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FİNANSAL TABLOLARIN SUNUMUNA İLİŞKİN ESASLAR (Devamı) 6 Önemli Muhasebe Politikalarının Özeti (Devamı)

KONSOLİDE FİNANSAL TABLOLARA İLİŞKİN DİPNOTLAR

TFRS 17 Yeni Sigorta Sözleşmeleri Standardı

2. FİNANSAL TABLOLARIN SUNUMUNA İLİŞKİN ESASLAR (Devamı) 6 Önemli Muhasebe Politikalarının Özeti (Devamı)

A análise da categoria Trabalho será realizada, inicialmente, a partir da caracterização da história de vida laboral das entrevistadas. A partir do relato que possibilitou tal resgate, juntamente com a contextualização para o momento presente, que contempla suas inserções nos empreendimentos solidários, problematizaremos alguns aspectos levantados referentes a esta categoria.

A história de vida laboral das entrevistadas é diferenciada, apesar da faixa etária semelhante. A Entrevistada A possui experiência em atividades diversificadas, já tendo trabalhado como empregada doméstica, costureira e operária. Esta última experiência estava dentro do padrão de emprego formalizado, alicerçado em formas tradicionais de assalariamento. A Entrevistada B, por sua vez, não exerceu nenhuma atividade caracterizada dentro do padrão de emprego formalizado. Suas atividades remuneradas consistiam em serviços esporádicos como costureira, mas de forma incipiente.

“Já fui operária, já trabalhei em facção, trabalhei em casa de família. E agradeço a Deus de ter surgido esse trabalho, a economia solidária pra mim. Porque quando começou eu tava desempregada. Quando eu trabalhava na fábrica, lá eram 600 operárias. Começava 6:30h da manhã e 11:30h era o almoço. Só tinha meia hora pra almoçar. Aí separava pro almoço dois grupos, 300 e 300. E quando eu chegava na fila, eu era da segunda turma, ainda tinha mulher da primeira pra receber o almoço. Eu doida pra receber meu almoço e a hora passando, demorava. Eu tinha que comer bem rápido pra dar tempo ir no banheiro, tomar água, descansar um pouquinho, né? Eu saia 5h lá de casa pra poder pegar o ônibus. Pegava dois ônibus.[...] E na facção eu entrava 7h, pegava o ônibus pra almoçar em casa, mas assim que chegava em casa já era hora de voltar. Porque o ganho é na produção, não pode perder tempo. E em casa de família também, porque também tem hora pra chegar, mas não tem hora pra sair. Era pra sair 5h, mas saia 6h, 7h da noite, porque é serviço o dia inteiro.” (A)

“Era assim, trabalhando direto, ganhando pouco.” (A)

O relato de A aponta claros exemplos de precariedade laboral em diferentes setores, seja na indústria, facção de costura ou residência familiar. A atividade exercida na

indústria, como operária, estava dentro do padrão de emprego formalizado, com horários fixos e a carteira de trabalho assinada. Já a facção referida constituía uma pequena oficina de costura subcontratada de uma confecção de médio porte. Tais iniciativas, em geral, são estabelecidas como estratégia das empresas na busca da redução dos custos da produção, especialmente em relação aos encargos trabalhistas. É um exemplo contemporâneo da flexibilização do trabalho, pois costumam operar na informalidade e manter contratos informais, com ganhos baseados na produtividade de cada costureira.

Pelo relato, vimos que as duas experiências eram caracterizadas por múltiplas formas de exploração do trabalho e pela baixíssima qualidade nos postos, com jornada e ritmo de trabalho extenuantes. Realidade semelhante foi retratada em sua experiência no serviço doméstico, visto que a empregada não goza de limite máximo sobre a jornada de trabalho, conforme disposto na própria Constituição Federal/1988. Salientamos ainda que este não trabalho não era formalizado.

Como veremos no decorrer da análise, essas condições diferem bastante do ritmo de trabalho que seu grupo produtivo lhe exige, o que influi significativamente em sua qualidade de vida.

A trajetória laboral da Entrevistada B, por sua vez, evidencia as dificuldades encontradas por muitas mulheres para inserir-se no mercado de trabalho, seja por falta de qualificação, limitações impostas pelas condições de vida, como a gravidez precoce, e ainda, o preconceito de seus companheiros, que parecem ver na autonomia financeira de sua esposa uma ameaça.

