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a-) Finansal Duruma ve Faaliyet sonuçlarına İlişkin Yönetim Organı’nın Analizi ve Değerlendirmesi,

O processo nacional de modernização agrícola insere-se no contexto mundial de afirmação de um modelo tecnológico através da adoção de um “pacote tecnológico” desenvolvido pelos países mais industrializados e caracterizado pela utilização intensiva de máquinas, equipamentos e insumos industriais com objetivo claro de aumentar a

produtividade da terra e da mão de obra. Tal modelo, conhecido internacionalmente como “Revolução Verde”, teve início nos anos 1950 e caracterizou-se pela ação conjunta entre Estado, indústria agroalimentar e representantes de agricultores modernos. O objetivo era transformar a agricultura em um setor moderno, de modo a integrá-la ao crescimento econômico nacional. A visão de modernidade aplicada à agricultura incorpora quatro elementos ideológicos, a saber: a) a noção de desenvolvimento (ou fim da estagnação); b) a noção de abertura (ou fim da autonomia) técnica, econômica e cultural; c) a noção de especialização da produção e inter-relação com a produção global; d) a consolidação do agricultor “moderno”, empresário, individualista, competitivo, integrado ao mercado e questionador do modo de vida tradicional (ALMEIDA, 1997).

A aplicação deste modelo nos países em desenvolvimento promoveu aumentos de produtividades extremamente elevados. Na Índia, a área plantada de sementes de alta produtividade (HYV – hight yielding varieties of seeds) aumentou de 2 milhões de hectares na safra 1966-67 para 62 milhões na safra 1988-89. A produtividade aumentou 73% no período de 1966-67 a 1988-89, o que representou importante impacto econômico e garantiu a segurança alimentar de um dos países mais populosos do mundo. Porém, o referido modelo mostrou-se fortemente dependente de insumos químicos (fertilizantes e defensivos agrícolas), água e energia. Na agricultura indiana, o uso de fertilizantes químicos aumentou de 1 milhão para 62 milhões de toneladas, não apenas em função do aumento da área plantada, mas de um processo de intensificação crescente, saltando de 1,1 kg/ha de fertilizantes em 1966-67 para 62,2 kg/ha em 1988-89. Tais transformações não se limitam ao uso de insumos, mas também a um processo de intensificação do nível de capital no setor agrícola, tomando ainda a agricultura indiana como exemplo, a razão capital-trabalho no setor agrícola aumentou 61% até o final da década de 1980, e o nível de capital por área plantada aumentou 88% (DHOLAKIA; DHOLAKIA, 1992).

Assim, a difusão generalizada deste modelo de modernização induziu um aumento expressivo da produtividade ao custo de transformações estruturais não apenas econômicas, mas também sociais e ambientais significativas nos países subdesenvolvidos. A feição de tais transformações assumiram características distintas entre países em função de diversos fatores, em sua maioria relacionados ao estilo do desenvolvimento adotado. Mueller e Martine (1997) observam o papel importante das políticas redistributivas como elemento amortizador da tendência ao aumento das disparidades socioeconômicas entre produtores e regiões:

Se não se corrigem as disparidades na distribuição da riqueza – especialmente de terras – da renda e de oportunidades, a nova tecnologia agropecuária tenderá a reforçar essas disparidades. Se forem adotadas medidas redistributivas eficazes, dificilmente a tecnologia atuará para aprofundá-las. Semelhantemente, a natureza das políticas adotadas para disseminar a nova tecnologia no meio rural pode contribuir tanto para intensificar como para atenuar a concentração de terras e de renda na sociedade. (MUELLER; MARTINE, 1997, p. 86)

No Brasil, o processo de modernização agrícola tem início no final dos anos 1950, num contexto econômico de afirmação do papel do Estado enquanto planejador e coordenador do processo de desenvolvimento, abertura ao capital internacional, necessidade de fortalecimento da indústria de base, na qual se inclui a indústria química e petroquímica, e a necessidade de gerar excedentes exportáveis para contribuir com os esforços de industrialização através da substituição de importações. Neste sentido, a modernização agrícola, longe de promover apenas crescimento da produtividade, irá se aliar à estratégia de desenvolvimento, executando importantes funções, como (ARRUZO, 2009; BALSAN, 2006, DAVID; CORRÊA, 2002; LEAL; FRANÇA, 2011):

a) produzir excedentes exportáveis – a necessidade de divisas externas para dar suporte à instalação da indústria de bens de consumo e intermediários impõe um modelo de agricultura voltada para a exportação, exigindo a utilização de insumos modernos de modo a gerar produtos competitivos no mercado internacional;

b) produzir alimentos a baixo custo para as populações urbanas – o aumento da oferta de alimentos induzida pelo aumento da produtividade agrícola tem a função também de produzir alimentos a baixo custo de modo a possibilitar a manutenção de um reduzido custo de reprodução da força de trabalho e assim permitir salários mais baixos, condição necessária para aumento da taxa de lucro e acumulação de capital, levando a aceleração do investimento;

c) demanda de insumos industriais – a modernização do setor agrícola produz uma elevação da demanda por insumos modernos, induzindo o crescimento das indústrias recém-instaladas (química e mecânica) ao mesmo tempo em que fornece insumos para o complexo agroalimentar.

