a ideia de que a existência de estruturas “irredutivelmente complexas” poderia refutar a evolução biológica foi proposta pelo próprio Darwin. No capítulo VI de a Origem das espécies ele escreve: “se se pudesse demonstrar a existência de algum órgão complexo que não pudesse de maneira alguma ser formado através de modificações ligeiras, sucessivas e numerosas, minha teoria ruiria inteiramente por terra” (DARWIN, 2012. p. 173). Entretanto, ele continua:
só que jamais consegui encontrar esse órgão. Não há dúvida de que existem vários órgãos cujos graus de transição não foram ainda descobertos, especialmente quando examinamos espécies muito isoladas, em torno das quais, de acordo com a minha teoria, deve ter havido extinção. Por outro lado, quando examinamos algum órgão comum a todos os membros de uma extensa classe, donde deduzirmos que sua formação tenha ocorrido em eras extremamente remotas, quando começou a ocorrer o desenvolvimento de todos os membros componentes dessa tal classe, neste caso, se pretendermos descobrir os antigos estágios de transformação pelos quais teria passado aquele órgão, teríamos de apresentá-lo em formas ancestrais antiquíssimas, extintas há muito tempo (DARWIN, 2012, p. 173).
A complexidade especificada, desenvolvida por Dembski, surge com a publicação de
The design inference, em 1998, pela respeitável editora científica Cambridge University Press76. Na verdade, os dois conceitos complexidade irredutível e complexidade especificada estão relacionados. Simplificadamente, podemos dizer que o conceito da complexidade especificada afirma que eventos que possuem baixa probabilidade de acontecer ao acaso são, necessariamente, resultado de um planejamento (design) inteligente realizado por um agente (designer) inteligente. A complexidade especificada, neste sentido, justificaria a existência da complexidade irredutível. Em publicações posteriores Dembski desenvolve extensões ao conceito, postulando uma fórmula matemática que, segundo ele, possibilitaria o cálculo da complexidade de uma estrutura biológica. Demsbki compartilha do entendimento de Johnson de que atacar a evolução é atacar o materialismo metodológico. No final da década de 90, ele atuou, na Baylor University, no Texas, no que foi considerado o primeiro centro de pesquisa do DI (NUMBERS, 2014). Entretanto, juntamente com outros professores, foi acusado de usar sua posição acadêmica para disseminar o DI em suas aulas e, por isso, foi afastado do cargo que ocupava (GASPAR, AVELAR, MATEUS, 2007). O site do Discovery Institute cita outros
76 Como esclarecem Gaspar, Avelar e Mateus (2007), a obra praticamente não faz menção à evolução ao explicar o conceito da complexidade especificada. Isso, para os autores, explicaria a publicação da obra pela editora.
centros de pesquisa especializados no design inteligente: o Biologic Institute, uma organização sem fins lucrativos, comandado pelo biólogo molecular Doug Axe e o Evolucionary Informatics
Lab fundado por William Dembisk, dentre outros.
Em 2005 o DI se torna definitivamente conhecido do público estadunidense durante o julgamento do caso Kitzmiller vs Dover Area School District77, em Dover, Pensilvânia. Após
vários acontecimentos envolvendo a comunidade escolar local, dentre eles, desentendimentos acerca do livro didático que seria adotado pelas escolas do distrito de Dover, o conselho escolar da área determinou que os professores de ciências deveriam ler o seguinte texto em sala de aula:
os Padrões Acadêmicos da Pensilvânia exigem que os alunos aprendam a Teoria da Evolução de Darwin e depois sejam submetidos a um teste padronizado, do qual evolução é uma parte. Pelo fato de a Teoria de Darwin ser uma teoria, ela continua sendo testada conforme se descobrem novas evidências. A Teoria não é um fato. Nela há lacunas para as quais não foram encontradas provas... O Projeto Inteligente é uma explicação da origem da vida que difere da visão darwiniana. O livro Of Pandas and People está disponível para que os alunos vejam se gostariam de explorar essa visão, no esforço de obter uma compreensão do que está de fato envolvido no Projeto Inteligente. Como é válido para qualquer teoria, os alunos são estimulados a manter a mente aberta. A escola deixa a discussão sobre as origens da vida para cada aluno e suas famílias. Como orientam as normas distritais, a instrução escolar deve se concentrar na preparação dos alunos para o alcance de proficiência em avaliações baseadas em padrões (SCOTT, 2009, p. 147, grifos do autor).
Com a ajuda da Thomas More Law Center (TMLC), uma organização religiosa sediada em Michigam, William Buckingham, um dos membros do conselho escolar, escolhe Of Pandas
and People como um livro a ser utilizado como suplemento ao livro didático nas aulas de
ciências. Submetido ao conselho, o livro é aceito. Cerca de 60 exemplares da obra são doados78 ao Conselho Escolar e repassados às escolas. A decisão, implementada no início de 2005, não é cumprida pelos professores que se recusaram a ler o texto em sala de aula. A leitura é feita, então, pela administração escolar. Alguns pais e professores se unem e pedem ajuda da ACLU – que contou com a consultoria técnica da NCSE –, para representá-los em uma ação judicial contra o distrito escolar de Dover. Em dezembro de 2005, a queixa é apresentada oficialmente, a legação era que o DI era religião e não ciência, portanto, o seu ensino feria a Primeira Emenda Constitucional. A principal autora da queixa foi a mãe de um aluno, Tammy Kitzmiller. O
77 O caso teve uma ampla cobertura da imprensa e se tornou um documentário de cerca de 2 horas de duração intitulado Judgment Day: Intelligent Design On Trial produzido pela Public Broadcasting Service (PBS), em 2007. Para maiores informações: http://www.pbs.org/wgbh/nova/evolution/intelligent-design-trial.html
78 Como alguns membros da comunidade consideraram que dinheiro público não deveria ser utilizado para comprar livros supostamente criacionistas, Buckingham levantou cerca de 850,00 dólares em doações na igreja que frequentava. Aos doadores foi informado que eles estariam ajudando no apoio do ensino do criacionismo (SCOTT, 2009, p. 146).
principal objetivo da defesa era evidenciar que o DI era ciência e não religião. Argumentava-se que muitos eram os cientistas que questionavam a evolução e que os alunos deveriam pensar criticamente a respeito dos problemas enfrentados pela teoria. Parte do julgamento recaiu sobre qual era a definição de ciência e se o DI poderia ser assim classificado. Dentre os especialistas que testemunharam pela acusação estavam o biólogo celular e coautor do livro didático adotado em Dover Kenneth R. Miller, o paleontólogo Kevin Padian, os filósofos Robert Pennock e Barbara Foster, o teólogo John Haught, o educador Brian Alters e o matemático Jeffrey Shallit, este último selecionado para ser ouvido pela defesa. A defesa apresentou extensa lista de especialistas como testemunhas: o bioquímico Michael Behe, o microbiologista Scott Minnich, o professor de comunicações John Angus Campbell, o educador Dick M. Carpenter, o teólogo,