5.5. ARAġTIRMA BULGULARI VE SONUÇLARIN DEĞERLENDĠRĠLMESĠ
5.5.5. Finansal ve Demografik Özelliklerin Psikolojik Eğilimlerle Çapraz Analiz
Nos Documentos Federalistas, os Pais Fundadores estabeleceram os elementos que norteariam a Constituição e a estrutura institucional dos Estados Unidos. O princípio da separação de poderes determinava que as instituições governamentais fossem autônomas e que se diferenciassem por suas funções e competências. Para impedir que uma instituição controlasse o governo, três Poderes foram criados ― o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Como afirma James Madison no Documento Federalista 51 (2010[1787-1788], p. 7863, versão Kindle, tradução da autora):
Para que se possa criar uma fundação sólida para o exercício separado e distinto dos diferentes poderes do governo, que até certo ponto é reconhecido por todos como essencial para a preservação da liberdade, é evidente que cada departamento deve ter sua própria vontade e, consequentemente, deverá ser formado de maneira que os membros de cada um deles influencie o mínimo possível na escolha dos membros dos demais.vi
Tal estrutura, desenhada com base no princípio do governo limitado, tinha como objetivo evitar a tirania e preservar a liberdade individual. Porém, os Pais Fundadores temiam que a separação de poderes incentivasse as instituições a atentar contra as demais em busca da expansão do seu poder (OLESZEK, 2011[1992]). Eles também reconheciam que a adesão
rigorosa à separação de poderes poderia prejudicar a governabilidade.4 Como, na prática, as
questões com que se defrontam os tomadores de decisão estão interconectadas e a sua resolução depende do consentimento de diferentes instituições, a separação de poderes cria verdadeiros veto players.5 Quanto maior o número de veto players, mais difícil é alterar o status quo, gerando um
contexto propício ao impasse ou à paralisia decisória.6 A solução para esse problema foi a
conjunção da doutrina da separação de poderes (estática) com o sistema de freios e contrapesos (dinâmico).
O sistema de freios e contrapesos tem como objetivo criar uma estrutura que limita a capacidade das instituições de expandir o seu poder. Nas palavras de Hamilton (2010, p. 4503, versão Kindle, tradução da autora):
(…) a grande garantia contra a concentração gradual de diversos poderes no mesmo departamento consiste em dar àqueles que administram cada departamento os meios constitucionais e a motivação pessoal necessários para resistir ao avanço dos demais. A provisão de defesa tem que ser, como em outros casos, proporcional ao perigo do ataque. Ambição tem que ser capaz de neutralizar ambição.vii
No fragmento acima, o autor não se refere à separação de poderes em termos da diferenciação funcional ou da autonomia das instituições. O foco recai sobre o desenvolvimento de mecanismos que permitam o monitoramento de cada Poder pelos demais. Para tanto, a Constituição dotou os Poderes de diferentes atribuições e recursos.
A flexibilização da doutrina de separação de poderes inspirou a célebre afirmação de Richard Neustadt (1990 [1960], p. 29, ênfase do autor, tradução da autora) de que a Convenção de 1787 estabeleceu um governo de “instituições separadas compartilhando poderes”.viii Embora
tal flexibilização tenha se dado em prol da governabilidade, ela criou uma tensão permanente entre os Poderes. Por isso, Oleszek (2011[1992], p. 5, tradução da autora) afirma que “a Constituição dá ao Congresso e ao Presidente um convite aberto à luta pelo poder”.ix
4De acordo com o Professor Dr. Lawrence Korb, “the American political system was not designed to be effective”
(NOTAS DE AULA, 2011).
5
Veto players são os atores individuais ou coletivos cujo consentimento é necessário para alterar políticas. No caso de países presidencialistas como os Estados Unidos, o Presidente, o Senado e a Câmara dos Representantes são veto players institucionais, ao passo que, em sistemas parlamentaristas, os partidos que compõem uma coalizão governamental são chamados de veto players partidários (TSEBELIS, 2002).
6
Outros elementos que dificultam a mudança de políticas são a distância ideológica entre os veto players e a sua coesão interna (TSEBELIS, 2002).