“Eu casei muito jovem, aos catorze anos. Aos 21 já tinha minhas quatro filhas Não trabalhava porque além de não ter muito tempo, meu marido é muito machista, não deixava eu trabalhar e não queria que eu estudasse. [...] Aí nas oportunidades que eu tive eu fiz supletivo, fazia um curso aqui e outro lá, aprendi a costurar. Quando ele viu eu já tava andando, costurando pra fora. [...] Mas tinha dias que dizia pra escolher “ou o trabalho ou ele”. Mas quando eu entrei no grupo eu que botei a opção para ele: “agora você que tem que escolher, você fica comigo desse jeito ou você sai.” (B)

Percebemos nos relatos exemplos variados de precarização laboral, como exploração excessiva da mão-de-obra, baixa remuneração, informalidade, desemprego e falta de oportunidades em virtude da ausência de qualificação.

Acerca de sua inserção no grupo produtivo solidário, a Entrevistada B colocou:

“A economia solidária tá indo bem, assim, tá beneficiando muitas donas-de-casa, assim, muitas pessoas, principalmente donas-de-casa que nunca trabalharam, que nunca tiveram

emprego, e hoje todas trabalham, todas tem seu dinheiro, principalmente aquelas pessoas que já passaram dos 40 e não tem mais chance de trabalho, e hoje todas tão ganhando.” (B)

Apesar de apontar aspectos positivos da Economia Solidária, como a geração de trabalho e renda a mulheres que não o tinham, esta fala denota que a Entrevistada B compreende que a inserção nesses empreendimentos não constitui a primeira opção laboral das mulheres, mas ocorreria pela escassez de oportunidades, visto que “já passaram dos 40 e

não tem mais chance de trabalho.”

Cabe salientar também que B vincula a categoria trabalho à noção de emprego, a qual contempla o recebimento de remuneração. Ao afirmar “donas-de-casa que nunca

trabalharam”, percebemos que a entrevistada não reconhece a atividade doméstica como

trabalho pela ausência de gratificação financeira. Esta relação é discutida por Crespo et al (2001), que apontam que a concepção do trabalhador como empregado assalariado verifica-se em razão da extensão hegemônica do modo capitalista de produção, em que a força de trabalho é tomada como mercadoria.

Esta fala também salienta a modificação do lugar ocupado pelo trabalho na vida das mulheres. A atividade remunerada, muitas vezes tida como secundária em relação à dedicação da mulher ao lar e à família, é agora tomada como primordial, predominando a noção de que se a mulher não sair de casa para ganhar seu próprio dinheiro, terá pouco valor.

Ao incorporar o trabalho remunerado às suas fontes de identificação, muitas mulheres incorporaram, em grande parte, a visão mecanicista de divisão das esferas pública (da produção) e privada, no qual o trabalho doméstico é tomado como espaço de não- produção e, supostamente, como um “desperdício” de tempo e energia.

Não obstante, percebemos, através dos discursos, que o trabalho não é compreendido apenas em sua relação instrumental, como meio de acesso a bens de consumo, mas também como fonte de realização, autoestima e meio de inserção social.

“Pois é, antes eu era só dona-de-casa, cuidava só das filhas e marido e rezava pra quando eu morrer ir pro céu. Lá tem muita gente que também que vivia com depressão, só dentro de casa, não fazia nada.” (B)

“Teve um aumento grande na minha autoestima. Eu me valorizo mais como mulher, como pessoa, como ser humano. Eu ganho pouco, mas eu digo assim: o dinheiro é meu, a vida é minha. Você tem uma vida, tem um horizonte para conquistar. A minha vida não é mais só ficar ali parada. E você é mais valorizado dentro de casa, na comunidade. As pessoas vêem a gente com outro olhar; não é mais coitadinha, não tem mais aquele menosprezo, você é valorizada. Posso comprar minhas coisinhas, posso fazer um financiamento. E cada dia você aprende mais, cada dia você percebe que tem que aprender mais e mais.” (B)

Estas falas denotam a compreensão do trabalho como fonte de identificação, realização e reconhecimento social: “As pessoas vêem a gente com outro olhar; [...] Você é

valorizada”. Tal compreensão reitera o papel que o trabalho assume na constituição da

identidade do trabalhador, influenciando uma nova percepção sobre si e seu entorno. Os depoimentos coadunam com as ideias de Vygotsky e Leontiév inicialmente expostas, que afirmam que a atividade tem um impacto constitutivo nas funções psicológicas superiores e influenciam a relação do sujeito com o mundo.