No Brasil, de forma similar a outros países em desenvolvimento, a articulação do segmento agrícola ao setor industrial, formando o Complexo Agroindustrial (CAI), ao mesmo tempo em que promoveu aumentos de produtividade e renda internas, gerou, em função da magnitude do processo, da importância do segmento agrícola e das especificidades relacionadas à agricultura familiar, transformações sociais e ambientais profundas.

Neste sentido, diversas pesquisas procuraram abordar os impactos sociais e ambientais relacionados ao processo de modernização. Em primeiro lugar, parece ser necessário caracterizar as transformações na estrutura produtiva. Assim, como reflexo da trajetória tecnológica percorrida e em função dos condicionantes históricos do período (como o fortalecimento do papel do Estado como agente coordenador do processo de desenvolvimento, a necessidade de geração de divisas para a continuidade do processo de industrialização via substituição de importações, a estrutura agrária existente e as significativas assimetrias regionais), tal processo irá apresentar, para a realidade brasileira, algumas feições. A primeira diz respeito à tendência de concentração fundiária, em virtude de ganhos de escala relacionados ao modelo tecnológico e condições diferenciadas de acesso ao crédito. A segunda relaciona-se à modernização assimétrica que se dá de forma mais intensa nas regiões centro-sul, com a predominância das monoculturas voltadas para exportação, para o abastecimento da indústria e da população urbana, em detrimento de produtos tradicionais e do pequeno produtor (DAVID; CORRÊA, 2002; LEAL; FRANÇA, 2011).

Ressalta-se que o modelo de modernização aplicado no país, sobretudo até o final da década de 1980, é chamado por diversos autores de “modernização conservadora” em virtude de manter e até mesmo acentuar características da produção agrária cristalizadas desde o período colonial, como a monocultura, o latifúndio e o cultivo voltado para exportação sem, no entanto, promover o fortalecimento da agricultura familiar ou uma distribuição mais equitativa do acesso à terra (BALSAN, 2006; DAVID; CORREIA, 2002; DELGADO, 2001).

Além disso, o processo de modernização promoveu a consolidação das relações capitalistas no campo, produzindo profundos impactos, tanto sociais quanto na configuração do espaço agrário nacional. Tal processo é marcado no período 1950-1980 pela forte presença do Estado como principal impulsionador, através de mecanismos como: crédito fundiário, garantia de preços mínimos, tarifas protecionistas e subsídios. No entanto, o final dos anos 1980 é marcado por uma inflexão na condução da política agrícola nacional, cuja causa encontra raízes na crise fiscal do Estado brasileiro e adoção de políticas neoliberais que determinaram mudanças significativas nas propostas de desenvolvimento para o meio rural nacional, tendo como contexto a liberação comercial do início dos anos 1990. A nova política agrícola foi marcada pelo desmonte do aparato de intervenções no setor rural (estruturado em 1930 e reforçado no período militar). Tal inflexão representou uma nova reorientação da questão agrária, em que o crescimento econômico da agricultura perde espaço como um projeto prioritário na agenda estatal. A prioridade se desloca nesta fase para a necessidade de inserção externa da economia brasileira, mas de maneira bem distinta em relação ao período

anterior, ou seja, sem o protecionismo que marcou a atividade agrícola (DELGADO, 2001; LEAL; FRANÇA, 2011).

Conforme Castilho (2004, p. 84):

O período subsequente é marcado por uma forte crise fiscal do Estado brasileiro, que impele, pouco a pouco, a uma mudança nas formas de intervenção no setor agrícola. A adoção de uma política neoliberal junto a um novo paradigma tecnológico dominante (microeletrônica, biotecnologia, redes telemáticas corporativas) propicia um novo campo de forças na estruturação das articulações entre os agentes, sobretudo da produção voltada à exportação, num contexto de democracia de mercado.

Num contexto de necessidade de inserção num ambiente globalizado e estímulo à concorrência sem aparatos protecionistas estatais, consolida-se um processo seletivo que favoreceu os setores agrícolas mais dinâmicos (aqueles relacionados ao agronegócio) em detrimento dos segmentos tradicionais e os relacionados à pequena produção familiar.