1.1.1.1.1. Principais Atribuições do Executivo e do Legislativo
O Executivo
D iversas são as funções desempenhadas pelo Executivo estadunidense. O presidente é chefe de Estado, chefe de governo, comandante em chefe das Forças Armadas, figura importante no processo legislativo e principal tomador de decisão, especialmente no que concerne ao uso da força.
C omo chefe de Estado, o presidente representa os interesses nacionais e figura como principal negociador no cenário internacional. Compete ao presidente firmar tratados internacionais, cuja validade está condicionada à aprovação de 2/3 do Senado. Na qualidade de chefe de governo, o presidente tem a responsabilidade de fazer cumprir as leis por meio da burocracia ― organizações altamente especializadas e profissionalizadas que, sujeitas ao chefe do Executivo, implementam as políticas. O presidente tem a prerrogativa de indicar os membros do seu gabinete, os quais devem ser endossados pelo Senado. Ao receber um projeto de lei, o presidente tem autoridade para vetá-lo. O veto presidencial não é definitivo, pois pode ser revertido pelo veto do Legislativo. Embora não esteja previsto na Constituição, o presidente pode expedir decretos (Executive Orders), que não requerem a aprovação congressual para entrar em vigor. Os decretos devem dispor sobre o funcionamento do Executivo e a operação de agências ou servidores públicos federais, ou são elaborados para viabilizar o cumprimento das atribuições do presidente. Os poderes delegados se referem às leis em que o Legislativo concede autonomia ao Executivo para tomar decisões e que não estão sujeitos a alterações por emendas ou leis específicas. O poder de perdoar ofensas contra os Estados Unidos é atribuição exclusiva do presidente. Os poderes de prerrogativa, por sua vez, estão relacionados a decisões extremas, geralmente tomadas em momentos de crise internacional, nos quais o poder presidencial se expande (v., p.ex., JORDAN; TAYLOR Jr.; KORB, 2009[1981], p. 85).
O Legislativo tem competência para declarar guerra, criar e sustentar as forças armadas e estabelecer as regras para a regulamentação destas forças. Desse modo,
O Presidente é o comandante-em-chefe do exército e da marinha, mas ele não tem nada para comandar a não ser que o Congresso use o poder que possui para criar e manter exércitos e para criar e manter uma marinha. Além disso, o Congresso tem poder para criar as regras que administram e regulamentam tais forças (JORDAN; TAYLOR JR.; KORB, 2009[1981], p. 83; grifo do autor, tradução da autora).x
São, também, atribuições do Congresso a elaboração de leis e a criação e a coleta de impostos. Não obstante a elaboração de leis seja um importante trunfo do Legislativo na formulação de políticas e na circunscrição do papel das agências do governo, a antecipação da posição do presidente é fundamental, em virtude da possibilidade de que a medida seja vetada pelo Executivo. O Legislativo, por sua vez, tem autoridade para derrubar o veto presidencial, o que requer o consentimento de 2/3 da Câmara e do Senado.
Um dos poderes mais eficientes do Congresso na determinação de políticas é o “power of the purse”, ou seja, o poder para alocar e liberar fundos. Segundo a Constituição: “Dinheiro nenhum será retirado do Tesouro, a não ser como Consequência de Apropriação feita por Lei” (CONSTITUTION OF THE UNITED STATES, Artigo 1, Seção 9, tradução da autora).xi Tal
atribuição é levada a efeito em duas etapas: a autorização e a apropriação. Durante a autorização, são definidas as agências e programas que receberão financiamento governamental. A apropriação se refere à alocação de fundos para as agências e programas autorizados. De acordo com regras internas das duas casas legislativas, o Senado se incumbe da autorização e a Câmara realiza a apropriação. A partir desses instrumentos, o Congresso pode exercer influência sobre a administração governamental e a implementação de políticas.
Embora o presidente seja responsável pela implementação das leis, o Congresso se incumbe do monitoramento das atividades da burocracia. Tal monitoramento se dá a partir da coleta de informações e estudos realizados pelas equipes de apoio às comissões legislativas e da condução de audiências em que funcionários do Executivo são instados a testemunhar sobre a condução de operações pelas agências governamentais.