“Eu trabalhei a minha vida inteira. [..] A gente tem que trabalhar pra sobreviver, pra botar as coisas dentro de casa. Mas não é só isso, faz a gente se sentir valorizada, faz a gente se sentir cidadão.” (A)

A centralidade do trabalho na vida dos sujeitos se verifica na medida em que ele se constitui como principal meio de sobrevivência e fonte de reconhecimento social. Na fala da Entrevistada A, encontramos uma vinculação desta categoria com a noção de cidadania.

Tradicionalmente, o conceito de cidadania se refere à capacidade participar da vida política do Estado e de adquirir direitos e obrigações. Também pressupõe a ética da universalidade e igualdade de direitos àqueles reconhecidos como cidadão. A Constituição Federal Brasileira traz em seu bojo o direito ao trabalho, e no rol dos direitos sociais compreende inúmeros direitos trabalhistas, como salário mínimo, limite máximo da jornada de trabalho, direito a férias e repouso semanal remunerado, dentre outros. (BRASIL, 2008, Capítulo II, artigos 6º a 14º). Contudo, ainda que preconizado no teor do texto compreendido como Carta Magna, o direito ao trabalho varia conforme o discurso político vigente. Crespo et al (2001) explicam que, no discurso neo liberal, o mercado é tomado como articulador de todas as relações econômicas, inclusive as de trabalho. O acesso aos postos de trabalho, nesse sentido, dependeria da produtividade da força de trabalho, de sua dedicação e qualificação. No discurso social democrata, por sua vez, o trabalho é tomado como direito de todo cidadão, cabendo ao Estado buscar as condições para garantir o acesso e as melhores condições de exercício deste direito.

Contrapondo-se à noção do trabalho como direito universal, predomina na sociedade a responsabilização particularista e individual frente ao desemprego, com ênfase na falta de qualificação profissional. Esta noção apareceu no discurso da Entrevistada B:

Embora diretamente atrelada à questão dos direitos e à participação política, percebemos que a condição definidora da cidadania assenta-se sobre o trabalho. É o trabalho que possibilita ao sujeito reconhecer-se e ser reconhecimento socialmente; é sobre ele que se assenta o senso de direitos e deveres, bem como é ele que possibilitará o exercício da cidadania. A cidadania representa, portanto, uma noção alicerçada na ação.

Ademais, cabe ressaltar que a desestruturação da sociedade salarial e o movimento de transformação do Estado Social em Estado Mínimo representa uma crise na relação entre trabalho e cidadania, pois, mesmo constituindo uma realidade cada vez mais rara para a maioria das pessoas, percebemos que ainda é através do emprego estável que se concebe a ideia de cidadania plena. (CASTEL, 2005).

5.3. Organização Laboral na Economia Solidária

O discurso sobre a organização do trabalho no escopo dos empreendimentos solidários é apresentado de forma semelhante pelas duas entrevistadas, e estão em sintonia com os princípios solidários mais difundidos. Tal fato assume maior relevância ao considerarmos as diferenças na história de vida laboral das entrevistadas, pois ao passo que a Entrevistada A possui experiência em segmentos diversos, a inserção no grupo produtivo solidário constitui a primeira experiência de trabalho significativa da Entrevistada B.

“Trabalhei 10 anos em facção. Antes entrava 07h da manhã [...], vivia na correria, nem almoçar direito dava. Se tinha que ia pro médico eles não acreditavam.[...] Agora com esse trabalho que eu faço na economia solidária, vou deixar meu filho na escola, vou pra alguma consulta, aí antes do almoço já começo meus trabalhos. Aí a noite eu não tou cansada, vou pras minhas reuniões dos grupos.” (A)

“A diferença (na Economia Solidária) é porque a gente vê que a coisa é da gente. Lá era tudo tão corrido que eu sonhava em parar de trabalhar. Pedia a Deus pra não ter que trabalhar. Mas não podia, tinha as conta, tinha meus filho [...] Mas agora eu vejo que não era a costura que eu queria deixar, era aquele trabalho. Aqui pode até ir pra casa se quiser, contanto que entregue as peças no prazo. O certo é ir embora 17h, mas eu fico até mais tarde porque gosto.” (A)

