Período anterior à criação da RMSP Ano Município de São
Paulo Brasil 1890 64.934 14.333.915 1900 239.820 18.200.000 1940 1.320.317 41.165.289 1950 2.198.096 51.941.757 1960 5.371.119 70.191.370 1970 5.924.612 93.134.846
Período posterior à criação da RMSP
1980 8.493.217 119.011.052
1991 9.646.185 146.825.475
1996 9.839.066 157.070.163
2000 10.434.252 169.799.170
2003 10.677.019
Fonte: para os dados de 1890 a 1900 Milton SANTOS (1994: 22-23); de 1940 a 1960 censo demográfico do I BGE, Recenseamento Geral do Brasil, Diversos volumes; para o ano de 2003 trata-se de uma projeção da Emplasa disponível no seu sítio: www.emplasa.sp.gov.br
26 Documento extraído em 2003, Região Metropolitana de São Paulo, do sítio: www.emplasa.sp.gov.br 27 Segundo documento sobre a RMSP, extraído em 2000 no I BGE em seu sítio: www.ibge.gov.br
A produção do café no final do século XI X trouxe uma fluidez na circulação de bens, pessoas e informação que anteriormente não acontecia. O Estado de São Paulo tornou-se um "...pólo dinâmico de vasta área que abrange os estados mais ao sul e vai incluir, ainda que de modo incompleto, o Rio de Janeiro e Minas Gerais" (SANTOS 1994: 26). Todo esse processo resultou no aumento de 369,33% da população total do município de São Paulo no período entre 1890 a 1900.
A industrialização na cidade de São Paulo recebeu o seu primeiro impulso significativo após 1914, e segundo Maria Alice Rosa RI BEI RO foi:
"... a partir das dificuldades para importar durante a guerra [ primeira Guerra Mundial em 1914] , houve um impulso para a instalação de unidades produtoras de insumos e de produtos utilizados por outras indústrias".(2002: 350)
O efeito desse processo é uma reação em série que amplia ainda mais todo o parque industrial da cidade de São Paulo. É a ausência da concorrência dos produtos importados da Europa e dos Estados Unidos que favorece a indústria paulista durante o pós-guerra na década de 20 (ibidem 2002).
A industrialização, por necessitar de mão-de-obra, incentivou o crescimento populacional, que por sua vez, aumentou o mercado consumidor o que terminou por reforçar novamente a industrialização. Dessas indústrias as mais beneficiadas foram as de bens de consumo destacando-se as de calçados e as alimentícias, como a da moagem de trigo (ibidem: 350-52).
O próprio crescimento da população do Estado de São Paulo deu saltos significativos, passou de 2.282.279 habitantes em 1900 a 4.529.188 habitantes em
192028, equivalente à quase seu dobro, mas ainda é uma população
predominantemente rural.
28 segundo os dados extraídos do I BGE, Serie regional volume XXV, Tomo 1, Estado de São Paulo Censo Demográfico de
O crescimento da população urbana no caso nacional foi a combinação da expansão da agricultura monocultora — utilizando-se de maquinário agrícola, ocupando sazonalmente a mão-de-obra — e o uso da terra como reserva de valor.
Essa conjuntura causou um verdadeiro êxodo rural, o fator mais relevante na dinâmica do crescimento urbano, foi a transformação de um pais eminentemente rural em urbano em algumas décadas, logo após os anos 50 (DOWBOR 2002: 39).
O geógrafo Milton Santos comparou o Brasil de 1920 com a França, onde durante séculos as pessoas não costumavam migrar do seu local de nascimento, isto porque menos de seis por cento da população nacional da época morava fora de seus estados de origem (1994: 121).
Em 1940, a industrialização causou um processo acelerado de crescimento que concentrou 1.320.317 de habitantes na cidade. A época dos anos 50 durante a formação do parque industrial de base automobilística nos municípios de Santo André, São Bernardo e São Caetano intensificou os movimentos migratórios.
Desde então, iniciou-se a expansão em direção às áreas periféricas do município de São Paulo. No período entre as décadas de 40 e 50 o crescimento da população foi intenso. A palavra que define a importância desse período é a industrialização, mas tomada na acepção ampla:
"... como processo social complexo, que tanto inclui a formação de um mercado nacional, quanto os esforços de equipamentos de território para torná-lo integrado como a expansão do consumo em formas diversas, o que impulsiona a vida de relações (leia-se terciarização) [ desenvolvimento do setor terciário] e ativa o próprio processo de urbanização." Milton SANTOS (1994: 27)
A escala mencionada por Milton SANTOS (1994) é nacional, determinada por condições de política pública que pretendiam mudar o padrão isolado da integração nacional dos períodos anteriores, pois a integração ocorria por meio da navegação de cabotagem. Para romper com o isolamento foram realizados investimentos públicos nas estradas de rodagem e nas indústrias de base.
Nas décadas de 50 e 60, destacou-se a ampliação do parque industrial do bairro de Santo Amaro. Esses novos negócios ocuparam o território, ligando bolsões isolados e preenchendo os vazios internos pela expansão descontrolada e especulativa. A partir desse período, ocorreu a expansão dos bairros mais distantes da área central da cidade de São Paulo, graças ao aumento da oferta de transportes públicos, como os ônibus.
A migração foi intensificada quando a dinâmica de expulsão rural alcançou os Estados do Nordeste e Minas Gerais, além da alta demanda de trabalhadores não qualificados absorvidos pela construção civil. O resultado foi um intenso processo de ocupação urbana, que se irradiou a partir do município de São Paulo em direção aos municípios vizinhos, formando o maior complexo urbano da América do Sul. A população na cidade de São Paulo29 entre as décadas de 50 a 60 aumentou 244%
Os aumentos de população criaram novas demandas por transportes públicos. Nesse sentido, o Metrô de São Paulo, como sistema de integração do transporte coletivo na capital, iniciou seus estudos de implantação em 196730.
O crescimento populacional apresentou como conseqüência o aumento das moradias precárias, como as favelas e cortiços. Na década de 60, ocorreram as primeiras intervenções nas favelas da cidade de São Paulo31, consistindo na remoção da população favelada para locais com moradias adequadas. Porém, os
29 Ver tabela 5 — Número Total da População de Direito. Brasil e Município de São Paulo. 30 Fonte: arquivos do METRO. Disponível na internet no sítio:www.lidas.org.br.
novos locais situados na periferia apresentaram grandes distâncias e foram abandonados gradativamente causando o retorno às favelas (PASTERNAK 2003: 105).