Dentre as ações que permitiram a consolidação de um modelo de desenvolvimento neoliberal e o fortalecimento do agronegócio, Veltmeyer e Petras (2008) elencam:

a) privatização dos meios de produção social – por meio da qual é revertida a política nacionalista do Estado desenvolvimentista;

b) desregulamentação– o desmantelamento do aparato regulador do Estado; c) liberalização financeira e comercial – revertendo as políticas intervencionistas

e protecionistas do Estado desenvolvimentista, abrindo a economia para forças do mercado mundial;

d) descentralização – uma das inúmeras políticas planejadas para enxugar o aparato administrativo do Estado, tirando a responsabilidade pelo desenvolvimento econômico-social e político do Estado concebido como predatório e que viveria de propriedade e investimentos, conforme proponentes da nova economia política para a sociedade civil, dando a ele a posição de parceiro estratégico na guerra do Banco Mundial contra a pobreza e em favor da constituição de um regime de boa governança.

Para Leal e França (2011), cada uma destas ações irá contribuir para a dinamização do capital no campo, desenvolvendo o espaço propício para a consolidação do agronegócio. Assim, no dizer das autoras:

O apoio ao livre comércio, abertura do mercado à entrada de empresas multinacionais que estão vinculadas à produção e processamento das commodities agrícolas, medidas econômicas e jurídicas para atrair capital estrangeiro, redução de

restrições alfandegárias, entre outras, são resultantes de uma conformação de ações para viabilizar a penetração do capitalismo no campo (LEAL; FRANÇA, 2011, p.6). Deste modo, a modernização da agricultura não representou apenas um processo de dinamização tecnológica de um segmento econômico atrasado com vistas a aumentos de produtividade e redução de custos, tal processo representou o início da ampliação do capital no campo e sua integração ao capital externo e capital financeiro. Assim, a consolidação do complexo agroindustrial irá promover não apenas alterações na estrutura produtiva, mas, sobretudo, transformações espaciais nas áreas de produção, processamento e comercialização. Tais mudanças implicarão na formação de novas regiões produtivas agrícolas, as quais Elias (2008, p. 22) denomina de “arranjos territoriais produtivos agrícolas” que acirram a

[...] refuncionalização dos espaços agrícolas e leva a difusão de especializações territoriais produtivas, denotando inúmeras seletividades, seja da organização da produção, seja da dinâmica do próprio espaço agrícola. A formação destas regiões produtivas agrícolas obedece aos interesses dos agentes hegemônicos que estão à frente de tais processos, empresas agrícolas nacionais e multinacionais, e isso significa que não seguem necessariamente às divisões políticas administrativas estabelecidas, nem mesmo aos interesses locais, regionais ou mesmo nacionais (ELIAS, 2008, p. 22).

As alterações na base técnica do segmento agrícola não se restringiram aos aumentos de produtividade da terra, mas promoveram também um processo de aumento da produtividade da mão de obra e mudança nas relações sociais e no mundo do trabalho. Assim, a reestruturação produtiva da atividade agrícola, enquanto processo derivado da modernização, favoreceu a proletarização do trabalho no campo e a separação do trabalho da terra, como consequência tem-se o aumento da sazonalidade do emprego agrícola ampliando a demanda por trabalhadores temporários (que se tornam necessários em apenas algumas fases do processo produtivo), aumento do desemprego, da instabilidade do trabalho rural e dos riscos à saúde do trabalhador decorrentes de máquinas e produtos químicos utilizados de forma inadequada, a redução da demanda por mão de obra, por sua vez, se refletirá na queda da renda real do trabalhador, tais elementos conjugados têm sido apontados como responsáveis pelo elevado fluxo de migração rural-urbana. (ARRUZO, 2009; DAVID; CORRÊA, 2002).

Além disso, a elevação do grau de dependência da agricultura em relação à demanda do setor não agrícola, juntamente com o aumento do nível de endividamento do setor, acelerou o processo de concentração fundiária, visto que muitos produtores, geralmente médios e pequenos, irão perder suas terras em virtude de dívidas financeiras contraídas para a aquisição de máquinas, equipamentos e insumos modernos (BALSAN, 2006).

Deste modo, o processo de modernização da agricultura brasileira, enquanto modificou a base técnica e a articulação com o setor industrial/exportador, favorecendo tanto o florescimento da indústria agroalimentar como a obtenção de divisas para financiar o processo de industrialização por substituições de importação, induziu fortes desequilíbrios no campo, como a concentração fundiária, o aumento do nível de endividamento do setor e o crescimento da sazonalidade e do desemprego rural com rebatimentos no processo de êxodo rural e explosão demográfica dos grandes centros urbanos no Brasil.

Benzer Belgeler