A entrevistada A apontou significativas diferenças entre forma de organização do trabalho nos empreendimentos solidários e nos outros segmentos em que trabalhou. Essas diferenças referem-se, principalmente, à cobrança excessiva e à despersonalização do trabalhador nos outros segmentos, contrapondo-se a maior flexibilidade de horários, a maior

liberdade e autonomia presentes na organização solidária. Tais diferenças possibilitaram uma modificação da relação com a atividade que exercia - a costura - que estava adquirindo uma conotação negativa dentro das condições impostas pela organização fabril. Conforme apontado por Marx (2002b), o trabalho exercido em tais condições prejudica a identificação do trabalhador com a atividade e com o produto final, o que descaracteriza o trabalho em sua condição central. O que deveria constituir-se na forma de realização do individuo reduz-se à única possibilidade de sobrevivência. A força de trabalho torna-se uma mercadoria.

O discurso das duas entrevistadas salienta que organização do trabalho nos empreendimentos solidários possui ritmo e jornada de trabalho diferenciados. Há uma flexibilidade de horários, com foco no compromisso da realização das tarefas.

“Na cooperativa, se chega um trabalho ele é dividido com todo mundo. Mas se alguém não puder fazer, a gente respeita. Ninguém explora ninguém, ninguém trabalha obrigado. Lá você trabalha porque você gosta; se você não gostar não precisa fazer. Mas todos tem que colaborar.” (B)

Aspecto relevante observado nos dois discursos refere-se ao envolvimento no processo de trabalho. Contrapondo-se à forma de organização laboral mais presente na sociedade industrial, marcada pela especialização e segregação do processo de produção, foi relatado o envolvimento dos membros em diversas fases do processo de produção e comercialização, conferindo uma maior identificação com o mesmo.

“Lá todo mundo faz quase tudo. Quem tá na parte de administração também é artesã, o tesoureiro também é artesão. Aí assim, a gente exige que a pessoa passe quatro horas na cooperativa, e nas outras horas pode fazer o que quiser. Mas tem gente que passa o dia. Quase todo mundo faz de tudo.” (A)

“Assim, quando a gente faz qualquer produto a gente tenta colocar uma tipologia que todo mundo se envolva. Tipo assim, uma costura que também pega alguma coisa de artesanato, alguma semente.” (B)

Acerca da gestão coletiva dos empreendimentos, encontramos a referência aos princípios da autogestão nos moldes concebidos pela Economia Solidária. A autogestão se presentifica pela escolha democrática dos dirigentes, não-separação entre gestores e produtores, participação conjunta no planejamento, na produção, na destinação dos resultados e em outros temas de interesse comum.

“Nós somos autogeridos. A parte da gerência alguém se candidata pra assumir, mas o resto do grupo tem que aceitar. E também não é obrigado a ficar, se quiser pode sair.” (B)

“Nós não temos patrão, graças a Deus. É nas reuniões que a gente vê quem vai pra feira, quem vai fazer tal coisa, se você tá com tempo disponível pra fazer tal coisa. A gente bota pro grupo e vê o que é melhor pras pessoas.” (A)

Acerca dessa forma específica de gestão, Gaiger (2004, p. 389) aponta:

A prática da gestão partilhada, ou da autogestão, exerce três efeitos importantes: ela inibe as tentações de reintroduzir a divisão social do trabalho e de adotar práticas não igualitárias [...]; ela eleva o grau de comprometimento dos indivíduos, reforça os laços mútuos e favorece a criação de um ambiente de confiança mútua [...]; como terceiro efeito, a partilha da gestão predispõe ao zelo, à maior atenção e cuidados para evitar desperdícios e otimizar o processo produtivo.

Cabe salientar que esta forma particular de organização de trabalho, com foco no apoio mútuo e na solidariedade, foi inicialmente percebida com estranhamento e desconfiança pelas entrevistadas.

“Você vê gente que tá sendo explorada trabalhando 12 horas por dia em facção para ganhar 2, 3 centavos na peça. E o dono da empresa crescendo sozinho, sem compromisso nenhum com aquela pessoa. Se ela ficar doente e tiver que faltar vai ser mandada embora. [...] Aí quando mudou para a cooperativa eu achei muito difícil. Tipo assim, a gente vai fazer as peças, vai vender e vai dividir com todo mundo. Mas eu pensava: ‘se eu que fiz, porque eu não fico com dinheiro das minhas peças só pra mim’?” (A)

“No começo eu não entendia essa coisa de todo mundo fazendo tudo, dando pitaco em tudo. [...] É difícil as pessoas se identificarem com cooperativa. No começo do curso era 60 pessoas, saiu muita gente porque as pessoas não tão acostumadas com isso.” (B)

Entendemos que esta dificuldade específica ocorre devido ao desconhecimento ou falta de vivência de formas alternativas de trabalho. A participação social e política se contrasta com a lógica individualista predominante, em que o interesse pelo próximo aparece como algo secundário ou incompatível com o interesse próprio. Um desses exemplos, conforme apontam Crespo et al (2001), são as lutas sindicais reivindicatórias (exemplo clássico de participação cidadã), muitas vezes compreendida como lutas com foco no interesse individual.

Nos discursos coletados, percebemos que a inserção nas iniciativas solidárias provocou uma aproximação da noção de trabalho com a de solidariedade e participação.

“Cooperativa é totalmente diferente da empresa, porque se afundar, afunda todo mundo, se crescer, cresce todo mundo. E lá não, tem umas que lucram mais, outras lucram menos, umas vendem de um preço diferente. Vai do seu empreendedorismo, pode rolar até uma disputa. E na cooperativa não, se um afundar o grupo afunda; se eu prejudicar o meu irmão eu também me prejudico.” (A)

“Depois que você incorpora o espírito percebe que trabalha por prazer, trabalha pra ajudar o outro. Você passa a olhar as pessoas da comunidade com outros olhos, você deixa de discriminar, tenta entender porque cada coisa foi causada. Tem até uma parte de apoio social, de ajudar os outros, tentar compreender os outros.” (B)

A emergência de formas solidárias de produzir, comercializar e partilhar evidencia mudanças positivas nos processos de subjetivação contemporâneos, pautados na ação coletiva dos trabalhadores e no enfrentamento conjunto de desafios.

Também estiveram presentes nos discursos referências a outros princípios solidários, como cooperação e comércio justo.

“É diferente de cooperativa, porque lá a gente não explora o cliente e nem o trabalhador é explorado. Em cada peça é calculado o preço do seu trabalho, o tempo que você vai gastar pra fazer, mais a matéria-prima. É vendido pelo preço justo e você ganha o preço justo pelo que tá produzindo.” (A)

O conceito de comércio justo contempla a transparência nas relações comerciais e na composição dos preços estabelecidos, garantindo também a informação acerca dos produtos. Por meio da implementação de condições justas de produção, agregação de valor e comercialização, ele preconiza o desenvolvimento de relações comerciais mais transparentes e solidárias.

A prática do comércio justo e solidário deve garantir também condições dignas de trabalho e remuneração, assim como equilíbrio nas relações entre produtor e consumidor.

5.4. Proteção Social no novo mundo do trabalho

Outro aspecto relevante percebido no teor dos discursos é a preocupação com a ausência da proteção social ligada ao trabalho. Observamos que as entrevistadas possuíam noções abrangentes acerca dos direitos trabalhistas, referindo-se principalmente aos mais difundidos, como aposentadoria, 13º salário e férias remuneradas. Não obstante, apresentaram preocupação em relação ao futuro e sustentabilidade do grupo, temendo um possível desemprego. Foi observado ainda que as entrevistadas compreendem que sua atividade

laboral enquadra-se no contexto da informalidade pela ausência da carteira de trabalho assinada, o que aponta a vigência da histórica vinculação deste instrumento à garantia dos direitos trabalhistas.

“Mulher... a gente queria mesmo coisa melhor, a carteira assinada, os direitos tudim... É o

que eu queria, é o que eu quero para milhas filhas.” (B)

Ao afirmar que gostaria de “coisa melhor”, ressaltamos que a B não se referiu a uma maior retribuição ou gratificação financeira, mas sim à carteira de trabalho e os direitos a ela associados. Concepção semelhante foi apresentada pela Entrevistada A:

“Em dezembro a gente ganha mais porque tem o Natal, têm as feiras, o comércio é maior. Mas 13º mesmo não tem, FGTS não tem, seguro desemprego não tem.” (A)

“Todo mundo sonha em trabalhar de careira assinada, ter um bom salário, ter os direitos, mas é difícil. Aposentadoria o povo deixa pra pensar só depois de velho, mas tem que pensar antes.” (A)

A problemática da segurização e da proteção social ligadas ao trabalho devem ser compreendidas a partir de um diagnóstico do contexto atual.

Os sujeitos têm a necessidade das proteções sociais porque, sozinhos, não dispõem dos recursos necessários para garantir sua independência (doença, velhice, privação

Benzer Belgeler